Cristãos, Abram os Olhos

Os cristãos dizem: Jesus é o meu ídolo. Os seus ensinamentos são maravilhosos, são para o bem, mas se o fulano resolve ir no Egito e estudar os ensinamentos dos deuses dos egípcios antigos vai descobrir que TUDO o que dizem que Jesus disse veio de lá. Não existe nada na bíblia que não seja plágio das religiões mais antigas. Se fizermos uma pesquisa, nenhum pastor sabe coisa alguma sobre a bíblia a começar pelo Papa. Simples…Nenhum deles sabe hebraico e isto os torna incapazes de compreender a bíblia já que nunca estudaram a língua hebraica, a língua na qual foi escrito o Velho Testamento. Outro fato importante é que nenhum deles sabe grego. Como podem saber alguma coisa sobre o Novo Testamento que foi escrito em grego?

Analisando os supostos apóstolos. Eram analfabetos na sua própria linguagem. É só pensar: Como eles poderiam ter escrito os evangelhos do Novo Testamento em grego?

Como estelionatários e mestres em hipocrisia os ditos pastores ou “homens de Deus” ganhariam o prêmio Nobel.

Ana Burke

A Verdadeira Face de Jesus.

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Por Ana Burke
 
Aquele que pregou “Ame a seu próximo como a si mesmo” também pregou que o joio deve ser separado do trigo e deve ser queimado. Entenda-se “joio” aqueles que não o seguem e “trigo” aqueles que o seguem.
 
Em Lucas 11:27-28, podemos sentir o desprezo de Jesus pela mãe ao afirmar que o ventre que o abrigou, ou os peitos que o alimentaram, não eram bem aventurados.
 
Em João 2:3-4, podemos ver claramente que Jesus não respeita ou trata Maria como sendo sua mãe, Ele se dirige a ela como “mulher” deixando antever todo o seu desprezo pela mesma quando esta se dirige a Ele para dizer que o vinho havia acabado, no que Jesus respondeu de forma ríspida: “Mulher, que tenho eu contigo?”
Jesus foi um escravocrata e um defensor da escravatura. Segundo Jesus, os servos são inferiores, não têm direitos, tem que estar sempre a postos para quando o seu Senhor precisar e, se este não se aprontar e não fizer conforme a vontade do seu amo e Senhor, “será castigado com muitos açoites.” Lucas: 12:47
 
Jesus apoia o roubo e o assassinato das pessoas que não seguem aos seus senhores como por exemplo em Lucas 19:27: “E quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim”. Nesta parábola foram distribuídas quantias iguais a três servos. Aquele que multiplicou a quantia por dez foi premiado enquanto os outros foram castigados. Jesus não questionou de que forma este servo conseguiu aumentar tanto os lucros do amo. O que se ensina neste caso é que não importa de onde venha o lucro. O importante é multiplicar o dinheiro do amo e Senhor: “Mau servo, pela tua boca te julgarei. Sabias que eu sou homem rigoroso, que tomo o que não pus, e sego o que não semeei;
Por que não puseste, pois, o meu dinheiro no banco, para que eu, vindo, o exigisse com os juros?
E disse aos que estavam com ele: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez minas.
Pois eu vos digo que a qualquer que tiver ser-lhe-á dado, mas ao que não tiver, até o que tem lhe será tirado.” Lucas 19:22-26
 
Jesus ensinou e exigiu que os servos se sujeitem “com todo o temor aos senhores, não somente aos bons e humanos, mas também aos maus”. 1 Pedro 2:18
 
Em João 15:1-12 Ele faz chantagem e ameaça aqueles que não o seguem e diz que os mesmos devem ser queimados na fogueira: “Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem”.
 
Em Marcos 16:15-16, Jesus nos obriga a acreditar Nele.
 
Em Lucas 12:51-53 Ele diz de forma bem clara que veio para colocar uns contra os outros, principalmente os membros da mesma família: “Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão (divisão); Porque daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três. O pai estará dividido contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra sua nora, e a nora contra sua sogra.”
 
O inferno com tormento eterno nunca existiu no Velho Testamento. Inferno era sepultura. Jesus nos deu como herança a barbárie transvestida de amor. Ele não é o deus do Velho Testamento porque se fossem o mesmo deus um não iria contrariar os ensinamentos do outro.
 
Os muçulmanos matam, os cristãos torturam antes de matar e a prova está em qualquer bom museu. Eles inventaram os métodos mais cruéis de tortura que se pode imaginar e tudo é justificado e ensinado no Novo Testamento.

Origem das religiões e do Cristianismo

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Para melhor entender as origens das religiões e onde estamos agora no século XX em nossa vida religiosa, temos que voltar atrás milhares de anos. Temos que voltar ao Egito antigo. Um Egito que nunca ouviu falar de Moisés ou Abraão ou qualquer um deles. Você verá que foi no Egito onde nasceram as raízes mais básicas de ambos judaísmo e cristianismo.

Os antigos egípcios perceberam que uma vez por ano, na época das chuvas monçônicas na África central, sendo o norte da África um deserto. Esperavam pelas chuvas monçônicas nos países altos e, obviamente quando vinham as chuvas elas inundavam os afluentes no sentido norte, costa abaixo em direção aos desertos do norte da África. As águas inundariam eventualmente o Nilo, de tal forma que uma vez por ano o delta do Nilo se inundava. Era uma grande e terrível tragédia anual. A grande inundação que vinha e levava consigo o mundo dos egípcios. Eles chamavam as águas de as “águas caóticas”. Eram caóticas e destruíam tudo. Apesar de as “águas caóticas” serem terríveis e destrutivas, também traziam vida nova. Sem a vinda das “águas caóticas”, os desertos permaneceriam completamente secos e nada cresceria. Portanto, eles perceberam que essas “águas caóticas” eram na verdade uma bênção que trazia nova vida. Então, todo ano quando as águas se acalmavam, elas deixavam minerais e nutrientes que fazia com que as plantações crescessem, fazendo da primavera uma bela época por causa das “águas caóticas”. Eles celebravam a vinda das “águas caóticas” que trazia nova vida. Essa celebração era chamada no Egito de ARGHA-NOA. Não a Arca de Noé, mas ARGHA-NOA. A celebração da ARGHA-NOA era a vinda da grande inundação que levava consigo o mundo velho e trazia nova vida e, portanto renascia o Egito. Nessa época em especial (das chuvas monçônicas) a lua estava sempre em seu quarto minguante. O quarto minguante lunar ficou conhecido como ARGHA-NOA. A ARGHA-NOA ou a “lua molhada”. No cristianismo temos o batismo.

O batismo consiste na submersão em água. Como eu disse, o Egito estava submergido em água e renascia. Os povos antigos aludiam à imersão em água o fato da criança ser carregada no útero. É assim que você sabe que nascerá uma criança: quando rompe a bolsa. Portanto, água estava sempre associada à vida nova, nascimento. É por isso que quando você se converte do mundo antigo maligno ao cristianismo você precisa renascer. Você é batizado. É um tema muito antigo na verdade. Tudo que encontramos no JUDAÍSMO e no CRISTIANISMO…não há sequer um conceito, crença ou ideia expressa no judaísmo ou no cristianismo – SEQUER UMA – que não tenha vários correspondentes em diversas religiões. É uma história bem antiga. É a maior história já contada.

Para mostrar como as religiões egípcias permeiam o Antigo e o Novo Testamento dou-lhe alguns exemplos. Durante o reinado do faraó egípcio Akhenaton houve uma mudança religiosa importante. Akhenaton foi um faraó muito importante. Ele mudou abruptamente o culto egípcio de vários deuses para apenas um, com a exclusão de todos os outros. O nome desse deus era Rá. O faraó Akhenaton decretou que havia apenas um deus, o sol, e seu nome completo era AMEN-RÁ. Ele disse que quando rezássemos para Deus, deveríamos rezar através do FILHO DE DEUS: Amen-Rá. Ele representava Deus. Ao fim das orações, nos templos do Egito, eles diziam: Amém.
Nas escrituras Jesus disse: “Se teu olho for um só, haverá luz em ti”. Esse único olho era o símbolo de Amen-Rá. O olho estava sempre dentro do círculo: Era o “olho de Deus”.

Há pelo menos três referências a Jesus na Bíblia como a pedra angular rejeitada pelos pedreiros. Por exemplo, em Efésios 2:20: “…Jesus Cristo é a principal pedra da esquina”. Isso é muito importante. pergunte a qualquer arquiteto ou alguém que conheça a terminologia da arquitetura. pergunte-lhe onde se acha a “pedra da esquina” (pedra angular). Você pode encontrar uma pedra angular comum no topo ou na base da construção. Ma onde você acha a “principal pedra de esquina”? A “principal pedra de esquina” foi traduzida do grego original “topo da pirâmide”.
“Por que o topo da pirâmide”? Você pode perguntar. Tudo o que você têm que fazer é olhar o verso de uma nota de dólar, onde você achará uma pirâmide com a principal pedra angular separada da mesma. O que é mais interessante é que na nota de dólar americano, dentro da pedra angular destacada, está o Olho de Hórus, o Olho que Tudo Vê, o filho de Deus (Jesus), o olho de Rá, para quem rezamos e dizemos AMÉM.

Em Isaías 19:19, Deus diz a seu povo: “Naquele dia, o SENHOR terá um altar no meio da terra do Egito, e uma coluna se erigirá ao SENHOR na sua fronteira”. Em outras palavras, no Egito central, haverá um altar para o SENHOR. Bem no meio do Egito está Quéops, a grande pirâmide, exatamente no meio. Impressionante? Sim. Ainda mais quando você considera que o megalito já estava lá três mil anos antes de a Bíblia ser escrita.

Em João 10:11, Jesus disse: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá sua vida pelas ovelhas”. Em João 10:14 Jesus disse: “Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas…”. em Hebreus 13:20: “Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas…”. Em Apocalipse 12:5: “E deu a luz à um filho, um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro”. No Mesmo Apocalipse (19:15): “…e ele as regerá com vara de ferro…”. Bem, estabelecemos que Jesus é o bom pastor, que regerá as nações com vara de ferro. SALMOS 23: O SENHOR É O MEU PASTOR…O TEU BORDÃO E O TEU CAJADO ME CONSOLAM.” Referia-se ao faraó como o bom pastor. O pessoal da Casa Real egípcia eram chamados em egípcio de “o redil do pastor”. O faraó, sendo o representante de Iesus, o filho de Deus, era chamado de “O grande pastor”, que tomava conta do seu redil. O faraó era considerado a encarnação de Amon-Rá, que reinava por Deus na Terra. É daí que vem a ideia de um reino secular, sendo o faraó o rei. Jesus é chamado de o cordeiro de Deus. O “cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo”.

Se você quiser um tema bem antigo eis um. Praticamente todas as religiões antigas no mundo possuíam um cordeiro de Deus que tirava os pecados do mundo. Na verdade, os budistas modernos – um sacerdócio muito, muito mais antigo do que o cristianismo existia nas montanhas do Himalaia em que os budistas tinham um líder religioso chamado DALAI-LAMA. Dalai vem do latim Deus. “Dai” = Deus e “Lama” = cordeiro. Um “Lama” é um cordeiro. Portanto a palavra Dalai-Lama é o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É um conceito muito antigo e bem difundido. “O cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo” existia muito antes dos hebreus.

Pesquisem: Deus antigo turco e o cordeiro; antigo deus grego e o cordeiro; antigo deus romano e o cordeiro
Retirado do vídeo: The Naked Truth

Livros Sagrados = Imoralidade e crueldade

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Por Ana Burke

Cristo é aquele que vai ser sacrificado e pode ser qualquer um.
Segundo os preceitos cristãos as próprias ovelhas apontam o Cristo, aquele que vai morrer para salvar a sua própria pele.
O Cristo é também chamado de cordeiro; Jesus era um cordeiro e filho dileto de Deus que foi dado em sacrifício para salvar as outras ovelhas que escolheram um bandido e assassino, Barrabás, no lugar do justo.

Na bíblia, os bandidos são sempre salvos e aclamados pelas ovelhas. Esta é uma das principais lições da bíblia, exemplo a ser seguido e muito explorado nas igrejas. Justos e inocentes, em toda a história do cristianismo, sempre foram escolhidos para morrer tendo os seus corpos torturados, queimados vivos com as ovelhas como plateia aplaudindo e participando do sacrifício. A ordem é seguir o exemplo de Deus que matou o próprio filho, segundo as escrituras, e aquele que seguir o seu exemplo e for capaz de sacrificar o próprio filho pela fé será sempre premiado por este Deus. Abraão é um homem de Deus porque mataria o seu filho e faria isto com orgulho só para provar a sua fé.

Matar pela fé é algo louvável.

Em 2Reis 16,3, Acaz, rei de Judá, “chegou a fazer passar seu filho pelo fogo”. .”..até a seu filho fez passar pelo fogo, segundo as abominações dos gentios que o Senhor lançara fora de diante dos filhos de Israel.
Deus odeia os gentios e Jesus, da mesma forma odiava os gentios e manda que os apóstolos fiquem bem longe deles e dos Samaritanos – não dá pra entender o que este povo, e muitos se dizem instruídos, estão fazendo dentro das igrejas e isto só pode significar uma coisa – São ignorantes.

A mesma coisa fez outro rei de Judá, Manassés (2Reis 21,6), que também passou o seu próprio filho pelo fogo.

Jefté sacrificou a única filha virgem matando-a para agradar a Deus. “Que as filhas de Israel iam de ano em ano lamentar, por quatro dias, a filha de Jefté, o gileadita.” Juízes 11:39,40

Sacrifícios humanos são incentivados na bíblia e devem ser realizados. O que a bíblia proíbe são sacrifícios humanos a outros deuses mas matar para agradar o SEU Deus, isto é permitido e as vítimas são sempre pessoas inocentes.

Deus matou todas as crianças mais velhas dos egípcios, inclusive animais e deixou viver o Faraó, o seu suposto arqui-inimigo. Matou também a criança filha de Davi e deixou viver Davi.

Deus é um genocida, filicida, pedófilo, chantagista, ladrão, apóia a escravidão, apóia o pai fazer sexo com as filhas – caso de Ló – Apoia casamento entre irmãos – Sara era irmã de Abraão, incentiva a prostituição das esposas – Caso de Sara – manda apedrejar mulheres não virgens bastando o marido afirmar que a mulher com a qual casou não era virgem; incentiva o adultério e a poligamia.

Deus manda maldições, morte e destruição bastando um dos seus seguidores pedir por isso. Foi o caso de Eliseu quando, por o chamarem careca, foram sacrificadas 42 crianças.

Ovelhas matam irmãos, amigos e vizinhos só para serem abençoadas por Deus “e caíram do povo aquele dia uns três mil homens. Porquanto Moisés tinha dito: Consagrai hoje as vossas mãos ao Senhor; porquanto cada um será contra o seu filho e contra o seu irmão; e isto, para que ele vos conceda hoje uma bênção.” Êxodo 32:27-29

Com tantas virgens em Israel, Deus prostituiu Maria, uma mulher casada e matou o próprio filho resultado desta relação que, segundo dizem, é pecaminosa.

Moisés era um assassino e o Deus dele não poderia ser diferente.

A espada do Senhor está cheia de sangue, está engordurada da gordura do sangue de cordeiros e de bodes, da gordura dos rins de carneiros; porque o Senhor tem sacrifício em Bozra, e grande matança na terra de Edom. Isaías 34:6

Em todo o Velho Testamento as ovelhas se vangloriam da grande matança que praticam contra os gentios e até contra o seu próprio povo.

Todas as ovelhas colocam este livro em suas cabeceiras sem nunca terem lido e o seguem como se ele fosse sagrado, maravilhoso, com ensinamentos sábios e o exemplo da moralidade.

Não são só as pessoas tidas como pouco instruídas que fazem isto. Certa vez eu precisei de um médico e de um psicólogo. A médica me disse que o meu problema era mais espiritual do que físico, me perguntou se eu tinha religião e eu disse que não. Ela me olhou como se estivesse vendo o capeta e me disse que se ela não fizesse a comunhão regularmente não se sentia bem. Perguntei…Você já leu a bíblia? Ela disse: “não…inteira não”. Nunca mais voltei.

Fui na psicóloga e a mesma, da mesma forma que a médica, me disse para ler a bíblia. Disse que ela estava num grupo de estudos da bíblia e me perguntou se eu queria participar… nunca mais voltei na psicóloga.

Em todas as repartições públicas existe uma cruz ou imagem de santos, assim como as orações à vista para que as pessoas inculquem em seus cérebros a necessidade da crença.

Ninguém é dono de si mesmo e ninguém está livre das tentativas de evangelização. Todos são obrigados a crer e muitos daqueles que não creem, são obrigados a mentir ou têm medo mesmo de ser banidos dos seus grupos sociais e, principalmente, da família como acontece com as Testemunhas de Jeová, que nunca mais entram em contato com o membro da família se este abandona a igreja. São os chamados apóstatas

Moisés atravessando o Mar Vermelho

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Por Ana Burke

Moisés atravessando o Mar Vermelho. Todos eram negros o que é confirmado numa bíblia de 1611. A partir de então pintaram todos os hebreus de branco para que estes se identificassem com as estátuas e imagens à sua imagem e semelhança facilitando assim a aceitação da religião criada pelos Hebreus. Começaram a desaparecer com os grandes e famosos negros da História ou então a pintá-los de branco. No Egito as obras de arte estão na sua maior parte adulteradas e, nos filmes, nunca aparecem os egípcios como eram na realidade. É inadmissível para o homem branco que a civilização mais culta e que mais contribuição deu à humanidade tenha como protagonistas pessoas negras.

A Salvação Pela Bíblia

Aristarco D’Assell

Fernando estava finalmente frustrado com toda a humanidade. Nenhuma de suas primitivas expectativas grandiosas sobre o mundo vinha se cumprindo. No recôndito turbuleante de seu ser abalado, questionava-se, perplexo: qual é o sentido da vida? Não, não obtivera felicidade até aquele momento. E desejaria com todo o ardor compreender o porquê de seu infortúnio. Num esforço supremo, dedicou-se a ingrata tarefa de reconstituir sua vida.

A infância fôra uma maravilhosa época, da qual guardara singelas recordações. Não por que fôra fenomenal, fôra relativamente normal, mas não sofrêra tanto como posteriormente. Fôra um garoto de recursos escassos e simples, mas bem humorado, de boa compleição física e saudável. Casara-se cedo, por sorte arranjou um bom emprego e trabalhou arduamente para que sua mulher desfrutasse de conforto. Até aí, não vislumbrara ainda o sofrimento em toda sua extensão. Porém logo tudo começou: foi demitido e depois abandonado pela esposa. Amargurado, dedicou-se à bebida, numa infrutífera tentativa de reaver a bem-aventurança perdida. Os licores etílicos trouxeram-lhe doenças e mais miséria. Uma miséria interior que rasgava-lhe o corpo e oprimia o peito doído e cansado do fardo pesado de viver.

“Qual seria a solução? Quais seriam as causas do meu sofrer?” perguntava-se um perplexo Fernando. “O sistema econômico? Como irei saber, não tenho condições para declarar isso, não tive instrução necessária para tanto… “. Após muito refletir, lembrou-se, de repente, de algo que negligenciara até então: a Bíblia. “Sim, pode ser” – pensava, e seus pensamentos conturbados de repente pareciam convergir e tornar-se mais claros quanto a questão. Interpretou tal fenômeno como um aviso divino e decidiu: “Nas Sagradas Escrituras devem estar as respostas às minhas perguntas, o porquê de haver tanto sofrimento para mim assim como para a grande maioria da humanidade…”.

Lembrara-se de uma Bíblia que recebera de presente de aniversário de sua avó, já falecida, e retornou ao seu mísero lar para lê-la. Todavia, antes de abri-la, refreou sua avidez doentia e resolveu se prestar a algumas diretrizes para esse novo estudo que poderia alterar de forma radical seu futuro…

“Se na Bíblia está a palavra de Deus, ela deve bastar para nossa felicidade… Portanto, creio que posso reencontrar a bem-aventurança se agir de acordo com a palavra de Deus. Então, prometo alterar profundamente minhas convicções se estas forem de encontro às verdades reveladas, de forma a identificar a minha vontade com a vontade de Deus…” E pode-se dizer que a posterior leitura cuidadosa, na qual demorou mais de ano, modificou radicalmente suas concepções de vida. Tornara-se agora um profundo e amplo conhecedor da Bíblia, e esforçara-se de forma excepcional na compreensão dos sagrados textos bíblicos.

O que mudara na mente do Fernando? Como se estrutura seu pensar neste momento? Primeiramente, uma enorme diferença quanto ao seu antigo modo de pensar consiste numa crítica feroz e mordaz ao feminismo. Ele agora interpreta que a principal causa de sua anterior amargura foi o seu sacrifício à mulher, sua sujeição à pessoa feminina.

“O quão estúpido fui”- reflete agora de forma mais calma – “eu me tornei submisso, escravo dos desejos de minha esposa, quando o proceder de forma contrária era o correto”.

Lêra Colossenses 3:18:

“Mulheres, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor”.

E Fernando constatou que a Bíblia era profusa de advertências a esse respeito, e que ele, o culpado, não dera a devida atenção a essas diretrizes… Como poderia ele ter desobedecido o apóstolo Pedro, quando ele afirma em I Pedro 3:1

“As mulheres tem de ser submissas aos vossos maridos”?

Quanto sofrimento ele próprio trouxe ao não crer que

“A cabeça do homem é Cristo, a cabeça da mulher é o homem e a cabeça de Cristo é Deus” (I Coríntios 11:3)!

Por que ele não lêra a Bíblia antes, para saber que

“O homem não foi criado para a mulher, mas a mulher para o homem.”(I Coríntios 11:9)?

Por que dera vazão aos desejos de sua esposa quando nas Escrituras Sagradas há o mandamento claro e límpido:

“As mulheres devem ficar caladas nas assembléias de todas as igrejas dos santos, pois devem estar submissas, como diz a lei.”(I Coríntios 14:34)?

E ele compreendeu que começara a desvendar o que ele designara por “mistério do sofrimento do mundo”. As mulheres tem direitos demais, uma atitude claramente anti-bíblica! Como seria feliz se tivesse seguido os preceitos:

“Que a mulher aprenda em silêncio, com total submissão. A mulher não poderá ensinar nem dominar o homem”(I Timóteo 2:11-12) e “O marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja. Do mesmo modo que a igreja é submissa a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo aos maridos”(Efésios 5:22-24)…

Porém muitas coisas mais se alteraram na estrutura psíquica de nosso amigo Fernando. Suas crenças foram objeto de uma total reconstrução, e muito do que imaginara ser abominável para o homem agora crê ser o seu ideal.

“A Bíblia é a palavra de Deus, e devemos aceitar o que nela está escrito, pela fé, pois pela fé somos salvos. Mesmo que seus ensinamentos pareçam absurdos à primeira vista, devemos resignarmos com a palavra divina, que corta e fere, mas eleva nosso espírito.”E Fernando agora já não é mais adversário do incesto. Seu pensar estrutura-se dessa forma: “Não acusam a Bíblia de seguir os preconceitos da época em que foi escrita e, por isso, não ser de origem divina? Posso dar-lhes uma ótima objeção: a maioria esmagadora das sociedades abomina o incesto, mas a Bíblia não. Há melhor prova de que ela está acima dos errôneos preceitos humanos? A maioria de nós, pobre mortais, diria que incesto está contra os interesses da família, mas Lot, quem a Bíblia considera ser um homem de bem, fez sexo com as duas filhas dele (Gênesis 19:33-36); e não houve nenhum castigo para Lot ou para as filhas! Espantava-me tal proceder, todavia compreendi a extensão da sabedoria divina: quem melhor que um pai, com todo o amor paternal, para iniciar a filha nas carícias do amor?”

Fernando mudou de forma crucial seu pensamento numa questão que é objeto de unanimidade nos dias de hoje: a escravidão. Ele sempre rejeitou-a com todo o ardor de seu coração… Porém agora a Bíblia abriu seus olhos, e ele pode observar de modo elevado os meios pelos quais a justiça divina atua. “Por que a humanidade não se utiliza mais da escravidão? Por que insiste em designar-se cristã, rejeitando os ensinamentos divinos?” – e, diga-se de passagem, sua revolta é muito justa. Na Bíblia que lera não aparece constantemente o tema da escravidão? Ora, em Colossenses 3:22 lê-se:

“Escravos, obedecei em tudo aos vossos senhores terrenos, não só sob o seu olhar, como se os servísseis para agradar aos homens, mas com simplicidade de coração, por temor de Deus”, e em I Pedro 2:18 também lê-se: “Servos, sedes submissos, com todo o temor aos senhores, não só aos bons e humanitários, mas também aos que são duros”.

“Poderiam criticar-me afirmando que utilizo-me de somente duas passagens, o que porém não reflete a realidade”- pensa o agora afortunado Fernando. “Existem na realidade freqüentes passagens mais sobre a escravidão, levando-me a crer que esta não fere tão profundamente a vontade divina”.

Fernando, no objetivo de convencer-se, lembra-se dos trechos:

“Todos os escravos devem considerar os seus senhores dignos de toda a honra, para que não se fale mal do nome de Deus”(I Timóteo 6:1), “Escravos, obedeçam aos vossos senhores”(Efésios 6:5), “Os escravos devem estar submissos em tudo aos senhores. Que lhes sejam agradáveis, não os contradigam, não roubem.”(Tito 2:9-10).

É notável o fato de que a Bíblia também dita normas aos senhores de como proceder para com os escravos, e esse fenômeno não escapou ao minucioso estudo de Fernando. E novamente estas não se constituem em nenhum alívio do fardo do trabalho forçado, como um exultante Fernando observa:

“Se alguém ferir seu escravo ou sua escrava com um bastão e morrer sob suas mãos, seja punido severamente, mas se sobreviver um ou dois dias, não seja punido, porque é seu dinheiro” – Êxodo 21:20-21.

Um trecho muito interessante, que teve muita influência no advento da nova mentalidade de Fernando, é Êxodo 21:2-6:

“Quando comprares um escravo hebreu, servir-te-á seis anos, mas ao sétimo sairá livre e gratuitamente. Se entrou sozinho, sozinho sairá; se estava casado, sua esposa sairá com ele. Se seu amo lhe tiver esposa, e esta lhe tiver dado à luz filhos ou filhas, a mulher e os filhos serão de seu amo e ele sairá sozinho. Se o escravo porém, disser: “Amo meu senhor, minha esposa e meus filhos; não quero sair livre”, então seu senhor o levará diante de Deus, fá-lo-á aproximar-se da porta ou do umbrau da mesma e lhe furará a orelha com uma sovela, e ficará seu escravo para sempre”. As regras de como se adquirir escravos mais uma vez confirmam essa idéia: “Escravos e escravas para vos servires, podereis adquiri-los entre os povos circunvizinhos. Poderes também comprá-los dentre os filhos dos estrangeiros, que habitarem entre vós e dentre suas famílias, nascidos e crescidos na vossa terra, e serão vossa propriedade”(Levítico 25:44-45).

Fernando reflete seriamente na questão inevitável: “se a escravidão não fere a lei divina, então quem deve ser escravo?” E encontra a resposta no livro do Gênesis: quando Canaã comete o imperdoável pecado de ver seu pai nu, este se revolta e torna Canaã o último escravo de seus irmãos(Gênesis 9:25). Então Fernando chega à indubitável conclusão que quando alguém comete um pecado mortal imperdoável, deve ser feito escravo dos homens de bem.

Podemos agora vislumbrar num panorama mais amplo as grandiosas mudanças do pensamento de Fernando. É realmente um novo homem, pois agora sanciona o incesto, apóia o machismo e aprova a escravidão. E somos neste momento capazes de compreender a causa dos sofrimentos de Fernando.

“Não, não foi a bebida” – explica Fernando aos apressados que criticam seu alcoolismo – “Esquecem-se vocês de que Noé andava com Deus, era o mais justo e perfeito da Terra(Gênesis 7:9) mas se embriaga e aparece nu no meio de sua tenda(Gênesis 9:21)?

Se beber fosse essa depravação da qual sou acusado, porque o melhor homem da face da Terra se embriagaria?”, replica, imponentemente.

“A causa do meu antigo sofrer foi não ter seguido os ensinamentos bíblicos e haver tentado fornecer conforto à minha mulher…

Oh, Deus, perdoe-me a minha ignorância, não sabia o que fazia…” conclui, num ato de constrição e paradoxalmente, também de triunfo. O triunfo de haver desvendado o segredo da felicidade…

Fonte: http://www.mphp.org/racionalismo/a-salvacao-pela-biblia.html

Um Panorama da Credulidade.

Aristarco D’Assell

        Neste ‘panorama da credulidade’, creio ser imperioso iniciar o ensaio com uma definição de ‘credulidade’. Conceituo ‘credulidade’ como ‘a capacidade de se acreditar em alguma assertiva destituída de fundamento racional’. Porém, infelizmente, a questão sobre as causas e conseqüências da credulidade não é passível de ser exposta em termos tão simplórios. O crédulo freqüentemente acredita que sua crença é racional – fundamentada solidamente nos sagrados pilares da razão – e essa particularidade introduz um obstáculo à propagação do ceticismo sadio; em outras palavras, ninguém aprecia descobrir não ser tão racional quanto pensa: poucos – os mais grandiosos espíritos da espécie humana – entre os mais elevados advogados da liberdade – são capazes de se reconhecer imersos nos odiosos abraços do erro.

Constantemente me encontro aturdido – como um esfarrapado estúpido que se depara com um fato ininteligível – ante à facilidade humana de conferir crédito a declarações inverossímeis. Temo que a credulidade seja a fraqueza humana mais difundida – a mácula que degrada a humanidade – a ilusão mais perfeita e, ao mesmo tempo, mais insana – e pretendo, por meio deste texto, expor algumas das crenças que me parecem mais curiosas; extrair deste manancial inesgotável de lendas e mitos da humanidade – que comumente se alimenta de forma expressiva dos veios fartos das religiões – algumas – uma modesta minoria – que insistem em permanecer protagonistas no palco do trágico drama do desfacelamento da razão humana.

Gostaria de começar com uma história hipotética – que inclusive consiste em um pequeno teste para a credulidade do leitor – para introduzir o assunto: imagine que muitos indivíduos almejassem a morte de um homem de relevância – adornado com o fardo pesado da coroa da importância histórica – que denominaremos ‘X’. Esses indivíduos não estão sob uma coordenação central e empreendem vários projetos de assassinato. Primeiramente, um dia colocam um líquido no lugar do combustível em seu helicóptero, calculando de forma tal que o helicóptero cairia após uns dez minutos de vôo. X comumente utiliza esse helicóptero em especial como meio de transporte, porém, curiosamente, naquele dia ele não o utilizou, escapando por pouco da foice da morte. Então, um outro grupo decidiu colocar uma bomba disfarçada sob a forma de mala ao seu lado, sob a mesa em que estava sentado – uma empreitada muito difícil, dada a dificuldade de se introduzir no escritório de X, porém conseguida após muitos esforços – todavia uns minutos antes da bomba explodir, um amigo de X vai conversar com ele, incomoda-se com a mala e então a leva para um lugar mais longe. A bomba explode, mata o amigo – contudo X sobrevive com pouquíssimos e leves ferimentos além das calças rasgadas. Uma terceira tentativa consistia no lançamento de uma ampola de gás venenoso na chaminé de sua casa – porém, próximo ao dia do lançamento foi colocada uma tela na chaminé que impedia a introdução da ampola. Detalhe no mínimo curioso: durante anos a chaminé esteve descoberta e somente bem próximo da terceira tentativa frustrada foi instalada a tela.

Supondo-se a história verdadeira, qual a explicação do leitor para essa sucessão de fracassos? Geralmente, quando conto essa história, sou confrontado com declarações do tipo: ‘era destino’, ‘Deus julgou que não estava na hora’, ‘X não havia cumprido sua missão’ e até ‘X tinha um guru espiritual muito elevado e sábio’. Relativamente poucos afirmam acreditar, com firmeza, que foi esse um caso de pura sorte ou acaso.

Porém há mais um mísero detalhe que gostaria de acrescentar como um rodapé à história: ela, com pouquíssimas modificações, é verdadeira, corresponde à realidade. Ela realmente aconteceu com um dos mais célebres personagens da história: nada mais nada menos do que Hitler, o ditador sangüinário nazista que arrastou o planeta para a pior – a mais desumana e cruel – de suas guerras.

Digno de nota observar o que aconteceria caso Hitler fosse morto numa dessas tentativas: sob a perda de sua personalidade magnética e coordenação central, tudo leva a crer que a Alemanha entraria em colapso e a guerra acabaria de forma muito mais súbita – e provavelmente uns dois milhões ou mais de judeus seriam salvos da morte – pois é fato que os assassinatos em massa de judeus foram muito acelerados com o fim da guerra, por ordem expressa de Hitler, que inclusive desviou recursos bélicos preciosíssimos no fim da guerra para incrementar a velocidade dos assassinatos em seus famigerados guetos.

Será que, tendo em mente essas informações, continuará sendo tão simples e fácil reivindicar para Deus a misericórdia infinita de ter salvo a vida deste homem? Será que Deus – definido como o Ser perfeito – tornaria-se cúmplice e indiretamente culpado pela morte de milhões? Esse crime seria uma mancha até no caráter do diabo! Um espírita chegou a declarar-me que Deus reservava para Hitler algum propósito(senão – perguntou-me ele – porque sua vida teria sido salva?). Talvez ele creia inconscientemente que a extinção dos judeus resulte benéfica para o mundo(se isto for verdade, seria uma forte evidência a favor do famoso slogan do chefe de propaganda nazista, Goebbels: “uma mentira repetida inúmeras vezes torna-se verdade”). Porém creio que alguém cuja bondade natural não tenha sido desbotada pela fé – um ser que não tenha sido desvirtuado pelo dogma – não pode jamais concordar com tal crença cruel ao extremo – um verdadeiro punhal encravado no recôndito imaculado das almas teístas. Mesmo assim, somos informados de que nada é feito sem que Deus permita. Se isto procede, então teremos que refutar Sua bondade ou obrigados a descrer de Sua existência – a não ser que desejemos que esta crença desalmada – digna de hospícios e não de uma mente sadia – enrosque-se ainda de forma mais íntima e profunda nos corações ternos e gentis.

Parece-me muito menos inquietante pensar que as tentativas frustradas devem-se ao acaso cego – à sorte sem um objetivo definido – à coincidência aleatória – contudo jamais com o consentimento de um Deus que é infinitamente bondade. É provável que meu pensar seja evidência do quão balbuciante e pouco evoluída minh’alma se insere na áspera senda do desenvolvimento espiritual.

A idéia de um Deus vivo e atuante – uma providência divina que cuida de nós – um espírito cósmico que nos auxilia e fornece paz – leva, estranhamente, muitas pessoas a crenças interessantes. Em busca da coerência, logo após afirmarem que Deus é perfeita sabedoria e infinita bondade, adicionam a crença de que as pessoas sempre estão providas de virtudes suficientes para que possam ser salvas, enfrentar as dificuldades ou pelo menos que possam passar por elas sem traumas irreparáveis. Esta doutrina se condensa esplendidamente no ditado: ‘Deus dá o frio conforme o cobertor’.

Concordo com o fato de que essa doutrina auxilia a lidarmos com nossos problemas – meus lábios são um túmulo quanto ao indivíduo que a aplique a si mesmo – porém sou adversário mordaz de quem a impute à humanidade inteira. Já que mencionei Hitler – o sangüinário ditador alemão – voltemos aos campos de concentração nazistas. Uma criança – sadia, mas integralmente imatura para lidar com o sofrimento – assiste às cenas mais impiedosas da história da humanidade: fome, tortura, experiências cruéis com humanos, assassinatos em massa, estupros – enfim, assiste ao sofrimento em seu mais alto grau concebível. É possível para um ser que se considere são sequer imaginar ser ela capaz de suportar esse sofrimento – ou pelo menos capaz de não ser infeliz por causa dele? Realmente há alguma criança normal que consiga assistir à tortura e execução de seus pais sem ficar traumatizada? Não é natural esperar que parte do indesejado espectro do tormento a persiga, cruel e constante, pelo resto de sua vida? Acreditar que, apesar de tudo, ela pode passar incólume por uma experiência dessa é compactuar com a crueldade – é desprezar a caridade – para uma satisfação egoísta e covarde de nossos anseios menos nobres.

É por isso que o ceticismo exige, antes de tudo, coragem – o destemor de não iludir-se com ilusões que trazem uma felicidade questionável – o inexpugnável anseio de não pertencer ao que Bertrand Russell denominava ‘paraíso de insensatos’. O objetivo da vida pode – e deve – ser a felicidade do maior número possível de pessoas; e exatamente por isso jamais pode consistir numa crença egoísta que contempla os felizardos e degrada os degradados. Crença que para os afortunados consiste num consolo, para os oprimidos, trata-se de um fardo, no mínimo, injusto. Injusto visto que implica numa punição ao homem mais penalizado. Acreditar nessa doutrina é conferir à solidariedade uma rédea eterna – uma cumplicidade com a constância do sofrimento irracional que deve ser excluída de um código de crenças moral e sensato.

Outra crença curiosa relaciona-se com o célebre ‘problema do mal’; ou seja, a questão de entender porque há o sofrimento no mundo se Deus é infinitamente bom. Os espíritas crêem que o sofrimento é de certa forma uma punição e ‘purificação’ por pecados cometidos em vidas passadas(eles não costumam dizem isso dessa forma tão crua, freqüentemente floreiam essas ‘verdades’ com ‘máximas dignificantes’ e frases emotivas). O que pensar desta doutrina? Junto com Ingersoll, declaro que é uma ‘doutrina dos bem-afortunados; uma bela pedra para se jogar em um mendigo’. É cômodo para quem vive confortavelmente acreditar que os que sofrem são culpados pelo seu sofrimento – creio que essa constatação talvez possa esclarecer o curioso fato do porquê do espiritismo – especialmente o kardecista – encontrar maior eco nas classes mais favorecidas da sociedade.

Na verdade, essa crença desumana envilece a caridade e deve ser reservada aos abutres da espécie humana. Há casos de centros espíritas que não auxiliam certas comunidades carentes porque receberam ‘mensagens de espíritos’ dizendo que aquelas comunidades precisavam ‘redimir o seu karma’ e seria melhor para eles que não fossem auxiliados. Ao que parece, Deus se entristece ao saber que suas criaturas não irão sofrer nesta vida e que ele terá de satisfazer seus impulsos sádicos numa outra ‘encarnação’…

Essa idéia de que o sofrimento é o castigo pelo pecado encerra uma psicologia imatura porém, de certa forma, natural – por isso a noção clara de um ‘Deus pai’ – é uma das mais cruéis que o homem já foi capaz de criar. É inevitável que ela limite o altruísmo; é compreensível que tolere o intolerável. Por exemplo: quando houve o ataque às torres do World Trade Center, foi muito comum ouvir frases do tipo: ‘colheram o que plantaram’. Observei estarrecido muitos crentes que não conseguiam reprimir um sorriso de satisfação diante da tragédia de um ataque terrorista desta grandeza. Na realidade, os crentes – pelo menos em grande parte – não exprimem a verdade ao declarar que a vida é o dom mais sagrado – o bem mais precioso que Deus nos forneceu – na realidade, seu amor à vida é freqüentemente subordinado à crença infantil – mais coerente à natureza de uma hiena do que a de um homem – de que o sofrimento é a conseqüência merecida pelo pecado. Esta doutrina desumana, oriunda em última análise de uma crença num Deus infinitamente bondoso e sábio, extrapola o campo das ‘verdades sagradas’ e incorpora-se na ética e na moral inclusive de muitos que não aderem a um dogmatismo religioso.

Se a humanidade fosse mais racional e provida de maior empatia e bondade – enfim, se a humanidade fosse mais humana – reprovaria de todo o coração estes atos cruéis, sem qualquer atenuante – refletindo como expressou de forma sublime o grande cético Lord Russell, chamado por um teólogo de ‘aberração da raça humana’: “A ser cruel não acarreta que B esteja agindo corretamente ao ser cruel para com A. Decorre apenas que agirá corretamente se tentar impedir A de cometer outros atos cruéis. Se isso – como pode dar-se – talvez se consiga antes por meio de bondade do que de punição, concluiremos que a bondade é o método melhor”.
Este raciocínio é um testemunho precioso do valor do raciocínio abstrato. Parece que a maioria das pessoas concordaria com este argumento nestes termos. Mas geralmente a concordância se modifica ao trocarmos ‘A’ por um assassino ou violentador do nosso filho, por um político corrupto ou por um torturador. Como escreveu o professor de lógica A. J. Ayer: “esse raciocínio é, sem dúvida, bem fundado, mas nem sempre emocionalmente fácil de aceitar”. Definitivamente, o perdão não é natural – é transcedente ao meramente animal – e por isso é tão custoso divulgar-se essa prática tão nobre que reflete a magnanimidade de um homem.

Admito sem ressalvas e desde já que a sublime idéia do perdão – inspirada não somente no cristianismo mas em muitas outras religiões inclusive anteriores a ele – foi uma das contribuições das religiões das mais elevadas. E é chegada a hora de cultivarmos este costume pelos motivos corretos – a supressão da malícia, maldade e vingança em nós mesmos – a instilação da bondade e altruísmo na humanidade – e não porque o próximo reflete uma entidade que, com toda a probabilidade, nossa própria mente criou.

O problema maior em acreditar-se na verdade absoluta de uma doutrina que não se baseia no venerável templo da razão, é que procedendo assim glorificamos o germe da intolerância. Essa intolerância – esplendidamente refletida na Inquisição e no Islã – reflete-se inclusive nas constantes acusações de imoralidade que se imputa aos incrédulos. Duvidar, questionar, expressar uma opinião sincera muitas vezes é encarado como sintoma de degradação moral. Esse pensamento é irreal e destituído de imparcialidade; são muito numerosos os exemplos de incrédulos cuja hombridade e honradez são das mais elevadas. Qual a mácula que há no caráter de Voltaire – cujos atos de generosidade suplantam o concebível? Eu rogo que me indiquem a desonestidade que há em Ingersoll, um ser humano que era munido de uma sensibilidade e bondade que beiram o irreal. Qual a crítica de degradação moral que se pode imputar a Spinoza – aquele panteísta provido de uma mansidão e resignação dignas de envergonhar qualquer cristão? E o grande filósofo cético Hume, de quem Adam Smith, o famoso economista, declarou que tinha se aproximado tão “perto da idéia do perfeito sábio e homem virtuoso, quanto o permite a fragilidade da natureza humana”?

Mas há um argumento mais poderoso, mais convincente que a mera citação de grandes e virtuosos incrédulos: as estatísticas. Neste aspecto, as estatísticas comprovam o que um raciocínio imparcial já indica amplamente: os descrentes, definitivamente, não possuem o comportamento depravado de que são acusados. Tendem a ter, na média, as mesmas atitudes comportamentais que os religiosos. Arrisco-me a dizer que só não são melhores por causa da própria religião, mas não me incursionarei neste complexo tema neste ensaio.

A crítica de imoralidade é melhor compreendida tendo em vista que, para os religiosos, a ética, em última instância, provém da religião. O cristão, portanto, realiza o seguinte raciocínio: se o cético rejeita as verdades religiosas, conseqüentemente ele se abstém de comportar-se de forma ética. Todavia, por sua parte, o incrédulo geralmente tem a compreensão de que a ética fundamenta-se, na sua parte mais importante, na própria razão humana. Pensar que a crença correta é necessária para que sejamos moralmente virtuosos é, em última análise, um assalto – efetuado pela fé – contra a razão e a imparcialidade. Digno de nota ressaltar ser esta condição necessária mas não suficiente: o diabo acredita em Deus e em Sua sabedoria, mas persiste em seus atos maldosos.

Fato notável que curiosamente escapa a muitos crentes é que sua moral religiosa não prima pelo objetivo pragmático de aumentar a felicidade terrena e reduzir o sofrimento, enquanto que a dos incrédulos tende a ter esse objetivo como o mais influente. Na realidade, existem muitas regras religiosas que, definitivamente, contribuem para aumentar a infelicidade humana; isso se deve ao conhecido fato que para os religiosos teoricamente o que mais importa é a salvação eterna e não as “efêmeras alegrias deste inferior corpo material”. Assim, temos que conviver com a tolerância aos intensos tormentos terrenos inspirados por uma questionável piedade, como, por exemplo, nas questões da proibição do uso de anticoncepcionais, do aborto, da indissolubilidade matrimonial e da eutanásia.

Contudo é necessário reconhecer que tem havido progressos nas religiões – vislumbramos, extasiados, o surgimento de raios de luz da esperança no lamacento terreno do irracional. Poucos, com certeza, mas sem dúvida, nevrálgicos. Com muita satisfação, somos espectadores dos avanços das religiões no campo do ecumenismo, por exemplo, embora saibamos que os avanços jamais serão grandiosos; a tolerância e a convivência pacífica são adversárias eternas do dogmatismo. Devemos incentivar essa aproximação entre credos diferentes – como um tributo formidável e constante ao progresso das sociedades – mas frisando que falta muito o que fazer no que se diz respeito à tolerância aos incrédulos.

Porém é preciso que se diga que nada é mais compreensível que a desconfiança eterna aos incrédulos – como já foi citado, eles comumente são reconhecidos como imorais – porém podemos labutar no sentido de reduzi-la nos campos onde a verdade pode ser comprovada experimentalmente. As estatísticas são parte fundamental desse processo, mas há outros campos também essenciais. Por exemplo, inúmeras religiões, porém principalmente a cristã, costumam afirmar que o cético em seu leito de morte sofre, arrepende-se, retrata-se, se converte. É necessário para eles acreditar que é necessário o auxílio divino nos momentos mais difíceis da vida. Essa noção parcial não é algo que mereça ser levado a sério; qualquer pesquisa cuidadosa indica seu fundamento em precárias e frágeis provas. Consta que Hume esperou tranqüilamente pela morte. Voltaire – já muito idoso e próximo da morte – constantemente ironizava seu fim próximo. Uns meses antes de morrer, visitava um amigo e declarava: “parei de morrer para te visitar”. Quando a filha o beijava, afirmava que era “a vida beijando a morte”. Bertrand Russell esteve próximo da morte várias vezes, e encarou todas essas ocasiões com naturalidade e serenidade.

Também é com muito contentamento somos espectadores do declínio de uma crença infinitamente absurda: o inferno, castigo reservado principalmente a todo aquele desprovido de humildade, e por isso incapaz de admitir ser a espécie humana a obra suprema do Criador infinitamente perfeito. Já era hora de deixarmos que o perfume da gentil flor da alegria invada nossas vidas e arraste para o passado a infame doutrina do tormento eterno e seus medos histéricos. Creio que jamais serão inteiramente compreendidas as razões pelas quais os homens são capazes de acreditar no inferno e, simultaneamente, na infinita bondade divina; trata-se de uma singular e lamentável mistura de insanidade e crueldade.

Por fim, acredito que todas essas doutrinas são oriundas – direta ou indiretamente – da soberba. Todas elas estão solidamente baseadas na crença de que o homem é criação especial da natureza – que há um ser infinitamente bom que dispende Seu precioso tempo na valiosa contabilidade de nossos atos. Essa concepção é radicalmente oposta às conseqüências diretas da teoria da evolução – assim, tal como as verdades dominicais proclamadas em rituais solenes, é freqüente que também neste campo as pessoas não incorporem o aprendido em sua vida prática.


P. S.:
Ao leitor religioso que leu até aqui, endereço minhas mais sinceras felicitações pela capacidade de ler um texto que critica suas convicções sem dúvida profundamente arraigadas. A você especialmente, apreciaria esclarecer um ponto no qual posso ser alvo de críticas. Se no meu texto transparece um desprezo aos religiosos, por favor, não pense que eu os odeio. Na realidade, eu renego crenças que considero prejudiciais – mas jamais seres humanos honestos e, não raro, nobres. As pessoas que mais amo, inclusive, estão sob as influências da superstição intitulada ‘cristianismo’. Ingersoll, a este respeito, costumava dizer: “eu não odeio o homem com reumatismo; eu desprezo o reumatismo, porque ele aflige o homem”.
Também ao leitor religioso, caso queira ler as objeções ao meu texto formuladas por gente muito sábia e evoluída que propaga sua religião, vou poupar o trabalho de procurar as objeções e as escrevo abaixo:

Católicos – “O autor do ensaio ‘Um panorama da credulidade’ caracteriza-se por ter uma superficialidade extremada. Sua soberba o cega e assim ele não é capaz de ver mais além do que o meramente humano; as respostas às suas críticas podem ser encontradas no Catecismo da Igreja, versão atualizada de 1992, capítulos XX, parágrafos YY e ZZ. É necessário que rezemos para que um dia Deus possa infundir uma graça em seu espírito, e assim, possa ele se converter e passar a pertencer ao verdadeiro corpo místico de Cristo”.

Espíritas – “‘Panorama da credulidade’ é produto oriundo de uma personalidade desequilibrada e apegada em demasia ao puramente material. Sua alma não evoluída é insensível às vibrações cósmicas mais elevadas; mas, com certeza, um dia, ele aceitará as Verdades Eternas divulgadas pelo espírito Emmanuel e pelo cientista Allan Kardec. É conveniente que lembremos tratar-se esse texto superficial como um estágio, uma etapa de seu natural desenvolvimento espiritual”.

Protestantes – “O reino de Satanás está cada vez mais avançando, e o ‘Panorama da credulidade’ é prova incontestável deste lamentável estado da humanidade. Mas não esqueçais das promessas de Cristo! O Segundo Advento está próximo! Oh! Deus! Compadecei-Vos deste lamentável pecador, e não permita que ele continue sendo instrumento do Maligno!”

Islâmicos – “Alá se compadeça desse infiel! Alá se compadeça de todos os infiéis!!!”

Hinduístas – “O autor do fatídico texto ‘Um panorama da credulidade’ está sob as ilusões de Maya, e é incapaz de reconhecer o som cósmico de ‘Om’, que habilita nossas almas à uma vida mais santa, mais pura e mais ascética. Meditemos e oremos por sua alma, para que na próxima encarnação ele não volte como um cão ou coisa semelhante.”

Fonte: http://www.mphp.org/racionalismo/um-panorama-da-credulidade..html

Porque Não Sou Cristão.

Por Bertrand Russell
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Esta palestra foi proferida, a 6 de
Março de 1927, na Prefeitura Municipal
de Battersea, sob os auspícios da Secção
do Sul de Londres da National Secular Society.

 

Como vosso presidente vos disse, o assunto que vou falar-vos esta noite se intitula: “Porque não sou cristão”. Talvez fosse bom, antes de mais nada, que procurássemos formular o que se entende pela palavra “cristão”. É ela usada, hoje em dia, por um grande número de pessoas, num sentido muito impreciso. Para alguns, não significa senão uma pessoa que procura viver uma vida virtuosa. Neste sentido, creio que haveria cristãos em todas as seitas e em todos os credos; mas não me parece que esse seja o sentido próprio da palavra, quando mais não fosse porque isso implicaria que todas as pessoas que não são cristãs – todos os budistas, confucianos, maometanos e assim por diante – não estão procurando viver uma vida virtuosa. Não considero cristã qualquer pessoa que tente viver decentemente de acordo com sua razão. Penso que se deve ter uma certa dose de crença definida, antes que a gente tenha o direito de se considerar cristão. Essa palavra não tem hoje o mesmo sentido que tinha ao tempo de Santo Agostinho e de Santo Tomás de Aquino. Então, quando um homem se dizia cristão, sabia-se o que é que ele queria significar. As pessoas aceitavam toda uma série de crenças estabelecida com grande precisão, e acreditavam, com toda a força de suas convicções, em cada sílaba de tais crenças.

Que é um cristão?

Hoje em dia não é bem assim. Tem-se de ser um pouco mais vago quanto ao sentido de cristianismo. Penso, porém, que há dois itens diferentes e essenciais para que alguém se intitule cristão. O primeiro é de natureza dogmática – isto é, tem-se de acreditar em Deus e na imortalidade. Se não se acredita nessas duas coisas, não creio que alguém possa chamar-se, apropriadamente, cristão. Além disso, como o próprio nome o indica, deve-se ter alguma espécie de crença acerca de Cristo. Os maometanos, por exemplo, também acreditam em Deus e na imortalidade e, no entanto, dificilmente poderiam chamar-se cristãos. Acho que se precisa ter, no mínimo, a crença de que Cristo era, senão divino, pelo menos o melhor e o mais sábio dos homens. Se não tiverdes ao menos essa crença quanto ao Cristo, não creio que tenhais qualquer direito de intitular-vos cristãos. Existe, naturalmente, um outro sentido, que poderá ser encontrado no Whitaker’s Almanack e em livros de geografia, nos quais se diz que a população do mundo se divide em cristãos, maometanos, adoradores de fetiches e assim por diante – e, nesse sentido, somos todos cristãos. Os livros de geografia incluem-nos a todos, mas isso num sentido puramente geográfico, que, parece-me, podemos ignorar. Por conseguinte, julgo que, ao dizer-vos que não sou cristão, tenho de contar-vos duas coisas diferentes: primeiro, por que motivo não acredito em Deus e na imortalidade e, segundo, porque não acho que Cristo foi o melhor e o mais sábio dos homens, embora eu Lhe conceda um grau muito elevado de bondade moral.
Mas, quanto aos esforços bem sucedidos dos incrédulos, no passado, não poderia valer-me de uma definição de cristianismo tão elástica como essa. Como disse antes, antigamente possuía ela um sentido muito mais vigoroso. Incluía, por exemplo, a crença no inferno. A crença no fogo eterno do inferno era cláusula essencial da fé cristã até tempos bastante recentes. Neste país, como sabeis, deixou de ser item essencial devido a uma decisão do Conselho Privado e, por causa dessa decisão, houve uma dissensão entre o Arcebispo de Cantuária e o Arcebispo de York – mas, neste país, a nossa religião é estabelecida por ato do Parlamento e, por conseguinte, o Conselho Privado pôde sobrepor-se a Suas Excelências Reverendíssimas e o inferno deixou de ser coisa necessária a um cristão. Não insistirei, portanto, em que um cristão deva acreditar no inferno.

A existência de Deus

Esta questão da existência de Deus é um assunto longo e sério e, se eu tentasse tratar do tema de maneira adequada, teria de reter-vos aqui até o advento do Reino dos Céus, de modo que me perdoareis se o abordar de maneira um tanto sumária. Sabeis, certamente, que a Igreja Católica estabeleceu como dogma que a existência de Deus pode ser provada sem ajuda da razão. É esse um dogma um tanto curioso, mas constitui um de seus dogmas. Tiveram de introduzi-lo porque, em certa ocasião, os livre-pensadores adotaram o hábito de dizer que havia tais e tais argumentos que a simples razão poderia levantar contra a existência de Deus, mas eles certamente sabiam, como uma questão de fé, que Deus existia. Tais argumentos e razões foram minuciosamente expostos, e a Igreja Católica achou que devia acabar com aquilo. Estabeleceu, por conseguinte, que a existência de Deus pode ser provada sem ajuda da razão, e seus dirigentes tiveram de estabelecer o que consideravam argumentos capazes de prová-lo. Há, por certo, muitos deles, mas tomarei apenas alguns.

O argumento da Causa Primeira

Talvez o mais simples e o mais fácil de compreender-se seja o argumento da Causa Primeira. (Afirma-se que tudo o que vemos neste mundo tem uma causa e que, se retrocedermos cada vez mais na cadeia de tais causas, acabaremos por chegar a uma Causa Primeira, e que a essa Causa Primeira se dá o nome de Deus). Esse argumento, creio eu, não tem muito peso hoje em dia, em primeiro lugar porque causa já não é bem o que costumava ser. Os filósofos e os homens de ciência têm martelado muito a questão de causa, e ela não possui nada que se assemelhe à vitalidade que tinha antes; mas, à parte tal fato, pode-se ver que o argumento de que deve haver uma Causa Primeira é um argumento que não pode ter qualquer validade. Posso dizer que quando era jovem e debatia muito seriamente em meu espírito tais questões, eu, durante muito tempo, aceitei o argumento da Causa Primeira, até que certo dia, aos dezoito anos de idade, li a Autobiografia de John Stuart Mill, lá encontrando a seguinte sentença: “Meu pai ensinou-me que a pergunta “Quem me fez?” não pode ser respondida, já que sugere imediatamente a pergunta imediata: “Quem fez Deus?” ” Essa simples sentença me mostrou, como ainda hoje penso, a falácia do argumento da Causa Primeira. Se tudo tem de ter uma causa, então Deus deve ter uma causa. Se pode haver alguma coisa sem causa, pode ser muito bem ser tanto o mundo como Deus, de modo que não pode haver validade alguma em tal argumento. Este, é exatamente da mesma natureza que o ponto de vista hindu, de que o mundo se apoiava sobre um elefante e o elefante sobre uma tartaruga, e quando alguém perguntava: “E a tartaruga?”, o indiano respondia: “Que tal se mudássemos de assunto?” O argumento, na verdade, não é melhor do que este. Não há razão pela qual o mundo não pudesse vir a ser sem uma causa; por outro lado, tampouco há qualquer razão pela qual o mesmo não devesse ter sempre existido. Não há razão, de modo algum, para se supor que o mundo teve um começo. A idéia de que as coisas devem ter um começo é devida, realmente, à pobreza de nossa imaginação. Por conseguinte, eu talvez não precise desperdiçar mais tempo com o argumento acerca da Causa Primeira.

O argumento da Lei Natural

Há, a seguir, um argumento muito comum relativo à lei natural. Foi esse argumento predileto durante todo o século XVIII, principalmente devido à influência de Sir Isaac Newton e de sua cosmogonia. As pessoas observavam os planetas girar em torno do Sol segundo a lei da gravitação e pensavam que Deus dera uma ordem a tais planetas para que se movessem de modo particular – e que era por isso que eles assim o faziam. Essa era, certamente, uma explicação simples e conveniente, que lhes poupava o trabalho de procurar quaisquer novas explicações para a lei da gravitação. Hoje em dia, explicamos a lei da gravitação de um modo um tanto complicado, apresentado por Einstein. Não me proponho fazer aqui uma palestra sobre a lei da gravitação tal como foi interpretada por Einstein, pois que também isso exigiria algum tempo; seja como for, já não temos a mesma espécie de lei natural que tínhamos no sistema newtoniano, onde, por alguma razão que ninguém podia compreender, a natureza agia de maneira uniforme. Vemos, agora, que muitas coisas que considerávamos como leis naturais não passam, na verdade, de convenções humanas. Sabeis que mesmo nas mais remotas profundezas do sistema estelar uma jarda tem ainda três pés de comprimento. Isso constitui, sem dúvida, fato notabilíssimo, mas dificilmente poderíamos chamá-lo de lei da natureza. E, assim, muitíssimas outras coisas antes encaradas como leis da natureza são dessa espécie. Por outro lado, qualquer que seja o conhecimento a que possamos chegar sobre a maneira de agir dos átomos, veremos que eles estão muito menos sujeitos a leis do que as pessoas julgam, e que as leis a que a gente chega são médias estatísticas exatamente da mesma classe das que ocorreriam por acaso. Há, como todos nós sabemos, uma lei segundo a qual, no jogo de dados, só obteremos dois seis apenas uma vez em cerca de trinta e seis lances, e não encaramos tal fato como uma prova de que a queda dos dados é regulada por um desígnio; se, pelo contrário, os dois seis saíssem todas as vezes, deveríamos pensar que havia um desígnio. As leis da natureza são dessa espécie, quanto ao que se refere a muitíssimas delas. São médias estatísticas como as que surgiriam das leis do acaso – e isso torna todo este assunto das leis naturais muito menos impressionante do que em outros tempos. Inteiramente à parte disso, que representa um estado momentâneo da ciência que poderá mudar amanhã, toda a idéia de que as leis naturais subentendem um legislador é devida à confusão entre as leis naturais e as humanas. As leis humanas são ordens para que procedamos de certa maneira, permitindo-nos escolher se procedemos ou não da maneira indicada; mas as leis naturais são uma descrição de como as coisas de fato procedem e, não sendo senão uma mera descrição do que elas de fato fazem, não se pode argüir que deve haver alguém que lhes disse para que assim agissem, porque, mesmo supondo-se que houvesse, estaríamos diante da pergunta: “Por que Deus lançou justamente essas leis naturais e não outras?” Se dissermos que Ele o fez por Seu próprio prazer, e sem qualquer razão para tal, verificaremos, então, que há algo que não está sujeito à lei e, desse modo, se interrompe a nossa cadeia de leis naturais. Se dissermos, como o fazem os teólogos mais ortodoxos, que em todas as leis feitas por Deus Ele tinha uma razão para dar tais leis em lugar de outras – sendo que a razão, naturalmente, seria a de criar o melhor universo, embora a gente jamais pensasse nisso ao olhar o mundo – se havia uma razão para as leis ministradas por Deus, então o Próprio Deus estava sujeito à lei, por conseguinte, não há nenhuma vantagem em se apresentar Deus como intermediário. Temos aí realmente uma lei exterior e anterior aos editos divinos, e Deus não serve então ao nosso propósito, pois que Ele não é o legislador supremo. Em suma, todo esse argumento da lei natural já não possui nada que se pareça com seu vigor de antigamente. Estou viajando no tempo em meu exame dos argumentos. Os argumentos quanto à existência de Deus mudam de caráter à medida que o tempo passa. Eram, a princípio, argumentos intelectuais, rígidos, encerrando certas idéias errôneas bastante definidas. Ao chegarmos aos tempos modernos, essas idéias se tornam intelectualmente menos respeitáveis e cada vez mais afetadas por uma espécie de moralizadora imprecisão.

O argumento da Prova Teológica da Existência de Deus

O passo seguinte nos conduz ao argumento da prova teológica da existência de Deus. Vós todos conheceis tal argumento: tudo no mundo é feito justamente de modo a que possamos nele viver, e se ele fosse, algum dia, um pouco diferente, não conseguiríamos viver nele. Eis aí o argumento da prova teológica de Deus. Toma ele, às vezes, uma forma um tanto curiosa; afirma-se, por exemplo, que as lebres têm rabos brancos a fim de que possam ser facilmente atingidas por um tiro. Não sei o que as lebres pensariam deste destino. É um argumento fácil para paródia. Todos vós conheceis a observação de Voltaire, de que o nariz foi, evidentemente, destinado ao uso dos óculos. Essa espécie de gracejo acabou por não estar tão fora do alvo como poderia ter parecido no século XVIII, pois que, desde o tempo de Darwin, compreendemos muito melhor por que os seres vivos são adaptados ao meio em que vivem. Não é o seu meio que se foi ajustando aos mesmos, mas eles é que foram se ajustando ao meio, e isso é que constitui a base da adaptação. Não há nisso prova alguma de desígnio divino.
Quando se chega a analisar o argumento teológico da prova da existência de Deus, é sumamente surpreendente que as pessoas possam acreditar que este mundo, com todas as coisas que nele existem, como todos os seus defeitos, deva ser o melhor mundo que a onipotência e a onisciência tenham podido produzir em milhões de anos. Achais, acaso, que, se vos fossem concedidas onipotência e onisciência, além de milhões de anos para que pudésseis aperfeiçoar o vosso mundo, não teríeis podido produzir nada melhor do que a Ku-Klux-Klan ou os fascistas? Ademais, se aceitais as leis ordinárias da ciência, tereis de supor que não só a vida humana como a vida em geral neste planeta se extinguirão em seu devido curso: isso constitui uma fase da decadência do sistema solar. Em certa fase de decadência, teremos a espécie de condições de temperatura, etc., adequadas ao protoplasma, e haverá vida, durante breve tempo, na vida do sistema solar. Podeis ver na Lua a espécie de coisa a que a Terra tende: algo morto, frio e inanimado.
Dizem-me que tal opinião é depressiva e, às vezes, há pessoas que nos confessam que, se acreditassem nisso, não poderiam continuar vivendo. Não acrediteis nisso, pois que não passa de tolice. Na verdade, ninguém se preocupa muito com o que irá acontecer daqui a milhões de anos. Mesmo que pensem que estão se preocupando muito com isso, não estão, na realidade, fazendo outra coisa senão enganar a si próprias. Estão preocupadas com algo muito mais mundano – talvez mesmo com a sua má digestão. Na verdade, ninguém se torna realmente infeliz ante a idéia de algo que irá acontecer a este mundo daqui a milhões e milhões de anos. Por conseguinte, embora seja melancólico supor-se que a vida irá se extinguir (suponho, ao menos, que se possa dizer tal coisa, embora, às vezes, quando observo o que as pessoas fazem de suas vidas, isso me pareça quase um consolo) isso não é coisa que torne a vida miserável. Faz apenas com que a gente volte a atenção para outras coisas.

Os argumentos morais a favor da Deidade

Chegamos, agora, a uma nova fase, na qual nos referiremos ao que os teístas fizeram, intelectualmente, com os seus argumentos, e topamos com aquilo a que se chama de os argumentos morais quanto à existência de Deus. Vós todos sabeis, por certo, que costumava haver, antigamente, três argumentos intelectuais a favor da existência de Deus, os quais foram todos utilizados por Immanuel Kant em sua Crítica da Razão Pura ; mas, logo depois de haver utilizado tais argumentos, inventou ele um novo, um argumento moral, e isso o convenceu inteiramente. Kant era como muita gente: em questões intelectuais, mostrava-se cético, mas, em questões morais, acreditavam implicitamente nas máximas hauridas no colo de sua mãe. Eis aí um exemplo daquilo que os psicanalistas tanto ressaltam: a influência imensamente mais forte de nossas primeiras associações do que das que se verificam mais tarde.
Kant, como digo, inventou um novo argumento moral quanto à existência de Deus, e o mesmo, em formas várias, se tornou grandemente popular durante o século XIX. Tem hoje toda a espécie de formas. Uma delas é a que afirma que não haveria o bem ou o mal a menos que Deus existisse. Não estou, no momento, interessado em saber se há ou não uma diferença entre o bem e o mal. Isso é outra questão. O ponto em que estou interessado é que, se estamos tão certos de que existe uma diferença entre o bem e o mal, nos achamos, então, na seguinte situação: é essa diferença devida ao fiat (faça-se) de Deus ou não? Se é devida ao fiat de Deus, então não existe, para o próprio Deus, diferença entre o bem e o mal, e não constitui mais uma afirmação significativa o dizer-se que Deus é bom. Se dissermos, como o fazem os teólogos, que Deus é bom, teremos então de dizer que o bem e o mal possuem algum sentido independente do fiat de Deus, porque os fiats de Deus são bons e não maus independentemente do mero fato d’Ele os haver feito. Se dissermos tal coisa, teremos então de dizer que não foi apenas através de Deus que o bem e o mal passaram a existir, mas que são, em sua essência, logicamente anteriores a Deus. Poderíamos, por certo, se assim o desejássemos, dizer que havia uma deidade superior que dava ordens ao Deus que fez este mundo, ou, então, poderíamos adotar o curso seguido por alguns agnósticos – curso que me pareceu, com freqüência, bastante plausível – segundo o qual, na verdade, o mundo que conhecemos foi feito pelo diabo num momento em que Deus não estava olhando. Há muito que se dizer me favor disso, e não estou interessado em refutá-lo.

O argumento quanto à reparação da injustiça

Há uma outra forma muito curiosa de argumento moral, que é a seguinte: dizem que a existência de Deus é necessária a fim de que haja justiça no mundo. Na parte do universo que conhecemos há grande injustiça e, não raro, os bons sofrem e os maus prosperam, e a gente mal sabe qual dessas coisas é mais molesta; mas, para que haja justiça no universo como um todo, temos de supor a existência de uma vida futura para reparar a vida aqui na Terra. Assim, dizem que deve haver um Deus, e que deve haver céu e inferno, a fim de que, no fim, possa haver justiça. É esse um argumento muito curioso. Se encarássemos o assunto de um ponto de vista científico, diríamos: “Afinal de contas, conheço apenas este mundo. Nada sei do resto do universo, mas, tanto quanto se pode raciocinar acerca das probabilidades, dir-se-ia que este mundo constitui uma bela amostra e, se há aqui injustiça, é bastante provável que também haja injustiça em outras partes”. Suponhamos que recebeis um engradado de laranjas e que, ao abri-lo, verificais que todas as laranjas de cima estão estragadas. Não diríeis, em tal caso: “As de baixo devem estar boas, para compensar as de cima”. Diríeis: “É provável que todas estejam estragadas”. E é precisamente isso que uma pessoa de espírito científico diria a respeito do universo. Diria: “Encontramos neste mundo muita injustiça e, quanto ao que isso se refere, há razão para se supor que o mundo não é governado pela justiça. Por conseguinte, tanto quanto posso perceber, isso fornece um argumento moral contra a deidade e não a seu favor”. Sei, certamente, que os argumentos intelectuais sobre os quais vos estou falando não são, na verdade, de molde a estimular as pessoas. O que realmente leva os indivíduos a acreditar em Deus não é nenhum argumento intelectual. A maioria das pessoas acredita em Deus porque lhes ensinaram, desde tenra infância, a fazê-lo, e essa é a principal razão.
Penso, ainda, que a seguinte e mais poderosa razão disso é o desejo de segurança, uma espécie de impressão de que há um irmão mais velho a olhar pela gente. Isso desempenha um papel muito profundo, influenciando o desejo das pessoas quanto a uma crença em Deus.

O caráter de Cristo

Desejo agora dizer algumas palavras sobre um tema que, penso com freqüência, não foi tratado suficientemente pelos racionalistas, e que é a questão de saber-se se Cristo foi o melhor e o mais sábio dos homens. É geralmente aceito como coisa assente que deveríamos todos concordar em que assim é. Não penso desse modo. Acho que há muitíssimos pontos em que concordo com Cristo muito mais do que o fazem os cristãos professos. Não sei se poderia concordar com Ele em tudo, mas posso concordar muito mais do que a maioria dos cristãos professos o faz. Lembrar-vos-ei que Ele disse: “Não resistais ao mau, mas, se alguém te ferir em tua face direita, apresenta-lhe também a outra”. Isto não era um preceito novo, nem um princípio novo. Foi usado por Lao-Tse e por Buda cerca de quinhentos ou seiscentos anos antes de Cristo, mas não é um princípio que, na verdade, os cristãos aceitem. Não tenho dúvida de que o Primeiro-Ministro(Stanley Baldwin), por exemplo, é um cristão sumamente sincero, mas não aconselharia a nenhum de vós que o ferisse na face. Penso que, então, poderíeis descobrir que ele considerava esse texto como algo que devesse ser empregado em sentido figurado.
Há um outro ponto que julgo excelente. Lembrar-vos-eis, por certo, de que Cristo disse: “Não julgueis, para que não sejais julgados”. Não creio que vós considerásseis tal princípio como sendo popular nos tribunais dos países cristãos. Conheci, em outros tempos, muitos juízes que eram cristãos sumamente convictos, e nenhum deles achava que estava agindo, no que fazia, de maneira contrária aos princípios cristãos. Cristo também disse: “Dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes”. É este um princípio muito bom.
Vosso Presidente vos lembrou que não estamos aqui para falar de política, mas não posso deixar de observar que as últimas eleições gerais foram disputadas baseadas na questão de quão desejável seria voltar as costas ao que desejava lhe emprestássemos, de modo que devemos presumir que os liberais e os conservadores deste país são constituídos de pessoas que não concordam com os ensinamentos de Cristo, pois que, certamente, naquela ocasião, voltaram as costas de maneira bastante enfática.
Há ainda uma máxima de Cristo que, penso, contém nela muita coisa, mas não me parece muito popular entre os nossos amigos cristãos. Diz Ele: “Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, e dá-os aos pobres”. Eis aí uma máxima excelente, mas, como digo, não é muito praticada. Todas estas, penso, são boas máximas, embora seja um pouco difícil viver-se de acordo com elas. Quanto a mim, não afirmo que o faça – mas, afinal de contas, isso não é bem o mesmo que o seria tratando-se de um cristão.

Defeitos nos Ensinamentos de Cristo

Tendo admitido a excelência de tais máximas, chego a certos pontos em que não acredito se possa concordar nem com a sabedoria superlativa, nem com a bondade superlativa de Cristo, tal como são descritas nos Evangelhos – e posso dizer aqui que não estou interessado na questão histórica. Historicamente, é muito duvidoso que Cristo haja jamais existido e, se existiu, nada sabemos a respeito d’Ele, de modo que não estou interessado na questão histórica, que é uma questão muito difícil. Estou interessado em Cristo tal como Ele aparece nos Evangelhos, tomando a narrativa bíblica tal como ela se nos apresenta – e nela encontramos algumas coisas que não me parecem muito sábias. Por um lado, Ele certamente pensou que o Seu segundo advento ocorreria em nuvens de glória antes da morte de toda a gente que estava vivendo naquela época. Há muitos textos que o provam. Diz Ele, por exemplo: “Não acabareis de correr as cidades de Israel, sem que venha o Filho do Homem”. E adiante: “Entre aqueles que estão aqui presentes, há alguns que não morrerão, antes que vejam o Filho do Homem no seu reino” – e há uma porção de lugares em que é bastante claro que Ele acreditava que a Sua segunda vinda ocorreria durante a vida dos que então viviam. Essa era a crença de seus primeiros adeptos, constituindo a base de uma grande parte de Seus ensinamentos morais. Quando Ele disse: “Não andeis inquietos pelo dia de amanhã” e outras coisas semelhantes, foi, em grande parte, porque julgava que a sua segunda vinda seria muito em breve e que, por isso, não tinham importância os assuntos mundanos. Conheci, na verdade, cristãos que acreditavam que o segundo advento era iminente. Conheci um pároco que assustou terrivelmente a sua congregação, dizendo-lhe que o segundo advento estava, com efeito, sumamente próximo, mas os membros de seu rebanho se sentiram muito consolados quando viram que ele estava plantando árvores em seu jardim. Os primeiros cristãos acreditaram realmente nisso, e abstinham-se de coisas tais como plantar árvores em seus jardins, pois que aceitaram de Cristo a crença de que o segundo advento estava iminente. Não foi tão sábio como alguns outros o foram – e, certamente, não se mostrou superlativamente sábio.

O problema moral

Chega-se, a seguir, às questões morais. Há, a meu ver, um defeito muito sério no caráter moral de Cristo, e isso porque Ele acreditava no inferno. Quanto a mim, não acho que qualquer pessoa que seja, na realidade, profundamente humana, possa acreditar no castigo eterno. Cristo, certamente, tal como é descrito nos Evangelhos, acreditava no castigo eterno, e a gente encontra, repetidamente, uma fúria vinditiva contra os que não davam ouvidos aos seus ensinamentos – atitude essa nada incomum entre pregadores, mas que, de certo modo, se afasta da excelência superlativa. Não encontrareis, por exemplo, tal atitude em Sócrates. Encontramo-lo bastante suave e cortês para com aqueles que não queriam ouvi-lo – e, na minha opinião, é muito mais digno de um sábio adotar tal atitude do que mostrar-se indignado. Provavelmente vos lembrareis das coisas que Sócrates disse quando estava agonizando, bem como das coisas que Sócrates disse quando estava agonizando, bem como das coisas que em geral dizia às pessoas que não concordavam com ele.
Vereis que, nos Evangelhos, Cristo disse: “Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação ao inferno?” Isso foi dito a gente que não gostava de seus ensinamentos. Esse não é, realmente, na minha opinião, o melhor tom, e há muitas dessas coisas acerca do inferno. Há, por certo, o texto familiar acerca do pecado contra o Espírito Santo: “Quem falar contra o Espírito Santo não será perdoado, nem neste século nem no futuro”. Este texto causou indizível infelicidade no mundo, pois que toda a espécie de criatura imaginava haver pecado contra o Espírito Santo e achava que não seria perdoada nem neste mundo, nem no outro. Não me parece, realmente, que uma pessoa dotada de um grau adequado de bondade em sua natureza teria posto no mundo receios e terrores dessa espécie.
Diz Cristo, ainda: “O Filho do homem enviará os seus anjos, e tirarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes”. E continua a referir-se aos lamentos e ao ranger de dentes. Isso aparece em versículo e fica bastante evidente ao leitor que há um certo prazer na contemplação dos lamentos e do ranger de dentes, pois que, do contrário, isso não ocorreria com tanta freqüência. Vós todos vos lembrais, certamente, da passagem acerca das ovelhas e das cabras; de como, na segunda vinda, a fim de separar as ovelhas das cabras, irá Ele dizer às cabras: “Afastai-vos de mim, ó amaldiçoadas, e lançai-vos ao foto eterno”. Depois, torna a dizer: “Se a tua mão direita te serve de escândalo, corta-a, e lança-a para longe de ti; porque é melhor para ti que se perca um dos seus membros, do que todo o teu corpo seja lançado no inferno, no fogo que não será jamais aplacado; onde os vermes não morrem e o fogo não é aplacado”. Repete também isso muitas e muitas vezes. Devo dizer que considero toda esta doutrina – a de que o fogo eterno é um castigo para o pecado – como uma doutrina de crueldade. É uma doutrina que pôs crueldade no mundo e submeteu gerações a uma tortura cruel – e o Cristo dos Evangelhos, se pudermos aceitá-l’O como os seus cronistas O representam, teria, certamente, de ser considerado, em parte, responsável por isso.
Há outras coisas de menor importância. Há, por exemplo, a expulsão dos demônios de Gerasa, onde, certamente, não foi muito bondoso para com os porcos, fazendo com que os demônios neles entrassem e se precipitassem ao mar pelo despenhadeiro. Deveis lembrar-vos de que Ele era onipotente e teria podido simplesmente fazer com que os demônios fossem embora. Mas Ele prefere fazer com que entrem nos porcos. Há, ainda, a curiosa história da figueira, que sempre me deixa um tanto intrigado. Vós vos lembrais do que aconteceu com a figueira. “Pela manhã, quando voltava para a cidade, teve fome. E, vendo uma figueira junto do caminho, aproximou-se dela; e não encontrou nela senão folhas, e disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti”. E Pedro disse-Lhe: “Vê, Mestre: a figueira que amaldiçoaste secou”. Essa é uma história muito curiosa, pois que aquela não era a estação dos figos e, realmente, não se podia censurar a árvore. Quanto a mim, não me é possível achar que, em questão de sabedoria ou em questão de virtude, Cristo permaneça tão alto como certas outras figuras históricas que conheço. Nesses sentidos, eu colocaria Buda e Sócrates acima d’Ele.

O fator emocional

Como já disse, não creio que a verdadeira razão pela qual as pessoas aceitam a religião tenha algo que ver com argumentação. Aceitam a religião por motivos emocionais. Dizem-nos com freqüência que é muito mau atacar-se a religião, pois que a religião torna os homens virtuosos. Isso é o que me dizem; eu jamais o percebi. Conheceis, por certo, a paródia desse argumento, tal como é apresentado no livro Erewhom Revisited , de Samuel Butler. Vós vos lembrais de que, em Erewhom , há um certo Higgs que chega a um país remoto e que, após passar lá algum tempo, foge do país num balão. Vinte anos depois, volta ao mesmo país e encontra uma nova religião, na qual é ele adorado sob o nome de “Filho do Sol”, e na qual se afirma que ele subiu ao céu. Verifica que a Festa da Ascensão está prestes a ser celebrada, e ouve os Professores Hanky e Panky dizer entre si que jamais puseram os olhos no tal Higgs e que esperam não o fazer jamais – mas eles são alto sacerdotes da religião do Filho do Sol. Higgs sente-se muito indignado e, aproximando-se deles, diz-lhes: “Vou desmascarar todo este embuste e dizer ao povo de Erewhom que se tratava apenas de mim, Higgs, e que subi num balão”. Responderam-lhe: “Não deve fazer isso, pois toda a moral deste país giram em torno desse mito e, se souberem que você não subiu aos céus, todos os seus habitantes se tornarão maus”. Persuadido disso, Higgs afasta-se do país silenciosamente.
Eis aí a idéia – a de que todos nós seríamos maus se não nos apegássemos à religião cristã. Parece-me que as pessoas que se apegaram a ela foram, em sua maioria, extremamente más. Tendes este fato curioso: quanto mais intensa a religião em qualquer época, e quanto mais profunda a crença dogmática, tanto maior a crueldade e tanto pior o estado das coisas. Nas chamadas idades da fé, quando os homens realmente acreditavam na religião cristã em toda a sua inteireza, houve a Inquisição, com as suas torturas; houve milhares de infelizes queimadas como feiticeiras – e houve toda a espécie de crueldade praticada sobre toda a espécie de gente em nome da religião.
Constatareis, se lançardes um olhar pelo mundo, que cada pequenino progresso verificado nos sentimentos humanos, cada melhoria no direito penal, cada passo no sentido da diminuição da guerra, cada passo no sentido de um melhor tratamento das raças de cor, e que toda diminuição da escravidão, todo o progresso moral havido no mundo, foram coisas combatidas sistematicamente pelas Igrejas estabelecidas do mundo. Digo, com toda convicção, que a religião cristã, tal como se acha organizada em suas Igrejas, foi e ainda é a principal inimiga do progresso no mundo

De que forma as Igrejas retardaram o progresso

Talvez julgueis que estou indo demasiado longe, quando digo que ainda assim é. Não julgo que esteja. Tomemos apenas um fato. Concordareis comigo, se eu o citar. Não é um fato agradável, mas as Igrejas nos obrigam a referir-nos a fatos que não são agradáveis. Suponhamos que, neste mundo em que hoje vivemos, uma jovem inexperiente case com um homem sifilítico. Neste caso, a Igreja Católica diz: “Esse é um sacramento indissolúvel. Devem permanecer juntos por toda a vida.” E nenhum passo deve ser dado por essa mulher no sentido de evitar que dê à luz filhos sifilíticos. Isso é o que diz a Igreja Católica. Quanto a mim, digo que isso constitui uma crueldade diabólica, e ninguém cujas simpatias naturais não tenham sido embotadas pelo dogma, ou cuja natureza moral não esteja inteiramente morta a todo sentido de sofrimento, poderia afirmar que é justo e certo que tal estado de coisas deva continuar.
Este é apenas um dos exemplos. Há muitas outras maneiras pela qual a Igreja, no momento, com sua insistência sobre o que prefere chamar moralidade, inflige a toda a espécie de pessoas sofrimentos imerecidos e desnecessários. E, naturalmente, como todos nós sabemos, é ainda, em grande parte, contrária ao progresso e ao aperfeiçoamento de todos os meios tendentes a diminuir o sofrimento no mundo, pois que costuma rotular de moralidade certas acanhadas regras de conduta que nada tem a ver com a felicidade humana – e quando se diz que isto ou aquilo deve ser feito, pois que contribuiria para a felicidade humana, eles acham que nada tem a ver, absolutamente, com tal assunto. “Que é que a felicidade tem a ver com a moral? O objetivo da moral não é tornar as pessoas felizes”.

O medo – a base da Religião

A religião baseia-se, penso eu, principalmente e antes de tudo, no medo. É, em parte, o terror do desconhecido e, em parte, como já o disse, o desejo de sentir que se tem uma espécie de irmão mais velho que se porá de nosso lado em todas as nossas dificuldades e disputas. O medo é a base de toda essa questão: o medo do mistério, o medo da derrota, o medo da morte. O medo é a fonte da crueldade e, por conseguinte, não é de estranhar que a crueldade e a religião tenham andado de mãos dadas. Isso porque o medo é a base dessas duas coisas. Neste mundo, podemos agora começar a compreender um pouco as coisas e a dominá-las com a ajuda da ciência, que abriu caminho, passo a passo, contra a religião cristã, contra as Igrejas e contra a oposição de todos os antigos preceitos. A ciência pode ensinar-nos, e penso que também os nossos corações podem fazê-lo, a não mais procurar apoios imaginários, a não mais inventar aliados no céu, mas a contar antes com os nossos próprios esforços aqui embaixo para tornar este mundo um lugar adequado para viver, ao invés da espécie de lugar a que as igrejas, durante todos estes séculos, o converteram.

O que devemos fazer

Devemos apoiar-nos em nossos próprios pés e olhar o mundo honestamente – as coisas boas, as coisas más, suas belezas e suas fealdades; ver o mundo como ele é, e não temê-lo. Conquistar o mundo por meio da inteligência, e não apenas abjetamente subjugados pelo terror que ele nos desperta. Toda a concepção de Deus é uma concepção derivada dos antigos despotismos orientais. É uma concepção inteiramente indigna de homens livres. Quando vemos na igreja pessoas a menoscabar a si próprias e a dizer que são miseráveis pecadores e tudo o mais, tal coisa nos parece desprezível e indigna de criaturas humanas que se respeitem. Devemos levantar-nos e encarar o mundo de frente, honestamente. Devemos fazer do mundo o melhor que nos seja possível, e se o mesmo não é tão bom quanto desejamos, será, afinal de contas, ainda melhor do que esses outros fizeram dele durante todos estes séculos. Um mundo bom necessita de conhecimento, bondade e coragem; não precisa de nenhum anseio saudoso pelo passado, nem do encarceramento das inteligências livres por meio de palavras proferidas há muito tempo por homens ignorantes. Necessita de esperança para o futuro, e não passar o tempo todo voltado para trás, para um passado morto, que, assim o confiamos, será ultrapassado de muito pelo futuro que a nossa inteligência pode criar.

Sumerian Mythology

Sumerian Mythology FAQ (Version 2.0html)

by Christopher Siren, 1992, 1994, 2000

Adapa (Dan Sullivan) has constructed a more complete Sumerian-English dictionary at:
http://home.earthlink.net/~duranki/index1.html#dict (Restored! 5/13/99)
John Halloran has a Sumerian Language Page at:
http://www.sumerian.org/

 

I. History and Overview –

Sumer may very well be the first civilization in the world (although long term settlements at Jericho and Çatal Hüyük predate Sumer and examples of writing from Egypt and the Harappa, Indus valley sites may predate those from Sumer). From its beginnings as a collection of farming villages around 5000 BCE, through its conquest by Sargon of Agade around 2370 BCE and its final collapse under the Amorites around 2000 BCE, the Sumerians developed a religion and a society which influenced both their neighbors and their conquerors. Sumerian cuneiform, the earliest written language, was borrowed by the Babylonians, who also took many of their religious beliefs. In fact, traces and parallels of Sumerian myth can be found in Genesis.

History

Sumer was a collection of city states around the Lower Tigris and Euphrates rivers in what is now southern Iraq. Each of these cities had individual rulers, although as early as the mid-fourth millennium BCE the leader of the dominant city could have been considered the king of the region. The history of Sumer tends to be divided into five periods. They are the Uruk period, which saw the dominance of the city of that same name, the Jemdat Nasr period, the Early Dynastic periods, the Agade period, and the Ur III period – the entire span lasting from 3800 BCE to around 2000 BCE. In addition, there is evidence of the Sumerians in the area both prior to the Uruk period and after the Ur III Dynastic period, but relatively little is known about the former age and the latter time period is most heavily dominated by the Babylonians.

The Uruk period, stretched from 3800 BCE to 3200 BCE. It is to this era that the Sumerian King Lists ascribe the reigns of Dumuzi the shepherd, and the other antediluvian kings. After his reign Dumuzi was worshipped as the god of the spring grains. This time saw an enormous growth in urbanization such that Uruk probably had a population around 45,000 at the period’s end. It was easily the largest city in the area, although the older cities of Eridu to the south and Kish to the north may have rivaled it. Irrigation improvements as well as a supply of raw materials for craftsmen provided an impetus for this growth. In fact, the city of An and Inanna also seems to have been at the heart of a trade network which stretched from what is now southern Turkey to what is now eastern Iran. In addition people were drawn to the city by the great temples there.

The Eanna of Uruk, a collection of temples dedicated to Inanna, was constructed at this time and bore many mosaics and frescoes. These buildings served civic as well as religious purposes, which was fitting as the en, or high priest, served as both the spiritual and temporal leader. The temples were places where craftsmen would practice their trades and where surplus food would be stored and distributed.

The Jemdat Nasr period lasted from 3200 BCE to 2900 BCE. It was not particularly remarkable and most adequately described as an extension and slowing down of the Uruk period. This is the period during which the great flood is supposed to have taken place. The Sumerians’ account of the flood may have been based on a flooding of the Tigris, Euphrates, or both rivers onto their already marshy country.

The Early Dynastic period ran from 2900 BCE to 2370 BCE and it is this period for which we begin to have more reliable written accounts although some of the great kings of this era later evolved mythic tales about them and were deified. Kingship moved about 100 miles upriver and about 50 miles south of modern Bahgdad to the city of Kish. One of the earlier kings in Kish was Etana who “stabilized all the lands” securing the First Dynasty of Kish and establishing rule over Sumer and some of its neighbors. Etana was later believed by the Babylonians to have rode to heaven on the back of a giant Eagle so that he could receive the “plant of birth” from Ishtar (their version of Inanna) and thereby produce an heir.

Meanwhile, in the south, the Dynasty of Erech was founded by Meskiaggasher, who, along with his successors, was termed the “son of Utu”, the sun-god. Following three other kings, including another Dumuzi, the famous Gilgamesh took the throne of Erech around 2600 BCE and became in volved in a power struggle for the region with the Kish Dynasts and with Mesannepadda, the founder of the Dynasty of Ur. While Gilgamesh became a demi-god, remembered in epic tales, it was Mesannepadda who was eventually victorious in this three-way power struggle, taking the by then traditional title of “King of Kish”.

Although the dynasties of Kish and Erech fell by the wayside, Ur could not retain a strong hold over all of Sumer. The entire region was weakened by the struggle and individual city-states continued more or less independent rule. The rulers of Lagash declared themselves “Kings of Kish” around 2450 BCE, but failed to seriously control the region, facing several military challenges by the nearby Umma. Lugalzagesi, ensi or priest-king of Umma from around 2360-2335 BCE, razed Lagash, and conquered Sumer, declaring himself “king of Erech and the Land”. Unfortunately for him, all of this strife made Sumer ripe for conquest by an outsider and Sargon of Agade seized that opportunity.

Sargon united both Sumer and the northern region of Akkad – from which Babylon would arise about four hundred years later – not very far from Kish. Evidence is sketchy, but he may have extended his realm from the Medeterranian Sea to the Indus River. This unity would survive its founder by less than 40 years. He built the city of Agade and established an enormous court there and he had a new temple erected in Nippur. Trade from across his new empire and beyond swelled the city, making it the center of world culture for a brief time.

After Sargon’s death, however, the empire was fraught with rebellion. Naram-Sin, Sargon’s grandson and third successor, quelled the rebellions through a series of military successes, extending his realm. He declared himself ‘King of the Four corners of the World’ and had himself deified. His divine powers must have failed him as the Guti, a mountain people, razed Agade and deposed Naram-Sin, ending that dynasty.

After a few decades, the Guti presence became intolerable for the Sumerian leaders. Utuhegal of Uruk/Erech rallied a coalition army and ousted them. One of his lieutenants, Ur-Nammu, usurped his rule and established thethird Ur dynasty around 2112 BCE. He consolidated his control by defeating a rival dynast in Lagash and soon gained control of all of the Sumerian city-states. He established the earliest known recorded law-codes and had constructed the great ziggurat of Ur, a kind of step-pyramid which stood over 60′ tall and more than 200′ wide. For the next century the Sumerians were extremely prosperous, but their society collapsed around 2000 BCE under the invading Amorites. A couple of city-states maintained their independence for a short while, but soon they and the rest of the Sumerians were absorbed into the rising empire of the Babylonians. (Crawford pp. 1-28; Kramer 1963 pp. 40-72)

Culture

Seated along the Euphrates River, Sumer had a thriving agriculture and trade industry. Herds of sheep and goats and farms of grains and vegetables were held both by the temples and private citizens. Ships plied up and down the river and throughout the Persian gulf, carrying pottery and various processed goods and bringing back fruits and various raw materials from across the region, including cedars from the Levant.

Sumer was one of the first literate civilizations leaving many records of business transactions, and lessons from schools. They had strong armies, which with their chariots and phalanxes held sway over their less civilized neighbors (Kramer 1963, p. 74). Perhaps the most lasting cultural remnants of the Sumerians though, can be found in their religion.

Religion

The religion of the ancient Sumerians has left its mark on the entire middle east. Not only are its temples and ziggurats scattered about the region, but the literature, cosmogony and rituals influenced their neighbors to such an extent that we can see echoes of Sumer in the Judeo-Christian-Islamic tradition today. From these ancient temples, and to a greater extent, through cuneiform writings of hymns, myths, lamentations, and incantations, archaeologists and mythographers afford the modern reader a glimpse into the religious world of the Sumerians.

Each city housed a temple that was the seat of a major god in the Sumerian pantheon, as the gods controlled the powerful forces which often dictated a human’s fate. The city leaders had a duty to please the town’s patron deity, not only for the good will of that god or goddess, but also for the good will of the other deities in the council of gods. The priesthood initially held this role, and even after secular kings ascended to power, the clergy still held great authority through the interpretation of omens and dreams. Many of the secular kings claimed divine right; Sargon of Agade, for example claimed to have been chosen by Ishtar/Inanna. (Crawford 1991: 21-24)

The rectangular central shrine of the temple, known as a ‘cella,’ had a brick altar or offering table in front of a statue of the temple’s deity. The cella was lined on its long ends by many rooms for priests and priestesses. These mud-brick buildings were decorated with cone geometrical mosaics, and the occasional fresco with human and animal figures. These temple complexes eventually evolved into towering ziggurats. (Wolkstein & Kramer 1983: 119)

The temple was staffed by priests, priestesses, musicians, singers, castrates and hierodules. Various public rituals, food sacrifices, and libations took place there on a daily basis. There were monthly feasts and annual, New Year celebrations. During the later, the king would be married to Inanna as the resurrected fertility god Dumuzi, whose exploits are dealt with below.

When it came to more private matters, a Sumerian remained devout. Although the gods preferred justice and mercy, they had also created evil and misfortune. A Sumerian had little that he could do about it. Judging from Lamentation records, the best one could do in times of duress would be to “plead, lament and wail, tearfully confessing his sins and failings.” Their family god or city god might intervene on their behalf, but that would not necessarily happen. After all, man was created as a broken, labor saving, tool for the use of the gods and at the end of everyone’s life, lay the underworld, a generally dreary place. (Wolkstein & Kramer 1983: pp.123-124)

II. What do we know about Sumerian Cosmology?

From verses scattered throughout hymns and myths, one can compile a picture of the universe’s (anki) creation according to the Sumerians. The primeval sea (abzu) existed before anything else and within that, the heaven (an) and the earth (ki) were formed. The boundary between heaven and earth was a solid (perhaps tin) vault, and the earth was a flat disk. Within the vault lay the gas-like ‘lil’, or atmosphere, the brighter portions therein formed the stars, planets, sun, and moon. (Kramer, The Sumerians 1963: pp. 112-113) Each of the four major Sumerian deities is associated with one of these regions. An, god of heaven, may have been the main god of the pantheon prior to 2500 BC., although his importance gradually waned. (Kramer 1963 p. 118) Ki is likely to be the original name of the earth goddess, whose name more often appears as Ninhursag (queen of the mountains), Ninmah (the exalted lady), or Nintu (the lady who gave birth). It seems likely that these two were the progenitors of most of the gods.

According to “Gilgamesh, Enkidu, and the Netherworld”, in the first days all needed things were created. Heaven and earth were separated. An took Heaven, Enlil took the earth, Ereshkigal was carried off to the netherworld as a prize, and Enki sailed off after her.

III. What Deities did they worship?

Nammu
Nammu is the Goddess of the watery abyss, the primeval sea. She may be the earliest of deities within Sumerian cosmology as she gave birth to heaven and earth. (Kramer 1961 p. 39) She is elsewhere described both as the mother of all the gods and as the wife of An. (Kramer 1961 p. 114) She is Enki‘s mother. She prompts him to create servants for the gods and is then directed by him on how, with the help of Nimmah/Ninhursag to create man. (Kramer 1963 p. 150; Kramer 1961 p. 70)

A. The Primary Deities

It is notable that the Sumerians themselves may not have grouped these four as a set and that the grouping has been made because of the observations of Sumerologists.

An
An, god of heaven, may have been the main god of the pantheon prior to 2500 BC., although his importance gradually waned. (Kramer 1963 p. 118) In the early days he carried off heaven, while Enlil carried away the earth. (Kramer 1961 p. 37-39) It seems likely that he and Ki/Ninhursag were the progenitors of most of the gods. although in one place Nammu is listed as his wife. (Kramer 1961 p. 114) Among his children and followers were the Anunnaki. (Kramer 1961 p. 53) His primary temple was in Erech. He and Enlil give various gods, goddesses, and kings their earthly regions of influence and their laws. (Kramer 1963 p. 124) Enki seats him at the first seat of the table in Nippur at the feast celebrating his new house in Eridu. (Kramer 1961 p. 63) He hears Inanna’s complaint about Mount Ebih (Kur?), but discourages her from attacking it because of its fearsome power. (Kramer 1961 pp. 82-83) After the flood, he and Enlil make Ziusudra immortal and make him live in Dilmun. (Kramer 1961 p. 98) (See also Anu.)
Ninhursag (Ki, Ninmah, Nintu)
Ki is likely to be the original name of the earth goddess, whose name more often appears as Ninhursag (queen of the mountains), Ninmah (the exalted lady), or Nintu (the lady who gave birth). (Kramer 1963 p. 122) Most often she is considered Enlil’s sister, but in some traditions she is his spouse instead. (Jacobsen p.105) She was born, possibly as a unified cosmic mountain with An, from Nammu and shortly thereafter, their union produced Enlil. (Kramer 1961 p. 74) In the early days, as Ki, she was separated from heaven (An) and carried off by Enlil. (Kramer 1961 pp. 37-41) It seems likely that she and An were the progenitors of most of the gods. She later unites with Enlil and with the assistance of Enki they produce the world’s plant and animal life. (Kramer 1961 p. 75)”Enki and Ninhursag”
In Dilmun, she (as Nintu) bears the goddess Ninsar from Enki, who in turn bears the goddess Ninkur, who in turn bears Uttu, goddess of plants. Uttu bore eight new trees from Enki. When he then ate Uttu’s children, Ninhursag cursed him with eight wounds and dissapears. After being persuaded by Enlil to undo her curse, she bore Enki eight new children which undid the wounds of the first ones. (Kramer 1963 pp. 147-149; Kramer 1961 pp. 54-59)

Enki seats her (as Nintu) on the big side of the table in Nippur at the feast celebrating his new house in Eridu. (Kramer 1961 p. 63)

“Enki and Ninmah”
She is the mother goddess and, as Ninmah, assists in the creation of man. Enki, having been propted by Nammu to create servants for the gods, describes how Nammu and Ninmah will help fashion man from clay. Prior to getting to work, she and Enki drink overmuch at a feast. She then shapes six flawed versions of man from the heart of the clay over the Abzu, with Enki declaring their fates. Enki, in turn also creates a flawed man which is unable to eat. Ninmah appears to curse him for the failed effort. (Kramer 1963 pp. 149-151; Kramer 1961 pp. 69-72)
(See also Aruru)

EnlilAn and Ki‘s union produced Enlil (Lord of ‘lil’). Enlil was the air-god and leader of the pantheon from at least 2500 BC, when his temple Ekur in Nippur was the spiritual center of Sumer (Kramer 1961 p. 47). In the early days he separated and carried off the earth (Ki) while An carried off heaven. (Kramer 1961 p. 37-41) He assumed most of An’s powers. He is glorified as “‘the father of the gods, ‘the king of heaven and earth,’ ‘ the king of all the lands'”. Kramer portrays him as a patriarchal figure, who is both creator and disciplinarian. Enlil causes the dawn, the growth of plants, and bounty (Kramer 1961 p. 42). He also invents agricultural tools such as the plow or pickaxe (Kramer 1961 pp 47-49). Without his blessings, a city would not rise (Kramer 1961 pp. 63, 80) Most often he is considered Ninlil’s husband, with Ninhursag as his sister, but some traditions have Ninhursag as his spouse. (Jacobsen p.105) “Enlil and Ninlil”
He is also banished to the nether world (kur) for his rape of Ninlil, his intended bride, but returns with the first product of their union, the moon god Sin (also known as Nanna). (Kramer, Sumerians 1963: pp.145-147). Ninlil follows him into exile as his wife. He tells the various underworld guardians to not reveal his whereabouts and instead poses as those guardians himself three times, each time impregnating her again it appears that at least on one occasion Enlil reveals his true self before they unite. The products of these unions are three underworld deities, including Meslamtaea (aka. Nergal) and Ninazu. Later, when Nanna visits him in Nippur, he bestows Ur to him with a palace and plentiful plantlife. (Kramer 1961 p. 43-49) Enlil is also seen as the father of Ninurta (Kramer 1961 p. 80).”Enki and Eridu”
When Enki journeys to Enlil’s city Nippur in order for his own city, Eridu to be blessed. He is given bread at Enki’s feast and is seated next to An, after which Enlil proclaims that the Anunnaki should praise Enki. (Kramer 1961 pp. 62-63)

“The Dispute between Cattle and Grain”
Enlil and Enki, at Enki’s urging, create farms and fields for the grain goddess Ashnan and the cattle goddess Lahar. This area has places for Lahar to take care of the animals and Ashnan to grow the crops. The two agricultural deities get drunk and begin fighting, so it falls to Enlil and Enki to resolve their conflict – how they do so has not been recovered. (Kramer 1961 pp. 53-54; Kramer 1963 pp. 220-223)

“The Dispute between Emesh and Enten”
Enlil creates the herdsman deity Enten and the agricultural deity Emesh. He settles a dispute between Emesh and Enten over who should be recognized as ‘farmer of the gods’, declaring Enten’s claim to be stronger. (Kramer 1961 p. 49-51).

“Enki and Ninhursag”
He helps Enki again when he was cursed by Ninhursag. Enlil and a fox entreat her to return and undo her curse. (Kramer 1961 p. 57)

“Enki and the World Order”
The me were assembled by Enlil in his temple Ekur, and given to Enki to guard and impart to the world, beginning with Eridu, Enki’s center of worship. (Kramer 1963 pp. 171-183)

“Inanna’s Descent to the Nether World”
Enlil refuses Ninshubur’s appeal on behalf of his [grand-]daughter, Inanna to help rescue her from Ereshkigal in the underworld. (Kramer 1961 pp. 86, 87, 89, 93)

“Ziusudra”
After the flood, he and An gave Ziusudra eternal life and had him live in Dilmun. (Kramer 1961 p. 98)

“Gilgamesh, Enkidu and the Netherworld”
When Gilgamesh looses his pukku and mikku in the nether world, and Enkidu is held fast there by demons, he appeals to Enlil for help. Enlil refuses to assist him. (Kramer 1961 p. 35-36)
(See also the Babylonian Ellil)

EnkiEnki is the son of Nammu, the primeval sea. Contrary to the translation of his name, Enki is not the lord of the earth, but of the abzu (the watery abyss and also semen) and of wisdom. This contradiction leads Kramer and Maier to postulate that he was once known as En-kur, lord of the underworld, which either contained or was contained in the Abzu. He did struggle with Kur as mentioned in the prelude to “Gilgamesh, Enkidu, and the Underworld”, and presumably was victorious and thereby able to claim the title “Lord of Kur” (the realm). He is a god of water, creation, and fertility. He also holds dominion over the land. He is the keeper of the me, the divine laws. (Kramer & Maier Myths of Enki 1989: pp. 2-3) “Gilgamesh, Enkidu, and the Underworld”
Enki sails for the Kur, presumably to rescue Ereshkigal after she was given over to Kur. He is assailed by creatures with stones. These creatures may have been an extension of Kur itself. (Wolkstein and Kramer p. 4; Kramer 1961 p. 37-38, 78-79)”Enki and Eridu” Enki raises his city Eridu from the sea, making it very lush. He takes his boat to Nippur to have the city blessed by Enlil. He throws a feast for the gods, giving Enlil, An, and Nintu spacial attention. After the feast, Enlil proclaims that the Anunnaki should praise Enki. (Kramer 1961; pp. 62-63)

“Enki and the World Order”
The me were assembled by Enlil in Ekur and given to Enki to guard and impart to the world, beginning with Eridu, his center of worship. From there, he guards the me and imparts them on the people. He directs the metowards Ur and Meluhha and Dilmun, organizing the world with his decrees. (Kramer 1963 pp. 171-183)

“The Dispute between Cattle and Grain”
Enlil and Enki, at Enki’s urging, create farms and fields for the grain goddess Ashnan and the cattle goddess Lahar. This area has places for Lahar to take care of the animals and Ashnan to grow the crops. The two agricultural deities get drunk and begin fighting, so it falls to Enlil and Enki to resolve their conflict – how they do so has not been recovered. (Kramer 1961 pp. 53-54; Kramer 1963 pp. 220-223)

“Enki and Ninhursag”
He blessed the paradisical land of Dilmun, to have plentiful water and palm trees. He sires the goddess Ninsar upon Ninhursag, then sires Ninkur upon Ninsar, finally siring Uttu, goddess of plants, upon Ninkur. Uttu bore eight new types of trees from Enki. He then consumed these tree-children and was cursed by Ninhursag, with one wound for each plant consumed. Enlil and a fox act on Enki’s behalf to call back Ninhursag in order to undo the damage. She joins with Enki again and bears eight new children, one to cure each of the wounds. (Kramer 1963 pp. 147-149; Kramer 1961 pp. 54-59)

“Enki and Ninmah: The Creation of Man”
The gods complain that they need assistance. At his mother Nammu’s prompting, he directs her, along with some constructive criticism from Ninmah (Ninhursag), in the creation of man from the heart of the clay over the Abzu. Several flawed versions were created before the final version was made. (Kramer 1963 pp. 149-151; Kramer 1961 pp. 69-72)

“Inanna’s Descent to the Nether World”
He is friendly to Inanna and rescued her from Kur by sending two sexless beings to negotiate with, and flatter Ereshkigal. They gave her the Food of Life and the Water of Life, which restored her. (Wolkstein and Kramer pp. 62-64)

“Inanna and Enki”
Later, Inanna comes to Enki and complains at having been given too little power from his decrees. In a different text, she gets Enki drunk and he grants her more powers, arts, crafts, and attributes – a total of ninety-fourme. Inanna parts company with Enki to deliver the me to her cult center at Erech. Enki recovers his wits and tries to recover the me from her, but she arrives safely in Erech with them. (Kramer & Maier 1989: pp. 38-68)

(See also Ea)

 

III B. The Seven Who Decreed Fate

In addition to the four primary deities, there were hundreds of others. A group of seven “decreed the fates” – these probably included the first four, as well as Nanna, his son Utu, the sun god and a god of justice, and Nanna’s daughter Inanna, goddess of love and war.

Nanna (Sin, (Suen), Ashgirbabbar)
Nanna is another name for the moon god Sin. He is the product of Enlil‘s rape of Ninlil. (Kramer, 1963, pp. 146-7.) He travels across the sky in his gufa, (a small, canoe-like boat made of woven twigs and tar), with the stars and planets about him. (Kramer 1961 p. 41) Nanna was the tutelary deity of Ur (Kramer 1963 p. 66), appointed as king of that city by An and Enlil. (Kramer 1963 pp. 83-84) He journeyed to Nippur by boat, stopping at five cities along the way. When he arrived at Nippur, he proffered gifts to Enlil and pleaded with him to ensure that his city of Ur would be blessed, prosperous, and thus, not be flooded. (Kramer 1963 pp. 145-146, Kramer 1961 pp. 47-49) Nanna was married to Ningal and they produced Inanna and Utu. (Wolkstein and Kramer pp. 30-34; Kramer 1961 p. 41) He rests in the Underworld every month, and there decrees the fate of the dead. (Kramer 1963 p. 132, 135, 210) He refuses to send aid to Inanna when she is trapped in the underworld. (Kramer 1963 pp. 153-154) He established Ur-Nammu as his mortal representative, establishing the third Ur dynasty. (Kramer 1963 p. 84)
Utu
Utu is the son of Nanna and Ningal and the god of the Sun and of Justice. He goes to the underworld at the end of every day setting in the “mountain of the west” and rising in the “mountain of the east”. While there decrees the fate of the dead, although he also may lie down to sleep at night. (Kramer 1963 p. 132, 135; Kramer 1961 pp. 41-42) He is usually depicted with fiery rays coming out of his shoulders and upper arms, and carrying a saw knife. (Kramer 1961 p. 40) When Inanna‘s huluppu tree is infested with unwelcome guests, he ignores her appeal for aid. (Wolkstein and Kramer pp. 6-7) He tries to set her up with Dumuzi, the shepherd, but she initially rebuffs him, preferring the farmer. (Wolkstein and Kramer pp. 30-33) He aided Dumuzi in his flight from the galla demons by helping him to transform into different creatures. (Wolkstein and Kramer pp. 72-73, 81) Through Enki’s orders, he also brings water up from the earth in order to irrigate Dilmun, the garden paradise, the place where the sun rises. (Kramer 1963 p. 148) He is in charge of the “Land of the Living” and, in sympathy for Gilgamesh, calls off the seven weather heroes who defend that land. (Kramer 1963 pp. 190-193) He opened the “ablal” of the Underworld for the shade of Enkidu, to allow him to escape, at the behest of Enki. (Kramer 1963 p. 133; Kramer 1961 p. 36)
(See also Shamash)
Inanna
Nanna and Ningal‘s daughter Inanna, goddess of love and war. “Gilgamesh, Enkidu, and the Underworld”
A woman planted the huluppu tree in Inanna’s garden, but the Imdugud-bird (Anzu bird?) made a nest for its young there, Lilith (or her predecessor, a lilitu-demon) made a house in its trunk, and a serpent made a home in its roots. Inanna appeals to Utu about her unwelcome guests, but he is unsympathetic. She appeals to Gilgamesh, here her brother, and he is receptive. He tears down the tree and makes it into a throne and bed for her. In return for the favor, Inanna manufactures a pukku and mikku for him. (Wolkstein and Kramer pp. 5-9)

“Gilgamesh and the Bull of Heaven”
Later, Inanna seeks out Gilgamesh as her lover. When he spurns her she sends the Bull of Heaven to terrorize his city of Erech. (Kramer 1963 p. 262)

“The Courtship of Inanna and Dumuzi”
Her older brother Utu tries to set her up with Dumuzi, the shepherd, but she initially rebuffs him, preferring the farmer. He assures her that his parents are as good as hers and she begins to desire him. Her mother, Ningal, further assures her. The two consummate their relationship and with their exercise in fertility, the plants and grains grow as well. After they spend time in the marriage bed, Inanna declares herself as his battle leader and sets his duties as including sitting on the throne and guiding the path of weapons. At Ninshubur’s request, she gives him power over the fertility of plants and animals. (Wolkstein and Kramer pp. 30-50)

“Inanna’s Descent to the Nether World”
Inanna also visits Kur, which results in a myth reminiscent of the Greek seasonal story of Persephone. She sets out to witness the funeral rites of her sister-in-law Ereshkigal‘s husband Gugalanna, the Bull of Heaven. She takes precaution before setting out, by telling her servant Ninshubur to seek assistance from Enlil, Nanna, or Enki at their shrines, should she not return. Inanna knocks on the outer gates of Kur and the gatekeeper, Neti, questions her. He consults with queen Ereshkigal and then allows Inanna to pass through the seven gates of the underworld. After each gate, she is required to remove adornments and articles of clothing, until after the seventh gate, she is naked. The Annuna pass judgment against her and Ereshkigal killed her and hung her on the wall. (see Ereshkigal) (Wolkstein & Kramer 1983 pp. 52-60)

Inanna is rescued by the intervention of Enki. He creates two sexless creatures that empathize with Ereshkigal’s suffering, and thereby gain a gift – Inanna’s corpse. They restore her to life with the Bread of Life and the Water of Life, but the Sumerian underworld has a conservation of death law. No one can leave without providing someone to stay in their stead. Inanna is escorted by galla/demons past Ninshubur and members of her family. She doesn’t allow them to claim anyone until she sees Dumuzi on his throne in Uruk. They then seize Dumuzi, but he escapes them twice by transforming himself, with the aid of Utu. Eventually he is caught and slain. Inanna spies his sister, Geshtinanna, in mourning and they go to Dumuzi. She allows Dumuzi, the shepherd, to stay in the underworld only six months of the year, while Geshtinanna will stay the other six. (Wolkstein & Kramer pp. 60-89) As with the Greek story of the kidnapping of Persephone, this linked the changing seasons, the emergence of the plants from the ground, with the return of a harvest deity from the nether world. Geshtinanna is also associated with growth, but where her brother rules over the spring harvested grain, she rules over the autumn harvested vines (Wolkstein & Kramer p. 168).

“Inanna and Mount Ebih”
Inanna complains to An about Mount Ebih (Kur?) demanding that it glorify her and submit lest she attack it. An discourages her from doing so because of its fearsome power. She does so anyway, bringing a storehouse worth of weapons to bear on it. She destroys it. Because she is known as the Destroyer of Kur in certain hymns, Kramer identifys Mt. Ebih with Kur. (Kramer 1961 pp. 82-83)

“Inanna and Enki”
The me were universal decrees of divine authority -the invocations that spread arts, crafts, and civilization. Enki became the keeper of the me. Inanna comes to Enki and complains at having been given too little power from his decrees. In a different text, she gets Enki drunk and he grants her more powers, arts, crafts, and attributes – a total of ninety-four me. Inanna parts company with Enki to deliver the me to her cult center at Erech. Enki recovers his wits and tries to recover the me from her, but she arrives safely in Erech with them. (Kramer & Maier 1989: pp. 38-68)
(See also Ishtar)

III. C. The Annuna (Anunnaki) and others

At the next level were fifty “great gods”, possibly the same as the Annuna, although several gods confined to the underworld are specifically designated Annuna, An’s children. The Annuna are also said to live in Dulkug or Du-ku, the “holy mound”.(Kramer 1963: pp. 122-123, Black and Green p. 72, Kramer 1961, p. 73). In the “Descent of Inanna to the Nether World” the Anunnaki are identified as the seven judges of the nether world. (Kramer 1963 p. 154; Kramer 1961 p. 119)

Ereshkigal
Ereshkigal is the queen of the underworld, who is either given to Kur in the underworld or given dominion over the underworld in the prelude to “Gilgamesh, Enkidu, and the Underworld”. (Wolkstein and Kramer p. 157-158; Kramer 1961 p. 37-38) She has a palace there with seven gates and is due a visit by those entering Kur. (Kramer 1963 pp. 131, 134) She was married to Gugalanna, the Bull of Heaven, and is Inanna‘s older sister. When Inanna trespassed on her domain, Ereshkigal first directs her gatekeeper to open the seven gates a crack and remove her garments. (Wolkstein and Kramer pp. 55-57) Then when Inanna arrives she:

…fastened on Inanna the eye of death.
She spoke against her the word of wrath.
She uttered against her the cry of guiltShe struck her.

Inanna was turned into a corpse,
…And was hung from a hook on the wall.( Wolkstein & Kramer 1983 p. 60)

Later, when Enki‘s messengers arrive, she is moaning in pain. When they empathize with her, she grants them a boon. They request Inanna’s corpse and she accedes. (Wolkstein & Kramer pp. 64-67) (See alsoBabylonian Ereshkigal)

Nergal (Meslamtaea) –
Nergal is the second son of Enlil and Ninlil. (Kramer 1961 pp. 44-45) He is perhaps the co-ruler of Kur with Ereshkigal where he has a palace and is due reverence by those who visit. He holds Enkidu fast in the underworld after Enkidu broke several taboos while trying to recover Gilgamesh‘s pukku and mikku. He is more prominent in Babylonian literature and makes a brief appearance in II Kings 17:30.
(See Babylonian Nergal)
Ninlil
Ninlil was the intended bride of Enlil and the daughter of Nunbarshegunu, the old woman of Nippur. Enlil raped her and was then banished to the nether world (kur). She follows him to the nether world, where she gives birth to the moon god Sin (also known as Nanna). They have three more children in the nether world including Meslamtaea/(Nergal) and Ninazu who remain there so that Sin may be allowed to leave. (Kramer, Sumerians 1963: pp.146-7; Kramer 1961 pp. 43-46). In some texts she is Enlil’s sister while Ninhursag is his bride. (Jacobsen p.105) Her chief shrine was in the Tummal district of Nippur. (See also Babylonian Ninlil)
Ningal
She is Nanna‘s wife and the mother of Inanna and Utu. She begs and weeps before Enlil for them not to flood her city, Ur.
(see also Babylonian Ningal and Nikkal of the Canaanites.)
Nanshe
Nanshe is a goddess of the city of Lagash who takes care of orphans and widows. She also seeks out justice for the poor and casts judgement on New Year’s Day. She is supported by Nidaba and her husband, Haia. (Kramer 1963 pp. 124-125)
Nidaba
The goddess of writing and the patron deity of the edubba (palace archives). She is an assistant to Nanshe. (Kramer 1963 pp. 124-125)
Ninisinna (Nininsinna)
The patron goddess of the city Isin. She is the “hierodule of An”
Ninkasi (“The Lady who fills the mouth”)
She is the goddess of brewing or alcohol, born of “sparkling-fresh water”. (Kramer 1963 pp. 111, 206) She is one of the eight healing children born by Ninhursag for Enki She is born in response to Enki’s mouth pain and Ninhursag declares that she should be the goddess who “sates the heart” (Kramer 1961 p. 58) or “who satisfies desire”. (Kramer and Maier p. 30)
Ninurta
Ninurta is Enlil’s son and a warrior deity, the god of the south wind. (Kramer 1963 p. 145; Kramer 1961 p. 80) In “The Feats and Exploits of Ninurta”, that deity sets out to destroy the Kur. Kur initially intimidates Ninurta into retreating, but when Ninurta returns with greater resolve, Kur is destroyed. This looses the waters of the Abzu, causing the fields to be flooded with unclean waters. Ninurta dams up the Abzu by piling stones over Kur’s corpse. He then drains these waters into the Tigris. (Kramer 1961 pp. 80-82). The identification of Ninurta’s antagonist in this passage as Kur appears to be miscast. Black and Green identify his foe as the demon Asag, who was the spawn of An and Ki, and who produced monstrous offspring with Kur. The remainder of the details of this story are the same as in Kramer’s account, but with Asag replacing Kur. In other versions, Ninurta is replaced by Adad/Ishkur. (Black & Green pp. 35-36)
(See also the Babylonian Ninurta)
Ashnan
The kindly maid. Ashnan is a grain goddess, initially living in Dulkug (Du-ku). (Kramer 1961 p. 50) Enlil and Enki, at Enki’s urging, create farms and fields for her and for the cattle god Lahar. This area has places for Lahar to take care of the animals and Ashnan to grow the crops. The two agricultural deities get drunk and begin fighting, so it falls to Enlil and Enki to resolve their conflict – how they do so has not been recovered. (Kramer 1961 pp. 53-54)
Lahar
Lahar is the cattle-goddess, initially living in Duku (Dulkug). Enlil and Enki, at Enki’s urging, create farms and fields for him and the grain goddess Ashnan. This area has places for Lahar to take care of the animals and Ashnan to grow the crops. The two agricultural deities get drunk and begin fighting, so it falls to Enlil and Enki to resolve their conflict – how they do so has not been recovered. (Kramer 1961 pp. 53-54; Kramer 1963 pp. 220-223)
Emesh
Created by Enlil this god is responsible for agriculture. He quarrels with his brother Enten, and makes a claim to be the ‘farmer of the gods’, bringing his claim to Enlil after Enten. When Enlil judges Enten’s claim to be stronger, Emesh relents, brings him gifts, and reconciles. (Kramer 1961 pp. 49-51)
Enten
He is a farmer god, and is Enlil‘s field worker and herdsman. He quarrels with his brother Emesh and makes an appeal to Enlil that he deserves to be ‘farmer of the gods’. Enlil judges Enten’s claim to be the stronger and the two reconcile with Emesh bringing Enten gifts. (Kramer 1961 pp. 42, 49-51)
Uttu
She is the goddess of weaving and clothing (Kramer 1963 p. 174; Black and Green p. 182) and was previously thought to be the goddess of plants. She is both the child of Enki and Ninkur, and she bears eight new child/trees from Enki. When he then ate Uttu’s children, Ninhursag cursed him with eight wounds and disappears. (Kramer 1961 pp. 57-59)
Enbilulu
The “knower” of rivers. He is the god appointed in charge of the Tigris and Euphrates by Enki. (Kramer 1961 p. 61)
Ishkur
God appointed to be in charge of the winds by Enki. He is in charge of “the silver lock of the ‘heart’ of heaven”. (Kramer 1961 p. 61) He is identified with the Akkadian god, Adad. (Black and Green pp. 35-36)
Enkimdu
God placed in charge of canals and ditches by Enki. (Kramer 1961 p. 61)
Kabta
God placed in charge of the pickax and brickmold by Enki. (Kramer 1961 p. 61)
Mushdamma
God placed in charge of foundations and houses by Enki. (Kramer 1961 p. 61)
Sumugan
The god of the plain or “king of the mountain”, he is the god placed in charge of the plant and animal life on the plain of Sumer by Enki. (Kramer 1961 pp. 61-62; Kramer 1963 p. 220)

III. D. Demigods, mortal Heroes, and Monsters

Dumuzi (demigod) (Tammuz)
A shepherd, he is the son of Enki and Sirtur. (Wolkstein & Kramer p. 34) He is given charge of stables and sheepfolds, filled with milk and fat by Enki. (Kramer 1961 p. 62) He has a palace in Kur, and is due a visit by those entering Kur. He is Inanna‘s husband. In life, he was the shepherd king of Uruk.

“The Courtship of Inanna and Dumuzi”
Utu tries to set Inanna up with him but she initially rebuffs him, preferring the farmer. He assures her that his parents are as good as hers and she begins to desire him. The two consummate their relationship and with their exercise in fertility, the plants and grains grow as well. After they spend time in the marriage bed, Inanna declares herself as his battle leader and sets his duties as including sitting on the throne and guiding the path of weapons. At Ninshubur’s request, she gives him power over the fertility of plants and animals. (Wolkstein and Kramer pp. 30-50)

“Descent of Inanna to the Nether World”
Upon her rescue from the dead, he was pursued by galla demons, which he eluded for a time with the aid of Utu. Eventually he was caught and slain; however, he was partially freed from his stay in the underworld by the actions of his sister Geshtinanna. Now he resides there only half of the year, while she lives there the other half year; this represents seasonal change (see Inanna and Geshtinanna). (Wolkstein and Kramer pp. 71-89)
(See also the Babylonian Tammuz.)

Geshtinanna (demigoddess)
She is Dumuzi’s sister. After his death, she visited him in the underworld with Inanna, and was allowed to take his place there for six months out of the year. Her time in the underworld and her periodic emergence from it are linked with her new divine authority over the autumn vines and wine. (see also Inanna, Dumuzi)
Ziusudra (Ziusura)
In the Sumerian version of the flood story, the pious Ziusudra of Shuruppak (Kramer 1963 p. 26), the son of Ubartutu (or of Shuruppak?) (Kramer 1963 p. 224) is informed of the gods decision to destroy mankind by listening to a wall. He weathers the deluge and wind-storms aboard a huge boat. The only surviving detail of the boat is that it had a window. The flood lasts for seven days before Utu appears dispersing the flood waters. After that, Ziusudra makes appropriate sacrifices and protrations to Utu, An and Enlil. He is given eternal life in Dilmun by An and Enlil. (Kramer 1963 pp. 163-164; Kramer 1961 pp. 97-98)

Jacobsen reports a more complete version of “The Eridu Genesis” than Kramer or Black and Green which is close to the Babylonian story of Atrahasis. In this account, man had been directed to live in cities by Nintur but as they thrived, the noise irritated Enlil, who thus started the flood. In this account, Enki warns Ziusudra, instructing him to build the boat for his family and for representatives of the animals. The remainder is consistent with the accounts of Kramer and Black and Green. (Jacobsen p. 114)

Gilgamesh (demigod)
The son, either of a nomad or of the hero-king Lugalbanda and of the goddess Ninsun, Gilgamesh, may have been a historical King of Erech, during the time of the first Ur dynasty. His kingship is mentioned in various places, including the Sumerian King list and he was also an en, a spiritual head of a temple. He was also the lord of Kulab and by one account, the brother of Inanna. He was “the prince beloved of An”, (Kramer p. 260, 188) and “who performs heroic deeds for Inanna” (Kramer 1963 p. 187)

“Gilgamesh and Agga” – (Pritchard pp.44-47; Kramer 1963 pp. 187-190)
King Agga of Kish sent an ultimatum to Erech. Gilgamesh tried to convince the elders that Erech should sack Kish in response, but the elders wanted to submit. He responded by taking the matter to the men of the city, who agreed to take up arms. Agga laid seige to Erech and Gilgamesh resisted with the help of his servant, Enkidu. He sent a soldier through the gate to Agga. The soldier is captured and tortured with a brief respite while another of Gilgamesh’s soldiers climbs over the wall. Gilgamesh himself then climbs the wall and Agga’s forces are so taken aback by the sight of them that Agga capitulates. Gilgamesh graciously accepts Agga’s surrender, prasing him for returning his city.

After this episode, he apparently took Nippur from the son of the founder of the Ur I dynasty.

“Gilgamesh and the Land of the Living” (Pritchard pp. 47-50, Kramer 1963 pp. 190-197)
Gilgamesh, saddened by the dying he sees in his city, decides to go to the “Land of the Living” says so to Enkidu. At Enkidu’s urging, Gilgamesh makes a sacrifice and first speaks to Utu, who is in charge of that land. After he informs Utu of his motives, the god calls off his seven guardian weather heroes. Gilgamesh recruits fifty single men to accompany them and commissions swords and axes. They travel over seven mountains, felling trees along the way eventually finding the “cedar of his heart”. After some broken text Gilgamesh is in a deep sleep, presumably after an encounter with Huwawa. Enkidu or one of the others wakes him. They come upon Huwawa and Gilgamesh distracts him with flatery, then puts a nose ring on him and binds his arms. Huwawa grovels to Gilgamesh and Enkidu and Gilgamesh almost releases him. Enkidu argues against it and when Huwawa protests, he decapitates Huwawa. Gilgamesh is angered by Enkidu’s rash action.

“Gilgamesh, Enkidu and the Netherworld” (Kramer 1963 p.197-205)
Inanna appeals to Gilgamesh, here her brother, when her huluppu tree has been occupied and he is receptive. He tears down the tree and makes it into a throne and bed for her. In return for the favor, Inanna manufactures a pukku and mikku for him.

He leaves them out, goes to sleep and can’t find them where he left them when he awakens. They had fallen into the underworld. Enkidu asks him what is wrong and Gilgamesh asks him to retrieve them, giving him instructions on how to behave in the underworld. Enkidu enters the “Great Dwelling” through a gate, but he broke several of the underworld taboos of which Gilgamesh warned, including the wearing of clean clothes and sandals, ‘good’ oil, carrying a weapon or staff, making a noise, or behaving normally towards ones family (Kramer 1963: pp. 132-133). For these violations he was “held fast by ‘the outcry of the nether world'”. Gilgamesh appeals to Enlil, who refuses to help. Intervention by Enki, rescued the hero – or at least raised his shade for Gilgamesh to speak with.

“Gilgamesh and the Bull of Heaven”
He rejects Inanna’s advances, so she sends the “Bull of Heaven” to ravage Erech in retribution. (Kramer 1963 p. 262)

“Death of Gilgamesh” (Pritchard pp. 50-52, Kramer 1963 pp. 130-131)
Gilgamesh is fated by Enlil to die but also to be unmatched as a warrior. When he dies, his wife and household servants make offerings (of themselves?) for Gilgamesh to the deities of the underworld.

He is given a palace in the nether world and venerated as lesser god of the dead. It is respectful to pay him a visit upon arrival. If he knew you in life or is of your kin he may explain the rules of Kur to you – which he helps to regulate.

His son and successor was either Ur-lugal or Urnungal.
(see Babylonian Gilgamesh)

Enkidu
Gilgamesh‘s servant and friend. He assists Gilgamesh in putting back Agga’s seige of Erech.

He accompanies Gilgamesh and his soldiers on the trip to the “Land of the Living”. Probably after an initial encounter with Huwawa, Gilgamesh falls asleep and Enkidu awakens him. They come upon Huwawa and Gilgamesh distracts him with flatery, then puts a nose ring on him and binds his arms. Huwawa grovels to Gilgamesh and Enkidu and Gilgamesh almost releases him. Enkidu argues against it and when Huwawa protests, he decapitates Huwawa. Gilgamesh is angered by Enkidu’s rash action.

The main body of the Gilgamesh tale includes a trip to the nether-world. Enkidu enters the “Great Dwelling” through a gate, in order to recover Gilgamesh’s pukku and mikku, objects of an uncertain nature. He broke several taboos of the underworld, including the wearing of clean clothes and sandals, ‘good’ oil, carrying a weapon or staff, making a noise, or behaving normally towards ones family (Kramer 1963: pp. 132-133). For these violations he was “held fast by ‘the outcry of the nether world'”. Intervention by Enki, rescued the hero or at least raised his shade for Gilgamesh to speak with.

Kur
Kur literally means “mountain”, “foreign land”, or “land” and came to be identified both with the underworld and, more specifically, the area which either was contained by or contained the Abzu. (Kramer 1961 p. 76) In the prelude to “Gilgamesh, Enkidu and the Underworld, Ereshkigal was carried off into the Kur as it’s prize at about the same time as An and Enlil carried off the heaven and the earth. Later in that same passage, Enkialso struggled with Kur as and presumably was victorious, thereby able to claim the title “Lord of Kur” (the realm). Kramer suggests that Kur was a dragon-like creature, calling to mind Tiamat and Leviathan. The texts suggests that Enki’s struggle may have been with instruments of the land of kur – its stones or its creatures hurling stones. (Kramer 1961 p. 37-38, 78-79) (See also Apsu and Tiamat.)

In “The Feats and Exploits of Ninurta“, that deity sets out to destroy the Kur. Kur initially intimidates Ninurta into retreating, but when Ninurta returns with greater resolve, Kur is destroyed. This looses the waters of the Abzu, causing the fields to be flooded with unclean waters. Ninurta dams up the Abzu by piling stones over Kur’s corpse. He then drains these waters into the Tigris. (Kramer 1961 pp. 80-82). The identification of Ninurta’s antagonist in this passage as Kur appears to be miscast. Black and Green identify his foe as the demon Asag, who was the spawn of An and Ki, and who produced monstrous offspring with Kur. The remainder of the details of this story are the same as in Kramer’s account, but with Asag replacing Kur. In other versions, Ninurta is replaced by Adad/Ishkur. (Black & Green pp. 35-36)

“Inanna and Mt. Ebih”: Inanna is also described in Hymns as a destroyer of Kur. If one, as Kramer does, identifies Kur with Mt. Ebih, then we learn that it has directed fear against the gods, the Anunnaki and the land, sending forth rays of fire against the land. Inanna declares to An that she will attack Mt. Ebih unless it submits. An warns against such an attack, but Inanna procedes anyway and destroys it. (Kramer 1961 pp. 82-83).

Gugalanna (Gugal-ana)
He is Ereshkigal‘s husband, and according to Kramer, the Bull of Heaven. (Wolkstein and Kramer p. 55) Black and Green tentatively identify him with Ennugi, god of canals and dikes, rather than the Bull of Heaven. (Black and Green p. 77) After Gilgamesh spurned Inanna, she sends the Bull of Heaven to terrorize Erech. (Kramer 1963 p. 262)
Huwawa
Guardian of the cedar of the heart in the the “Land of the living”, Huwawa has dragon’s teeth, a lion’s face, a roar like rushing flood water, huge clawed feet and a thick mane. He lived there in a cedar house. He appears to have attacked Gilgamesh, Enkidu and company when they felled that cedar. They then come upon Huwawa and Gilgamesh distracts him with flatery, then puts a nose ring on him and binds his arms. Huwawa grovels to Gilgamesh and Enkidu and Gilgamesh almost releases him. Enkidu argues against it and when Huwawa protests, he decapitates Huwawa. See also the Babylonian Humbaba

Gods in Kur with palaces who are due reverence:

Namtar – “Fate”, the demon responsible for death. Namtar has no hands or feet and does not eat or drink. (Pritchard p. 51)
Hubishag
Ningishzida – the god of dawn
Dimpemekug – due gifts, no palace
Neti – the chief gatekeeper
the scribe of Kur – due gifts, no palace

The Sumerians had many other deities as well, most of which appear to have been minor.

IV. What about the Underworld?

The underworld of the Sumerians is revealed, to some extent, by a composition about the death and afterlife of the king and warlord Ur-Nammu. After having died on the battlefield, Ur- Nammu arrives below, where he offers sundry gifts and sacrifices to the “seven gods” of the nether world:

Nergal, [the deified] Gilgamesh, Ereshkigal [the queen of the underworld, who is either given to Kur in the underworld or given dominion over the underworld in the prelude to Gilgamesh (Kramer & Maier 1989: p. 83) (Wolkstein & Kramer 1983: p. 4)] , Dumuzi [the shepherd, Inanna’s husband], Namtar, Hubishag, and Ningishzida – each in his own palace; he also presented gifts to Dimpimekug and to the “scribe of the nether- world.”… [After arriving at his assigned spot] …certain of the dead were turned over to him, perhaps to be his attendants, and Gilgamesh, his beloved brother, explained to him the rules and regulations of the nether world. (Kramer 1963: p. 131)

Another tablet indicates that the sun, moon, and their respective gods, spent time in the underworld as well. The sun journeyed there after setting, and the moon rested there at the end of the month. Both Utu and Nanna”’decreed the fate’ of the dead” while there. (Kramer 1963: p. 132) Dead heroes ate bread, drank, and quenched the dead’s thirst with water. The gods of the nether world, the deceased, and his city, were prayed to for the benefit of the dead and his family.

The Sumerian version of Gilgamesh includes a trip to the nether world as well. In the prologue, Enki sails for the Kur, presumably to rescue Ereshkigal after she was given over to Kur. He is assailed by creatures with stones. The main body of the tale includes a trip to the nether world as well. Enkidu enters the “Great Dwelling” through a gate, in order to recover Gilgamesh’s pukku and mikku, objects of an uncertain nature. He broke several taboos of the underworld, including the wearing of clean clothes and sandals, ‘good’ oil, carrying a weapon or staff, making a noise, or behaving normally towards ones family (Kramer 1963: pp. 132-133). For these violations he was “held fast by ‘the outcry of the nether world'”. Intervention by Enki, rescued the hero.

When Enlil visits the nether world, he must pass by a gatekeeper, followed by a “man of the river” and a “man of the boat” – all of whom act as guardians.(Kramer 1961 pp. 45-47)

Inanna also visits Kur, which results in a myth reminiscent of the Greek seasonal story of Persephone. She sets out to witness the funeral rites of her sister-in-law Ereshkigal‘s husband Gugalanna, the Bull of Heaven. She takes precaution before setting out, by telling her servant Ninshubur to seek assistance from Enlil, Nanna, or Enki at their shrines, should she not return. Inanna knocks on the outer gates of Kur and the gatekeeper, Neti, questions her. He consults with queen Ereshkigal and then allows Inanna to pass through the seven gates of the underworld. After each gate, she is required to remove adornments and articles of clothing, until after the seventh gate, she is naked. The Annuna pass judgment against her and Ereshkigal slays her and hangs her on the wall (Wolkstein & Kramer 1983 p. 60)

Inanna is rescued by the intervention of Enki. He creates two sexless creatures that empathize with Ereshkigal‘s suffering, and thereby gain a gift – Inanna’s corpse. They restore her to life with the Bread of Life and the Water of Life, but the Sumerian underworld has a conservation of death law. No one can leave without providing someone to stay in their stead. Inanna is escorted by galla/demons past Ninshubur and members of her family. She doesn’t allow them to claim anyone until she sees Dumuzi on his throne in Uruk. They then seize Dumuzi, but he escapes them twice by transforming himself, with the aid of Utu. Eventually he is caught and slain. Inanna spies his sister, Geshtinanna, in mourning and they go to Dumuzi. She allows Dumuzi, the shepherd, to stay in the underworld only six months of the year, while Geshtinanna will stay the other six. (Wolkstein & Kramer pp. 60-89) As with the Greek story of the kidnapping of Persephone, this linked the changing seasons, the emergence of the plants from the ground, with the return of a harvest deity from the nether world. Although he had always been a shepherd (and possibly a mortal king) he was blessed with the powers of fertility following the consummation of his marriage to Inanna in “The Courtship of Inanna and Dumuzi”.

As the farmer, let him make the fields fertile,
As the shepherd, let him make the sheepfolds multiply,
Under his reign let there be vegetation,
Under his reign let there be rich grain (Wolkstein & Kramer p. 45)

Geshtinanna is also associated with growth, but where her brother rules over the spring harvested grain, she rules over the autumn harvested vines (Wolkstein & Kramer p. 168)

V. What are me anyway?

Another important concept in Sumerian theology, was that of me. The me were universal decrees of divine authority. They are the invocations that spread arts, crafts, and civilization. The me were assembled by Enlil in Ekur and given to Enki to guard and impart to the world, beginning with Eridu, his center of worship. From there, he guards the me and imparts them on the people. He directs the me towards Ur and Meluhha and Dilmun, organizing the world with his decrees. Later, Inanna comes to Enki and complains at having been given too little power from his decrees. In a different text, she gets Enki drunk and he grants her more powers, arts, crafts, and attributes – a total of ninety-four me. Inanna parts company with Enki to deliver the me to her cult center at Erech. Enki recovers his wits and tries to recover the me from her, but she arrives safely in Erech with them. (Kramer & Maier 1989: pp. 38-68)

VI. I’ve heard that there are a lot of Biblical parallels in Sumerian literature. What are they?

Traces of Sumerian religion survive today and are reflected in writings of the Bible. As late as Ezekiel, there is mention of a Sumerian deity. In Ezekiel 8:14, the prophet sees women of Israel weeping for Tammuz (Dumuzi) during a drought.

The bulk of Sumerian parallels can, however be found much earlier, in the book of Genesis. As in Genesis, the Sumerians’ world is formed out of the watery abyss and the heavens and earth are divinely separated from one another by a solid dome. The second chapter of Genesis introduces the paradise Eden, a place which is similar to the Sumerian Dilmun, described in the myth of “Enki and Ninhursag“. Dilmun is a pure, bright, and holy land – now often identified with Bahrain in the Persian Gulf. It is blessed by Enki to have overflowing, sweet water. Enki fills it with lagoons and palm trees. He impregnates Ninhursag and causes eight new plants to grow from the earth. Eden, “in the East” (Gen. 2:8) has a river which also “rises” or overflows, to form four rivers including the Tigris and Euphrates. It too is lush and has fruit bearing trees. (Gen. 2:9-10) In the second version of the creation of man “The Lord God formed man out of the clay of the ground and blew into his nostrils the breath of life, and so man became a living being.” Enki and Ninmah (Ninhursag) use a similar method in creating man. Nammu, queen of the abyss and Enki’s mother, bids Enki to “Kneed the ‘heart’ of the clay that is over the Abzu ” and “give it form” (Kramer & Maier p. 33) From there the similarities cease as the two create several malformed humans and then the two deities get into an argument.

Returning to Enki and Ninhursag, we find a possible parallel to the creation of Eve. Enki consumed the plants that were Ninhursag’s children and so was cursed by Ninhursag, receiving one wound for each plant consumed.Enlil and a fox act on Enki’s behalf to call back Ninhursag in order to undo the damage. She joins with him again and bears eight new children, each of whom are the cure to one of his wounds. The one who cures his rib is named Ninti, whose name means the Queen of months, (Kramer & Maier 1989: pp. 28-30) the lady of the rib, or she who makes live. This association carries over to Eve. (Kramer, History Begins at Sumer 1981: pp. 143-144) In Genesis, Eve is fashioned from Adam’s rib and her name hawwa is related to the Hebrew word hay or living. (New American Bible p. 7.) The prologue of “Gilgamesh, Enkidu and the Underworld” may contain the predecessor to the tree of knowledge of good and evil. This tree not only contains a crafty serpent, but also Lilith, the legendary first wife of Adam. The huluppu tree is transplanted by Inanna from the banks of the Euphrates to her garden in Uruk, where she finds that:

…a serpent who could not be charmed
made its nest in the roots of the tree,
The Anzu bird set his young in the branches of the tree,
And the dark maid Lilith built her home in the trunk. (Wolkstein and Kramer 1983: p. 8)

It should be noted that Kramer’s interpretation that this creature is Lilith has come into quiestion of late.

Another possible Sumerian carry-over related to the Fall of man is the lack of “pangs of childbearing” for those in Dilmun. In particular, Ninhursag gives birth in nine days, not nine months, and the pass “like good princely cream” (Kramer 1981: p. 142,145) or “fine oil” (Kramer & Maier 1989: p. 25)

The quarrels between herder god and farmer deity pairs such as Lahar and Ashnan or Enten and Emesh are similar in some respects to the quarrels of Cain and Abel. In the Sumerian versions death appears to be avoided, although we do not have the complete Lahar and Ashnan story. (Kramer 1961 pp. 49-51, 53-54)

The ten patriarchs in Genesis born prior to the flood lived very long lives, most in excess of 900 years. The seventh patriarch, Enoch, lived only 365 years before he “walked with God”. (Genesis 5). The account which numbers those Patriarchs as ten is attributed to the Priestly source. The Yahwist source (J), details only seven Patriarchs prior to Noah, so that with him included, there are eight antediluvian patriarchs. (Genesis 4: 17-18) The eight antediluvian kings of in the Sumerian King List also lived for hundreds of years. (Kramer 1963 p. 328) S. H. Hooke notes another version of the Sumerian King list, found in Larsa details ten antediluvian kings. (Hooke, p. 130) The clearest Biblical parallel comes from the story of the Flood. In the Sumerian version, the pious Ziusudra is informed of the gods decision to destroy mankind by listening to a wall. He too weathers the deluge aboard a huge boat. Noah’s flood lasts a long time, but Ziusudra comes to rest within seven days and not the near year of the Bible. He does not receive a covenant, but is given eternal life. (Kramer 1963 pp. 163-164; Kramer 1961 pp. 97-98)

As far as the New Testament goes, many also draw a parallel between Dumuzi and Jesus because Dumuzi is a shepherd-king and he is resurrected from the dead. This is perhaps appealing to some as Dumuzi’s Akkadian analog, Tammuz, appears in the Bible, however Dumuzi’s periodic return from the underworld is not unique even in Sumerian literature. His sister Geshtinanna also rises from the dead, and if one counts those born as deities,Inanna does as well. Periodic death and rebirth is a common theme in agricultural myths where the return of the deities from the earth mirrors a return to life of plants.

VII. Sources

  • Black, Jeremy and Green, Anthony, Gods, Demons and Symbols of Ancient Mesopotamia: An Illustrated Dictionary, University of Texas Press, Austin, 1992. This up-to-date and thorough resource on Mesopotamian mythology has great photos and illustrations by Tessa Rickards and very useful entries which often indicate the times and places when variant tales were current. My only complaint is that it is not always clear whether information in an entry is applicable to the Sumerian, Akkadian, or both versions of a particular deity or hero.
  • Crawford, Harriet, Sumer and the Sumerians, Cambridge University Press, Cambridge, 1991. (This is a briefer but more up to date archaeological look at the Sumerians than you’ll find with Kramer. There isn’t much mythic content in this one, but there are many wonderful figures detailing city plans, and the structure of temples and other buildings.)
  • Jacobsen, Thorkild, The Treasures of Darkness, Yale University Press, New Haven, 1976. A good alternative to Kramer, Jacobsen explores Mesopotamian religious development from early Sumerian times through the Babylonian Enuma Elish. Most of the book winds up being on the Sumerians.
  • Kramer, Samuel Noah, and Maier, John, Myths of Enki, the Crafty God, Oxford University Press, New York,1989. The most recent work that I’ve been able to find by Kramer. They translate and analyze all of the availible myths which include Enki. I’ve only seen it availible in hardcover and I haven’t seen it in a bookstore yet.
  • Kramer, Samuel Noah, Sumerian Mythology, Harper & Brothers, New York, 1961. This slim volume contains much of the mythological material that wound up in The Sumerians but concentrated in one spot and without much cultural or historical detail. Many of the myths are more developed here, some of which are only glossed over in The Sumerians, however in some cases The Sumerians holds the more complete or updated myth.
  • Kramer, Samuel Noah The Sumerians The University of Chicago Press, Chicago,1963. (This is a more thorough work than Kramer’s Section at the end of Inanna, but the intervening 20 or so years of additional research and translation allow Inanna‘s section to be perhaps more complete, regarding mythology.)
  • Wolkstein, Diane and Kramer, Samuel Noah, Inanna: Queen of Heaven and Earth, Harper & Row, NY, 1983. (Ms. Wolkstein’s verse translations of the Inanna/Dummuzi cycle of myths are excellent, but differ somewhat Kramer’s originals. Kramer gives a 30 or so page description of Sumerian cosmology and society at the end).
  • The New American Bible, Catholic Book Publishing Co., New York, 1970.

VIII. Other books of interest

  • Algaze, Guillermo, “The Uruk Expansion”, Current Anthropology, Dec. 1989. This article helped with the introduction material.
  • Hooke, S. H. Middle Eastern Mythology, Penguin Books, New York, 1963. This work covers Sumerian, Babylonian, Canaanite/Ugaritic, Hittite, and Hebrew mythologic material in brief and with comparisons.
  • Fagan, B. M., People of the Earth, Glenview Il, Scott Forsman, 1989. This archaeology text book helped provide some of the introductory material.
  • Kramer, Samuel Noah, History Begins at Sumer, University of Pennsylvania Press, Philadelphia, 1981. (This text runs through a bunch of “firsts” that Kramer attributes to the Sumerians. I only looked at it briefly, but it seemed to contain about the same information as was in The Sumerians only in a “Wow neat!” format instead of something more coherent.)
  • Pritchard J. B., Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament, Princeton, 1955. There is also a 1969 edition of this work and a companion volume of pictures. It seems to be the authoritative source for all complete texts of the Sumerians, Babylonians, Canaanites, Hittites, and perhaps other groups as well. It’s pricy but many libraries have a copy.
  • Stephenson, Neal, Snowcrash, Bantam Books, New York, 1992. Cyberpunk meets “Inanna, Enki, and the Me“.
  • Wooley, C. Leonard, Excavations at Ur, 1954. This is one of the earlier works on the subject, and as such is not as complete as the others although it is of historical interest.

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see also the Assyro-Babylonian Mythology FAQ.
Visit the Canaanite/Ugaritic Mythology FAQ?
Visit the Hittite Mythology REF?

Fonte:

http://home.comcast.net/~chris.s/sumer-faq.html#A1.6

Os Dragões da Bíblia

dragonfire

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Escrito por Emerson Borges

É comum na mitologia de diversos povos e civilizações a descrição de grandes animais, semelhantes a répteis (como imensos lagartos e serpentes), às vezes com asas, poderes mágicos e hálito de fogo. Em cada cultura os dragões assumem no folclore funções e simbologias diferentes, podendo ser fonte sobrenatural de sabedoria e força ou simplesmente uma fera destruidora. Em geral, acredita-se que a origem dos mitos sobre dragões possam ter surgido de observações dos povos antigos de fósseis de dinossauros ou outras grandes criaturas como baleias, crocodilos ou rinocerontes, tomados por eles como ossos de dragões. Por serem descritos como grandes criaturas é comum aparecerem como adversários mitológicos de heróis lendários ou deuses em grandes épicos que eram contados pelos povos antigos. É comum também serem responsáveis por diversas tarefas míticas, como a sustentação do mundo ou o controle de fenômenos climáticos. Em qualquer forma, e em qualquer papel mítico, no entanto, os dragões estão presentes em milhares de culturas ao redor do mundo.

     As mais antigas representações mitológicas de criaturas consideradas como dragões são datadas de aproximadamente 40.000 anos atrás, em pinturas rupestres de aborígines pré-históricos na Austrália. Tais dragões provavelmente eram reverenciados como deuses, responsáveis pela criação do mundo e eram vistos de forma positiva pelo povo. Na antiga Mesopotâmia havia uma associação de dragões com o mal e o caos. Os dragões dos mitos sumérios freqüentemente cometiam grandes crimes, e por isso acabavam punidos pelos deuses, como Zu, um deus-dragão sumeriano das tempestades, que em certa ocasião teria roubado as pedras onde estavam escritas as leis do universo, e por tal crime acabou sendo morto pelo deus-sol Ninurta. No Enuma Elish, épico babilônico que conta à criação do mundo, também há uma forte presença de dragões, sobretudo na figura de Tiamat. No mito, Tiamat, apontada por diversos autores como uma personificação do oceano e seu parceiro mitológico Apsu, considerado como uma personificação das águas doces sob a terra, unem-se e dão à luz os diversos deuses mesopotâmicos. Apsu, no entanto, não conseguia descansar na presença de seus rebentos, e decide destruí-los, mas é morto por Ea, um de seus filhos. Para vingar-se, Tiamat cria um exército de monstros, dentre os quais 11 que são considerados dragões, e prepara um ataque contra os jovens deuses. Liderados pelo mais jovem entre eles, Marduk, que mais tarde se tornaria o principal deus do panteão babilônico, os deuses vencem a batalha e se consolidam como senhores do universo. Do corpo morto de Tiamat são criados o céu e a terra, enquanto do sangue do principal general do seu exército, Kingu, é criada a humanidade.

     Visto que a cultura judaica foi fortemente influenciada pela cultura dos povos mesopotâmicos, encontramos várias passagens no velho testamento que retratam dragões. No livro bíblico de Jó é descrito um animal monstruoso chamado leviatã que tem características muito semelhantes a um dragão, veja como tal fera é descrita:

     “Lampejos procedem da sua boca,sim, faíscas de fogo escapam.Das suas narinas sai fumaça,igual a uma fornalha acesa com juncos.A própria alma dele incendeia carvões,e até mesmo uma chama sai da sua boca” (Jó 41:19-21).

     Os religiosos tentam de todas as formas desvencilhar este animal de um dragão fazendo todo um malabarismo interpretativo que fica até engraçado vê-los tentar de todas as formas relacioná-lo a um crocodilo ou algum tipo de criatura aquática de grande porte. Obviamente eles não querem relacionar tal animal descrito neste texto com um dragão devido ao contexto mitológico e fantasioso que envolve esta fera vindo de povos considerados pagãos. Suas mentes não conseguem assimilar que um escritor bíblico que supostamente foi movido pelo espírito santo ao escrever, descreva com tantos detalhes um animal que na verdade somente existiu na imaginação do ser humano. Até parece uma descrição de um livro de contos de fada com todos os seus ingredientes fantasiosos como “faíscas de fogo escapando de sua boca”, “fumaça saindo de suas narinas”, “chamas saindo de sua boca incendiando até mesmo carvões”. Seria realmente “forçar a barra” dizer que se trata de um crocodilo, afinal, você já viu um crocodilo deixar escapar faíscas de fogo pela sua boca? Você já viu algum crocodilo expelir fumaça pelas suas narinas? Você já viu algum crocodilo cuspir fogo pela boca incendiando até mesmo carvões? De duas uma, ou os crocodilos antigos eram muito diferentes dos de hoje e tinham este dom incandescente ou temos neste texto uma perfeita descrição de um dragão.

     Observe como outras versões da bíblia descrevem esta criatura e veja se o problema está na escolha errada de palavras devido a uma má tradução:

     “De sua goela saem chamas, escapam centelhas ardentes. De suas ventas sai uma fumaça, como de uma marmita que ferve entre chamas. Seu hálito queima como brasa, a chama jorra de sua goela” (Versão Católica).

     “Da sua boca saem tochas; faíscas de fogo saltam dela. Das suas narinas procede fumaça, como de uma panela fervente, ou de uma grande caldeira. O seu hálito faz incender os carvões; e da sua boca sai chama” (Almeida corrigida e revisada fiel).    

     “A sua boca lança chamas, e dela saltam faíscas de fogo. O seu nariz solta fumaça, como a de galhos que queimam debaixo de uma panela. O seu sopro acende o fogo, e da sua boca saem chamas” (Bíblia na Linguagem de Hoje). 

 

     Parece que não melhorou muito. Falar que as descrições acima não são de um dragão, mas sim de um crocodilo, é não querer ver a realidade. Inclusive outras traduções da bíblia não tem pudor algum em traduzir dragão em diversos textos, observe trechos da Bíblia de Jerusalém:

    “Acaso sou o Mar ou o Dragão, para que me cerques com guardas?” (Jó 7:12).     

    “Poderás caminhar sobre o leão e a víbora, pisarás o leãozinho e o Dragão” (Salmos 91:13).

     Desperta, desperta! Mune-te de força, ó braço de Iahweh! Desperta como nos dias antigos, nas gerações de outrora. Por acaso não és tu aquele que despedaçou Raab, que trespassou o Dragão? (Isaías 51:9).

     

Em Isaías 27:1 o escritor bíblico entendeu claramente a descrição de Jó 41:19-21 como sendo um tipo de Dragão, pois ele relaciona o Leviatã como sendo uma espécie de Dragão:

     Naquele dia o SENHOR castigará com a sua dura espada, grande e forte, o leviatã, serpente veloz, e o leviatã, a serpente tortuosa, e matará o Dragão, que está no mar (João Ferreira de Almeida, Corrigida e Revisada, Fiel).

     Porém, algumas traduções “resolveram” verter a palavra Dragão por “monstro marinho” (mesmo reconhecendo numa nota ao pé da página que a Septuaginta Grega (LXX) verte “Leviatã” por “Dragão”) numa tentativa de disfarçar este texto embaraçador:

     “Naquele dia, Jeová, com a sua espada dura, e grande, e forte, voltará sua atenção para [o] leviatã, a serpente deslizadora, sim, para [o] leviatã, a serpente sinuosa, e certamente matará o monstro marinho que há no mar” (Tradução do Novo Mundo).

     Em todos os textos que a Septuaginta Grega (LXX) tem a palavra Dragão (do grego drákonδράκων) a Tradução do Novo Mundo verte “monstros marinhos”, como em Isaías 51:9 onde há uma nota dizendo que também na Vulgata Latina de Jerônimo está escrito Dragão (Draconem):

     “Desperta, desperta, reveste-te de força, ó braço de Jeová! Desperta como nos dias de outrora, como durante as gerações de tempos há muito passados. Não és tu aquele que despedaçou Raabe, que traspassou o monstro marinho?”

     Portanto, o escritor de Isaias coloca o Deus Judeu Iahweh (Jeová) golpeando e derrotando o dragão, fazendo uma alusão a Tiamat, o Deus dragão da mitologia babilônica que igualmente foi derrotado como diz o texto “como nos dias de outrora, como durante as gerações de tempos há muito passados”. De acordo com o Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, no Antigo Testamento, dragões tipificavam os inimigos do povo de Deus, como em Ezequiel 29:3 (referindo-se ao Faraó do Egito). Ao fazer isso, associa-se a idéia das mitologias de povos próximos, para dar maior entendimento aos israelitas.

     Muitos cristãos afirmam que o leviatã (dragão) era uma maneira dos escritores bíblicos personalizarem o mal ou descreverem ações malignas, retratando os inimigos do povo de Deus. Realmente existem algumas passagens bíblicas em que o dragão e claramente identificado como simbolizando governantes inimigos dos judeus como, por exemplo, em Ezequiel 29:3:

     “Fala, e dize: Assim diz o Senhor DEUS: Eis-me contra ti, ó Faraó, rei do Egito, grande dragão, que pousas no meio dos teus rios, e que dizes: O meu rio é meu, e eu o fiz para mim”.

Fica claro que o escritor está comparando o faraó do Egito a um grande dragão. Também em Jeremias 51:34 o escritor compara Nabucodonosor, rei de Babilônia a um dragão:

     “Devorou-me, consumiu-me, Nabucodonosor, o rei da Babilônia, ele me deixou como um prato vazio, engoliu-me como um Dragão, encheu o seu ventre de minhas melhores partes, ele me expulsou”.

     Portanto, nestes trechos específicos os dragões tipificavam os inimigos do povo de Deus, mas não devemos nos esquecer que o uso deste termo “dragão” como muitos outros é uma associação a idéias da mitologia de povos pagãos próximos, portanto, uma clara influência pagã. Além disso, o relato de Jó capítulo 41 não esta fazendo nenhuma comparação do leviatã com reis ou nações pagãs como nabucodonosor (Babilônia) e faraó (Egito). Se observarmos o contexto, Jó estava sendo disciplinado por Deus que usa descrições de suas criações como o planeta terra, o mar, a neve, o vento, a nuvem de um temporal, o gelo, relâmpagos, o leão, a cabra montesa, a zebra, o touro selvagem, o avestruz, a cegonha, o cavalo, o falcão, a águia, o beemote (que muitos acreditam ser o hipopótamo) e finalmente o leviatã (que muitos acreditam ser o crocodilo). Todos os animais e as coisas descritas por Deus para disciplinar Jó são reais, exemplos da criação de Deus. Neste relato, Deus não está fazendo uma comparação com reis ou nações pagãs, muito menos personalizando o mal ou descrevendo ações malignas. Temos uma clara descrição de um animal criado por Deus, portanto, real, usado como exemplo das grandes criações de Deus. É exatamente por isso que a maioria dos religiosos tenta relacionar o Leviatã descrito em Jó com o crocodilo.

     Na versão da bíblia Matos Soares existe um relato muito interessante envolvendo um dragão. Está registrado em Daniel capítulo 14 onde o Rei Ciro exige que Daniel adore um ídolo do deus Bel. Por aspergir cinzas no pavimento do templo e assim descobrir pegadas, Daniel prova que o alimento supostamente consumido pelo ídolo na realidade é consumido pelos sacerdotes pagãos e suas famílias. Os sacerdotes são mortos e Daniel destroça o ídolo. Então, o rei requer de Daniel adorar um dragão vivo. Daniel destrói o dragão, mas é lançado na cova dos leões pela população enfurecida. Durante os sete dias do seu confinamento, um anjo pega Habacuque pelos cabelos e leva tanto a ele como uma tigela de caldo da Judéia a Babilônia, a fim de prover Daniel de alimento. Habacuque é então devolvido à Judéia, Daniel é solto da cova, e seus oponentes são lançados nela e devorados. Nos versículos 22-26 é descrito como Daniel matou o famigerado dragão. Veja que relato interessante:

 “Lá havia também um grande dragão, que os babilônios veneravam. O rei disse a Daniel: Pretenderás também dizer que aquele é de bronze? Vive, come, bebe. Tu não podes negar que seja um deus vivo. Adora-o então. Eu adoro, replicou Daniel, unicamente o Senhor meu Deus, porque ele é um Deus vivo. Ó rei, dá-me licença para fazê-lo, e, sem espada nem bastão, matarei o dragão. Eu ta concedo, disse o rei. Então Daniel tomou breu, gordura e pêlos, cozinhou tudo junto, e com isso fez umas bolas e meteu-as na boca do dragão, que estourou e morreu. Daniel exclamou: Eis aí o que adoráveis!

Visto que os cristãos vieram dos judeus, assimilaram muitas coisas de sua cultura. Não é de admirar que seus escritos retratem o maior inimigo de Deus, o diabo, como um dragão conforme descrito no Apocalipse.

     “E viu-se outro sinal no céu, e eis um grande dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres, e nas suas cabeças sete diademas; e a sua cauda arrasta um terço das estrelas do céu, e as lançou para baixo à terra. E o dragão ficou parado diante da mulher, que estava para dar à luz, para que, quando desse à luz, pudesse devorar-lhe o filho” (Apocalipse 12:3,4)

     “E irrompeu uma guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam com o dragão, e o dragão e os seus anjos batalhavam, mas ele não prevaleceu, nem se achou mais lugar para eles no céu. Assim foi lançado para baixo o grande dragão, a serpente original, o chamado Diabo e Satanás, que está desencaminhando toda a terra habitada; ele foi lançado para baixo, à terra, e os seus anjos foram lançados para baixo junto com ele” (Apocalipse 12:7-9).

     Os dragões nas histórias da cristandade acabaram por adotar esta imagem de maldade e crueldade, sendo representações do mal e da destruição. O caso do mais célebre dragão cristão é aquele que foi morto por São Jorge, que se banqueteava com jovens virgens até ser derrotado pelo cavaleiro. Esta história também acabou dando origem a outro clássico tema de histórias de fantasia, o nobre cavaleiro que enfrenta um vil dragão para salvar uma princesa.

     Na cultura moderna, Dragões aparecem em várias histórias do gênero fantasia, desde “O Hobbit” de J.R.R. Tolkien com o dragão Smaug, nas “Crônicas de Nárnia” de C.S. Lewis e J. K. Rowling em diversos livros de seu bruxo mundialmente célebre “Harry Potter”. Na série literária de fantasia “As Crônicas de Gelo e Fogo” de George R. R. Martin, os dragões estão extintos a muitos séculos e eram sinônimo de poder, símbolo de uma das Casas mais tradicionais e poderosas da trama, quando no final do primeiro livro ressurgem.

     Mas, como vimos, a origem de tais lendas e mitos envolvendo dragões remontam a povos antigos e a bíblia assimilou tais mitologias, sendo influenciada pela cultura suméria e babilônica. Apesar dos esforços de retirar tais referências da bíblia tentando esconder suas influências mitológicas pagãs, não há como negar o fato de que a bíblia nas suas línguas originais está repleta de citações a dragões evidenciando ser um livro cheio de mitos e lendas, que usa metáforas e descrições de um animal fantasioso criado pela mente humana como se fosse real.

     Alguns religiosos usam a velha desculpa da maioria dos cristãos ao se deparar com trechos da bíblia que mostram claramente sua origem puramente humana. Dizem que a bíblia é um livro espiritual e que deve ser entendida espiritualmente. Sinceramente, acho este raciocínio uma desonestidade intelectual, uma forma de fugir das evidências. Com esta suposta “mente espiritual”, usando sua fértil imaginação, podem ver o que quiser ou não querer ver.

Fonte: http://deusesereligioes.com.br/index.php/biblia/mitologia/item/1152-os-dragoes-da-biblia