Feitiçaria

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A feitiçaria começou a ser cruelmente perseguida pela Inquisição, num período bem definido, entre o século XIV e XVI. Foi através da caça às bruxas que a Igreja cometeu as maiores atrocidades contra as mulheres daquele período.
No entanto, a feitiçaria nem sempre foi considerada uma heresia. Lembrando que o cristianismo firmou-se sob um substrato de bases pagãs, muitos dos costumes das civilizações anteriores subsistiam na sociedade medieval como práticas populares exercidas geralmente por mulheres, que desempenhavam o papel de parteiras e curandeiras nas comunidades em que viviam. Essas mulheres, que exerciam uma medicina empírica, eram envoltas numa aura de magia.

Quando do surgimento da medicina oficial, ligada às universidades e restrita aos
homens, o conhecimento dessas mulheres passou a ser visto como clandestino, proibido e diabólico. Com o passar do tempo, se construiu a idéia de bruxaria como algo exclusivamente feminino e satânico.

O comportamento feminino aceitável naquele período era o de uma mulher frígida e submissa, sendo a Virgem Maria a mulher-referência, representando uma mulher paciente, consoladora e passiva. Já o oposto desse padrão, a mulher tida como “transgressora”, desobediente, livre do controle masculino, era a feiticeira, que pactuava com o demônio, de quem vinha a sua força, já que a mesma era vista como um ser frágil.

O demônio surge, na mentalidade medieval, na medida em que o paganismo começa a ser banido. Para isso, a Igreja apropriou-se de alguns deuses pagãos, incorporando-os à cultura cristã, e aquelas entidades que não foram incorporadas pelo cristianismo passaram a ser associadas ao demônio, símbolo do mal, responsável pelas desgraças do mundo.
Tornou-se necessária a figura do demônio para explicar as mazelas sociais, já que
Deus é a personificação da bondade e da misericórdia. O diabo foi útil para a Igreja exercer seu domínio político, pois permitia manipular o medo que as pessoas tinham do inexplicável.

Era de interesse para a dominação eclesiástica manter os indivíduos sob o temor do pecado, deixando-os inseguros, suscetíveis ao discurso da Igreja, no qual a crença ao sobrenatural supria as lacunas do conhecimento, ocupando o vazio do desconhecido.

Em meio a tudo isso, a perseguição às bruxas deixou de ser exclusivamente
inquisitorial, adquirindo um caráter popular. Ao serem associadas ao diabo, elas começam a ser as culpadas dos mais diversos males, desde pequenos acidentes domésticos, até grandes problemas sociais, como peste, fome, ou más colheitas, sendo também culpadas por problemas amorosos dos casais. A caça às bruxas tornou-se uma histeria coletiva.

Muitas vezes nem os processos inquisitoriais eram bem concluídos, e a massa encarregava-se de aplicar a pena.

Assim como as bruxas, os judeus foram vítimas da mesma histeria coletiva propagada
naquela época. Da mesma forma que as feiticeiras, os judeus eram acusados de pactuar
com o demônio, visto que já eram considerados culpados de crucificar Cristo

Fonte: http://www.historialivre.com/revistahistoriador/espum/samanta.pdf

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