O “Eu” e o Mundo

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Por Ana Burke

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O amor não pode coexistir com a debilidade ou desarmonia interior. O AMOR é um sentimento pleno de bem estar consigo mesmo e determinante no relacionamento entre o eu e o outro, e entre o eu e o mundo. Só saberemos o que é o amor, quando deixamos de confundir o ter com o ser. Neste momento, sentimos que as nossas necessidades são menores, passamos a ser mais livres e, sendo livres, não bajulamos ou nos encantamos com as vestimentas que cobrem o tolo, o brilho do ouro ou o seu status social. Neste ponto, ao descobrir a nossa real importância e o nosso lugar no mundo, passamos também a compreender o nosso próximo que deixará de ser pra nós um degrau, uma escada, passando a existir e a ser aceito como ser humano e como pessoa.
As metas e desejos daqueles que estão envolvidos pelas trevas estão sempre vinculadas ao seu entendimento deficitário do que seja luz e, neste caso, para conseguir alcançar o que eles consideram sucesso, ou conquistar o que desejam, O AMOR deve ser banido.

Nem todos têm a coragem de olhar para si mesmos, investigar e descobrir as suas conexões ruins e improdutivas. Quem nasceu e viveu a maior parte da sua existência obedecendo e aceitando regras sem questionar, nunca vai tentar sair do seu redil, ou abandonar o Senhor que o açoita. A liberdade assusta, ser livre implica responsabilidade, caçar a própria comida, descobrir a melhor fonte de água, abrir caminhos e defender e proteger a si próprio de intempéries e desastres. Nas igrejas nos ensinam a fugir do mundo, e fugindo, odiando o mundo e tudo o que nele há, odiamos a nós mesmos, nos afastamos da nossa própria essência e aceitamos como normal a submissão aos parâmetros estabelecidos desde sempre.

Como é pobre esta frase:
“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele”. João 2:15.

O mundo nos ensina, pessoas com pensamentos ou comportamentos diferentes do nosso nos ensinam, entrar pela porta larga amplia a nossa visão, nos faz crescer, e se todos tirarem os seus joelhos do chão e erguerem as suas cabeças vão descobrir a o quanto as religiões e seus dogmas os fazem pequenos e insignificantes.

A ciência, algo que todos nós usufruímos, é tida como inimiga, mas todos andam de carro, todos usam telefone, todos usam máquinas que detectam tumores, todos fazem exames de sangue, todos usam serviços médicos e hospitais, todos assistem televisão e comem comidas feitas ou esquentadas num microondas. Tem pessoas que vivem sem uma crença ou deus mas eu não vejo ninguém, dito civilizado, vivendo sem ciência. Como são irracionais! Dependem da ciência para curar as suas dores, dissabores e os distrair dos seus desencantos. Como são ingratos! Acreditam naquilo que lhes convém acreditar ou que são direcionados e convencidos a acreditar. A ciência os livra de vermes, bactérias e protozoários que vivem entranhados em seus intestinos, algo simples que Deus poderia fazer, mas não faz por si mesmo e sabem disso. Precisam de médicos e remédios e, nesta hora, ninguém sequer questiona a si próprio se aquele que o está salvando é um ateu, ou um homossexual, uma mulher, um índio, um negro, ou um deficiente físico…cospem no prato que comem. As mulheres, como cientistas, salvam vidas, mas dentro das igrejas devem permanecer em silêncio, caladas, por serem elas responsáveis por todos os pecados da humanidade. É muito difícil pensar, sair do marasmo, da mediocridade ilusória que deturpa e transforma as suas condutas pré-fabricadas a que chamam de tradição. É quase impossível mudar aquilo que está estabelecido como verdade, por mais desprezível que seja o ensinamento adquirido que os levam a crer que imoralidades e barbaridades possam ser verdades. Desprezando o mundo, desprezam o seu próximo, e desprezam a vida; desprezando o seu próximo e a vida, desprezam a si mesmos e os seus, ignorando o verdadeiro significado de existir, e ser.

Amar o próximo como a si mesmo? A maioria não ama. O amor não pesa, não sacrifica e nem exige sacrifício. Se é sacrifício, não é amor. Se dói não é amor. As pessoas, em sua maioria, são vítimas de algo, alguém ou de si mesmas; choram e clamam por si mesmas; não amam nada fora de si mesmas; só conseguem ver a si mesmas e tudo o que desejam, desejam para si mesmas. Mas, amar! Amar é diferente e é certo que a maioria não ama, nem a si mesma, nem o seu próximo e mentem quando enaltecem a si mesmas proclamando o seu amor incondicional a Deus. Elas se submetem a Deus, e isto é diferente de “Amar a Deus”. O deus de Israel é um Ser impossível de se amar e só sabe disso quem o conhece. Ninguém ama o que não conhece. O amor não é uma ilusão, é real e racional.

Se não nos conhecemos, não temos uma identidade própria definida e por isso a excessiva preocupação: de onde venho…pra onde vou…quem sou eu… o que estou fazendo aqui? Preciso de um DEUS pra me guiar… “Pare o mundo que eu quero descer!”

A luz só existe e pode ser identificada como luz quando conhecemos as trevas. Não devemos temer encarar o contrário, o oposto, o inverso, o avesso e nem devemos expulsar os demônios, mas conhecê-los, conviver com eles e só então decidir conscientemente pelo sim ou pelo não. Alguém nos falou algo e a opinião deste alguém, sem a devida constatação ou confirmação não deveria ser suficiente para uma pessoa que se julga inteligente.

Quando não conhecemos, ou não sabemos, ou apenas acreditamos, podemos, sem nos atentar para isto, destruir qualquer possibilidade de contrução do bem estar e harmonia em nós mesmos e no mundo. Pessoas doutrinadas não se atrevem a duvidar e, não duvidando não investigam, não investigando, não aprendem e vão em frente, vivendo as suas vidas sem que se atrevam a sair do seu círculo composto por pessoas iguais e que pensam da mesma forma.

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