Lavar as mãos…Ficar em cima do muro…colocar panos quentes…ficar na sua… deixa rolar…

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Por Ana Burke
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Quando ouço de alguém, a respeito de um relacionamento conturbado, que exige uma solução, ou uma tomada de posição, a frase: ”Eu não falo nada”….
Então eu pergunto: Como se pode resolver o problema? Lavando as mãos?
O que quer dizer isto? “Colocar panos quentes” ou “Lavar as mãos”? Não se envolver. Ficar em cima do muro. Penso que é isto.

Quando vejo uma pessoa agindo desta forma eu sempre penso em Pilatos, o governador Romano que supostamente lavou as mãos e, lavando as mãos tornou-se um assassino.
Esta é a forma de agir daqueles que precisam ficar bem com todos. Dizer a verdade e analisar imparcialmente um relacionamento complicado pode trazer inimizades. Falar a verdade e tomar uma posição sensata, coerente e justa pode nos trazer consequências nada agradáveis nos relacionamentos, mas também pode trazer compensações…muitas compensações e pode valer a pena.

É necessário evitar discórdias mas, quando mentimos para os outros estamos assumindo que somos uma fraude pra nós mesmos, imaturos e covardes. Estamos violentando o nosso íntimo, o nosso “EU”, sendo hipócritas.

Imagine a estória bíblica de Pilatos e vamos trazer esta história para o nosso contexto. O seu filho chega em casa com alguns amigos e todos estão furiosos. Ele está se sentindo prejudicado por um colega da escola e quer se vingar. Você é o governador da sua casa e responsável pelo seu filho. Ele pega uma arma e diz que vai matar o colega, mas você é o governador. Ele quer uma decisão sua porque ele não pode agir sem o seu consentimento. O poder está em suas mãos. Você é responsável pela atitude dos seus súditos, que não sabem o que fazem, são imaturos e você supostamente pode decidir e tem o poder de deixar ou impedir que o colega do seu filho morra. Você é pressionado por todos, seu filho e os amigos que querem uma decisão sua. Você, então, pega uma bacia com água e lava as suas mãos dizendo: Estou inocente do sangue deste justo…. Mateus 27:24. Como você lavou as suas mãos, o seus filho e os colegas vão lá e matam o colega da escola. Agora considere. Quem realmente matou? Foi você, que tinha a decisão em suas mãos ou foi o seu filho? Quando você se acovardou e lavou as suas mãos, foi você o assassino. Não o seu filho. Ele, o seu filho, foi apenas um instrumento da sua covardia e ele apenas agiu mal porque você permitiu. Você agiu como Pilatos.
“Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?” João 19:10

Como Pilatos afirma, ELE TINHA O PODER DE MATAR OU DEIXAR VIVER, e ele escolheu “lavar as mãos” e, lavando as mãos, permitiu que imaturos, fanáticos transtornados e doentes escolhessem entre um suposrto justo, e um criminoso… foi então escolhido, para ser salvo, o criminoso.
O pai tinha o poder de deixar o colega do filho viver, Pilatos tinha o poder de deixar Jesus viver.
Pilatos diz: “Estou inocente do sangue deste justo. Considerai isso”. Mateus 27:24.

A estória de Pilatos é uma história que acontece todos os dias e faz parte do caráter da maioria dos seres humanos. Onde aprendemos isto? Será que nascemos covardes ou fomos transformados em covardes? Vivemos com medo, e no medo…somos hipócritas e vivemos para mentir e violar direitos, como o direito à verdade que todos deveríamos ter e fazer valer. Para fugir da verdade vale qualquer coisa e, para muitos, é questão de sobrevivência.

Desrespeitar o outro faz parte das regras sociais e se não nos adaptamos, somos excluídos …mas será que é tão ruim assim ser excluído? O pavor e o terror diante da possibilidade de ser isolado pela comunidade ou pela família, perder supostos amigos, ou o trabalho nos faz dependendes e escravos. Nunca podemos mostrar a nossa verdadeira face ou o resultado pode ser a solidão eterna…algo apavorante para a maioria.

Normalmente pagamos um preço muito alto pelo conforto ou para viver de acordo com as expectativas dos outros ou tentando seguir as tendências e exigências da sociedade dita, civilizada. Nos encarceramos neste conforto e o que se chama educação nada mais é, na maioria das vezes, um verniz social usado para dar brilho a um produto internamente mofado.

“Ficar em cima do muro” é uma das regras sociais de sobrevivência. A verdade não é agradável e agir aplicando princípios sempre honestos de conduta pode nos levar, inevitavelmente, à ser isolados socialmente.

O solitário é aquele que não se sente bem consigo mesmo. Morrer sozinho, sem amigos, sem alguém que nos ofereça um copo de água quando nos tornamos incapazes e frágeis é uma idéia que nos apavora. Precisamos uns dos outros mas amar o próximo como a nós mesmos é algo deficitário e apenas uma frase bonita e sem sentido.

Jesus aconselha aquilo que nunca fez na prática já que nunca amou a si mesmo e, por não amar a si mesmo, não amou o seu próximo. Esta á a maior ilusão vendida aos “pobres de espírito” religiosos. Se Jesus amasse a si mesmo Ele jamais admitiria as injustiças que foram comentidas contra si mesmo. Ele jamais aceitaria passivamente ser escarrado, cuspido e açoitado sem reagir. Este foi um comportamento covarde contra si mesmo e não heróico como se acredita. Ele não nos salvou, mas nos condenou a ser como Ele…covardes.

Dar a outra face ao inimigo é um ato de agressão à própria dignidade. É um desrespeito e uma violência que se comete contra si mesmo. Os seus seguidores aprenderam muito bem o que significa seguir Jesus. Pedro agiu com covardia, traindo o amigo e se escondendo. Todos os discípulos agiram da mesma forma. Todos traíram. O menos covarde na estória foi Judas que teve a coragem de por fim à própria vida a continuar vivendo como um covarde.
Se não amamos a nós mesmos é impossível saber o que é amor e só podemos “amar” o próximo de forma superficial e imperfeita.

Existe uma grande distância entre dizer que se É, e Ser. Aconselhar aos outros que façam àquilo que está além da nossa própria capacidade é um comportamento normal e observável em quase todos.

Enfim, não somos verdadeiros e nos escondemos todos os dias diante de situações injustas.


Exemplos:
1. O marido está espancando a mulher
– Entre marido e mulher ninguém deve meter a colher.

2. O mendigo está jogado na calçada
– Se for espírita vai dizer: Ele está pagando por erros cometidos em outras vidas…deixa rolar. Outros talvez lhe dêem um prato de sopa para aliviar a própria consciência chamando isto de caridade, mas nada mais é feito, nada de efetivo para transformar a vida do miserável. Todos correm pra se esconder no seu conforto.

3. Crianças são usadas como escravas sexuais ou por pedófilos – Na maioria das vezes a própria família se esconde e deixa como está. O restante não se importa. É o caso de doutrinadores pedófilos de uma determinada seita. Condena-se as vítimas mas não se abandona a igreja ou templo.

Conclusão:
Somos todos fracos, oprimidos, pobres de espírito e hipócritas

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