Sou “INTELIGENTE”?

Slide04

Por Ana Burke

Possuir uma boa capacidade de aprender e memorizar não é “ser inteligente”, seguir instruções e fazer uma tarefa bem feita não é “ser inteligente”. Uma máquina têm uma memória programada, segue instruções e realiza tarefas bem feitas.

Ser inteligente é ser capaz de lidar com as adversidades, interagir com todos os tipos de pessoas e as coisas do mundo sem excluir ou discriminar. É não se isolar em um determinado grupo e ter uma boa capacidade para resolver problemas humanos e de relacionamento.

Na maioria das vezes o bom funcionário não é o mais inteligente, mas o mais obediente, aquele que segue instruções.


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No Sistema Educacional, na escola, o bom aluno é aquele que têm uma boa memória, segue as instruções do professor e dá as respostas esperadas. Os assuntos que levam a questionamentos e desenvolvem a capacidade de pensar e refletir devem ser evitados e são menos valorizados como por exemplo história, ciências e filosofia. Os outros sistemas precisam de pessoas que se comuniquem razoavelmente e saibam matemática o suficiente para alimentar as necessidades do mercado de trabalho sem muitos questionamentos.

Os alunos e a maioria dos professores de história acreditam piamente que a história contida nos seus livros didáticos é verdadeira e inquestionável. Filosofia é um conteúdo extremamente perigoso e o seu estudo foi abolido. O ensino religioso é permitido mas não inclui o estudo da história da religião, o estudo da mitologia e a história da mitologia, assim como não inclui o estudo dos fundamentos dos dogmas da igreja, a história dos papas e concílios da igreja. isto seria perigoso também e devido a isto o que se chama de ensino religioso não é, nada mais e nada menos, do que uma complementação daquilo que se vê e ouve nas igrejas, incluindo o estudo de partes da bíblia. Eu diria que o ensino religioso como é praticado nas escolas não passa de doutrinação ou adestramento já que os professores sempre estão vinculados a uma determinada religião.


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No sistema religioso o bom crente é aquele que obedece o pastor ou sacerdote, segue os passos ensinados, memoriza os dogmas e obedece incondicionalmente qualquer instrução. O trabalho de convencimento é exaustivo e inclui orações e culto várias vezes ao dia em determinadas religiões.


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Para o sistema social o mais inteligente é aquele que têm um trabalho fixo, segue todos os parámetros sociais estabelecidos e paga em dia os seus débitos, tem um bom crédito, uma excelente conta bancária de preferência, é obediente às leis vigentes, lê pouco, questiona pouco, estuda o básico, assiste muita televisão, consome muito, vive de aparências e sustenta um status, podendo ou não, chamado social e que trás muito mais deveres do que direitos e quanto menos consciência destes direitos tiver, melhor.


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Para o Sistema político, o mais inteligente é aquele que “tem jogo de cintura”, mente bem, parece agradável aos olhos da maioria, promete sem necessáriamente ter que cumprir, é obediente aos dogmas estabelecidos pelo sistema internacional e sabe interagir com todos os outros sistemas, conhece as necessidades destes sistemas e faz o que é melhor para manter estes sistemas o que não significa fazer o que é melhor para a população em geral. Fazer leis e apresentar projetos é importante mas não há necessidade de projetos que beneficiem a população, mas prioritariamente devem ser projetos que mantenham os sistemas e sejam de interesse destes sistemas. Uma pessoa com escrúpulos e muito honesta é inadequada ao sistema político, mas é fundamental que pareça honesta aos olhos dos eleitores em geral.


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A história das religiões e a história política nunca devem ser discutidas ou ensinadas nas escolas, sendo que os assuntos em questão, o ideal, é apresentá-los aos alunos da forma o mais superficial possível. São assuntos perigosos e os próprios pais poderiam exigir a saída do professor se este se atrever a apresentar fontes de historiadores que levem os alunos a questionar estes sistemas. O aluno deve ser treinado para obedecer, e não para questionar.

No mundo civilizado os pais vão sempre repetir a educação que tiveram e que eles têm como a mais correta, impondo-a aos filhos que vão continuar reproduzindo os mesmos ensinamentos às gerações vindouras, ou seja, esta é a verdade, a única forma de viver e fora disto não há salvação.


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Afinal, existem pessoas que poderiam ser consideradas inteligentes? Pensando…

Inteligente é aquele que pensa e não deixa que outros pensem e decidam por ele(a), que sabe a diferença entre ser uma etiqueta e um ser vivo.

A pessoa inteligente não se senta no sofá, e fica vendo a vida acontecer por detrás de uma tela. Ela participa ativamente da vida reconstruindo a si mesma, passo a passo, dia a dia e todos os momentos vividos são especiais. Sabe usufruir o que é bom e dá prazer e ao mesmo tempo aprende e cresce com os desajustes transformando-os em acertos, aprendendo sempre e crescendo como ser humano.

A pessoa inteligente usa os conhecimentos adquiridos na escola como base e não como um fim em si mesmo ou como verdade absoluta e imutável. Ele sai andando, perscrutando, observando e interagindo com o meio.

A pessoa inteligente é aquela que sabe que não sabe, que sabe que pode estar errado e sabendo que está errado, investiga, investigando aprende e aprendendo ainda têm dúvidas.

A pessoa inteligente sabe que ninguém é ignorante, mas está ignorante. Ela sabe que a ignorância não é uma condição permanente, mas passageira e que deve se “mexer” para que não se torne permanente.

A ignorância não é uma praga, não é um nome feio, não é uma ofensa, mas um estado mutável. A ignorância não é, portanto, absoluta e ninguém é absolutamente ignorante assim como ninguém é absolutamente sábio.

Para ser considerado inteligente, é necessário saber que a independência é relativa, que isolado não se vive, que o outro é importante para a sua sobrevivência e não um servo e que talvez dependa deste outro, muitas vezes para nascer e até para morrer.

A pessoa inteligente sabe que é preciso nascer e permanecer, sabe que vai morrer, mas nunca vai estar morto enquanto se vive.

A pessoa inteligente não é fiel…o que não significa ser traidora ou covarde, mas livre para mudar de opinião e ser ela mesma, respeitando o outro sem se submeter ao outro.

RESUMINDO: Inteligente é a pessoa que sabe ser feliz, e livre, dentro das possibilidades e impossibilidades que a vida lhe apresenta.

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