Deus não fez todos iguais

Robert G. Ingersoll
De acordo com os teólogos, Deus não fez todos os homens iguais. Fez raças que diferem em inteligência, estatura e cor. Há algum traço de bondade, de sabedoria nisso?

Deveriam as raças superiores agradecer a Deus pelo fato de não serem inferiores? Se dissermos que sim, então faço outra pergunta: deveriam as raças inferiores agradecer a Deus por não serem superiores, ou talvez deveriam agradecer a Deus por não serem bestas selvagens?

Quando Deus fez essas raças diferentes, sabia que as superiores escravizariam as inferiores, sabia que os inferiores seriam conquistados e, finalmente, destruídos.

Se Deus fez isso, se sabia do sangue que seria derramado, das agonias que seriam enfrentadas, se viu os incontáveis campos repletos de cadáveres, se viu as costas ensanguentadas dos escravos, todos os corações partidos das mães cujos bebês foram roubados — se Deus viu e sabia disso tudo, será que conseguiríamos conceber um demônio mais malevolente?

Por que, então, deveríamos dizer que Deus é bondoso?

As paredes úmidas dos calabouços contra as quais os bravos e os generosos viram-se definhar, os patíbulos manchados e glorificados com sangue nobre, os escravos sangrando e sem uma gota de esperança, os mártires que foram envolvidos em chamas, os virtuosos estirados em aparelhos de tortura, vendo suas juntas e músculos desfazendo-se, os corpos feridos e sanguinolentos dos justos, os olhos que foram extintos por buscarem a verdade, os incontáveis patriotas que lutaram e pereceram em vão, as esposas exploradas, espancadas e infelizes, os rostos esquálidos de bebês desprezados, os milhões de assassinados no passado, as vítimas de vendavais, inundações e incêndios, as forças aprisionadas da Terra, os trovões e raios, as torrentes de lava escaldante, a fome, a praga e as dores intermináveis, as bocas pingando sangue, as presas que envenenam, os bicos que ferem e dilaceram, o triunfo da escória, as leis e o poder dos corruptos, as coroas que a crueldade vestiu, os hipócritas de batina, com suas mãos ensanguentadas e unidas em oração, agradecendo seu Deus — este fantasma demoníaco — pela liberdade ter sido banida do mundo: essas recordações de um passado amedrontador, esses horrores ainda existem.

Tais fatos aterrorizantes negam a existência de qualquer Deus que deseja e possui poder para proteger e abençoar a raça humana.

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