“Psicomancia” (1853) do Prof. Charles G. Page – O Livro que prova que as Irmãs Fox eram uma Fraude

I.Fox

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É com grande satisfação que trago aqui o livro “Psicomancia” traduzido para o português pela primeira vez! O autor fez diversos experimentos com as irmãs Fox e demonstrou, a meu ver de forma cabal, que elas não estavam se comunicando com espíritos, mas meramente fazendo truques. A tradução custou 400 reais, dinheiro este pago integralmente por Marcio Rodrigues Horta e Marcos Arduin, pessoas a quem muito agradeço!

Para aqueles que quiserem conferir a tradução, o original em inglês pode ser baixado neste link. Quaisquer sugestões de melhorias serão bem-vindas. Para quem quiser baixar a tradução, uma versão em doc encontra-se neste link, e uma versão em pdf neste link.

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PSICOMANCIA  

BATIDAS ESPIRITUAIS E MESAS GIRANTES

PROF. CHARLES G. PAGE, Doutor, Etc.

NEW-YORK:

D. APPLETON AND COMPANY,

200 BROADWAY.

MDCCCLIII

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BATIDAS ESPIRITUAIS

 

O fanatismo alarmante e alastrado das batidas espirituais e das mesas girantes dos dias de hoje é, somente, uma modificação, ou uma nova visão, deinstrumentalidades demoníacas, agindo por meio das maquinações humanas, que infesta a sociedade desde o começo dos tempos. Começamos com esta proposição, mesmo que pareça severa para alguns, e se falharmos em prová-la pelos fatos, argumentos e senso comum, nós ainda declaramos aos que não creem em nossa doutrina que nos provem o contrário; e com confiança em nossa crença na Escritura Sagrada e nas leis infalíveis de Deus, desafiamos que nos demonstrem quaisquer que sejam as manifestações de comunicação com espíritos por batidas ou mesas que viram que não possam ser explicadas pelasbem conhecidas leis naturais. Nós não atribuímos ao Demônio nada que já não tenha sido a ele atribuído nos crimes e maldades do ser humano até o presente. Que nem o “príncipe do poder do ar”, muito menos seus ordenados (a menos que estejam em forma humana), comunicam-se inteligentemente por meio de sons, ficam sob as mesas e as viram, giram, ou executam quaisquer destas proezas extraordinárias de caráter e origem sobrenatural, que tantos estão determinados a acreditar. Nem também consideramos que o arqui-inimigo do homem adquiriu novos poderes ou organizações para promover seus projetos maliciosos. LONGE DISSO. Um novo poder? Iria contra seus planos. Um novo poder? Um assunto que merece ser pesquisado, até a total exaustão dos recursos mentais. Um novo poder? Só de ser mencionado, já se torna um sinal para despertar os devotos da ciência e ao primeiro sinal de plausibilidade, a luz da meia noite queimará pela cristandade, até que os verdadeiros anseios do homem sejam desvendados. Não! Ele conhece seu próprio jogo e suas ferramentas muito bem para dar ao homem um objeto legítimo de pesquisa, e assim desviar a investigação dos feiticeiros desvairados e mercenários para aqueles que seriam legítimos e verdadeiros. Ele trabalha com suas próprias e velhas ferramentas, através da instrumentalidade mais bem sucedida, sobre a qual, por longa e calamitosa experiência, adquiriu tão poderosa ascendência – a alma humana. Esta é sua ferramenta maleável, e aqui está seu baluarte. Para aqueles que consideram o relato das Escrituras sobre a existência do Demônio e dos seus agentes como alegórica, nosso argumento, em seu caráter primordial e producente, se aplicará com a mesma força, pois eles só precisam investir a mente do homem com toda força e atributos que a alegoria dá aos dois juntos, e temos que nos dirigir a eles com o mesmo interesse e esperança de sucesso como nos dirigimos aos que acreditam inquestionavelmente nas Escrituras. Para todos, do mesmo modo, as profundas, incansáveis, infinitas artimanhas da alma humana são temas conhecidos, e interessa pouco ao nosso atual propósito, se estas transações ímpias vêm do comando central de pensamentos sem inspiração e sem cuidado ou se o pensamento desatento fica impressionado por poderes superiores. Há na mente um apetite forte, e geralmente mórbido, para o sobrenatural e o maravilhoso; uma tendência a indagar além do que é realmente revelado; e, pior que isso, um desejo de poder, quer seja real ou enganoso, de se achar acima de seus companheiros mortais e de fazer com que suas palavras e ações tenham o peso da autoridade Divina. Deste desejo se origina o sacerdócio, a astrologia e a feitiçaria, e nos hábitos anteriores da mente encontram-se o seu sucesso e a sua perpetuação. Tem sido uma fonte real de angústia para nós, ver cristãos, até entre nossos amigos próximos, afirmando, levando suas indagações além das restrições da realidade dentro do mundo espiritual, esquecendo-se ou desaprendendo que as injunções das Escrituras nos proíbem de olhar para coisas deste tipo, e inconscientes do fato que suas invocações bem intencionadas de espíritos que viravam mesas e batiam estavam, com cada passo e ato de repetição, encorajando os mercenários e as tramas nefárias de certo grupo de impostores repugnantes, que deram origem à trapaça, e continuavam sua prática em prol de uma ganância torpe. A eles, e a todos, dizemos PARE! Antes esta temeridade fosse visitada pelo julgamento justo de uma Divindade ofendida, que pronunciou, em linguagem clara e inequívoca, em seus oráculos sagrados, sua maledicência para feitiçaria e bruxaria; que determinou os limites da indagação humana de onde o tempo termina e a eternidade começa, selando o futuro num mistério impenetrável; que recusou aos corações ansiosos de pais afeiçoados e enlutados todo o conhecimento sobre seus entes queridos que partiram, salvo as esperanças e consolos das Escrituras. O quê! O Juízo Final deveria ser antecipado e os arquivos da punição eterna transmitidos com batidas de gravetos no chão ou o girar de mesas? A eternidade deveria se tornar subordinada ao tempo, aos imortais e aos mortais? Deveria o silêncio dos túmulos ser perturbado por charlatões rastejantes, ou suas sombrias moradas serem verbalizadas através de médiuns grosseiros com batidas e viradas? ÍMPIOS! ÍMPIOS! Não temos necessidade de citar as Escrituras contra esta busca profana, pois suas anátemas são amplas e barulhentas, e aquele que se apressar poderá ler. Sabemos que existem aqueles que se tornam envolvidos inocentemente na invocação de espíritos, e que parecem se encantar com conversações, como eles supõem, com seus amigos que partiram. Pedimos a eles que parem e considerem bem o que estão fazendo! Que olhem em volta e vejam a devastação do intelecto humano, o temeroso inchaço dos tumultuosos hospícios, as ações assustadoras de sangue e violência, e as fraudes estupendas, tudo isso unigênito desta mania monstruosa! São estes os frutos de atos legítimos e sagrados? São estes seus confortos enquanto em seu santuário espiritual? Não trazem neles mesmos evidências de sua origem diabólica, e não seriam estes avisos para acautelarem-se, a fim de que, nas tentativas de entrar além do véu para o “Sagrado dos Sagrados”, não sejam derrubados também? Se estas pestes da sociedade estão fora do alcance dos tribunais mundanos, vão permitir e encorajar suas carreiras? Deveríamos ser recebidos aqui com a afirmação de que existem maníacos religiosos, que excitação religiosa cria loucos, e conduz a atos de violência? Desprezamos a falácia e com imponente desafio, armados com a Rocha das Eras, nós devolvemos o pedido de desculpas ao próprio encrenqueiro causador, e, sem medo da sua replicação, afirmamos triunfantemente que a verdadeira religião de Jesus Cristo, cujos primeiros frutos e sua própria essência são paz para a alma, NUNCA LEVOU QUALQUER UM À LOUCURA.

Nós proferimos uma profunda reverência por tudo o que é sagrado e, desde nossa lembrança mais remota, fomos saturados com um profundo medo de qualquer forma de profanação, e abordamos esta imitação de Céu com um pouco de hesitação, relutantes que nossa veneração deva sofrer tanta violência. Mas nós nos justificamos com total convicção que isto não é do Céu, mas dos homens. Pelo bem de desvendar esta enganação e ilusão, com este propósitosomente, temos nos colocado frequentemente na posição de trouxas destes impostores e, dissimulando durante um tempo convicção e conversão, os levamos até que estivessem completamente perplexos com as tentativas de realizar seus truques, e os espíritos se tornaram incapazes e silenciosos como os mortais nos quais atuavam. A primeira vez que sentamos à mesa com alguns bem-intencionados amigos particulares da família para invocar espíritos, confessamos ter tido um sentimento momentâneo de horripilação, não por medo de ficar diante de um visitante de outro mundo, mas pela impressão de que o ato em si fosse profano e um desafio aos céus. Mas quando foram pronunciadas as palavras “Se há algum espírito presente, poderia, por favor, sinalizar virando a mesa?”, os pensamentos de sacrilégio desapareceram e foram imediatamente substituídos por um irresistível senso de ridículo, e o sorriso e as risadas se elevaram acima de qualquer solenidade e irreverência. “Os espíritos poderiam, por favor, virar a mesa?”, foi novamente reiterado, mas nenhuma mesa tombou para nós. Talvez não sejamos “médiuns”, disse um deles. “Os espíritos declararam que sou um médium”, disse outro, mas aquele Grande Exorcista,senso comum, estava presente e predominante na ocasião, e os espíritos não se comunicariam e a mesa não viraria, certamente não sozinha. Introduzimos toda variedade de manipulação cruzando as mãos, entrelaçando os dedos, e, apesar de tudo, e da persistência mais paciente, a mesa provou ser inerte e a lei universal de que “matéria é inerte e não pode mover-se por si mesma”. Qual teria sido a causa desta conjuração frustrada? Os espíritos estavam presentes e não dispostos a gratificar certa classe de diletantes que lá estavam? Eles estavam gracejando ou provocando, ou de mau humor conosco, nossos aparelhos, ou nossa espionagem? Ficamos sabendo, de várias fontes respeitáveis, sobre espíritos gracejando e provocando os presentes nestas ocasiões. Ou eles estavam distantes em alguma missão, ou ocupados e monopolizados em inclinações especiais em outro lugar? Esta última ideia parece estar excluída, pelo fato de que certos grandes espíritos, como Channing, Webster, Clay e Calhoun, que apareciam tanto nessas ocasiões, se comunicavam por batidas e viravam mesas em lugares diferentes ao mesmo tempo. Que pantomima é isso tudo para a mente que crê na onipresença do Grande Deus, que não pode olhar para tais práticas senão com repugnância. Você, homem ou mulher cristão, é um pouquinho melhor por estes feitos que aquela mulher, a Bruxa de Endor[1], com os espíritos familiares? Não prefere ser discípulo dela? E ela não é mostrada a você como um exemplo e um aviso? Acha que batidas e viradas de mesa dão respeito à bruxaria? Ler o futuro e o mundo invisível, por meio de batidas e viradas, é melhor que os feitos da longínqua megera deplorável, que resolve os mesmos problemas com cartas e feitiços místicos em sua moradia oculta? Não estaria você ministrando incentivo à sua bruxaria, e seguindo sua mesma vocação, embora com outro nome? Não iria esta verdadeira feiura levantar-se em julgamento, e implorar, justificando sua cartomancia, usando como exemplo da Igreja Cristã e as comunicações com espíritos e mesas que viram? Talvez pense que estas aparentes maravilhas são mais repletas de interesse, novidade e mistério que as demonstrações mágicas dos antigos. Ora, na verdade, são desprezivelmente insignificantes quando comparadas às feitiçarias dos antigos. Leia as cartas de Upham sobre a bruxaria das Colônias da Inglaterra, a demonologia e a feitiçaria do Senhor Walter Scott, e veja como as batidas e viradas definharam perante as apresentações das bruxas do passado. Depois de lê-los, estude bem Mágica Natural do Senhor David Brewster — um livro que deveria estar nas mãos de cada um que se interessa por estas maravilhas dos dias de hoje. Lá verá que fenômenos, à primeira vista inexplicáveis, são solucionados por pontos de referência da ciência e pelo senso comum. Irá descobrir que a bruxaria não era para ter sido interrompida inteiramente pela guilhotina, o patíbulo ou a estaca, mas que a luz da razão e a ciência eram mais eficientes em promover sua destituição. O Senhor Walter Scott fala dos que se opunham à feitiçaria no século XII, que os “perseguidores da ciência exata, até a sua recatada retirada, estavam certos de serem os primeiros a descobrir que os fenômenos mais extraordinários na natureza são regulados por certas leis fixas, e não podem ser atribuídos racionalmente à força sobrenatural” (significando, é claro, interferência sobrenatural), “a causa suficiente na qual é atribuída à superstição tudo que está além de seu estreito poder de explicação. Cada avanço no conhecimento natural nos ensina que é o prazer do Criador governar o mundo pelas leis que impôs, as quais, em nosso tempo, não são interrompidas ou suspendidas”.

Em todos os tempos, a Igreja atribuiu à bruxaria a ação do demônio. Se este é seu trabalho, ele certamente procede com o mesmo modo de operação de sempre. Quando uma artimanha se desgasta, ou é detonada pelo poder da ciência, utiliza-se de outra; isto é, ele instiga novos truques por suas próprias influências invisíveis, sobre as mentes daqueles que se tornam seus instrumentos voluntários. O mais grosseiro de tudo é a comunicação com espíritos por batidas, e depois, os sutis delírios do mesmerismo, e as viradas de mesa. Não podemos parar aqui para discutir o mesmerismo, pelo que quer que seja que possa haver nele de investigação legal, mas certamente o envio de espíritos clarividentes para os portais do céu ou inferno, para trazer de volta as descrições daquelas moradas e os seus habitantes, é a feitiçaria de mais ímpio caráter. Há alguns anos, um ilustre poeta disse: “Satanás, agora, é mais sábio do que o de outrora”; sem dúvida, avançou alguns graus em estratégia, desde o tempo do Papa, e enquanto a luz e o poder da ciência e sabedoria crescem, ele também aprofunda suas tramas e muda seus pontos de ataque. Agora repetiremos aqui, que é totalmente irrelevante para o nosso propósito se os nossos leitores acreditam no visível ou invisível, em influências diretas ou indiretas do diabo sobre a mente ou a matéria, ou se nem em uma coisa nem em outra. Se eles não acreditam que ele “vai por aí como um leão rugindo, buscando quem possa devorar”, se eles não acreditam na existência de um ser tão maligno, têm apenas a alternativa de encontrar o equivalente ao diabo no coração humano, embora uma doutrina menos palatável, que responderá à concepção deste argumento, para mostrar que estas maravilhas imaginárias de pancadas e movimentos de mesa são ilusórias, nefastas e maliciosas, provenientes principalmente de pessoas com mentes demoníacas e perpetuada pela indiferença de observadores descuidados, da conivência de outros e, principalmente, pelo fanatismo, ignorância e credulidade de uma grande classe de pessoas encontradas em todas as comunidades. Estes foram reconhecidos por todos os tempos como os principais ingredientes da feitiçaria, mas há ainda outro elemento que está fazendo muito para promover este crime, e embora não seja um novo recurso, é bastante prevalente, neste momento, e menos perdoável que nos dias de Bacon e Napier. Sir Walter Scott, em uma de suas cartas, tem este momento de nossa discussão tão fortemente retratado, que tomamos a liberdade de citá-lo em certo ponto, regozijando-nos com a oportunidade de adicionar sua grande sabedoria e autoridade nesses assuntos aos nossos próprios esforços. Falando das causas que retardaram a subversão da bruxaria, entre homens instruídos, nos séculos XVI e XVII, ele diz, “O culto e sensível Dr. Webster, por exemplo, escrevendo sobre a detecção da suposta feitiçaria, assume, como uma sequencia de fatos inegáveis??, opiniões que nossa experiência rejeitaria como fantasias frívolas; por exemplo, os efeitos de cura pela arma-salvadora, o solidário pó, a cura de várias doenças por apreensões, amuletos, ou por transplante.” Todas as indubitáveis maravilhas ele culpa a época por desejar jogar nas costas do diabo — uma carga desnecessária, certamente, uma vez que coisas assim não existem e, portanto, é em vão tentar explicá-las. Seguiu-se que, enquanto os opositores da teoria comum podem ter atingido o mais profundo estouro na hipótese das bruxas por um apelo ao senso comum, eles mesmos foram limitados por artigos de crença filosófica, os quais devem ter sido sensatos, contendo minutas quase tão profundas de credulidade humana como se feitas por demonologistas, cuja doutrina protestavam. Esse erro teve um efeito duplamente ruim, tanto degradando o departamento imediato no qual ocorreu, quanto proporcionando proteção para falsidade em outros ramos da ciência. Os campeões que, em sua própria província, foram obrigados, por conta da imperfeição do conhecimento da época, admitir muito do que era místico e inexplicável; aqueles que opinaram, com Bacon, que verrugas poderiam ser curadas por simpatia — que pensaram, com Napier, que tesouro escondido poderia ser descoberto por matemáticos — quem salvou a arma em vez da ferida, e detectou assassinatos bem como nascentes de água pela forquilha de vedor, não poderia, de forma consistente, argumentar o impossível ou o inacreditável, para refutar os crentes em bruxas.

“Tais eram os obstáculos, decorrentes da vaidade de filósofos e da imperfeição de sua ciência, que suspendeu a força de seu apelo à razão e ao bom senso contra a condenação de infelizes, por conta de crimes, ??a mortes cruéis que nos tempos de hoje tornaram-se impossíveis”.

Assim, homens sábios, procurando desvendar mistérios pelo desejo de sabedoria e total conhecimento, podem se tornar os apologistas da feitiçaria e bruxaria. Bacon foi obrigado a ser um filósofo para o todo o mundo esclarecido, mas hoje em dia, cada ramo da ciência se tornou tão extenso, que quaisquer deles seriam demais para o entendimento de um Bacon, e os filósofos dificilmente ousam se aventurar fora de seus próprios limites, a fim de que não se tornem, ou que sejam considerados filosofistas. Sabemos de homens da ciência que foram insultados por manterem tais posturas, obstinadas e inexoráveis, contra estas “tolices”. Isso eles são obrigados a fazer. Familiarizados com as leis da natureza, todos os fenômenos reais são também maravilhosos para suas mentes, e para aquele que afirma ser milagroso, sobrenatural, e, por excelência, o MARAVILHOSO, eles repudiam sumariamente como absurdos, sabendo que, se eles não podem desenganar a mente popular, podem, ao menos, provar a sua irracionalidade para sua própria e inteira satisfação. Anteriormente, videntes eram às vezes denominados filomáticos, mas pensamos que como a cartomancia se degenerou para tal descrédito, que o nome é aplicado tão indignamente, nós propomos transferi-lo para a classe de escritores letrados dos dias atuais, que procuram rastrear esses truques de batidas e viradas para a ação direta do diabo, ou maus ou bons espíritos; — supondo que estes espíritos façam os sons ou movimentos, e se comuniquem; — e especialmente para aquela classe que atribui estes fenômenos à eletricidade, ao magnetismo, ou à ação de algum poder ou fluido até então desconhecido; em suma, a todos, que olham para estes fatos como nada além de imposturas e ilusões. Estes são os filomáticos dos dias atuais, e ao mesmo tempo em que assim se interpõem no caminho do avanço do verdadeiro conhecimento, eles estão, na verdade, fomentando erro, superstição e feitiçaria. Nós, nos nossos dias, nos vangloriamos do esclarecimento das massas, da disseminação da educação e da difusão de conhecimento; mas para tudo isso, a necromancia não está morta nem sufocada; e agora é como um veneno funesto se espalhando predominantemente pela nossa terra, sobre os mais absurdos fundamentos e pretextos. Espíritos, batidas em portas, pisos, e mesas, mesas virando e sendo giradas no quarto? Espíritos, vocês dizem? Um “espírito tem carne e sangue”? Um espírito tem ossos, músculos, dedos, calcanhares, artelhos, e bengalas? ESPÍRITOS VESTEM ANÁGUAS e vestidos longos? Um “novo fluído”, disse outro filomático. Um novo fluído, certamente? Nada mais do que o velho fluido da credulidade ou ingenuidade, se somos permitidos usar o último termo. Um “fluído antigo”, diz outro. “Eletricidade ou magnetismo em alguma forma”. Isto é insuportável. Desde as primeiras descobertas em eletricidade e magnetismo, estes agentes estão tendo que assumir a paternidade de todo o fenômeno raro e inexplicável. Este é o caso agora, muito mais do que quando Sir Walter Scott escreveu suas cartas sobre feitiçaria, embora ele diga que o ramo de madeira divinatório, e outros notáveis e equivocados fenômenos, foram atribuídos à ação da eletricidade e magnetismo. Nos tempos atuais, esses sutis agentes são os frequentes bodes-espiatórios para fenômenos mesméricos, eletrobiológicos, psicológicos, e quaisquer outros tipos de fenômenos, cuja causa ilude os sentidos, e as farsas espalhafatosas das “batidas e viradas” deve, alegremente, tirar vantagem do mesmo subterfúgio para conquistar a credibilidade popular. Infelizmente, neste caso, o conhecimento exato das leis da eletricidade é possuído por comparativamente poucas pessoas; e o fluido elétrico, ou o poder de magnetismo, torna-se um instrumento muito engenhoso nas mãos de charlatães e empíricos, através do qual impingem na mente popular a realidade de seus truques e imposturas. Para quem tem um conhecimento adequado das leis da eletricidade e do magnetismo, é mais do que divertido ver a pedante seriedade que estes últimos filomáticos dissertam sobre eletricidade e magnetismo, contorcendo e massacrando suas leis estabelecidas durante todo o tempo, para explicar alguns vis malabarismos, ou desvendar a psicomancia das batidas e viradas; e também para ver com que avidez seus argumentos inflados são devorados por multidões abismadas, que aparentemente não estão dispostas ou são incapazes de engolir uma única verdade nua e crua. É frequentemente dito que “os homens gostam de ser enganados”. Isto é verdade até certo ponto e, às vezes, o caso é que um charlatão atrairá multidões ao seu redor, onde um homem verdadeiramente culto não conseguiria estabelecer-se. Entretanto, a verdade é poderosa, e prevalecerá, e o poder da aprendizagem sempre foi e será sentido, embora possa ser um pouco lento afirmar e manter a sua supremacia. Na verdade, não existe uma propriedade, condição ou lei da eletricidade ou magnetismo que, até então, tenha sido estabelecida por experimentos e pela ciência, que explicasse batidas e viradas, sem agir com violência para com a filosofia. Há alguns anos, um amigo e irmão médico veio a nossa casa tarde da noite, tremendo consideravelmente, desejando que fossemos ver uma mulher que estava enfeitiçada de uma maneira extraordinária. Em intervalos, ela seria tomada por convulsões, e enquanto durava o ataque, ela tirava alfinetes das mãos, braços, e pernas de espectadores e, jogando os alfinetes em sua boca, engoliu-os. Nós protestamos com ele, mas apesar de muito inteligente, e sobressaindo-se em sua profissão, nosso amigo, o doutor, não desistiria. Ele tinha visto, acreditado, mas não conseguiu uma explicação, e veio até nós especialmente para verificar se “eletricidade não tinha algo a ver com isso”. Sabendo que as bruxas da antiguidade tinham um capricho especial por alfinetes, e totalmente preparado para ver nada mais do que uma façanha hábil de destreza, consentimos a ir, mesmo estando tarde, e assim que o pequeno duende, que estava deitado em cima de um catre sobre o chão, tornou-se convulsivo, e tirou um alfinete de nossa pessoa, e o engoliu, descobrimos o método e, no dia seguinte, com um pouco de prática, fomos capazes de ter convulsões bem razoáveis, e podíamos sacar e engolir alfinetes tão habilmente quanto a bruxa. Nosso bom amigo, o médico, não tinha nem notado que os movimentos convulsivos eram confinados às ações voluntárias sobre os músculos, de tão absorto que estava com a ideia do caráter sobrenatural desta performance. É impressionante notar como os poderes do mais astuto falham assim que eles consideram a mais remota ideia do sobrenatural nestes casos.Esta menina foi visitada por centenas de pessoas respeitáveis ??e inteligentes da nossa comunidade, e não obstante, uma publicação foi feita expondo o truque, mas poucos foram capazes de descobrir por si próprios e a maioria acreditava ser uma apresentação genuína, e esmolas eram dadas livremente em compaixão pela sua condição lamentável. Nossa solidariedade foi empregada àqueles queela enfeitiçou, devemos dar crédito à feiticeira por ter mais astúcia do que seus clientes, e acreditamos que ela obteve uma colheita bastante rica por sua habilidade em prestidigitação. Citamos este caso para mostrar a violência que é feita com a ciência para explicar as feitiçarias modernas. Lembrem-se, nós fomos chamados para decidir se eletricidade fazia parte nesta exibição extraordinária.

Há muitos anos, uma pessoa com o nome de Hanington, veio a Salem, Massachusetts, onde morávamos, para exibir a assim chamada dama misteriosa. Esta mulher tinha o poder de nomear e descrever várias coisas que não podia ver, revelar nomes escritos em pedaços de papel entregues às pessoas promiscuamente na audiência, e uma variedade de performances que deixava seus visitantes completamente atônitos. O programa deles anunciava que haviam visitado as principais cidades, neste país e na Europa, e que seu extraordinário dom de divinação tinha surpreendido as pesquisas mais elaboradas. Fomos convidados a ver esta grande pitonisa moderna e, especialmente, com a finalidade de julgar se aquilo era uma ilusão auricular. Em resumo, se não poderia ser um caso extraordinário de ventriloquismo, pois esse parece ter sido o último recurso para a solução do problema para aqueles que repudiavam bruxaria. A eletricidade não responderia desta vez, e a ciência do som teve que ser mutilada para a ocasião. Sendo nós mesmos peritos na execução de ventriloquismo e familiarizados com as leis da acústica, levou nada mais que um momento para decidirmos que o ventriloquismo era totalmente inadequado para a solução do quebra-cabeça, e antes de sairmos do quarto, nós percebemos todo o truque, desconcertando, principalmente, os executores e, no dia seguinte, publicamos uma exposição completa, após a qual o paradeiro da misteriosa mulher era um mistério maior do que suas performances tinham sido.

Alguns anos depois, um relato foi publicado por todo o país e na Europa, de um prodígio na forma de uma menina elétrica, em Paris, que era tomada com um poder extraordinário — elétrico, é claro — pelo qual, quando ela ia sentar-se em uma cadeira, a cadeira era arremessada para longe dela com grande violência. Esta foi uma das maravilhas da época, e depois de ter enganado multidões, e tornar-se um objeto de interesse e compaixão universal, ela caiu nas mãos de um comitê selecionado da Academia de Ciências, com Arago liderando. Alguém supõe que Arago considerou, por algum momento, a ideia de ação elétrica neste contexto? De modo algum! Arago imediatamente pôs-se a examinar os calcanhares da menina, e logo descobriu que ela movia as cadeiras através de esforço muscular. Através de longa prática, ela havia adquirido tal habilidade e poder de chutar, ou empurrar as cadeiras para longe dela, que sempre era feito sem exibir qualquer movimento de seu vestido ou a mínima perturbação de sua pessoa. Nada mais sobre eletricidade ou o “novo fluído”, neste caso. Esta menina que chutava foi denominada a Menina elétrica, ou aMaravilha elétrica. Claro que ela pertencia à classe do novo fluído, pois ninguém familiarizado com as leis da eletricidade teria entretido a suspeita de que eletricidade tivesse algo a ver com o fenômeno.

Podemos ser acusados de sermos um pouco dogmáticos neste tratado, e talvez sejamos mesmo, por termos que lidar com tantos fanáticos e pragmatistas filomáticos. Para os supersticiosos e ignorantes, temos um pouco de caridade, mas confessamos que temos pouca ou nenhuma paciência para aqueles entre homens instruídos que são usuários dos amuletos de eletricidade, magnetismo ou novos fluídos. Eles evidenciam mais pedantismo do que compreensão, e são disseminadores inescusáveis de sofismas e erro. Eles estão exatamente na categoria dos crentes no movimento perpétuo e, de fato, a atribuição de tais fenômenos como inclinações de mesa à eletricidade, magnetismo, ou algum fluido novo, vai um passo além do movimento perpétuo, se isso for possível. A maioria dos labutadores após o movimento perpétuo espera obter, por algum novo ajuste, uma máquina que mal vai conseguir se mover por si só, sem qualquer grande excesso de energia; mas de acordo com esta nova filosofia de inclinações de mesa, certamente temos que observar qualquer quantidade de potência, sem qualquer consumo de material, e nenhuma outra despesa além da de manter um médium inteligente à mão. Sobre o princípio de tocar uma mesa pesada, levemente (pois o toque deve ser leve, de acordo com a regra), e causar assim, por encantamentos, a mesa de virar, levantar, girar, etc., custaria muito pouco para mover uma igreja ou uma montanha, e médiuns estariam com grande demanda de propósitos mecânicos, como fazer os motores a vapor serem mais baratos e seguros. Como parece estranho que esses pseudo-filósofos tenham perdido inteiramente a visão do grande princípio radical de toda ciência dinâmica, isto é, que ação e reação são iguais, e nunca anexaram o menor valor para o fato de que, quando as pessoas colocaram suas mãos levemente sobre mesas, suas mãos sempre seguem o movimento da mesa, qualquer que seja a maneira que a mesa se mexa. Certamente pareceu para nós como um fato muitosignificativo, quando vimos pela primeira vez a performance, e se for considerado em ligação com a eletricidade, ou um novo fluído, é suficientemente anômalo para requerer uma análise cuidadosa. Mas, mais disto dentro em pouco, pois nos propusemos a examinar as batidas primeiro. Esta impostura originou-se com duas meninas, com o nome de Fox, de Rochester, Nova York, que estão agora, com sua mãe, viajando por todo o país, exibindo sua arte por dinheiro. Algumas semanas atrás, a Fox-mãe nos deu um relato deste maravilhoso desenvolvimento de ruídos ou batidas das duas filhas e, com ela, aprendemos que os barulhos foram mantidos por um longo tempo antes de descobrirem a causa. No início, elas ficavam irritadas com eles, mas, depois de um tempo, se tornaram tão familiarizadas com os sons, que davam pouca atenção a eles, até que descobriram o modo de comunicação com os seus autores, e determinaram que os sons eram feitos por espíritos de mortos. De acordo com seu relato, os espíritos, então, batiam em pontos distantes das meninas, mas parece que o hábito espiritual havia mudado um pouco, pois desde que as meninas estiveram em exposição[2], os espíritos não batiam em nenhum lugar, exceto diretamente sob as meninas, e os seus pés, ou sobre algo com que as mesmas ou seus vestidos estavam em contato. Nós não tínhamos vontade de ver estas criaturas, exceto para descobrirmos os meios precisos pelos quais elas ocasionaram as batidas, e apesar de totalmente preparados para condená-las antes de pagarmos-lhes uma visita, preferimos não condenarmos sem ter visto, para que assim o grupo de batedores não tivesse alguma vantagem sobre nosso argumento.

Isto nos diverte muito, às vezes, quando discutimos estas questões com os nossos amigos, sermos informados que nossas “opiniões são todas preparadas de antemão”, “que são preconceituosas”, etc.. Admitimos a acusação e, dizendo francamente, nós somos preconceituosos, e isto quer dizer prejulgar qualquer esforço para tornar o preto parecer ser branco, e o branco, preto; e declarar que as pretensões destes batedores e viradores são tão grosseiramente absurdas e tolas como qualquer monstruosidade em forma de proposta que jamais emanaram de um louco ou de um cérebro maligno. Quando somos informados de que uma mesa é movida pelo mero esforço da vontade, que se move sem que seja tocada, negamos completamente a declaração, e desafiamos a reprodução do milagre. Quando nos é dito que espíritos batem em cima de mesas, chãos, portas, paredes ou quaisquer outras coisas, negamos a afirmação, e desafiamos, nestes casos, a produção de qualquer tipo de batida ou o som, que não seja rastreável claramente como de agência humana. Talvez seja inferido que nós tomamos ou deveríamos tomar uma atitude contra a interferência sobrenatural e os milagres em geral, vendo que nós estamos preparados para condenar a prioriessas manifestações que revindicam origem sobrenatural. Confessamos que um dos maiores obstáculos que encontramos no decurso desta exposição foi a crença enraizada na existência de poderes, agências e ações miraculosas nos dias de hoje, e a prontidão com que muitas pessoas atribuem tudo que ilude seus julgamentos ou sentidos e, principalmente, o que tiver o mínimo sabor de religião, a agência sobre-humana. Nós não pretendemos recorrer à Escritura Sagrada por argumentos em apoio à nossa decisão, sobre estas batidas e viradas, mas antecipando a recepção que encontraremos com esta classe de pessoas, devemos advertir brevemente sobre os fundamentos de sua crença e sua objeção, e ao mesmo tempo definir nossa própria posição. Nós nos encontramos preparados contra sábios eruditos da atualidade que, fracassando justificar estas estranhas ações com a suposição de agência humana, recorrem à sua crença no super-humano, e consistentemente com sua vocação profissional, devem, evidentemente, ter encontrado seus pontos de vista na Escritura. Falhando no discernimento do “dedo de Deus”, eles chegaram a seu último recurso, “que essas manifestações são obra do diabo, ou de espíritos malignos”. Sem reivindicar qualquer profundidade em tradição bíblica, perguntamos a eles onde está a autoridade para qualquer conclusão deste tipo sobre a Bíblia? A Bíblia ensina claramente sobre agência do diabo, de suas operações sobre o coração do homem, e até agora tal construção seria justificável, mas não além disso. Não há nenhum instante registrado no qual a agência Satânica foi reconhecida pelo homem como imediata. “Pelos seus frutos os conhecereis”, é uma regra suficiente de julgamento para quaisquer ações, pretensões, ou manifestações de qualquer natureza; e aqui eles deveriam descansar satisfeitos e, em vez de ir além do relato, poder administrar com segurança a advertência geral, que essas “mentiras são de seu pai, o diabo”, sem a introdução de todo o pandemônio em nossas casas, a derrubar nossas mesas e perturbar as leis da gravidade e da filosofia mecânica. Nós acreditamos que milagres foram realizados no passado, para propósitos sagrados somente; que eles eram necessários para reforçar a verdade da revelação; que os dias de milagres já passaram, e que eles cessaram quando sua necessidade cessou. Temos nosso próprio modo de estabelecer aquele período, mas a discussão iria longe demais do nosso presente propósito, e nós já divagamos demais. Tomamos a posição que nenhuma bruxa, feiticeiro, mágico, mago, bruxo, necromante e cartomante, desde o começo até o presente momento, nenhum teve poder a mais sobre a matéria, ou sobre as leis da natureza, do que qualquer outra pessoa, e quem quer que reivindique espíritos familiares, presságios, ou qualquer comunicação direta com o mundo invisível através de batidas e viradas, é bruxa, feiticeiro, conjurador ou mago de facto.[3]Os principais empreendedores em todas estas maravilhas são impostores, e seus discípulos, ingênuos. Enquanto os primeiros estão enchendo seus cofres à custa dos últimos, eles devem muitas vezes entregar-se à felicidade secreta com a credibilidade de seus seguidores e, particularmente, com as discussões graves de instruídos do clero e outros sobre eletricidade, magnetismo e o novo fluido, o fluido nervoso, ou a ação imediata do demônio, como causas prováveis destes estranhos fenômenos. Certamente, as “crianças deste mundo são mais sábias que as crianças de luz”. O impostor, com a sua prestidigitação, ultrapassa demasiadamente qualquer coisa que já tenha sido realizada por batedores e viradores, mas depois ele conta para vocês que desempenha por destreza das mãos, e a menos que seus olhos sejam mais rápidos que as mãos dele, você será ludibriado. Se algumas de suas performances fossem introduzidas com algum jargão ou pretexto religioso, seu sucesso em conquistar uma multidão de pessoas colocaria os batedores e viradores inteiramente na sombra, pois os melhores truques destes últimos são desajeitados e mal feitos. O Sr. Anderson, o declarado prestidigitador, conhecido como o Feiticeiro do Norte, publicou, para seu grande crédito, uma série de comunicações em que ele corajosamente afirma que esses batedores são todos impostores, e tem planejado um sistema de batidas e comunicações espirituais tão bem sucedido quanto os da fraternidade original. Ele falhou, entretanto, em esclarecer todo o assunto, pois ele se contentou com uma mera imitação, da qual os batedores irão, é claro, pronunciar uma falsificação. Nossa primeira visita aos batedores foi em companhia de um cavalheiro de alta eminência na ciência, de discernimento afiado, e muito proveitoso nos expedientes. Nós não formamos um plano meticuloso de procedimento, exceto que tínhamos concordado em dissimular a crença nestas performances, pois a incredulidade talvez prove ser um obstáculo para investigação, mantendo os batedores precavidos. Repudiando completamente a ideia do sobrenatural, não estávamos passivos a nenhuma distração neste caso, e nossa atenção era direcionada inteiramente para a apuração das performances, nos referindo à solução das mesmas sobre os princípios estabelecidos de evidência e leis naturais. Se os defensores desta nova “filosofia espiritual” se opusessem a este pré-julgamento, nossa resposta seria que, à parte da nossa experiência prévia em desvendar tantas maravilhas fingidas, mantemos que nossa posição é completamente justificável, com base em probabilidades, e que até então nunca soubemos de um momento no qual uma boa parte de presunção não estava presente em tais casos, legitimando na conclusão dos fatos.

Seja como for, nós resolvemos acompanhar estas batidas e viradas para ver se eram embustes, delírios ou ilusões, ou tudo isso. Após a mãe das meninas Fox ter nos dado um relato da visitação espiritual de suas filhas, elas três sentaram-se numa grande mesa circular, e nós nos juntamos ao círculo, sentando ao oposto delas. Nós fomos instruídos a perguntar se haviam espíritos presentes. Feito isso, o toc, toc sobre a mesa anunciou a presença dos espíritos. A mesa foi, evidentemente, atingida embaixo, por alguma coisa durasólida,material, e sacudida perceptivelmente, a mão parada sobre ela. Nosso coadjutor fingiu surpresa e susto, e parou para olhar embaixo da mesa, quando as batidas cessaram imediatamente. Isto ele repetiu várias vezes e toda vez as batidas cessaram. Nós perguntamos novamente se havia algum espírito presente, mas nenhuma resposta veio enquanto ele tinha seus olhos abaixo do nível da mesa, mas assim que ele se sentou as batidas na mesa começaram novamente. Ele, entretanto, estava tão perseverante em sua escrutinação sobre a mesa, como para dar-nos uma boa oportunidade de falar – para mero efeito – “Por que você olha aí embaixo, não pode ver um espírito?” Os batedores, ficando perplexos por fazer suas demonstrações através da mesa, foram forçados a se afastar dela e, sentando-se a uma curta distância da mesa, as batidas então começaram no chão, logo abaixo das meninas, ou perto de seus pés. Ambas as meninas erambatedoras, mas uma delas, visivelmente batia muito mais alto que a outra, e executou a maior parte das batidas para a ocasião. Ambas as meninas usavam vestidos longos, arrastando no chão, mas a batedora principal deve ter tido algum treinamento. “Há algum espírito presente?”, foi perguntado novamente, e as batidas vieram prontamente, e tão densas e rápidas que os espíritos pareciam ansiosos em se comunicar, então nós avançamos para esta parte da cerimônia. Dadas a nós instruções em como proceder, nós começamos fazendo várias perguntas, mas para estas não recebemos respostas, ou recebemos respostas incorretas. O programa era: tínhamos que escrever três nomes[4] de espíritos, sendo que um deles seria o nome do espírito que pretendíamos invocar. Então tínhamos que colocar o nome de três doenças, uma das quais seria a doença pela qual a pessoa teria falecido. Então tínhamos que colocar três lugares, um dos quais seria o lugar onde a pessoa teria falecido. Nós tínhamos, então, que apontar seriatim [ordenadamente] para os nomes das pessoas, e quando apontássemos para o nome da determinada pessoa, o espírito mostraria sua presença e aprovação com duas batidas, que significa SIM. Nomes de outros ou daqueles que não eram determinados seriam sinalizados por uma batida, que significava NÃO. Nós não progredimos, todavia, e mesmo com uma abundância de batidas, não houve comunicação, nem inteligência, nem confirmação, para nós, do que já sabíamos (na imperfeição da sabedoria humana), e nós apelamos com ar e tom de presumida inocência aos batedores, para saber se, talvez, nossos fracassos foram devido à nossa grande iniquidade? “Ah, não!” – disse a Mãe Fox, “isto acontece assim às vezes”. Naquele momento, entrou um cavalheiro que parecia ser um devoto das batidas, e um venerador diário no santuário Fox, com o propósito de se comunicar com o espírito de uma esposa falecida. Como nós tínhamos falhado inteiramente em obter sequer uma suposição respeitável dos espíritos em resposta às nossas perguntas, este cavalheiro foi um grande auxílio, sua visita foi um tanto quanto fortuita na atual conjuntura, pois nos deu uma oportunidade de observar mais atentamente do que quando nossas mentes estavam ocupadas com a manipulação do telégrafo espiritual.

O senhor *** começou logo com um relato e então prosseguiu a indagar por seu adorado espírito. Duas batidas indicaram a presença dela e ele fez várias perguntas, as quais, para sua satisfação, eram respondidas, a mãe Fox repetindo o alfabeto várias vezes, tão rápido que não conseguimos seguir para obter as respostas por nós mesmos, mas os batedores estando bem ensaiados pareciam não ter dificuldade em acompanhar. Vimos neste indivíduo um grau de paixão raramente encontrada em homens do mundo, e inequívoca evidência de completa inércia mental sobre este meticuloso assunto. Nós, entretanto, transformamos sua fascinação em uma boa explicação, como mostraremos agora. Nós indagamos se aquelas batidas já ocorreram em outros lugares exceto imediatamente próximo às meninas. “Ah, sim”, foi a resposta da mãe, “os sons foram feitos dentro daquele armário, e na porta”, etc. Nós forçamos para termos as batidas do armário mas, para nossa surpresa e decepção, a menina entrou no armário, deixando a porta aberta, e ela estava encaixada tão firmemente lá, por causa de uma partição no armário, que grande parte de seu vestido estava em contato com três lados ou paredes do pequeno apartamento. Naturalmente não esperávamos uma performance melhor ou diferente das quais nos foram mostradas fora do armário. “O espírito vai bater aqui?”, diz a menina, e um toc, toc veio do chão do armário. Ela foi, então, solicitada para que as batidas fossem feitas nos lados e na parte de trás do armário, o que ela fez, levando um pouco mais de tempo para organizar-se para estas performances. Ela, então, nos solicitou encostar nosso ouvido na parte cima do armário, e a batida procederia dali. Nós não seríamos ludibriados por este truque, pois conhecíamos muito bem o experimento antigo e vulgar de se colocar a orelha numa extremidade de uma vara longa quando um som é feito na outra extremidade. Neste experimento, o som sempre parecerá ser feito perto da orelha. Portanto, nós mantivemos nossa atenção fixa no fundo ou parte de baixo do armário e, enquanto alguns dos presentes, iludidos pela artimanha, presumiram que o som vinha da parte de cima do armário, nós observamos que o som era produzido onde estava sendo antes, embaixo, e que não tinha sido modificado em nada, o qual certamente deve ter sido o caso, se o som foi feito do lado oposto da orelha da pessoa. A menina então chamou atenção para vários pontos na parte superior do guarda-roupa e pareceu, para a satisfação de alguns dos presentes que os sons vinham daqueles pontos, enquanto que para nós, era completamente evidente que os sons não mudaram, nem na direção ou no caráter e, na realidade, procediam da mesma parte. Nosso conhecimento em ventriloquia também nos fortaleceu contra este truque. Ventriloquia é um engano, cujo sucesso depende de certa capacidade de modular a voz, um ouvido capacitado para a imitação de sons, e habilidade e conceito na seleção do horário, lugar e circunstâncias para a perfomance. Quando as pessoas presentes não estão cientes ou informadas sobre a tentativa de enganá-las, o ventríloquo não é obrigado a ser muito exigente em sua seleção. Mas quando a sua intenção é anunciada ou prevista, sua arte é exercida para orientar a atenção de seus ouvintes para o lugar no qual ele deseja que o som pareça vir. Se nossos leitores se voltarem para Magia Natural de Brewster neste assunto, eles encontrarão muitos truques interessantes descritos neste guia. Nada é mais fácil do que ludibriar completamente, chamando a atenção de pessoas presentes para sons partindo de uma determinada posição ou direção enquanto, na realidade, os sons eram feitos em outros lugares, e em um quarto remoto, dado que a verdadeira origem dos sons era escondida da visão. Assim ocorreu, no caso das batidas, com aqueles cujos olhos e expectativas estavam fixos no topo do guarda-roupa. O truque foi mal executado, no entanto, pois o som não passou pela modificação adequada e, de fato, estava fora do alcance da menina modificar o mesmo para adaptá-lo a esta situação. Pelo fato de que a origem das batidas estava escondida por baixo de seu vestido, ela não podia intervir no caráter abafado do som sem expor sua arte. É particularmente digno de nota que, para estes experimentos no guarda-roupa, nenhum espírito particular foi invocado e as batidas continuaram pelo tempo que foi necessário para a gratificação dos espectadores, e foram iniciadas sem nenhuma invocação específica da parte da menina, evidentemente esquecendo-se da dignidade do espírito, na agitação do momento. Isto acabado, foi desejado que os espíritos batessem na porta, mas eles não podiam se manifestar sem a presença próxima da menina e, consequentemente, ela se colocou contra a parte externa da porta do quarto, que estava cerca de dois terços aberta, ela segurando o trinco. Estávamos prestes a nos posicionar do lado de fora, na passagem, quando ela observou que os espíritos bateriam muito melhor se nós segurássemos a porta. Isso foi um pouco mais necessário do que astuto, e o batedor sabia, é claro, que a menos que ela ou alguém segurasse a porta, a batida moveria a porta nas dobradiças para longe dela. Quando ela estava razoavelmente fixada com seu vestido em contato com a porta, as batidas começaram sobre a porta. Após isso, ela virou a cabeça e perguntou se o espírito desejaria bater no batente da porta, quando ela deu uma batida um tanto quanto fraca, o que favoreceu o truque razoavelmente bem, e este foi o fim das batidas para esta visita. A batida vinda do batente explicou o propósito de manter-nos no lugar, pois se tivéssemos ido para a passagem, o truque teria falhado para nós, teríamos sido capazes de indicar de lá o lugar certo do som, isto é, próximo aos pés da menina. Na segunda visita, nós estávamos lá com o nosso prévio coadjutor e vários outros senhores de eminência, e uma senhora de grande respeitabilidade, mente forte, e distinta por sua energia indomável e perseverança. Encontramos lá em suas matinas, nosso entusiasta de outros tempos, em companhia de várias pessoas eminentes na vida política. Um deles, um membro do Congresso, havia se empenhado a obter alguma comunicação espiritual, mas ficou tão indignado com a má adivinhaçãodas meninas Fox, que deixou o quarto. O entusiasta senhor ***, então invocou seu espírito favorito e propôs uma pergunta, cuja resposta para tal foi, como anteriormente, soletrada pela mãe Fox, e ele expressou-se perfeitamente satisfeito com a resposta. O entusiasta senhor ***, então invocou seu espírito favorito e propôs uma pergunta, cuja resposta foi, como anteriormente, soletrada pela mãe Fox, e ele expressou-se perfeitamente satisfeito com a resposta. Nós então tivemos nossa vez. Nós colocamos sobre papel os nomes de três espíritos desencarnados, três doenças e três lugares. Ao apontar para esses nomes com o lápis, tomamos muito cuidado para esconder o movimento do lápis atrás de um livro, e cuidadosamente prevenidos contra qualquer movimento enfático que poderia trair nossa ênfase aos experientes olhos das meninas. As batidas vieram para o espírito errado, e bateram errado a doença e o local de morte. Nós, então, fizemos outra tentativa. Três nomes foram selecionados, como a seguir, Webster, Clay, e Calhoun; Webster foi o espírito que invocamos, e bateram certo no nome desta vez, mas erraram a sequência. A resposta foi que Webster morreu de crupe! E em Salem, Massachusetts. Claro que não indicamos por qualquer olhar ou movimento que nossas investigações tinham sido respondidas correta ou incorretamente, até terminarmos. Nosso amigo científico fez, em seguida, uma tentativa e suas respostas foram mais ridículas, se fosse possível, do que aquelas que nós obtivemos. Ele tentou de várias maneiras obter respostas dos espíritos, sendo sempre cuidadoso em não dar nenhuma dica de seus pensamentos por sinais externos, mas tudo em vão.Os espíritos, julgando pelas batidas, estavam lá em abundância, mas nenhuma resposta correta ou inteligente veio deles. Em seguida, outro amigo nosso veio ao experimento. Ele não estava acostumado a investigar tais truques e, muito imprudentemente, permitiu que o senhor *** fizesse as perguntas para ele. As respostas vieram de acordo com os fatos, isto é, o espírito certo e a maneira de sua morte foram indicados pelas batidas. O senhor *** fez cada pergunta com um tom e forma diferentes, e as meninas, sem dúvida, leram-no como haviam feito antes. Percebendo isso, comentamos com o senhor *** que, como ele tinha sido tão bem sucedido, gostaríamos que perguntasse por nós, no que ele prontamente consentiu. Nós, no entanto, priorizamos que ele deveria utilizar a mesma entonação e linguagem ao formular cada pergunta, o que ele concordou em fazer, na medida do possível. Nós exigimos isso, não porque tivéssemos qualquer suspeita de conluio neste caso, mas como explicamos na época, porque muitas pessoas, por ênfase ou por dar alguma importância, indicariam involuntariamente aos batedores ou a qualquer pessoa astuta o objeto específico que elas tinham em vista. Com essas precauções, a questão foi posta aos batedores. Nós fixaríamos os nossos pensamentos em um determinado espírito, a doença que causou a morte, e o lugar em que morreu; o nome com dois outros foi colocado no papel, a doença com várias outras, e também o lugar da morte com dois outros. O Senhor *** indagou o seguinte: “Será que o espírito poderia nos informar sobre o espírito no qual o cavalheiro está pensando?” Toc, toc! Sim. “Irá nos informar corretamente?” Toc, toc! Sim. Apontando para um nome com o lápis, ele perguntou, “É este?” Toc! Não. “É este?” Toc, toc! Sim. Apontando para as doenças e lugares, com a mesma pergunta cada vez; depois de passar por todas, o Senhor *** perguntou, “O espírito nos informou corretamente?” Toc, toc! Sim. Nós estávamos pensando no espírito de Webster, e o resultado foi este. Os batedores acertaram o nome, mas eles nos informaram desta vez que o senhor Webster morreu de FUNGUS HEMATODES, em Newark, Nova Jersey.

Isso foi demais para a nossa paciência, mas ainda assim mantivemos o nosso propósito de investigação em vista, e novamente reconhecemos nossa própria maldade como a causa provável dessas falhas. “Ah, não!”, disseram elas, “isto acontece às vezes”. Que espetáculo profundamente repugnante! Essas meninas e sua mãe sentadas lá, com toda seriedade, e fingindo ser “médiuns“ de comunicação com espíritos desencarnados, e distribuindo tais absurdos, como o que acabamos de relatar.

As batedoras estavam, então, sentadas a alguma distância da mesa, e perguntamos se os “espíritos bateriam sobre a mesa?”. Toc! Não. “Será que o espírito, por favor, poderia bater sobre a mesa?” Toc, toc, toc. “Não agora”. Parece que três batidas para a expressão “Agora não” era uma parte da estenografia espiritual, pois tiveram a oportunidade de usar esta evasão frequentemente para escapar de dificuldades. “Será que o espírito, por favor, explicaria por que não vai bater sobre a mesa?” Toc, toc, toc. “Não agora”. “Quando irá?” “Esta noite, numa certa hora”, dizendo a hora. Esta última comunicação foi soletrada pela mãe Fox, e um horário foi determinado, no qual seria impossível conseguir uma oportunidade de propor tal pergunta, pois elas realizavam sua reunião espiritual à noite para multidões. Além disso, nós não tínhamos vontade de repetir a pergunta a esses trapaceiros, para sermos confundidos como certamente teríamos sido, com a mesma prevaricação. Na ocasião da nossa primeira visita, o senhor *** disse que os espíritos tinham batido sobre seu pé, enquanto sentado a uma mesa. O experimento foi repetido por solicitação e, muito provavelmente, teria sido bem sucedido se não tivéssemos fixado os nossos olhos muito atentamente sobre seu pé e os pés das batedoras. Sendo assim, esta façanha não foi realizada. Na segunda visita, nós imploramos aos espíritos para bater sobre os nossos pés. “Não agora”, foi a resposta. Era evidente que não estávamos recebendo o que pagamos em manifestações espirituais, de acordo com a propaganda; mas como todo fracasso era nosso ganho, não estávamos dispostos a discutir com as batedoras ou com os espíritos. Um dos meus amigos cientistas então perguntou se eles bateriam se elas fossem suspensas em um balanço, ou ficassem sobre um travesseiro? “Ah, sim”, foi a resposta, “nós já fizemos isso, tudo aquilo foi tentado”. Uma das meninas Fox propôs mandar pegar um travesseiro no andar de cima, mas ocorreu-nos que elas poderiam bater enquanto em cima de qualquer travesseiro de tamanho comum, pela razão que seus vestidos cobririam e se estenderiam além do travesseiro, e assim dando a elas uma oportunidade de ter seu instrumento de batidas no chão, sobre as bordas do travesseiro. Nós, portanto, agimos imediatamente, enquanto elas estavam envolvidos numa conversa qualquer, formando uma almofada no chão, onde pudéssemos ver. Juntamos vários casacos e os colocamos dobrados no chão, de modo que formassem uma almofada circular com cerca de três pés e meio de diâmetro, e tão espessa que ficamos convencidos que nenhuma batida comum realizada com o instrumento delas poderia ser ouvida através da massa macia, ou se qualquer som fosse produzido, seria tão modificado que revelaria sua origem. A mãe Fox se opôs a esta preparação, mas as meninas disseram: “Sabemos que podemos bater; os espíritos baterão lá, pois eles sempre o fizeram”. Como meio de uma desculpa para fazer esta almofada, comentamos que um dos casacos era de seda, e que iríamos averiguar se a eletricidade tinha algo a ver com isso. A mãe Fox disse: “Tudo isso foi tentado antes; e que as meninas poderiam bater[5] ficando em cima de copos de vidro, e que ela sabia que deviam ser os espíritos, pois estas manifestações estavam acontecendo com elas fazia seis anos”. Nós respondemos (para manter o nosso argumento), “Você sabe que há pessoas que pensam que estes sons são todos devido a alguma modificação de energia elétrica, e outras que pensam que a eletricidade é a própria essência da espiritualidade[6], e nós desejamos ver, neste caso, o quanto isto pode ser a causa dos fenômenos. Não houve resistência a isso, e nós fomos autorizados a prosseguir. O resultado foi exatamente o que antecipamos. Enquanto estavam sobre a almofada, elas não bateram de maneira nenhuma. A batedora principal percebeu seu apuro, e se posicionou na almofada de modo que seu vestido estivesse parcialmente sobre a borda da almofada, mas nós contestamos e pedimos a ela para ficar no centro da almofada, sobre a alegação de que, se seu vestido tocasse o chão, iria dissipar a eletricidade para longe. Uma razão perfeitamente empírica, é claro, mas elas não eram sábias para isso, e assim que tudo foi arranjado do nosso agrado, ela invocou o espírito para bater. Nenhuma batida veio. Repetidamente foi suplicado ao espírito, mas nenhuma resposta foi dada. Ela, então, pediu a sua irmã para que viesse e ficasse em cima da almofada com ela, pensando, com sua argúcia, que duas ocupariam tanto espaço que daria a pelo menos uma a chance de colocar seu vestido sobre a borda da almofada. Mas para isto nós estávamos preparados, e juntamos as barras de seus vestidos sobre a almofada, com o mesmo argumento de antes. O resultado foi o mesmo do que com uma. Nenhuma batida. O fato é que suas artes foram completamente confundidas, os espíritos haviam fugido, e o experimento não só provou que era falsa a afirmação de que elas poderiam bater estando sobre almofadas, ou quando suspensas em um balanço, mas proporcionou a mais conclusiva evidência da ação imediata e intencional dessas meninas Fox na fabricação desses sons.

Pensando em redimir-se do inevitável veredicto deste julgamento, a batedora principal propôs ficar em cima de copos de vidro, para ver se, então, os espíritos bateriam, como haviam feito em ocasiões passadas. Ela se posicionou sobre os copos. Isso elevou a borda inferior do vestido dela acima do chão, e aconteceu que um dos nossos estava suficientemente longe de modo a poder ver os pés dela no instrumento de batida. Ela evocou o espírito. “O espírito poderia, por favor, bater?”. Nenhuma batida. Ela então se inclinou um pouco, como se estivesse dirigindo-se ao espírito abaixo dela. “O espírito, por favor, bateria agora?”. Nenhuma batida. Ela, então, se inclinou um pouco mais e, desta vez, seu vestido estava razoavelmente baixo sobre o chão, cobrindo assim pés e copos. “O espírito, por favor, bateria agora?” Toc, toc. Esse foi habilmente executado, mas o truque ficou claro para nós. Como é estranho, que ela tenha sido obrigada a se inclinar, e tido que evocar o espírito três vezes antes de obter resposta; e, mais ainda, que ela teve que procurar o espírito no chão; e como é extremamente estranho que esses espíritos modernos teriam certa predileção porvestidos longos e artelhos de meninas. Nós, então, pedimos a ela que ficasse sobre a cadeira, e batesse. Ela fez isso prontamente, e a batida veio com uma só ordem. O som era diferente daquele produzido no chão acarpetado, e passou apenas pela modificação apropriada de um golpe atingindo uma cadeira de madeira rígida, sem capa. Nós paramos aqui, tendo visto o suficiente deste jogo de “Raposa e Gansos”. Antes de sair da sala, uma das batedoras solicitou ao nosso amigo científico não publicar sobre elas, e outra se aproximou da senhora presente, dizendo: “Você não acha que eu tenha algum tipo de equipamento em mim para fazer estes sons, acha?”. Nós confiamos na autoridade desta senhora, que parecia determinada a não deixar nada sem testar para a detecção desta impostura, posto que ela perguntou a essas batedoras se consentiriam em fazer um exame particular de suas pessoas, o que elas recusaram positivamente, acrescentando que, se ela tivesse alguma dúvida sobre a realidade dessas manifestações espirituais, ela teria revelações satisfatórias feitas a ela, em seu quarto, a cinco semanas daquela data. Essa inteligência profética elas bateram para a ocasião de acordo com sua própria fantasiosa e habitual duplicidade evasiva nestes casos. As cinco semanas se passaram, mas a senhora, naturalmente, não recebeu visitas espirituais como previsto.

Nossos leitores estão, agora, prontos para perguntar se nós descobrimos algum equipamento ou instrumentalidade pelos quais estas meninas produziam os sons. Em resposta, dizemos que nossa investigação é conclusiva que estes sons estão totalmente sob o controle dessas meninas, e que as colocamos em situações onde elas não podiam bater de maneira nenhuma. E sempre, depois de tudo isso, inventamos vários modos pelos quais as batidas podiam ser feitas com tanto sucesso como por elas, pensamos ter descoberto o suficiente. Durante cada uma de nossas duas visitas, nós notamos, por inspeção muito cautelosa e cuidadosa, um fato interessante e significativo — que cada batida foi acompanhada de um ligeiro movimento da pessoa que batia, e que um movimento muito distinto do vestido era visível próximo à região abdominal direita. Enquanto observávamos este ponto a menina nos notou e imediatamente se levantou, foi até a janela, e desceu a cortina para escurecer o quarto, que ficava do lado norte do edifício, e já escuro o suficiente. Quando ela se sentou, ela puxou o xale sobre esta parte de sua pessoa. Isto foi na primeira visita. Na segunda visita, fomos logo descobertos observando esse movimento novamente, e ela levantou-se e obteve um xale, com o qual ela cobriu sua pessoa, como anteriormente. Nós não pretendemos decidir que este movimento teve qualquer conexão direta com o instrumento com o qual ela bateu sobre o chão; em caso afirmativo, era muito mal feito e desajeitado, pois nós planejamos um modo de bater que não envolve tal movimento, e que explicaremos em breve. Pode ser que este movimento estivesse conectado com a estratégia para as batidas sobre a mesa. Somos da opinião que, quando elas bateram sobre a mesa, foi sob o tampo da mesa e não perto dos pés delas. Elas não bateram e, evidentemente, não poderiam bater na mesa, sem sentar-se perto da mesma. Se esta conjectura quanto às batidas sob o tampo da mesa é certa, o movimento que vimos é facilmente explicado. Sendo assim, ou não sendo, nós inventamos um artifício que batia sob o lado de baixo do tampo da mesa, e que envolve precisamente o movimento que descobrimos. Requer bem pouco exercício da criatividade para inventar meios de produzir esses sons. Foi dito que um parente dessas meninas fez uma declaração pública, sob juramento, que elas produzem as batidas com os dedos dos pés, de uma maneira peculiar adquirida com longa prática. Os jornais públicos nos contam que eletromagnetismo foi empregue para executar esta fraude. O estalar das articulações foi recorrido por outro e, de fato, nós podemos facilmente imaginar uma variedade de maneiras em que estes sons são ou podem ser produzidos. As meninas Fox não bateram sobre nenhum desses esquemas. O som era como o de uma máquina, e alto demais para um som que pudesse ser feito golpeando o dedão do pé despido ou desarmado no chão, e demasiadamente alto, e diferindo em caráter do estalar das articulações, e quanto ao eletromagnetismo, estava inteiramente fora de questão neste caso. As meninas Fox visitam as casas de estranhos e batem sempre com a mesma facilidade em todos os lugares. As batidas nunca estão distantes de suas pessoas, mas sempre diretamente perto dos pés delas, a não ser quando elas estão sentadas à mesa, como temos dito anteriormente, quando a batida parece estar sob o tampo da mesa, embora não nos comprometeríamos a decidir completamente sobre este último ponto, pois elas não nos permitiram escolher a nossa posição, de modo que pudéssemos julgar a verdadeira direção do som;mas assim que meu coadjutor olhou embaixo da mesa, os espíritos fugiram e não tivemos batidas. Existem certas circunstâncias, sob as quais nenhum ouvido, mesmo que hábil e treinado, pode julgar corretamente a posição ou distância onde certos sons se originam. Tal caso é exemplificado nos comuns alto-falantes, utilizados em casas públicas e outros lugares. Quando você coloca seu ouvido perto deles, a voz parece estar sendo pronunciada perto do ouvido, embora a pessoa falando possa estar a uma grande distância. A Dama Invisível é outro exemplo, para um relato completo da tal, ver o trabalho de Brewster emNatural Magic. Mas a ilustração mais notável deste caso é exibida da seguinte maneira. Se você pegar uma barra de ferro com três, seis, quinze, ou trinta metros de comprimento, e golpeá-la em uma das extremidades, o golpe é ouvido por uma pessoa que tem sua orelha perto do outro lado, precisamente como se o golpe atingisse perto de sua orelha. Esta ilusão é mais notável se o ouvinte não ouvir o golpe original pelo ar. Para fazer imponente o inteiro experimento, pense numa haste de ferro com dois centímetros de diâmetro, projetando-se um metro ou um metro e vinte pelo chão de um grande salão, e que esta parte que se projeta seja uma continuação de uma haste passando debaixo do chão do quarto, e inteiramente oculto da visão e terminando do lado de fora, ou em um apartamento distante. Sempre que um golpe atinge a ponta remota e oculta, o som não sendo ouvido, exceto por intermédio da haste, parece para toda pessoa presente precisamente como se fosse emitido da ponta projetada dentro do salão. Com pré-ajustes apropriados e preparação cerimonial, uma invenção como essa seria muito superior, em caráter misterioso, à trapaça superficial destas batedoras de pés. A partir desta experiência, na qual tentamos com sucesso, com uma haste com apenas seis metros de comprimento, vemos o quão perto nós devemos olhar para todas as circunstâncias relacionadas e possibilidades do caso, antes que possamos concluir rigorosamente sobre a posição da origem dos sons, quando sua origem está fora da visão. Sabemos que a batida estava sempre perto de seus calcanhares quando essas meninas sentavam-se em cadeiras, ficavam em pé no chão, ou em cadeiras, ou ficavam em pé dentro do guarda-roupa, ou batiam na porta. Para esta parte da performance, nós tivemos oportunidades abundantes para exame, e se essas meninas ficassem em pé no chão e nos permitissem examinar os seus pés no momento da batida, nós as desafiamos e a seus espíritos a produzir as batidas sem uma completa exposição. É digno de nota que as bruxas foram sempre muito mais numerosas do que os magos. Há razões para tal disparidade nos números, mas este comércio de batidas é particularmente a área das mulheres.Não há batedores masculinos, a menos que eles sejam recentes, uma vez que eles têm recorrido à confederação, ou a truques elétricos ou mecânicos. Não existem homens-batedores, que batem com tal abrangente magnitude como as meninas Fox. Estas últimas não estão confinadas a uma determinada mesa, uma determinada sala, ou determinados pontos em um quarto, ou uma determinada casa. Elas carregam suas “armadilhas de barulho” com elas, e vão de casa em casa, e os seus “espíritos familiares” são muito sociáveis??, sem cerimônia, e adaptáveis. Se elas adotassem o traje Bloomer, damos nossa palavra, os espíritos mostrariam sua desaprovação, partindo imediatamente. Contando com o seu sexo, elas confiam na cortesia de seus visitantes como proteção suficiente contra o exame, até mesmo de seus pés e, consequentemente, elas fazem questão de usar vestidos extraordinariamente longos para melhor esconder seus movimentos e aparelhagem para as batidas. Quando a menina estava sobre copos, ela não se aventurou a bater até que, inclinando-se gradualmente, ela trouxe seu vestido para baixo, cobrindo seus pés e tocando o chão. Existem, então, motivos especiais para que esse tipo de feitiçaria fosse conduzido por mulheres. O estilo Fox de bater NÃO PODE ser realizado por homens, ou em trajes masculinos. Nós não atribuímos à mulher mais ou maior propensão, ou poder para enganar do que o homem; mas quando a mulher decide enganar, ela é geralmente mais bem sucedida. Ela é menos suspeita, tem menos motivos, corre maior risco, e incorre em maior perda no caso de descoberta, e com suas características pessoais, ela silencia oposição, sufoca inquérito, desafia e escapa à inspeção e, por último, domina a cabeça com o coração. Possuidora de maiores susceptibilidades e facilmente impressionável, ela é mais facilmente levada pelas novas e estranhas fascinações, e em tempos de certos desenvolvimentos extraordinários de feitiçarias solidárias, ela é a primeira a ser coagida e mais apta a impor-se. Esta característica é bem ilustrada no caso dosjerks, uma espécie de fanatismo por bruxas que prevaleceu neste país tão extensivamente, há muitos anos, no qual as mulheres representaram amplamente. Ação solidária é potencial em ambos os sexos, mas especialmente com as mulheres, isso supera o bom senso, a razão e a vontade, dando origem à insanidade temporária. Nós somos, no entanto, insensíveis o suficiente para acreditar que, em muitos casos nessas ocasiões, a rendição do julgamento e a confusão da imaginação não são totalmente involuntárias, e que a inteira operação de ser enfeitiçada pode ser detida em um determinado estágio de seu progresso por um esforço para resistir, exceto, talvez, em condições de histeria extrema e prostração nervosa, ou irritabilidade. Nós vimos uma moça da mais alta respeitabilidade em uma sessão de mesa-girante, puxando a mesa para fazê-la mover-se e, ao mesmo tempo, se empenhando para esconder seus esforços e declarando, quando interrogada, que ela “não fez o menor esforço”. Será que ela se tornou tão encantada ao ponto de esquecer que ela estava fraudando, ou para convencer a si mesma que não estava e, ao mesmo tempo, ser tão assídua e hábil na realização de seu objetivo? A misericórdia diz que sim. Bem! Afinal, existe algo na proeza de enganar e cegar reverendos e sérios senadores, juízes e sacerdotes, bem deliberado para aguçar o orgulho, estimular a astúcia e fomentar o amor ao poder em uma jovem senhorita, especialmente quando suas artes são praticadas por meio de algumas ações não incluídas no código penal, nem passíveis à lei. Existem provavelmente — mesmo que pareça paradoxal — casos de engano honesto. O desejo de realizar algo grande, algo excedendo o curso comum de fenômenos familiares, pode ser tão forte quanto gerar uma total perversão de toda a verdade, uma auto sanção de erro, astúcia, e impostura, o esquecimento de consciência, uma profissão entusiasta de fé e advocacia espiritual dos novos desenvolvimentos, uma distorção de tudo para esconder a fraude e, contudo, uma preservação notável da aparência de sinceridade, e um ar de ingenuidade tão bem representado ao ponto de parecer natural, que vão muito longe para seduzir aqueles que podem testemunhar as performances.

Dos modos que planejamos produzir as batidas, não explicaremos mais do que um, sendo o suficiente para efetuar sons de batidas sem agitação da pessoa.Nós planejamos muitos modos, e apesar de não termos visto o modo específico utilizado pelas meninas Fox, ainda assim, podemos bater tão bem quanto elas.Um pedaço de metal macio como o chumbo, em forma de corrente ou haltere, amarrado no dedão do pé, pode servir para bater no chão, na porta, na parte inferior de um armário, ou qualquer superfície ou objeto que possa estar sob ou sobre os pés, com demonstrações forçosas. Se qualquer pessoa fizer o esforço de mover o dedão para cima e para baixo enquanto a sola do pé repousa firmemente no chão, será visto que um movimento considerável pode ser efetuado e, naturalmente, uma batida, sem perturbação da pessoa. Um pouco de prática fará com que fique perfeito. Para andar sem o chocalhar da peça usada para as batidas, é necessário amarrar a uma extremidade um cordão elástico, um pedaço de borracha vulcanizada funciona muito bem, e prendê-lo na cintura. Inclinar-se levemente ou sentar-se, deixará o instrumento livre para funcionar.Se você tem sapatos finos ou sapatilhas, pode ser afixado fora das sapatilhas, ou você pode tê-lo amarrado ao dedão, e fazer a sapatilha grande o suficiente para [que o instrumento] deslize todo sobre ela e tirá-la quando batidas são requisitadas. Mais um elemento e estaremos totalmente equipados para as batidas espirituais; anáguas ou vestidos longos são indispensáveis ??para completar a invenção. Qualquer que seja o artifício adotado para bater no chão, este deve ser escondido dentro do santuário de saias, fora do alcance da invasão de curiosos ou rudes.

Temos outros instrumentos de batidas, mais ocultos, mais perfeitos do que o que acabamos de descrever[7], mas não tão simples ou de fácil aplicação. Além disso, o que foi descrito faz a batida dupla (uma peculiaridade do instrumento Fox). Essas meninas lidavam com seu instrumento habilmente, e merecem algum crédito por sua engenhosidade em maquinar e operar um instrumento com tanto sucesso a ponto de confundir o escrutínio de milhares de seus visitantes.

Elas andam livremente com seus instrumentos, embora uma senhora mencionou para nós que ambas andavam de forma muito desajeitada. Com preparação do local, batidas “misteriosas” podem ser produzidas de várias maneiras, mas essas meninas, os protótipos de todos os batedores, nem empregavam ou precisavam de qualquer ajuda de moção eletromagnética, ciência acústica, ou confederação para praticar suas artes, elas usavam meios mais engenhosos e simples. É possível produzir um movimento de batida eletromagnético, com bateria e tudo, pequeno o suficiente para ser levado sob o vestido, mas como o telégrafo, tem que ser controlado pela vontade e ação muscular do operador, e que vantagem teria sobre um instrumento mecânico que bate diretamente? Não há necessidade para admiração ou a taxação de engenhosidade por conta dessas batidas, desde que você seja excluído de um exame pessoal dos batedores. Desejamos muito que as autoridades civis peguem esses batedores no “ato” (por obter dinheiro mediante falsos pretextos) — (ou algum outro pleito) e façam uma revelação forçada de suas ciladas. Nós acreditamos que isso pode e deve ser feito, e que tal procedimento atenderia a sanção integral da lei e justiça; que a opinião pública universal o apoiaria, e não temos dúvida da natureza e efeito do desenlace. Se isto já tivesse sido feito, nós teríamos sido poupados do trabalho desse tratado, pelo menos, e não precisamos anunciar a grande quantidade de sofrimento e imoralidade que teria sido evitada.

Vendo, então, que podemos bater, sim, e fazer a batida dupla, como vamos explicar as extraordinárias profecias, mensagens, coincidências e comunicações em concordância com os fatos? Nós gostaríamos que esta fosse a única dificuldade a ser superada, pois nos deixa muito menos perplexos do que asegurança feminina dessas batedoras, contra a inspeção de seu verdadeiroquomodo (modo). Nós podemos presumir com segurança que, se por mandado de busca, estratagema, ou vi et armis, o instrumento de batidas dessas meninas Fox tivesse sido exposto ao público, não haveria nenhuma dúvida sobre a natureza e origem das comunicações espirituais, nem teria sido formulada a questão de como essas comunicações eram tão maravilhosamente fiéis ao fato.Cérebros, livros, bons e maus espíritos, demônios e o resto não teriam sido necessários para esta discussão. De fato, onde está a necessidade de trazer a fraqueza humana, credulidade e duplicidade para resolver a parte psicológica desta fraude e falsificação, se podemos bater tão bem quanto as meninas Fox (as grandes armas de batidas), e com a força de nossas batidas dizer mais verdadesmenos mentiras que os seus espíritos, que necessidade temos das dissertações metafísicas escritas, encontradas em uma gaveta ou em qualquer outro lugar, assemelhando-se à caligrafia do Sr. Calhoun, de John Smith, ou de qualquer outro dos grandes que partiram?[8] Até onde foi nossa experiência, as meninas Fox fizeram poucos, muito poucos bons acertos, e perpetraram uma grande quantidade da mais intolerável tolice e contradição; suficiente por si só, mesmo se as batidas tivessem sido feitas fora do âmbito de suas vestes de rainha um centímetro, um metro acima de suas cabeças, no centro aéreo da sala, desconectadas de cada coisa tangível e visível, teriam feito qualquer homem sensato sentir desprezo e repugnância. Mas para o bem daqueles que são enganados ou perplexos com essas comunicações, temos que gastar um pouco de fôlego para iluminá-los. Quando um homem tem suspeita de uma ação sobrenatural ou de uma interferência em manifestações físicas, muito visíveis, sensíveis ou tangíveis, ele está pronto para acreditar em qualquer coisa comunicada no momento, e quando chega à crença total na intervenção divina, sua fé é aperfeiçoada. Onde, por longa prática, preparação e habilidade, truques são realizados tendo em vista a imposição, é necessário o mais alto grau de frieza, calma e autocontrole, para resistir à impressão do sobre-humano, e mesmo estando bem fortalecidos a respeito disso, não é de se esperar que deveríamos ser capazes de descobrir a verdadeira natureza da performance sem termos alguma experiência e prática ao nosso lado. No instante em que a ideia do sobre-humano se apodera da mente, toda aptidão para a investigação e poder de análise começam a desaparecer, e a credulidade aumenta para sua capacidade máxima. As inconsistências e os absurdos mais gritantes não se discernem e são engolidos inteiros, e a cegueira é tão profunda e tão extraordinária em seu caráter, que nós vimos uma conversão feita para as batidas espirituais com a força de uma única coincidência selecionada entre um monte de pantomima repugnante e perversão da verdade. Nenhuma das discrepâncias foram de importância para ele, um golpe de sorte dos batedores e toda a performance, erros, batidas e tudo o mais foram investidos de poder sobrenatural. Agora, da forma que acontece, o crente em tais casos não nota as incongruências e falhas, ou parece não notá-las. Isso é meio que um fenômeno psicológico, mas poderia ser explicado como falta de honestidade; falta de honestidade é frequentemente o começo e o acompanhamento de uma ideia fixa, manifestando-se como uma incapacidade mental para mais do que uma ideia. Uma pessoa sagaz pode, a qualquer momento, assumir um grupo promíscuo, e com a impostura de batidas ou qualquer outro truque, calculado para desviar a atenção, e uma maneira de soletrar comunicações semelhantes à adotada pelas meninas Fox, fazer tantas ou mais maravilhas e comunicações aparentemente sobrenaturais como elas, certamente sem maior erro e absurdo. Estávamos uma vez viajando em um vagão com um cavalheiro que, depois de uma longa viagem, apostou com outro que iria dizer a ocupação de cada pessoa no vagão. Para a surpresa de todos, ele ganhou a aposta. Uma senhora presente, aparentemente muito magoada, perguntou como ele sabia que ela era uma “dona de casa”. A resposta foi: Porque eu vi você frequentemente colocando as mãos no seu cinto – por causa das chaves. Muitos de nossos astutos frenologistas itinerantes, após o desfile de medir e tatear a cabeça da pessoa, e algumas perguntas fundamentais, retratarão sua vida e caráter com um maravilhoso grau de precisão. Nosso conjurador do vagão tinha, durante a viagem, observado os movimentos, a tez, a conversa, a expressão do semblante, aparência das mãos, o vestido – enfim, cada pequena circunstância de hábito ou pessoa, e aconteceu que julgou corretamente em cada caso. É assim com o frenologista, que extrai sua informação, sobretudo, a partir de fontes similares[9]. É assim com os batedores; eles observam cuidadosamente, têm experiência com pessoas de todas as classes e geralmente, a não ser se forem molestados por algum cético, têm tudo à sua maneira. Seus visitantes, especialmente os ingênuos, se entregam mais para esses batedores do que sua própria habilidade pode evitar, e é certamente de se esperar que eles acertem às vezes. Após a mera conjectura de risco de acontecimento, isso pode acontecer ocasionalmente, mas com todas as artes e auxílios de preparação, credulidade e fanatismo, tornam-se tão bem sucedidos como os oráculos de Delos e Lesbos.

Antes de concluir o assunto sobre batidas, nós comentamos brevemente que um espírito que não pode ou não quer dizer a verdade em todas as ocasiões é totalmente indigno de nossa credibilidade e respeito; e, acreditando, como nós acreditamos, que os milagres são prerrogativas de Deus e todo poder milagroso é retido dos maus espíritos como militando contra o plano da Revelação, não precisávamos de uma investigação mais profunda para a nossa própria satisfação, do que saber que uma grande parte de suas comunicações fingidas era grosseiramente errônea; mas mantivemos que era importante para o bem dos outros que todo o assunto fosse examinado. A febre tem diminuído um pouco nos últimos tempos, mas a menos que corajosamente e vigorosamente atacada, ela reaparecerá sob alguma nova pretensão, com exacerbações mais virulentas do que nunca.

MESAS GIRANTES

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Essa falácia demanda nosso escrutínio mais rígido, e de reprovação severa, no entanto, pois está envolvida, em grande parte, por pessoas respeitáveis e inteligentes. O comércio de Batidas Espirituais é um puro e miserável embuste, e como os executores são obrigados a inventar e gerenciar o maquinário, ou qualquer que seja a instrumentalidade que produz os sons, não há nenhuma possibilidade de iludirem a si mesmos. A mesa girante é mais um caso de ilusão ou autoimposição, embora haja, ocasionalmente, atores nesta performance que traem falsidade, e alguns cujas ações mostram a mentira direta de suas profissões. Como aconteceu que mesas tenham sido escolhidas para as manifestações dos espíritos de mortos, ou as operações do “novo fluído”, está além de nossa sabedoria explicar. Por que o cabo da bomba não funciona sua sponte (por sua própria iniciativa), o berço não balança por si só, ou a carruagem não parte sem cavalos, bem como mesas não pulam pela sala com a simples imposição das mãos, ou a mando desses personagens maravilhosos, intitulados médiuns? Existe alguma coisa na forma, material, propósito, ou história de uma mesa que esta deveria tornar-se, por excelência, o elo entre o mundo natural e o espiritual? ou que isto deva ser o grande reservatório de eletricidade, magnetismo, “novo fluído”, “od”, ou o que seja? Talvez pernassejam indispensáveis ??para este novo modo de dançar e pular. Mas, como em muitos dos melhores casos autenticados, a mesa se move ao longo do chão com um movimento lento, gradual e digno, sem pular, e especialmente porque muitas mesas estão sobre tapetes, nós não vemos nenhuma razão pela qual rodas não seriam melhores do que pernas, e por que carruagens não fazem isso tão bem ou melhor do que mesas – pois a fricção de rolagem é muito menor do que a fricção de deslizamento, e as carruagens poderiam ser construídas bem leves para este específico propósito. Estes magos girantes não são muito produtivos no expediente ou eles teriam tentado há muito tempo a especulação de uma nova linha de carruagens espirituais, em ruas comuns, propelidas por médiuns.

Mas vamos ao ponto. Um dos primeiros casos de mesas girantes que observamos foi um que se tornou bastante famoso, e sobre o qual ouvimos muito antes de testemunharmos. Fomos informados por pessoas muito inteligentes, que haviam sido testemunhas oculares e tinham participado nos experimentos, que quando várias pessoas se davam as mãos em torno desta mesa, em conexão com o médium, a mesa começava a se mover pelo quarto com força, rapidez, e vida aparente. Que resistência forçosa não poderia pará-la, e que os artistas eram quase incapazes de acompanhar seu movimento. Que, na mesma ocasião, corpos pesados foram levantados do chão pela mera sobreposição de mãos, sem segurar; em outras palavras que, colocando a mão sobre um objeto pesado e levantando a mão, o peso morto levantou-se do chão por si só, e seguiu o movimento da mão. Nossos informantes eram homens de alto nível, de altos dotes e inteligência geral, homens de veracidade e homens cujas opiniões valiam muito em questões jurídicas e assuntos de Estado. Ah! Que descoberta e desenvolvimento aconteceram aqui. ADEUS ÀS ALAVANCAS, PARAFUSOS, CUNHAS, ROLDANAS, PARAFUSOS e GUINDASTES VAPOR, GÁS, E TODO O TIPO DE MOTOR, CAVALO E TODAS AS OUTRAS FORÇAS, FOGO, AR E ÁGUA, ELETRICIDADE E MAGNETISMO, QUÍMICA, MECÂNICA, E TODAS AS AGÊNCIAS SUBSERVIENTES, A TODOS E TUDO, ADEUS! A mente subverteu as leis da matéria; toda a filosofia imerge na espiritualidade, e a volição tornou-se a toda poderosa, toda suficiente, poder que a tudo permeia; os loucos e lamentáveis investigadores atrás do movimento perpétuo transformaram-se nos espíritos mestres da época, e gravidade e fricção deram lugar a dois novos princípios controladores, leveza e falta de resistência. Basta dizer que nós rimos de nossos informantes, e demos a eles uma contradição estável, “que eles não tinham visto o que relataram”. É digno de nota aqui, que ainda não ficamos sabendo que qualquer um dos nossos conhecidos tenha se ofendido seriamente com as contradições mais positivas sobre este assunto – uma prova, para nós, que há uma convicção secreta, profunda, sufocada contra a realidade e a autenticidade destas manifestações. Um elemento curioso da nossa composição é que os homens honestos não encontram poucas dificuldades em enganar a si mesmos, e possuem muito pouco ou nenhum ressentimento ao serem acusados deste tipo de decepção. Imbuindo-nos profundamente com um pendor ardente por novidades sobre todos os assuntos, e uma determinação de trazer à tona as pretensões extraordinárias desta nova maravilha, tivemos  a oportunidade de consultar pessoas de todas as partes do país onde estas exposições têm sido feitas, e nós asseguramos aos nossos leitores que, embora o tempo tenha sido gasto proveitosamente, a investigação tornou-se repulsivamente tediosa.Ouvimos substancialmente a mesma história de todos; isto é, que as mesas inclinaram-se e moveram-se “sem ação visível” e, ainda assim em quase todos os casos, com uma cuidadosa separação e interrogatório cauteloso, descobrimos que alguém tinha as mãos sobre a mesa durante todos os seus truques.Certamente, o diabo tem a ver com as mesas girantes, por que nunca vimos antes pessoas honestas tão enganadas e oblíquas em qualquer outro assunto. Não que o diabo incline, chute ou impulsione de forma alguma as mesas, mas que ele altera a consciência ou o julgamento de uma forma deplorável para sustentar a fraude. Em cada inquérito e investigação, descobrimos exagero grosseiro e fraco, e, resolvidos completamente de que vamos desqualificar, negar e nos opor, até o fim, até o mais alto testemunho da terra, quanto à veracidade das mesas girantes, de batidas espirituais, ou qualquer parentesco, de teor milagroso ou espiritual. Nós fomos muito gratificados recentemente com a observação de um amigo experiente, que “ele não acreditaria nessas coisas, mesmo que ele as tivesse visto com os seus próprios os olhos”. A observação fazia sentido. Ele não admitiria o testemunho de outras pessoas para tal anomalia, e ele não iria confiar ou acreditar em si mesmo, se ele desse lugar à convicção de que toda a ciência matemática e mecânica, tudo sobre religião e dos ensinamentos bíblicos, e todos com senso comum, fossem violados e explodissem com estas novas manifestações, prometendo perplexidade sem fim, confusão, crime e loucura, e sem fazer o bem a ninguém. Nossos amigos dizem repetidamente para nós, “não vemos como essas coisas são possíveis, mas nós não podemos desacreditar na opinião e testemunho de senhor A, doutor B, professor C, reverendo senhor D, juiz E, honorável senhor F, & etc.”. “Nós achamos que é difícil impugnar tal testemunho, e por que a palavra deles nesse assunto não deveria ter tanto valor quanto a sua?”

Nossa resposta simples é esta: se nós lhes dizemos que preto é branco, e branco é preto, não esperamos que nosso testemunho seja considerado; e fazemos o mesmo repudiando todos os depoimentos, de qualquer fonte que seja, de caráter similar. Era uma posição forte, embora reverencial, a de São Paulo, que “mesmo um anjo do céu seria amaldiçoado se ele pregasse qualquer outra doutrina além da que ele, Paulo, tinha pregado”, pois ele bem sabia que um anjo do céu não poderia pregar outra coisa.

Dizemos, com toda a reverência, que nós sentimos uma espécie de inspiração nas leis da reação, gravidade e fricção, baseados na experiência de cada momento da vida que lembramos, que nos leva a rejeitar peremptoriamente o testemunho dos nossos melhores amigos, das pessoas mais ilustres e críveis, ou dos mais exaltados intelectos, quando eles nos dizem que, pela simples sobreposição das mãos ou pelo esforço da vontade, uma mesa se afasta por si só ou levanta-se do chão, sem ação visível. Existem várias pessoas neste lugar, nós mesmos entre elas, que concordaram em dar dois mil dólares a qualquer pessoa que nos mostrar tal façanha, realizada por uma mesa. Sentimo-nos totalmente seguros com a oferta e, além disso, achamos prudente, em caso de depositarmos o dinheiro, que este deveria ser depositado em uma poupança, rendendo juros, pois caso contrário, o dinheiro poderá ficar parado por uma vida inteira. Nós poderíamos hesitar caso houvesse a chance mais remota de explicar tais aparições extraordinárias mediante qualquer princípio da ciência, mas o fato é que estas asserções contradizem toda a ciência e tem absurdidade em sua frente. Ouvimos dizer que a gravidade, a eletricidade e o magnetismo fazem corpos se moverem sem ações visíveis ou conexão. Sim! Eles fazem; sempre fizeram, e sempre farão. Mas aqui, no ano do nosso Senhor de mil oitocentos e cinquenta e três, somos informados pela primeira vez que o corpo humano tem poderes análogos aos magnéticos e às nuvens de trovão; e, mais que isso, que nenhuma lei comum de tração ou atração, propulsão ou repulsão governa este maravilhoso, novo, nervoso e corporal poder carnal, força idílica, ou o que seja, mas que isto está sujeito a todas as direções anômalas, caprichosas e cruéis e à governança da vontade humana.

Temos muito desprezo pela filosofia odílica, ou tal quimera ou capricho, para pararmos e discutirmos sobre isso aqui. Nós, por vinte anos, desde o renascimento do Adormecido Mesmerismo, pelo Dr. Poyen, de Lowell, Massachusetts, fizemos inquéritos diligentes e esforços pacientes, perseverantes, para se obter dentre a grande massa de performances mesméricas, alguma evidência de um novo princípio, uma nova força, ou qualquer resolução de ação nervosa ou sensorial em poder físico que não fosse o de uma mente sobre seu próprio corpo, e ainda não vimos a mais fraca indicação de tal poder nervoso, como esses psicólogos modernos pretendem mostrar para nós. O quê! uma força nervosa que age exteriormente, e independentemente de sua própria morada e legítimo fulcro? Que propele massas mais pesadas do que oorganismo corporativo, sem partir o último em dois? De uma coisa nós nos sentimos seguros, que esta nova filosofia é uma presa venenosa, embora encoberta, secretamente roendo a raiz da fé cristã. Ela fez uma investida ousada naquela proposição grosseira da senhorita Martineau a respeito os milagres do nosso Salvador — muito grosseira de fato para merecer aprovação — e agora acomete, sob um traje menos ofensivo e mais sofisticado, de “força odílica”; buscando explicar um mistério da Bíblia (sempre um esforço infiel), e trazer milagres e prerrogativas de Deus dentro do alcance e controle da razão e da ação humana. Nós perguntamos a qualquer teólogo que se incline a aplicar tais testes para a solução da performance milagrosa, caso ele suponha que, se a montanha foi retirada e lançada ao mar, sob as ordens do discípulo (com a fé do tamanho de um grão de mostarda), que discípulo teria sido a origem do poder propulsor, e sentido fadiga, depressão, ou reação em proporção à massa removida? Se quando no chamado de Josué, a enorme esfera de terra ficou parada sobre seu eixo, o grande impulso recuou, através do éter odílico, ao cérebro do pobre Josué? Todos nós podemos aceitar a proposta de Arquimedes “Deem-me um ponto de apoio e moverei a Terra”; mas quem, mediante a maior latitude de Od plástico, dúctil, ou qualquer outro princípio ou pretexto de sofisma mesmérico, se arriscaria a prender e propelir a terra pela ação sensorial odílica, nervosa, de uma de suas pequenas criaturas, presa ao seu centro pela gravidade indomável.Talvez possa ser fundamentado que, da fonte cerebral de Josué, foi emitido um grande fluxo de essência odílica, ou fluido psicológico, cujo poderoso jorro para o espaço foi igual ao impulso da imensa Terra, e a reação, como água no moinho, fez com que a grande esfera parasse. Oh! Que perigoso, que ímpio, é tentar explicar um milagre — a prerrogativa de Deus, a interposição de Deus em tempos antigos, embora não acima do comando humano mediante os critérios de oração e fé, ainda assim sempre e para sempre acima da compreensãohumana. Nosso Salvador mesmo disse, “Eu mesmo não posso fazer nada”, e seus milagres eram antecedidos com oração. Deus da Bíblia! Enquanto a tua palavra permanecer, a sabedoria dos sábios e prudentes não prevalecerá sobre a fé, a simplicidade e a filosofia de senso comum de teus “bebês”.. É doloroso e humilhante ver os esforços de alguns homens proeminentes, defendendo publicamente a genuinidade destas manifestações e, especialmente, quando nós consideramos o caráter das afirmações e argumentos apresentados em apoio das suas doutrinas. Um dos mais recentes e marcantes é este. O espírito do senhor Calhoun ao ser consultado pelas médiuns Fox quanto ao objetivo destas manifestações espirituais, respondeu que elas são “feitas para provar ao descrente a IMORTALIDADE DA ALMA, e para propagar a paz e a harmonia entre os homens”.[10] Ouçam, toda a Cristandade, crentes, leitores e ouvintes da PALAVRA! O grande conflito e triunfo do Evangelho é ser coroado pelas deduções desses novos TEÓLOGOS Fox, ou melhor, como uma inferência mais legítima, a Palavra de Deus deve ser revogada e deve dar lugar às manifestações mais elevadas de comunicações espirituais e mesas girantes de Rochester. Não é nada menos do que uma negação da suficiência da revelação do propósito para qual foi destinada, e negando isso se nega o todo. À parte todas as outras razões, argumentos, desenvolvimentos, experimentos, dúvidas, suspeitas e manifestações, essa teologia de batidas e viradas tomou agora uma posição decidida e hostil contra a Bíblia, e deve ser tratada como tal. Ouça-a e grave bem! A Bíblia é descartada tão simples e plenamente como se tivesse sido proferida em tantas palavras. Em vão as Escrituras Sagradas, em todo lugar, ensinam sobre a imortalidade da alma, em vão são suas maldições contra a feitiçaria e bruxaria, em vão pronunciam “Anathema Maranatha” (Deus está vindo) contra adições à suas pretensões divinas, em vão seu preceito de “que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação particular”, em vão é  declarado que um incrédulo “não acreditaria, mesmo que alguém ressuscitasse da morte”[11], em vão foram a sociedades bíblicas, missionários e todos os imensos esforços para difundir o cristianismo, TUDO deve ser apagado, perante a nova luz das “batidas de Rochester” e dos truques das Fox. Mas por que entramos em apelações, longos discrusos, ironia, ou sátira, sabendo durante todo o tempo que temos manifestações positivas ainda para apresentar da falácia absoluta das mesas girantes; provas incontestáveis de caráter mundano, mortal, corporal, físico e muscular das mesas girantes? Nós temos nossas razões. Se encontrarmos tolos e fanáticos, bruxas e magos, diabos e ingênuos, devemos atacar em todas as partes vulneráveis, pois mesmo demonstrações de fatos certamente serão negadas com algum pretexto impudente e, em tais casos, os fatos não são armas todo poderosas, e requerem uma proteção auxiliar. Com os imparciais e os indecisos, no entanto, nossas manifestações serão apreciadas, e confiamos que serão conclusivas. Voltando ao primeiro caso de mesa girante que veio à nossa atenção,  tendo ouvindo falar muito das performances extraordinárias, fomos em companhia de um amigo científico para ver por nós mesmos. A médium era uma menina jovem, alegre, cuja reputação de sinceridade poderia ter sido seu tesouro mais estimado. As maravilhosas façanhas desta médium foram recontadas para nós, e ansiávamos pela verificação. Depois de uma breve conversa, ela com outra jovem (um pouco médium) colocaram as mãos sobre uma pequena mesa, nosso amigo se juntando ao círculo. Suas mãos foram colocadas de maneira que a mão direita de uma escondia a mão esquerda da outra. Depois de um tempo, a mesa começou a mover-se. Isto era natural, certamente, pois nós notamos que esta médium estava se esforçando muito com a mão escondia para movê-la. Talvez sua mãe tenha visto isso, pois ela levantou-se da cadeira e disse: “Você não está fraudando, agora?”. “Não, de fato mãe, eu não estou fraudando; veja o quão levemente eu pressiono!” Que comentário foi esse, logo após a fala recém proferida por sua mãe para nós sobre os feitos impressionantes de mover pesadas mesas de jantar, rasgar tapetes, mover pianos, etc! Nosso amigo, começando a suspeitar do caráter voluntário do movimento desta mesa, fez um esforço contrário com seus dedos (melhor escondidos do que os da médium, por ele possuir mais força), e a mesa parou de se mover. Mas isto não foi tudo.Detectamos nas feições da médium uma expressão de decepção e, além disso, um esforço mais visível para mover a mesa, em conseqüência da resistência, a qual ela parecia não suspeitar. Tudo isso parece muito ridículo para relatar, e ainda assim as performances sobre-humanas desta médium haviam sido descritas para nós por testemunhas oculares da mais alta respeitabilidade como maravilhosas e surpreendentes ao extremo, e nosso principal informante, um cavalheiro conhecido por sua perspicácia, tinha publicado há uns anos um excelente trabalho na matemática, e era tão bem qualificado quanto a média dos homens instruídos para observar e decidir sobre tais assuntos. Seu testemunho foi confirmado por vários outros, todos testemunhas da maior respeitabilidade e qual era o valor de tudo isso? E qual o valor dos outros testemunhos, mediante estes saltos aéreos de mesas? Talvez nós estejamos equivocados quanto ao esforço feito pela médium para mover a mesa. Vamos ver! Nós colocamos uma folha de papel sobre a mesa, sob a mão dela, e assim que a mesa foi pedida para mover-se, eis que a folha de papel moveu-se sobre o tampo da mesa, enquanto a mesa ficou imóvel. Aqui está a demonstração dessa falácia e, embora em um formato que possa ser contestado por meio de objeções frívolas, é, porém, a chave elementar e, para nós, totalmente suficiente por si mesmo. Nós vamos, no entanto, desenvolver isto de tal forma que seja além de todo o sofisma. Nós testemunhamos, depois disso, muitas tentativas fracassadas de médiuns e outros para mover mesas, e algumas outras tentativas que começaram a ter sucesso, até  aplicarmos nossos testes mecânicos, quando o novo fluído, a eletricidade, o magnetismo, a energia nervosa, a força odílica, todos foram explicados com ação muscular, e as mesas nunca se moveram, a não ser que claramente empurradas. Quanto às mesas que se movem de qualquer maneira sem serem tocadas, repetimos que isso nunca foi feito, e desafiamos que provem o contrário.

Nós rastreamos muitos desses exageros e, invariavelmente, descobrimos que a história era que os médiuns não estavam movendo a mesa, mas apenas tinham as suas mãos “levemente” sobre ela. Depois que nós desnorteamos as viradas com a folha de papel, foi-nos dito em outra ocasião que o papel não era um condutor de eletricidade, e que se este agente tinha algo a ver com isso, o papel poderia interceptar a ação. Dispostos a satisfazer o capricho, substituímos o papel pelo instrumento representado na Fig.1, bem conhecido como régua paralela.

 

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É simplesmente uma régua plana (a), equipada com quatro rolamentos (b) e (b), que a sustentam. Com a menor pressão dos dedos sobre a régua (a), faz com que ela deslize facilmente para frente sobre a mesa. Naturalmente, o resultado foi o mesmo do que com o papel. Ao evocar os espíritos, ou exercer a vontade, a régua se movia sobre a mesa, enquanto a mesa ficava parada. Se, então, opapel se moveu e a régua se moveu, não deveríamos inferir que a fricção entre os dedos e o papel ou os dedos e a régua foi maior do que a fricção entre o papel e a mesa ou entre a régua e a mesa? Certamente. Deve ser lembrado aqui que a regra de virar é pressionar ou tocar muito levemente com os dedos. Não deveríamos inferir que o papel e a régua foram empurrados pela mão, uma vez que as mãos seguiram seu movimento? Certamente, na doutrina comum de tocar e mover; mas esses novos filósofos não nos permitirão nem esta inferência, e sustentam que a força odílica move ambos, mãos e papel. Uma força ou agente bem versátil e vicariante é este OD. Bem, por mais estranho que seja,* demos aos tombadores pleno andamento, e agora nós administramos sua extinção. A Fig. 2 é uma ilustração do nosso modo de aniquilar a força odílica e uma cura positiva para a doença do médium espiritual. Deixe os corpos dos tombadores ou dos médiuns serem presos ou restritos de qualquer movimento, seja para trás ou para frente, então deixe seus braços serem esticados em linha reta, como ilustrado na figura, e suas mãos travadas, sobrepostas ou colocadas de qualquer maneira que queiram sobre a mesa. Sentar-se com o peito contra as costas da cadeira é uma maneira conveniente de limitar o movimento para a frente.

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Agora deixe que eles evoquem os espíritos, exerçam a vontade, deixe que eles chorem e uivem, Belial não virá, a mesa não vai se mover, pois a todos os médiuns da terra e à matéria inerte se aplica a lei da inércia. Se a mesa fosse se mover na direção deles, será visto que, caso os braços sejam mantidos em linha reta e as mãos mantidas em sua posição parecerão se mover sobre a mesa.Levamos algum crédito por esta descoberta, e ficamos muito surpresos que homens de ciência, homens de mentes mecânicas que têm testemunhado as mesas girantes, nunca terem pensado em aplicar alguma regra ou teste de mecânica para resolver este mistério.[12]

 A primeira coisa a prender nossa atenção nas mesas girantes foi o fato de que as mãos (não importa quão levemente elas pressionassem) moviam-se sempre com a mesa, para frente e para trás; e isto foi uma sugestão imediata para os nossos testes mecânicos. Que estranho que qualquer mortal com posse de seus sentidos pudesse mover uma mesa e não saber disso! E ainda é assim, tem sido assim, mas, nós acreditamos, não será mais assim. Se qualquer médium ou tombador pode contradizer esta demonstração, ficaríamos contentes em ouvi-lo, e gostaríamos de contratá-lo, com um salário alto, como um agente mecânico, para superar para nós, numa infinidade de formas, as operações de gravidade e fricção. Os negociantes e os comerciantes geralmente precisam ter cuidado com estes tombadores; pois na compra e venda, eles podem pender a balança com mais facilidade do que as mesas. Não temos dúvidas, no entanto, quanto aos resultados, se  qualquer um tentar essas experiências imparcialmente. Será um motivo de desgosto para alguns tombadores de mente honesta que acreditaram o tempo todo que espíritos inclinavam a mesa e que estavam realmente mantendo comunhão com os seus amigos falecidos. Se provarmos que as mesas girantes são o resultado de um movimento muscular, não precisamos insistir nos fenômenos psicológicos das coincidências extraordinárias, mensagens, etc. São todos referentes àquela condição peculiar da mente, OBSESSÃO, sob a qual o julgamento é suspenso, a memória é acelerada, a sensibilidade é exaltada, a imaginação é predominante e as ações involuntárias são induzidas.

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Ao concluirmos este trabalho, nós ressaltamos que em nossas investigações houve erros, motivos mercenários, impostura e ilusão sobre  essas ações, desde o momento que elas ficaram sob nossa observação. Nossas oportunidades foram do melhor tipo com respeito às batidas, pois elas estavam com as meninas Fox, que eram as líderes em todo o comércio de batidas e inclinações, e é suficiente dizer, nós efetivamente impedimos suas batidas. Quando erro e falsidade são expulsos de um subterfúgio, em breve encontram um outro, e quando a vigilância da verdade e as abordagens da ciência se aproximam de seus esconderijos, elas recorrem a retiros mais secretos, e essas meninas podem vir a inventar algum novo modo para as batidas que não seja explicável mediante nossa teoria, mas é o suficiente para nós sabermos que ainda será um truque. Nós tivemos maravilhosas performances relatadas a nós, como nunca tinham sido ouvidas em outros lugares, mas sob exame minucioso, todas se mostraram dentro da limitada concepção humana. Sem dúvida, todos estes truques assumirão formas diferentes dia após dia e de um lugar para outro, e as performances na Inglaterra, na França e na Alemanha, podem diferir da nossa e de uma para outra. Os truques devem melhorar, a fim de sustentar seu valor pecuniário ou reforçar sua reputação; e por mais bem sucedidos e impenetráveis que se tornem, não deixam de ser truques e têm uma origem comum.

Se alguém acreditar que tem um espírito, ou qualquer novo poder além da prestidigitação, deixe-o vir, e nós vamos recebê-lo com um exame rigoroso; e se formos confundidos e não pudermos mostrar bem nossa posição, ele terá a recompensa que especificamos numa parte anterior deste trabalho. Aqueles que fazem destes truques sua profissão têm a vantagem da prática de longa data, da preparação e da união; mas deixe que venham e reivindiquem o prêmio, se quiserem e puderem.

Nós ouvimos falar recentemente sobre alguns truques refinados em mesas girantes, nos quais foram feitas mais preparações do que a mera superposição de mãos. Embora nós preferíssemos vê-los do que ouvir deles, só temos a dizer àqueles quem possam vê-los (ou pensam que os veem): Despojem-se de toda idéia do sobrenatural, ou de qualquer fluído novo, ou nova lei, ou de propriedade e, em relação à performance, quer seja um truque ou um caso de ilusão, escrutinize acentuadamente cada movimento e circunstância conectada, e vocês descobrirão que, ou a mesa não se move ou, caso se mova, verão o que a impulsiona. Lembrem! Há causas controladoras e controláveis que podemlevantar uma mesa do chão; mas com a ação da vontade, ou da mera superposição de mãos, NUNCA!

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O FIM

 

Este livro foi traduzido por Graziella Deligi e revisado por Vitor Moura Visoni

[1] Esta bruxa de Endor parece que foi a única mulher com um espírito familiar que escapou da morte sob o édito real de Saul, e o quão bem-sucedida ela enfeitiçou ou enganou Saul nossos leitores todos sabem. Nós os remetemos a Levítico, cap. 19, versículo 31— Ed.

[2] Em Washington.

[3] A Bíblia ensina sobre bruxas e feiticeiros com espíritos familiares, e que eles eram para ser postos para morrer; sobre mágicos, astrólogos, magos, adivinhos e falsos profetas, mas o único relato de um desempenho milagroso do diabo foi sua primeira e grande fraude sobre nossa raça no jardim do Éden, e isto é considerado por alguns como alegórico. Através de tal ato, ele adquiriu a posse do coração humano, e não precisa, agora, de manifestações externas para promover suas intrigas.

Os mágicos dos Faraós eram capazes, por suas artes, de imitar, até certo ponto somente, os milagres de Moisés e Aaron. Eles transformavam suas varas em serpentes, o rio em sangue e faziam com que sapos saíssem de seus esconderijos, mas quando houve a transformação de um grão de poeira em piolho, sua mágica ficou desconcertada, e então os mágicos disseram ao Faraó “Este é o dedo de Deus”.

A elevação do espírito de Samuel e sua profecia sobre resultado da batalha foi um truque profissional da bruxa de Endor, não mais notável que muitos dos atos relacionados com as batidas e viradas, e dos hipnotizadores que enviam clarividentes para explorar o Mundo Desconhecido. Considerando-se todas as circunstâncias, achamos que muitos sucessos ou conjecturas de falsos profetas ou adivinhos dos dias de hoje foram igualmente bem-sucedidos, e até mais maravilhosos que este feito da bruxa de Endor. Sabemos que alguns comentaristas consideram a elevação do fantasma de Samuel e a profecia do resultado da batalha como a obra de Deus, e não da própria bruxa, ou de seu mestre; eles parecem ser forçados a tal conclusão, quando eles admitem qualquer fato sobre-humano sobre isso, pois não seria concedido tanto poder a uma bruxa, amaldiçoada pela lei. Como tal explicação pode ser conciliada com os atributos e os ensinamentos Divinos, não conseguimos conceber. O relato nos diz que Saul buscou Deus em vão. Deus tinha recusado comunicar-se com ele. Deve ser dito, então, que o Todo-Poderoso é capaz de leviandade (pois esta parece ser a alternativa)? Que Ele manifestou Sua vontade através de uma bruxa; e que, na última iminência de Saul (o ungido de Deus), Ele o forçou a acreditar em uma mentira ou em uma maldita bruxa? Não é essa a inferência, a conclusão inevitável? Quão prontamente todas as dificuldades desaparecem por expor esta transação com os mesmos princípios que nós aplicamos às batidas, isto é: que era um truque e que, como toda bruxaria de qualquer tipo, era de instrumentalidade humana imediata. Afirmar que tais performances são inexplicáveis e surpreendentes não é argumento a favor de seu caráter super-humano. Elas não são mais maravilhosas ou difíceis de explicar do que centenas de truques que vemos e sobre os quais lemos todos os dias, como os executados por prestidigitadores. Para a maioria da humanidade, estes últimos são igualmente enigmáticos e passariam, sem dúvida, por milagres, se não fosse pelo fato de que são, declaradamente, truques. Nós acreditamos no poder de Deus que tudo permeia, tudo controla e tudo sustenta, na interposição Divina, nas Providências especiais e na eficácia da prece, como ensinado nas Escrituras, de acordo com nossa própria interpretação. Nós acreditamos que milagres são prerrogativas de Deus,e assim crendo, concluímos que o feito de milagres pelo demônio ou espíritos malignos forneceria um pretexto para a incredulidade ou a infidelidade do homem. Portanto, depreciamos mais seriamente o avanço de qualquer teoria (por ser nada além de teoria), que atribui estes semelhantes delírios, à ação direta do demônio ou de espíritos malignos. Tais ensinamentos são daninhos em sua tendência, e militam com os verdadeiros interesses do Cristianismo, enquanto eles não têm fundamento melhor do que teoria, especulação ou suposição, e querem prova positiva, invencível e poderosa de sua certeza. — C.G.P., Ed.

[4] Nós fomos levados a entender que espíritos retêm seus nomes mundanos, e respondem a eles. Ocorreu-nos, portanto, que se colocássemos o nome de John Smith, nós deveríamos estar certos de obter uma resposta. — C.G.P., Ed

[5] A expressão “elas poderiam bater, ou bateram” era muito comum entre elas. Um tanto quanto descuidada, certamente.

[6] Nós, certamente, não tínhamos mais o pensamento de agência elétrica aqui, tanto quanto na batida do martelo de um leiloeiro. — C.G.P., Ed.

[7] Fizemos batidas excelentes com este instrumento, e as acompanhamos com comunicações extremamente maravilhosas. — Ed.

[8] Qualquer que seja o respeito que temos pela memória dos grandes, temos a liberdade de conversar com seus espíritos se os pegarmos com más companhias, e em truques básicos. — Ed.

[9] Nós acreditamos nas doutrinas fundamentais da frenologia, mas não temos fé nenhuma seja o que for neste comércio empírico vulgar de delinear o caráter promiscuamente, somente pelo contorno da cabeça. — Ed.

[10] Um recente notável escritor, falando sobre esta grande comunicação do grande espírito do senhor Calhoun, afirma que o caráter espiritual foi confirmado pela ascensão da mesa do chão, e outros sinais maravilhosos. — C.G.P., Ed.

[11] O verdadeiro reaparecimento dos mortos, in propria persona, foi declarado pelo Todo-Poderoso como inadequado para convencer Judeus incrédulos; mas parece que para os Gentios a presença do espírito sem corpo é suficiente. — Ed.

* Well, odd as it is odd, há aqui um trocadilho com a palavra od intraduzível para o português. (Nota do Revisor).

[12] Estas experiências foram feitas em fevereiro e março de 1853 e, desde que o assunto acima foi escrito, estamos satisfeitos em descobrir que Faraday assumiu a questão em pauta, e seguiu um curso de investigação semelhante ao nosso.

PUBLICADO EM SEGUNDA-FEIRA, FEVEREIRO 3RD, 2014, 23:08 CATEGORIAS LIVROS GRATUITOS. VOCÊ PODE ACOMPANHAR AS RESPOSTAS A ESTA ENTRADA ATRAVÉS DO FEED RSS 2.0. VOCÊ PODEDEIXAR SEU COMENTÁRIO, OU TRACKBACK DE SEU SÍTIO.

 

Fonte: http://obraspsicografadas.org/2014/psicomancia-1853-do-prof-charles-g-page-o-livro-que-prova-que-as-irms-fox-eram-uma-fraude/

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