Pesquisa em Mediunidade e Relação Mente-Cérebro

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Pesquisa em Mediunidade e Relação Mente-Cérebro: Revisão das evidências

Alexander Moreira-Almeida1

1 Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (Nupes), Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Este artigo é uma versão abreviada, adaptada e traduzida do capítulo “Research on Mediumship and the Mind-Brain Relationship” da obra: Moreira-Almeida A, Santos FS (eds.). Exploring Frontiers of the Mind-Brain Relationship. New York, Springer; 2012. 

Recebido: 30/10/2013 – Aceito: 30/10/2013

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Resumo

Contexto: Mediunidade, uma experiência humana disseminada pelas diversas sociedades ao longo da história, pode ser definida como uma experiência em que um indivíduo (chamado de médium) alega estar em comunicação com, ou sob influência de, uma personalidade falecida ou outro ser não material. Desde o século 19 há uma substancial mas negligenciada tradição de investigações científicas sobre mediunidade e suas implicações para a natureza da mente. Objetivo: Discutir a importância histórica e atual da mediunidade para o problema mente-cérebro, focando em estudos que investigam as origens e as fontes das comunicações mediúnicas. Métodos: O artigo inicia-se com uma breve discussão filosófica sobre o que seria evidência para identidade pessoal e sua persistência além do cérebro, então apresenta e analisa as evidências proporcionadas por estudos em mediunidade, incluindo uma análise mais detalhada de dois médiuns muito produtivos: Leonora Piper e Chico Xavier. Resultados: Estudos bem controlados, antigos e recentes, sugerem que médiuns podem exibir habilidades e conhecimentos compatíveis com personalidades falecidas e improváveis de terem sido obtidos por meios ordinários. Conclusões: O uso de métodos de pesquisa contemporâneos em experiências mediúnicas pode proporcionar a necessária ampliação e diversificação da base empírica para o avanço de nosso entendimento do problema mente-cérebro.

Moreira-Almeida A / Rev Psiq Clín. 2013;40(6):233-40

Palavras-chave: Mediunidade, experiências espirituais, religião e psicologia, relações mente-corpo, psicofisiologia, consciência.

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Introdução 

Há várias definições possíveis de mediunidade e no presente artigo mediunidade será definida como uma experiência em que o indivíduo (chamado de médium) alega estar em comunicação com, ou sob o controle de, a personalidade de uma pessoa falecida ou de outro ser não material1-5. Essas experiências, por meio de oráculos, profetas e xamãs, estão disseminadas pela maioria das sociedades ao longo da história, sendo parte das raízes greco-romanas e judaico-cristãs da sociedade ocidental, bem como do hinduísmo e do budismo tibetano2. Atualmente, há vários grupos sociais que fomentam experiências mediúnicas, tais como os católicos carismáticos, evangélicos pentecostais, espíritas, espiritualistas e religiões de matrizes indígenas ou africanas2,6.

A investigação da mediunidade e a discussão das suas implicações para as relações mente-cérebro têm envolvido, por mais de um século, um grande número de intelectuais e cientistas de alto nível, tais como William James7-9; Frederic W. H. Myers10,11; Alfred Russell Wallace12,13, Cesare Lombroso14, Alexander Aksakof15, Allan Kardec16,17, William Crookes18,19, Camille Flammarion20, James H. Hyslop21,22, Johann K. F. Zoellner23, Gabriel Delanne24, Oliver Lodge25,26, Pierre Janet27, C. G. Jung28, Theodore Flournoy29, William McDougall30, J. B. Rhine31,32, Hans Eysenck33 e Ian Stevenson34,35. Entre os pesquisadores, estão ganhadores do prêmio Nobel como Charles Richet, Pierre Curie e Marie Curie, J. J. Thomson, Henri Bergson, and Lord Rayleigh1,34. Embora pouco conhecidas na atualidade, essas investigações proporcionaram muitas contribuições à psiquiatria e à psicologia, sendo importantes para o desenvolvimento de vários conceitos atuais ligados à mente, tais como dissociação, histeria e inconsciente36-43.

Esses estudos buscavam usar uma abordagem científica rigorosa e, ao mesmo tempo, com abertura para investigar e compreender experiências que habitualmente são analisadas a partir de dois pólos extremos: aceitação ingênua ou rejeição dogmática44. Uma das principais questões subjacentes às investigações desses pesquisadores foi se a hipótese de que o cérebro cria a consciência humana é adequada para explicar o amplo leque das experiências humanas43,45. Esses estudos, contudo, são virtualmente desconhecidos pela maioria dos autores acadêmicos da atualidade e raramente têm sido usados como contribuições para debates sobre a relação mente-cérebro. Neste debate, o estudo dos médiuns que alegam estar sob a influência de personalidades falecidas é particularmente útil, devido à sua potencial implicação para a (in)dependência da mente em relação ao funcionamento cerebral.

Nas últimas décadas, tem havido um renovado interesse no estudo de experiências espirituais, tais como a mediunidade, notadamente na sua relação com a saúde mental. Tem se tornado claro que experiências dissociativas e alucinatórias são frequentes na população geral e, em 90% dos casos, não são relacionadas a transtornos psicóticos46. Algumas experiências alucinatórias apresentam informações verídicas sugestivas de alguma forma de percepção extrassensorial. Com base nisso, Stevenson47 propôs, em um artigo no American Journal of Psychiatry, um novo termo (idiofania verídica), como suplemento ao termo “alucinação”, para designar experiência sensória não compartilhada verídica e não patológica. Há também evidências de que as experiências mediúnicas frequentemente envolvem pessoas com bons níveis de saúde mental e ajustamento social, ou mesmo superiores aos encontrados na população geral. Tais evidências não corroboram a visão de que as experiências mediúnicas são sintomas menos intensos em um continum com transtornos dissociativos ou psicóticos4,48-52. Também têm sido publicados estudos sobre a neurofisiologia da mediunidade53-56.

Contudo, atualmente tem havido menos investigação sobre as origens da experiência mediúnica e suas implicações para o problema mente-cérebro57. Um dos mais interessantes aspectos das experiências mediúnicas é a investigação dos relatos de atividade mental após a morte corporal, o que, obviamente, teria marcantes implicações para nossa compreensão da relação mente-cérebro33. Devido a isso, investigações rigorosas e em profundidade de experiências como as mediúnicas podem auxiliar na compreensão da natureza da cons­ciência humana, da mente e sua relação com cérebro33,58,59. Como William James8 afirmou sobre a mediunidade: “Estou persuadido que um estudo sério desses fenômenos de transe é uma das maiores necessidades da psicologia” (p. 51) … “há premente necessidade de investigações sérias” (p. 239).

A visão prevalente no mundo acadêmico atual parece ser alguma forma de visão reducionista materialista da mente, segundo a qual a mente é gerada pela atividade cerebral e desaparece com a destruição do cérebro. No entanto, ao contrário do que muitas vezes se afirma, não é ainda um fato científico estabelecido, mas uma entre outras propostas explicativas60-62. Segundo critérios de Karl Popper63, um dos mais importantes filósofos da ciência, essa visão reducionista materialista seria uma hipótese científica, visto que é potencialmente falsificável. Então, a questão falseadora seria: há alguma evidência de continuidade da atividade da mente/personalidade de alguém após a desintegração de seu cérebro? Colocada dessa forma, não se trata de uma questão metafísica, mas uma questão passível de ser respondida baseada em dados observacionais.

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O que seriam evidências da identidade pessoal?

Em sintonia com filósofos da tradição empirista como John Locke64 e David Hume65,66, não discutiremos a questão altamente controversa da substância da mente. Não debateremos aqui se a mente é uma substância material ou espiritual, posto que a noção de substância é uma noção filosófica altamente problemática. Essa questão ontológica é, pelo menos até o momento, insolúvel. Focaremos no ser pensante (chamado mente, consciência, personalidade ou alma; independente de sua natureza ontológica) e na evidência fenomenológica da sua atividade.

A busca por evidências de sobrevivência da personalidade após a morte corporal traz à tona a discussão do conceito de identidade pessoal, um tópico bastante controverso. Vários autores argumentam que a identidade corporal não é uma condição necessária da identidade pessoal, propondo diferentes critérios para a identidade pessoal, baseados em propriedades mentais ou psicofisiológicas67. Posto não ser possível ter acesso direto a outras mentes, como podemos saber que existem outras mentes no mundo, além de nossas próprias mentes? Somente a partir de evidências indiretas, por meio da experiência da observação de outros corpos que exibem comportamentos que sugerem a operação de outras mentes68. Desse modo, ao observar os corpos de nossos amigos, percebemos comportamentos que sugerem a existência de outras mentes que, como as nossas, podem, por exemplo, desejar, sentir e pensar. Podemos julgar a identidade de uma mente (como a de um amigo íntimo) por um padrão peculiar de qualidades, tais como desejos, pensamentos, sentimentos e modos de lidar com as questões do dia a dia.

No cotidiano, usamos esses critérios para identificar um amigo quando não o estamos vendo, tal como em uma chamada telefônica ou em uma mensagem eletrônica quando há dúvidas sobre quem está de fato nos contatando. Como colocado pelo filósofo Braude69, “nós decidimos quem alguém é com base no que ele diz ou como ele se comporta – mais especificamente na sua memória e continuidade do caráter” (p. 3-4). Assim, quando nós não temos acesso à parte física de uma personalidade (o corpo), precisamos basear nosso julgamento nesse tipo de continuidade psicológica. Quinton70 definiu alma (identidade pessoal), o constituinte essencial da personalidade, “empiricamente como uma série de estados mentais conectados pela continuidade de caráter e memória” (p. 59).

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O que seriam evidências da persistência da personalidade além do cérebro?

O objetivo do presente artigo é investigar se mediunidade proporciona evidências da existência de algum tipo de aspecto não corporal da personalidade que persista após a morte corporal. Naturalmente, como em qualquer ciência, não existe um “experimento crucial”, a prova definitiva além de qualquer dúvida que não poderia ser explicada de outro modo71,63. A maioria dos resultados experimentais científicos pode ser explicada de mais de uma forma. Não é razoável descartar estudos e evidências porque eles não são perfeitos. Em qualquer ciência, o melhor que habitualmente podemos fazer é acumular evidências boas, mas não perfeitas, em favor de alguma hipótese, verificar se essa hipótese é potencialmente falseável e, no entanto, resiste às tentativas de falseamento. Além disso, quanto mais perto uma evidência está do nível fenomenológico, mais forte é a evidência72. O tipo de dados discutido neste artigo está muito perto do nível fenomenológico.

A questão que podemos colocar é: qual tipo de evidência eu aceitaria para falsear a visão reducionista da mente e admitir a possibilidade que a mente ou personalidade possa sobreviver à morte corporal? De acordo com Popper63, caso alguém não consiga listar potenciais evidências que falseariam uma crença que tenha, esta seria dogmática e não científica, posto ser infalsificável. Assim, que tipo de evidências eu esperaria se a mente de alguém fosse capaz de se comunicar por intermédio do corpo de uma outra pessoa (o médium)?

A seguir, listamos alguns vestígios de atividade mental refletindo uma personalidade específica que seria razoável de se esperar se uma personalidade que eu conheci em vida não tiver mais o corpo para auxiliar no seu reconhecimento:

  • Memória:

§         Lembrar de fatos, idealmente em grande número, acurados e cobrindo diversos tópicos.

§         Identificar pessoas que a personalidade em questão conheceu em vida.

  • Habilidades da personalidade em questão:

§         Falar ou escrever em língua estrangeira.

§         Artísticas: poemas, prosas, pintura etc.

§         Caligrafia.

  • Traços de personalidade: temperamento, caráter e estilo pessoal

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Hipóteses explicativas para o conteúdo das comunicações mediúnicas

Uma grande parte, provavelmente a maioria, das alegadas comunicações mediúnicas é composta por afirmações genéricas, mas que podem ser facilmente aceitas como evidência de sobrevivência postmortem por pessoas enlutadas e fragilizadas psicologicamente. Entretanto, há um grande número de fenômenos mediúnicos que não pode ser explicado tão facilmente1,57,73.

Estão resumidas a seguir as quatro principais hipóteses que têm sido propostas para explicar experiências mediúnicas que proporcionam informações acuradas ou outras evidências relacionadas a alguma pessoa falecida1,69,17,74,75

  • Fraude, vazamento sensorial (“pescar” informações), acertos casuais.
  • Personalidade dissociativa gerada pela atividade mental inconsciente do médium, envolvendo o acesso a informações consciente ou inconscientemente armazenadas na memória do médium e a liberação de habilidades latentes. A emergência de memórias ocultas (não acessadas ordinariamente) em estados alterados de consciência é chamada criptomnésia.
  • Percepção extrassensorial (PES): médiuns comunicam informações obtidas por telepatia a partir da mente de outras pessoas e por clarividência de fontes materiais distantes.
  • Mente pode sobreviver à morte corporal e se comunicar por meio de outra pessoa.

As primeiras duas hipóteses são compatíveis com visões reducionistas da mente, mas as outras duas colocam sérios problemas a essas visões. Naturalmente, usando-se do princípio da parcimônia (“navalha de Ockham”), essas duas últimas visões somente deveriam ser consideradas após as primeiras duas terem sido excluídas como explicações razoáveis de um dado fenômeno observado.

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Evidências empíricas proporcionadas por estudos em mediunidade

A grande maioria dos cientistas que investigou mediunidade em profundidade terminou convencida de que explicações convencionais (fraude e atividade mental inconsciente) podem explicar muito mas não todos os dados observados. Eles habitualmente passavam a aceitar a existência de PES e/ou a hipótese da sobrevivência1,33,57,58,69,75,73,76. Naturalmente, há pesquisadores que se mantiveram céticos em relação à necessidade de explicações não convencionais para a mediunidade59,77,78.

Em muitas situações, o médium pode proporcionar informações verídicas conhecidas da personalidade falecida, mas desconhecidas do médium. Essas informações podem envolver detalhes sobre a circunstância da morte, apelidos íntimos ou incidentes conhecidos apenas por um ou poucos parentes próximos da alegada personalidade falecida comunicantei por meio do médium73,34. Protocolos duplo-cegos (médiuns não têm contato direto com os consulentesii, e os consulentes pontuam as comunicaçõesiii controles e as direcionadas para eles sem saberem a qual categoria cada uma pertence) têm sido propostos79 e testados com alguns resultados positivos80,81 e negativos59,82,83. Vários desafios metodológicos têm sido debatidos45, um deles refere-se à necessidade de equilibrar entre o rigor metodológico para evitar vazamento de informações e o proporcionar de um ambiente mais natural de estudo para que o fenômeno desejado ocorra45,58,82. Com base nos estudos prévios, é também necessário levar em conta que os médiuns não obtêm os mesmos níveis de informações verídicas, se comparados uns aos outros, assim como um mesmo médium em diferentes ocasiões. É também importante focar os estudos não em amostras randomizadas de médiuns, mas naqueles mais talentosos, aqueles que têm consistentemente proporcionado evidências razoáveis, sugestivas de recepção anômalaiv de informação58. Tal proposta está em sintonia com a recomendação de William James84 sugerindo focar a pesquisa em mediunidade nos “bons espécimes da classe” (p. 97).

Uma estratégia de pesquisa que tem sido empregada é a do “consulente por procuração” (“proxy sitter”), onde “a pessoa desejando uma comunicação de um ente querido falecido não está fisicamente presente na sessão, em seu lugar está uma terceira pessoa, preferencialmente alguém com pouco ou nenhum conhecimento sobre o falecido”57 (p. 256). Esse método tem a vantagem de eliminar o consulente como uma fonte de informação (por leitura a frio ou telepatia) e permitir que o consulente avalie de modo cego a acurácia da comunicação direcionada em relação a comunicações controle.

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Os melhores estudos controlados recentes

Serão discutidos a seguir os dois estudos mais rigorosos publicados recentemente avaliando comunicações anômalas em mediunidade utilizando consulentes por procuração. Beischel e Schwartz86 conduziram um estudo “triplo-cego”, em que “(a) os médiuns pesquisados estavam cegos para as identidades dos consulentes e seus falecidos, (b) o pesquisador/consulente por procuração interagindo com os médiuns estava cego para as identidades dos consulentes e seus falecidos e (c) os consulentes pontuando as transcrições das sessões eram cegos quanto à origem destas (dirigidas ao consulente versus uma comunicação controle pareada) (p. 24). Oito médiuns buscaram obter informações sobre determinados parentes falecidos de oito estudantes da universidade do Arizona (EUA). Os médiuns foram abordados por consulentes por procuração que conheciam apenas o primeiro nome da personalidade falecida. A cada médium foi solicitado que contatasse duas personalidades falecidas relacionadas a dois estudantes. Cada consulente pontuou de modo cego (de 0 [nenhuma informação ou comunicação correta] a 6 [excelente, incluindo fortes aspectos da comunicação e com basicamente nenhuma informação incorreta]) as afirmações específicas feitas em duas comunicações (uma direcionada a ele/ela e a de uma comunicação controle pareada para gênero) e escolheu a comunicação mais aplicável a ele/ela. O escore médio para as comunicações direcionadas ao consulente foi quase o dobro (média 3,56) dos escores das comunicações controle (média 1,94) (p = 0,007). Três médiuns obtiveram médias de escore muito altas para suas comunicações (entre 5 e 5,5), dois obtiveram escores moderados (3,5) e nenhum dos médiuns produziu comunicações cujos escores foram menores do que os controles. Os consulentes identificaram a comunicação correta em 81% das vezes (13 em 16, p = 0,01). O estudo buscou controlar para potenciais fontes de fraudes, pistas sensoriais e viés do avaliador. Os autores concluíram que “sob estritas condições triplo cego (…) evidências para recepção de informações anômalas puderam ser obtidas” (p. 26).

Kelly e Arcangel45 recentemente publicaram no Journal of Nervous and Mental Disease dois estudos testando métodos diferentes. O primeiro e menor estudo não produziu resultados estatisticamente significantes, que os autores atribuíram a problemas metodológicos que não permitiam os médiuns focarem na pessoa falecida e criavam dificuldades para os consulentes pontuarem as sessões. Com base nesses achados, eles conduziram o segundo e maior estudo com nove médiuns e quarenta consulentes, usando dois consulentes por procuração. Os médiuns receberam apenas uma fotografia “neutra” do falecido (“mostrava a pessoa sozinha e não engajada em atividades específicas que pudessem proporcionar informações significantes sobre o falecido”, p. 13) e realizavam a sessão por telefone para um assistente por procuração. Todas as sessões foram transcritas. Cada consulente pontuou de modo cego seis transcrições de sessões (uma direcionada ao seu parente falecido e cinco outras direcionadas a parentes de outros consulentes, mas pareadas por idade e gênero do falecido). Quatorze dos 38 conjuntos de respostas obtidas foram corretamente escolhidas (classificadas como primeira entre as seis sessões transcritas) e sete foram classificadas como segunda. Trinta das 38 sessões transcritas foram classificadas entre as três primeiras (p < 0,0001). Como em outros estudos, alguns médiuns tiveram desempenho muito melhor que outros. Todas as cinco sessões de um dado médium foram classificadas como número um. Na avaliação de comunicações mediúnicas, é importante levar em consideração não apenas resultados quantitativos, mas também a natureza qualitativa dos dados obtidos para melhor avaliar seu valor. Por exemplo, uma das 14 pessoas que corretamente escolheu sua transcrição de sessão afirmou que entre as razões para sua escolha foi “a afirmação do médium de que ‘há algo engraçado sobre alcaçuz negro… algo como uma grande brincadeira sobre isso’. De acordo com o consulente, seu irmão falecido e a esposa deste brincavam frequentemente sobre alcaçuz. Também o médium tinha dito ‘Eu também sinto uma dor intensa no lado de trás à esquerda da minha cabeça, no occipital. Talvez tenha havido uma lesão aqui atrás, ou [ele] acertou algo ou alguma coisa o acertou’. A pessoa falecida morreu de uma lesão deste tipo em um acidente automobilístico” (p. 14). É digno de nota que, mesmo sob essas condições controladas e artificiais, os médiuns investigados tenham sido capazes, em média (especialmente alguns deles), de proporcionar várias informações específicas que foram reconhecidas por avaliadores cegos. Os autores concluíram que “este estudo pode sugerir aos leitores que os médiuns não são nem os oráculos infalíveis que muitas pessoas no público geral parecem acreditar que eles são, nem as fraudes ou impostores que muitos cientistas assumem que eles invariavelmente são” (p. 16).

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Percepção extrassensorial (PES) ou sobrevivência? 

Vários pesquisadores alegam que informações verídicas proporcionadas por médiuns poderiam ser explicadas por PES, não necessitando hipotetizar a existência de uma personalidade desencarnada. De acordo com essa posição, os médiuns poderiam, por exemplo, obter essa informação telepaticamente (frequentemente de modo inconsciente) dos parentes que os buscam para uma comunicação mediúnica. Embora aplicável a muitas situações, torna-se mais improvável quando a personalidade comunicante provê informações verídicas desconhecidas pelos consulentes ou mesmo quando não há nenhum consulente com conhecimento da alegada personalidade comunicante. Há casos em que uma personalidade comunicante desconhecida dos médiuns e dos consulentes aparece espontaneamente e fornece detalhes específicos que são verificados posteriormente como precisos. Isso é o que foi chamado de comunicação “drop-in” (do inglês, significando uma visita casual, sem aviso prévio) e é considerada por alguns autores como proporcionando forte evidência para a hipótese da sobrevivência, posto que seria mais difícil explicar esse tipo de evento em termos de telepatia ou clarividência. Esse seria especialmente o caso quando “a informação verificada contida na comunicação não poderia ter sido obtida a partir de uma única fonte”57(p. 255). Um outro aspecto relevante dos casos drop-in é a motivação para a comunicação. Nesses casos, não é claro qual seria a motivação do médium e consulentes em obter por PES informações de alguém desconhecido destes69. Há alguns casos de drop-in relatados na literatura e que merecem consideração1,87-93.

O filósofo C. J. Ducasse94 foi um dos primeiros a argumentar que é ainda mais difícil explicar por PES os casos em que a personalidade comunicante exibe não apenas fragmentos de informação (saber que) mas também habilidades (sabercomo) previamente não aprendidas pelo médium, mas possuídas pela personalidade comunicante quando em vida. O motivo é que habilidades somente podem ser adquiridas por meio da prática. Não é suficiente aprender sobre música e piano para ser capaz de, na prática, tocar um piano. Nesse sentido, um fenômeno raro e desafiador é a xenoglossia, quando médiuns falam em idiomas reais mas que eles desconhecem. Casos bem documentados de xenoglossia são raros e, embora a personalidade comunicante possa ser capaz de falar em um outro idioma, ele/ela habitualmente não é completamente fluente nesse novo idioma1,34,73,95-97. Um raro caso de personalidade secundária com xenoglossia já foi publicado no American Journal do Psychiatry98.

Outros tipos de habilidades não aprendidas e ocasionalmente exibidas por médiuns são a xenografia (escrever em um idioma real, mas não aprendido previamente), pintura, desenho e poesia (por médiuns que não tiveram treinamento prévio e não exibem essas habilidades na sua vida diária). Finalmente, alguns médiuns escrevem com uma caligrafia similar à da alegada personalidade comunicante quando viva, um fenômeno ainda pouco estudado1,99-104.

Alguns médiuns também exibem um amplo leque de traços psicológicos (caráter, humor, concisão, maneirismos, escolha de palavras, preferências e rejeições etc.) relacionados à personalidade comunicante, proporcionando uma personificação mais convincente do comunicante69,105. Isto é o que Hyslop22chamou de “unidade seletiva da consciência” e que ele considerava um “argumento positivo para a hipótese espiritualista” (p. 268). Isso também foi proposto por Ducasse94 como “modos particulares de pensar que somente a mente particular cuja sobrevivência está em questão é sabida estar equipada com” (p. 405). Outros pesquisadores34,73 também enfatizam, além da informação factual (saber que) fornecida por médiuns como evidências para a sobrevivência da consciência após a morte, a demonstração de habilidades não aprendidas e uma ampla variedade de traços de personalidade típicos da personalidade quando viva. Stevenson et al.106publicaram um interessante caso de possessão em que a personalidade secundária fornecia não apenas evidência de conhecimento, mas também um complexo conjunto de comportamento e habilidades característicos de Shiva, uma mulher desconhecida da paciente e seus parentes que viveu a 100 quilômetros de distância e havia sido assassinada dois meses antes. Essa personalidade secundária foi capaz de reconhecer vinte e três pessoas conhecidas de Shiva, exibia conhecimento e uma variedade de comportamentos compatíveis com a personalidade de Shiva, tais como estilo de vestir, esnobismo de casta, maior fluência literária e tendência a humor.

Se considerarmos a hipótese de que médiuns possam de fato exibir PES e/ou ter a capacidade de transmitir informações recebidas de mentes extracorpóreas (o que também seria um tipo de telepatia), é razoável supor que essa habilidade, como qualquer outra capacidade humana (jogar futebol, ser um humorista, compor um poema ou uma canção etc.) seja dependente de diversas circunstâncias externas e internas69,105. Algumas vezes, devido a condições neurológicas, emocionais, farmacológicas ou mesmo ambientais, eu (minha mente) não consigo me expressar de modo claro, fácil e desimpedido. O mesmo poderia se dar, ainda com maior razão, em uma alegada comunicação mediúnica. Diversos autores propõem que médiuns possam receber esse tipo de informação anômala de modo descontínuo, peças fragmentadas de informação, muitas vezes por meio de imagens mentais com significado simbólico107. Esse tipo de consideração e os dados disponíveis levaram diversos pesquisadores a concluir que, mesmo em comunicações mediúnicas verídicas, as lacunas entre as informações obtidas da mente comunicante seriam preenchidas com conteúdos obtidos da mente dos próprios médiuns e por PES. De acordo com eles, o estado dissociativo mediúnico facilitaria a emergência de conteúdos mentais subliminares, mas também permitiria PES e contato com mentes desencarnadas. Essa hipótese foi desenvolvida mais amplamente por Frederic Myers10, mas também aceita por vários outros autores1,45,69,73,75,107.

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Breve estudo de caso de dois médiuns

Uma ideia geral sobre a biografia de alguns médiuns pode também ajudar na compreensão da mediunidade e sua implicação para o problema mente-cérebro. Serão apresentados breves estudos de caso de dois médiuns prolíficos com diferentes características: um caso mais antigo e muito bem documentado e investigado (Leonora Piper) e um caso contemporâneo mas muito menos estudado (Chico Xavier).

Leonora Piper (EUA, 1857-1950)

A senhora Leonora Piper é provavelmente o médium mais estudado e um dos que produziu mais evidências sugestivas de uma personalidade falecida. Literalmente, milhares de páginas foram publicadas com relatos de suas sessões e análises realizadas por uma variedade de cientistas destacados22,25,105,108,109.

Ela viveu em Boston e começou tendo visões aos oito anos de idade. Em 1884, assistindo a uma sessão com outro médium, ela inesperadamente caiu em transe e escreveu uma carta para um outro assistente atribuída ao filho falecido deste. Desde então, começou a atuar como médium22.

Como de costume mesmo nos médiuns mais habilidosos, havia uma grande flutuação na acurácia das informações que ela fornecia. Habitualmente, as comunicações eram um misto de informações precisas e imprecisas105.

O filósofo, médico, psicólogo e professor da Universidade de Harvard, William James, foi o primeiro a investigar sistematicamente a mediunidade de Piper. No início, como avaliação inicial, ele levou até ela 25 consulentes sob pseudônimo. Sob transe, ela demonstrou um impressionante conhecimento de questões privadas dos consulentes que eram desconhecidas aos demais presentes às sessões. Percebendo que ela mereceria posteriores investigações, James e outros investigadores iniciaram uma contínua e profunda investigação. Ela foi capaz de fornecer um grande número de fatos precisos difíceis de serem explicados pelos meios convencionais22,74,105,110,111. Após mais de 10 anos de investigações da mediunidade da Sra. Piper, James111 afirmou:

“(…) uma proposição universal pode ser mostrada falsa por um exemplo particular. Se você deseja questionar a lei que todos os corvos são negros, você não precisa mostrar que nenhum corvo o é; é suficiente se você provar que um único corvo seja branco. Meu próprio corvo branco é a Sra. Piper. Nos transes desta médium, não posso resistir à convicção de que surgem conhecimentos os quais ela nunca obteve pelo uso habitual dos seus olhos, ouvidos e sagacidade. Qual a fonte deste conhecimento, eu não sei (…); mas não vejo escapatória de admitir o fato de tal conhecimento. Então, quando eu me volto para o restante das evidências (…) não consigo carregar comigo o viés irreversivelmente negativo da mente científica rigorosa, com sua presunção sobre o que a verdadeira ordem da natureza deve ser.” (p. 131).

Após os estudos iniciais de James, Richard Hodgson, um amigo deste assumiu a liderança das investigações. Hodgson era um membro cético da Society for Psychical Research (SPR), considerado um expert em desmascarar fraudes. Ele se mudou para Boston em 1887 para investigar a Sra Piper. Introduziu consulentes anonimamente ou sob pseudônimos, usou consulentes por procuração, fez transcrições completas das sessões e obteve testemunhos assinados dos participantes. Hodgson chegou a contratar detetives para seguir a Sra Piper. Pesquisadores da SPR levaram-na para a Inglaterra, onde ela não conhecia ninguém, foi mantida sob estrita vigilância e teve sua bagagem vasculhada. Mesmo sob tais condições, ela continuou a fornecer repetidamente informações acuradas1,22,25,105,108.

Testando a veracidade da personalidade comunicante G. P. (George Pellew), Hodgson introduziu 150 pessoas para G. P., mas somente 30 na realidade eram conhecidos de G. P. quando vivo. O G. P. comunicante foi capaz de reconhecer 29 desses 30 e somente entre esses 30. Ele interagiu de modo apropriado com cada um desses 29 e mostrou conhecimentos de fatos sabidos somente por cada um desses indivíduos e G. P. Após anos de estudos com a Sra. Piper, Hodgson convenceu-se de que “os comunicantes eram, ao menos em muitos casos, o que eles alegavam ser, isto é, os espíritos sobreviventes de seres humanos previamente encarnados”1 (p. 34).

Em 1905, Hodgson morreu subitamente e a Sra Piper começou a ter comunicações atribuídas a ele. Embora o período em que Hodgson se comunicava não produzia tantas evidências quanto nos anos em que G. P. se comunicava, aquele período também proporcionou muitas evidências de informações anômalas. James74 produziu um longo relatório desse período, concluindo que:

“Eu sinto como se uma vontade externa desejando se comunicar provavelmente estivesse lá, isto é, me pego duvidando, em conseqüência de todo o meu conhecimento desta esfera de fenômeno, que a vida onírica da Sra. Piper, mesmo equipada com poderes ‘telepáticos’, seja responsável por todos os resultados encontrados. Mas se perguntado se esta vontade de se comunicar seria do Hodgson ou se seria algum mero espírito-falsificado do Hodgson, eu me mantenho incerto e espero por mais fatos (…)” (p. 209)

A Sra. Piper é um caso notável posto que foi profundamente investigada por dezenas de cientistas, por quase 25 anos e nunca foi encontrada qualquer evidência razoável de fraude. Ela produziu não apenas informações acuradas e abundantes, mas também maneirismos, expressões verbais e senso de humor compatíveis com dezenas de supostas personalidades comunicantes. Virtualmente, todo investigador que a estudou em profundidade se convenceu de que explicações convencionais não eram suficientes para explicar e que algum tipo de processo anômalo (habitualmente PES e/ou sobrevivência da personalidade) necessitaria estar envolvido1,22,25,33,109.

Chico Xavier (Brasil, 1910-2002)

Francisco Cândido Xavier, conhecido como Chico Xavier, produziu uma ampla variedade de fenômenos mediúnicos. Ele nunca aceitou qualquer pagamento ou gratificações por sua mediunidade, que ele entendia como um dom espiritual que deveria ser utilizado como um instrumento de caridade para ajudar as pessoas. Ele produziu, por intermédio de escrita mediúnica (psicografia), mais de 400 livros cobrindo uma ampla gama de estilos e tópicos e vendeu mais de 30 milhões de cópias, doando todos os direitos autorais para organizações de caridade112,113. No entanto, Chico Xavier e sua produção mediúnica têm sido submetidos a pouca pesquisa.

Seu primeiro livro, Parnaso de além-túmulo, é uma coletânea de 60 poemas mediúnicos atribuídos a 14 poetas brasileiros e portugueses falecidos que foi publicado em 1931. As edições seguintes incorporaram mais poemas atribuídos a outros poetas. A edição definitiva (6a) foi publicada em 1955 e contém 259 poemas atribuídos a 57 poetas brasileiros e portugueses. Este livro foi submetido a um estudo literário em profundidade114. Três poetas portugueses (João de Deus, Antero de Quental e Guerra Junqueiro) e dois brasileiros (Cruz e Sousa e Augusto dos Anjos) foram selecionados para análise das similaridades entre as produções desses poetas quando vivos e os poemas atribuídos a eles na antologia. A principal questão de pesquisa era: “as vozes poéticas dos autores são convincentemente publicadas pelos poemas?”. Após análise dos aspectos estilísticos, formais e interpretativos, a conclusão do pesquisador foi a de que os poemas da antologia não seriam produtos de uma simples imitação literária114,115.

Um outro estudo foi realizado com os escritos mediúnicos atribuídos ao escritor brasileiro Humberto de Campos (1886-1934). Ele foi um autor prolífico, escrevendo centenas de artigos de jornal e publicando em torno de 45 livros. Menos de quatro meses após a sua morte, Chico Xavier começou a escrever textos atribuídos a ele. Doze livros mediúnicos foram publicados entre 1937 e 1969116. O investigador concluiu que o autor dos livros mediúnicos possuía um vasto conhecimento das obras de Campos e foi capaz de reproduzir o estilo e o caráter deste. Os escritos mediúnicos atribuídos a Campos estão repletos de referências tanto sutis quanto explícitas aos trabalhos que ele produziu quando em vida. Há uma intrincada e sofisticada intertextualidade, detectável apenas por aqueles com profundo conhecimento das obras de Campos. Um aspecto interessante é que algumas dessas informações fazem referências a escritos de Campos que não eram de domínio público quando os textos mediúnicos foram produzidos. Por exemplo, eles referem ao “Diário Secreto”, que foi mantido inacessível em um cofre da Academia Brasileira de Letras até 1954, vinte anos após a morte de Campos116.

Um outro aspecto importante, mas menos estudado, da produção mediúnica de Chico Xavier são as cartas que personalidades falecidas alegadamente escreviam para parentes e amigos. Xavier produziu milhares dessas cartas. Embora ainda não tenham sido publicados estudos rigorosos desse material, relatos preliminares indicam achados que merecem posteriores investigações117-119.

Um estudo sobre a identidade caligráfica de quatro cartas escritas em italiano por Xavier em 1978 e atribuídas a Ilda Mascaro Saullo, que morreu em Roma no ano anterior, também foi publicado104. O pesquisador, um técnico em grafoscopia, comparou a caligrafia dessa psicografia com a caligrafia de Ilda quando viva, com a caligrafia ordinária de Xavier e com outros textos psicográficos deste. Ele concluiu pela identidade caligráfica entre as cartas psicografadas atribuídas a Ilda e os escritos dela em vida. Não temos conhecimento de outros estudos com essa abordagem e da opinião de outros especialistas sobre esse estudo. Assim, embora essas conclusões necessitem ser analisadas cuidadosamente, este estudo indica uma outra importante linha de pesquisa sobre o fenômeno mediúnico.

* * * * *

Conclusão

Mediunidade é um tipo de experiência humana que já contribuiu para a nossa compreensão da mente, tendo desempenhado um importante papel no desenvolvimento de conceitos como dissociação e mente subconsciente. Embora tenha sido negligenciada por várias décadas, a investigação científica criativa, rigorosa e não dogmática das experiências mediúnicas tem o potencial de auxiliar no avanço da exploração da mente e sua relação com o cérebro.

A despeito da escassez de recursos e de apoio da maioria das organizações acadêmicas, a pesquisa sobre a mediunidade já mobilizou dezenas de cientistas de destaque por mais de um século e alcançou resultados consideráveis. Alguns estudos recentes e bem controlados replicaram os achados anteriores de que médiuns, mesmo sob condições estritas de controle, podem obter algum tipo de informação anômala em relação a personalidades falecidas. Médiuns em transe têm sido capazes de exibir habilidades além daquelas demonstradas em estados normais de consciência, por vezes em sintonia com as da suposta personalidade comunicante.

Para uma melhor compreensão da natureza humana, faz-se mister explorar a mediunidade em profundidade, desenvolver e testar teorias para explicar esse fenômeno desafiador. Indubitavelmente, a mediunidade é uma experiência complexa que provavelmente envolve fenômenos ontologicamente distintos e que não são passíveis de serem plenamente compreendidos a partir de uma única hipótese explicativa. Estudos aprofundados, abrangentes e interdisciplinares de médiuns especialmente talentosos podem ser muito úteis nessa direção.

A evidência disponível em relação à mediunidade sugere fortemente processos não habituais de obtenção de informação. Esses dados constituem-se em anomalias ao paradigma, falseadores potenciais do modelo reducionista para o problema mente-cérebro. É muito difícil ser capaz de explicar todo o conjunto de dados disponíveis sem levar em consideração a PES e/ou sobrevivência da mente após a morte corporal. Esta foi a conclusão da maioria dos cientistas que estudaram em profundidade as experiências mediúnicas1,10,33,34,43,69,73. Esta perspectiva está em sintonia com a “teoria da transmissão” para a ação cerebral, proposta por William James120. Nesta, o “cérebro pode ser um órgão para limitar e determinar para uma certa forma uma consciência produzida em outro lugar” (p. 294). Essa hipótese se torna ainda mais consistente se levarmos em consideração outros fenômenos, tais como as experiências de quase morte121,122 e os aparentes casos de reencarnação123,124.

De qualquer modo, ambas as hipóteses (PES ou sobrevivência) não podem ser acomodadas na visão de que a mente é apenas um produto de atividades químicas e elétricas cerebrais, sem possibilidade de ação ou existência além do cérebro. Em conclusão, as experiências mediúnicas proporcionam um amplo e diversificado corpo de evidências empíricas que fortemente sugerem uma visão não reducionista da mente.

Com intuito de aprimorar o avanço dessa exploração, é necessário ter uma abordagem investigativa que mereça de fato ser chamada de científica: uma abordagem metodologicamente rigorosa, epistemológica e historicamente bem informada, não dogmática e ousada. É necessário que a pesquisa acadêmica, se realmente desejamos compreender a natureza humana, não exclua nenhum tipo de experiência humana, não importando quão estranhas elas possam parecer. Nessa investigação, dados observacionais consistentes devem ter prioridade epistemológica sobre paradigmas estabelecidos que são inadequados para explicar muitos fenômenos anômalos72. Para o avanço das pesquisas futuras, é necessário ter cientistas bem treinados, financiamento e criatividade científica para planejar novos protocolos de pesquisa que sejam adequados para formular e testar teorias que possam explicar os dados disponíveis.

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i Para evitar o uso contínuo de expressões longas, tais como “alegada personalidade comunicante” e para melhorar o fluxo de leitura do texto, usaremos apenas “personalidade comunicante” ou alguma expressão similar, não necessariamente significando o endosso de que esta personalidade é, de fato, quem ela afirma ser.

ii No presente texto, o termo “consulente” está sendo usado como tradução de “sitter”, a pessoa que busca, por intermédio de um médium, o contato com um parente ou conhecido falecido.

iii O termo “comunicação” está sendo usado como tradução de “reading”, significando o conjunto de informações mediúnicas que o médium refere ter obtido sobre uma personalidade falecida.

iv O termo “experiência anômala” foi proposto para designar uma experiência incomum (ex.: alucinação, sinestesia) ou que, embora seja relatada por muitas pessoas (ex.: vivências interpretadas como telepáticas), acredita-se diferente do habitual e das explicações usualmente aceitas como realidade. Não há necessariamente uma relação com patologia ou anormalidade85 (Cardeña, Lyinn e Krippner, 2000). No presente artigo, obtenção anômala de informações significa que ela não teria sido obtida por meio das vias sensoriais ordinárias.

Fonte:

http://obraspsicografadas.org/2014/pesquisa-em-mediunidade-e-relao-mente-crebro-reviso-das-evidncias-2014-de-alexander-moreira-almeida/

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