Os Negros e o seu legado para a Humanidade. Cotas Raciais é um Crime de Racismo.

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Por Ana Burke

A Suméria, os mesopotâmicos, núbios, fenícios, e egípcios por exemplo deixaram legados de valores incalculáveis para a humanidade e nenhum deles era de cor branca. Todos eram negros, não falando aqui também nos povos do Vale do Indo, chineses, Japoneses e nativos das Américas.

O Sumeriólogo Samuel Noah Kramer afirma que “Nenhum povo tem contribuído mais para a cultura da humanidade do que os sumérios”.

A Matemática ensinada, incluía habilidades mais simples, como adição e multiplicação, mas também passou através das raízes mais complexas, tais como geometria e quadrados. Professores da Suméria eram conhecidos como um ummia.

Há sempre uma discussão, para saber se foram os sumérios, os egípcios ou pessoas do vale do Indo, a inventar a escrita, a matemática, calendários, etc. Basta dizer que os Sumérios tinham desenvolvido um sistema complexo comercial, incluindo contratos, subvenções de crédito, empréstimos com juros e parcerias comerciais. Além disso, o planejamento das grandes obras públicas sob seu controle, levou os sacerdotes a desenvolver a matemática útil, incluindo tanto a notação decimal e um sistema numérico baseado em 60, o que nos deu o nosso sexagésimo segundo minuto, a nossa hora de sessenta minutos e a nossa divisão do círculo em 360 graus. Eles inventaram tabelas matemáticas e usaram equações de segundo grau. Eles estudaram os céus, tanto para fins religiosos e agrícolas, e criaram um calendário lunar, com um dia de 24 horas e uma semana de sete dias. Acredita-se também que os Sumérios inventaram a roda e a carroça, assim como o barco a vela.

A casa típica rica dos sumérios incluía salas de recepção, cozinhas, banheiros e, talvez, uma capela privada. A música era uma parte importante da vida, os instrumentos incluíam harpas, tambores, pandeiros, e tubos. Poemas e canções dedicadas aos deuses também eram muito comuns.

Os Sumérios foram os primeiros a fabricar barcos e muitas das suas invenções foram depois aperfeiçoadas por outros povos como por exemplo, tanto os barcos, como a cerveja foram melhoradas pelos egípcios.

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Falando dos EGÍPCIOS

Em O Legado do Antigo Egito, o egiptólogo Warren R. Dawson, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, cita papiros médicos datados de até mais de 40 séculos atrás retratando procedimentos médicos e remédios usados até hoje por profissionais da área de saúde. Substâncias como óleo de rícino, ácido acetilsalicílico, própolis para cicatrização e anestésicos já eram conhecidas. Os documentos descrevem cirurgias delicadas, o engessamento de membros com ossos quebrados e todo o sistema circulatório do corpo humano.

Os egípcios dominavam métodos avançados para amputação de membros e cauterização e davam pontos para fechar incisões… Os dentistas já usavam brocas, drenavam abscessos e faziam próteses de ouro.

A medicina não foi a única ciência em que os egípcios se desenvolveram. Eles foram engenheiros notáveis em química, construção civil, naval e hidráulica.

Eles criaram os melhores barcos militares e a frota mais veloz. A chamada “Nau de Quéops”, com 47 metros de comprimento e datada da Quarta Dinastia (2589 a 2566 a.C.), é a mais antiga embarcação desse porte encontrada até hoje. Num barco ainda maior, durante o governo do Necho II (610 a 595 a.C.), eles já haviam realizado a circum-navegação da África.

Quem acredita que o primeiro navegador a dobrar o cabo das Tormentas, no sul da África, foi o português Bartolomeu Dias, em 1488, precisa rever seus conceitos.

A roda para bombear água movida a tração animal também vem do Egito, no tempo dos romanos, entre 30 a.C. e 395 d.C.

Na construção civil, os egípcios foram grandes mestres. Construções como as grandes pirâmides, a esfinge e as estátuas no Vale dos Reis estão entre as estruturas mais belas e requintadas da Antiguidade, mas os exemplos do impressionante uso da pedra, da marcenaria e da fabricação do vidro estão por todo o Egito.

Na Terceira Dinastia, por volta de 2700 a.C., já se cortavam pedras no tamanho e no formato dos tijolos atuais.

Os egípcios criaram também os primeiros serrotes de metal. Eram utilizados em rochas menos duras, como o calcário.

A primeira barragem pluvial de que se tem notícia data do final da Segunda Dinastia (2750 a.C.) […] A engenharia egípcia também foi a primeira a utilizar réguas, esquadros e prumo. Eles foram os inventores do vidro moldado, processo ainda presente em alguns setores da fabricação de vidro opaco. A técnica do sopro foi desenvolvida posteriormente na Mesopotâmia. A base da tecnologia da fundição do bronze e de outros metais no mundo todo também veio do Antigo Egito.

Os egípcios eram caprichosos joalheiros e marceneiros. Já produziam móveis dobráveis e foram os precursores das camas com estrado.

A indústria da panificação também vem dos egípcios, bem como a adição de frutas e temperos aos pães”

O mapeamento celeste foi feito por egípcios e mesopotâmicos. Aos egípcios coube o reconhecimento das estrelas para contar as horas de noite e a montagem do primeiro calendário solar, com 365 dias em 12 meses. Foram eles também que dividiram o dia em 24 horas, 12 para a noite e 12 para o dia. Identificaram planetas como Vênus e Marte e estrelas como Sirius e Órion e localizaram o norte pelo posicionamento das estrelas.

Os egípcios foram químicos valiosos. Pioneiros na indústria de perfumes e excelentes técnicos na área de cosméticos

Instrumentos como harpa, flauta, trombeta de metal, oboé e dois tipos de alaúdes, o menor com um som parecido ao do violino, também são originários da terra dos faraós, bem como jogos de tabuleiro e brincadeiras infantis como cabra-cega e amarelinha.

No mundo dos faraós as mulheres tinham poder e direitos de dar inveja a diversas sociedades contemporâneas.

Conquista como o divórcio, que, no Brasil, só aconteceu na década de 1970, era uma prática aceita naquela sociedade, inclusive quando solicitado pela própria mulher, afirma a professora Margaret Bakos. A poligamia não era proibida, mas a responsabilidade financeira que um egípcio tinha com suas mulheres o fazia pensar muito antes de ter mais de uma esposa. A egiptóloga diz que não havia qualquer referência nos papiros em relação à virgindade ou à restrição do sexo apenas com finalidade de procriação.“Há registros de pessoas que foram incriminadas por terem conduzido um aborto que resultou na morte da mulher.” Havia sacerdotisas, agricultoras, escribas e donas de seus próprios negócios (padarias, peixarias) e galgavam com méritos próprios posições hierárquicas. Pelos registros encontrados, o valor do pagamento por seus trabalhos era igual ao dos homens. O homem e a mulher tinham posição de igualdade perante a lei. A mulher podia herdar, deixar heranças, trocar e vender propriedades e escravos.

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Todos os povos antigos eram negros, inclusive os ÍNDIOS DAS AMÉRICAS.
TUDO o que herdamos, todos os conhecimentos e invenções acima citados vieram de NEGROS e eu pergunto: SERÁ que eles, os negros, precisam realmente de COTAS “RACIAIS”Será que os negros precisam mesmo de ESMOLAS dos brancos? Isto prova que são competentes e deveriam ser RESPEITADOS e não são. Já passou da hora de negros e indígenas serem tratados com decência pelos fabricantes de raças humanas. Eu sinto vergonha quando vejo um político analfabeto falando sobre raças como se ele e outros como ele tivessem competência pra isto.

Veja Também: https://jarconsian.wordpress.com/2017/07/09/se-nao-existem-racas-humanas-nao-devem-existir-cotas-raciais/

 

Se NÃO existem Raças Humanas; Não devem existir Cotas Raciais.

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Por Ana Burke

Não importa se você acredita na Teoria da Evolução ou se acredita no mito de que foi criado a partir do barro. O fato é que todos os seres humanos surgiram de um ancestral comum. Se aceitam a Teoria da Evolução podemos ver que viemos todos os humanos do mesmo tronco. Se acreditam que viemos do barro, um único casal, deu origem a todos os seres humanos. Tanto uma coisa como a outra nos diz que NÃO existem raças humanas diferenciadas e, portanto, se não existem raças mas uma única fonte criadora ou transformadora, a teoria da raça é mal intencionada. O mito da raça trás desavenças, desigualdades e coloca os seres humanos em patamares diferentes. A ciência já provou várias vezes que somos uma única espécie e se você acredita em Deus deveria saber que não existem raças humanas diferenciadas. Não ter a mesma cor não significa que somos de raças diferentes; SÓ SIGNIFICA que temos diferentes quantidades de MELANINA no corpo e qualquer pessoa com o mínimo de instrução deveria saber disso. Todos somos de cores diferentes ou fisicamente diferentes mas o mais triste é que as diferenças físicas não é o fator mais importante, mas as diferenças de caráter. A pessoa ser obrigada a dizer-se negra, ou índia, de outra raça, ser convencida e ficar grata por ter tido a oportunidade de estudar quando este é um direito dela pela Constituição é uma aberração. O Governo não gastou um centavo do seu orçamento com este projeto de cotas raciais. O governo não elevou um milímetro a qualidade da educação básica. É lá que o problema tem que ser resolvido. É ensinando os negros que eles não são vítimas de outros jovens brancos que não têm nada a ver com o que as elites fizeram no passado e ninguém deve nada a ninguém. Estão transformando os jovens brancos em carrascos e os jovens negros em vítimas, coitados e incapazes de ascender, por direito, o seu lugar na sociedade. Distinguir as pessoas é colocar uns contra os outros. Está se estabelecendo o separatismo, um apartheid no Brasil. Se não existem raças NÃO PODEM existir cotas raciais.

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O REI

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Por Ana Burke

Como é bom sonhar
Sonhar com o Rei;
Sonhar em Ser o Rei.
Sonhar em fazer parte da corte do Rei.
Sonhar em ser um anjo do Rei.
Sonhar em atingir a santificação e ficar por toda a eternidade…ao lado do Rei.

Mas não se pode fazer parte da corte do Rei;
Sem antes ser autorizado pelo Rei;
que vai julgar o seu comportamento, obediência e a sua subserviência;
você deve total lealdade ao Rei.
Deve temê-lo e amá-lo acima de todas as coisas, e pessoas.
Você deve manter monetariamente a sua corte…é uma honra.
Você vai ser premiado por se anular, mas, para que isto aconteça; você deve sempre comer do corpo e beber do sangue dos filhos sacrificados pelo Rei.
Você deve se ajoelhar e beijar as mãos dos representantes do Rei.
E quando for premiado…depois da morte…poderá então tocar nas roupas do Rei, sentar-se à sua direita. esquerda, ficar em seus pés…ou lavar os seus pés…quem sabe!

Ele escreveu um livro para que você saiba dos Seus poderes
Ele te mostra exemplos do que Ele pode fazer com você.
Exemplos de conduta para se chegar ao Céu;
o lugar de morada do Rei; lugar este o mais alto e inatingível.                                              Mas você vai chegar lá…depois da morte.

Ele te deu mandamentos e diz que você tem livre arbítrio;
Ou carrega a cruz que caberia a Ele carregar, ou será condenado.
Ele é bom, justo…acredite nisto;
Ele sabe o que faz;
Ele é Santo. O Santo dos Santos e tudo o que vem Dele é bom.

Ele é o Senhor dos exércitos e Ele, o seu trono e a Sua coroa precisam ser defendidos; assim como as suas leis.
Você deve fazer isto;
Você deve defender o Rei e seus interesses;
Você deve ser um bom soldado;
Você deve perseguir e matar os inimigos do Rei;
Aqueles que ameaçam o seu poderio.
E você entrará no paraíso que o Rei preparou pra você…depois que morrer.

Você deve expulsar os demônios de dentro de si mesmo…tentações…em contestar as atitudes do Rei; as suas leis…ou as atitudes dos ungidos do Rei.

Você é uma ovelha conduzida por um pastor.
Quem é conduzido…não é livre…não pode ser livre;
Mas você deve acreditar que é livre.
Você deve abafar os seus instintos…os seus desejos…
ou será condenado pelo Rei.
Os ungidos do Rei são os capatazes do Rei e têm os poderes do Rei.

O Governo e políticos são comandados pelo Rei.
Quando assumem o poder eles devem jurar lealdade ao Rei.
Eles devem jurar com a mão sobre o livro onde estão escritas as vontades do Rei.

O Rei sabe tudo o que você faz e também conhece os seus pensamentos.
Você está cercado por todos os lados de inimigos do Rei.
Você deve denunciar estes inimigos, mesmo que sejam membros da sua própria família.
Os inimigos do Rei são chamados de Apóstatas, Hereges ou blasfemos.
“E quando alguma pessoa pecar, ouvindo uma voz de blasfêmia, de que for testemunha, seja porque viu, ou porque soube, se o não denunciar, então levará a sua iniquidade.” Levítico 5:1

Tudo o que você deseja e precisa do Rei, você só obterá pedindo, orando ou através de intermediários.
Os intermediários são os ungidos do Rei, ou os Santos e anjos do Rei.
Você deve louvar e glorificar o Rei – A Ele, toda a glória para sempre…Amém.
O Amém é muito importante e deve sempre ser pronunciado.
Deve ser pronunciado também, o dia todo, e em todas as ocasiões, expressões que o façam se lembrar sempre do Rei.
Tudo o que tenho devo ao Rei…foi o Rei que/quem me deu…vá com o Rei…fica com o Rei…eu nunca estou sozinho, estou sempre com o Rei…com a ajuda do Rei, eu vou conseguir…o Rei me curou…o Rei cuida de mim…o Rei me consola…

No caso de catástrofes, doenças, fome, perseguição, estupros, morte, etc…foi a vontade do Rei…o Rei sabe o que faz…o morto descansou e está agora ao lado do Rei…foi uma provação…um castigo pelas ofensas que fizemos ao Rei…é nossa culpa, nossa máxima culpa, a morte do filho do Rei…Ele morreu para nos salvar…do REI?????

Os seus desejos de ascensão na sociedade… ou de mudar o seu país para melhor…depende da vontade do Rei. Conforme-se…ou fuja do Rei, fugindo dos ungidos do Rei e daqueles que são servos do Rei.

Você ateu que não acredita que o Rei existe, também é comandado pelo Rei e é propriedade do Rei, independente da sua vontade.

“Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos senhores, não somente aos bons e humanos, mas também aos maus.” 1 Pedro 2:18

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?
Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” 1 Coríntios 6:19,20

Aprenda a ler nas entrelinhas e só assim você poderá se dizer um ser humano livre.

O Vazio da Existência

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Arthur Schopenhauer

 

Esse vazio encontra sua expressão em toda forma de existência, na infinitude do Tempo e Espaço em oposição à finitude do indivíduo em ambos; no fugaz presente como a única forma de existência real; na dependência e relatividade de todas coisas; em constantemente se Tornar sem Ser; em continuamente desejar sem ser satisfeito; na longa batalha que constitui a história da vida, onde todo esforço é contrariado por dificuldades, até que a vitória seja conquistada. O Tempo e a transitoriedade de todas as coisas são apenas a forma sob a qual o desejo de viver — que, como coisa-em-si, é imperecível — revelou ao Tempo a futilidade de seus esforços; é o agente pelo qual, a todo o momento, todas as coisas em nossas mãos tornam-se nada e, portanto, perdem todo seu verdadeiro valor.

 

O que foi não mais existe; existe exatamente tão pouco quanto aquilo que nunca foi. Mas tudo que existe, no próximo momento, já foi. Consequentemente, algo pertencente ao presente, independentemente de quão fútil possa ser, é superior a algo importante pertencente ao passado; isso porque o primeiro é uma realidade, e está para o último como algo está para nada.

Um homem, para seu assombro, repentinamente torna-se consciente de sua existência após um estado de não-existência de muitos milhares de anos; vive por um breve período e então, novamente, retorna a um estado de não-existência por um tempo igualmente longo. Isso não pode ser verdade, diz ao seu coração; e mesmo as mentes rudes, após ponderarem sobre o assunto, devem sentir algum tipo de pressentimento de que o Tempo é algo ideal em sua natureza. Essa idealidade do tempo, juntamente com a do espaço, é a chave para qualquer sistema metafísico verdadeiro, pois proporciona uma ordem de coisas distinta da que pode ser encontrada no domínio da natureza. Por essa razão Kant é tão grandioso.

De cada evento em nossa vida, é apenas por um momento que podemos dizer que este é; após isso devemos dizer para sempre que este foi. Cada noite nos empobrece, dia a dia. Provavelmente nos deixaria irritados ver este curto espaço de tempo esvaecendo, se não fôssemos secretamente conscientes, nas maiores profundezas de nosso ser, de que compartilhamos do inexaurível manancial da eternidade, e de que nele podemos sempre ter a vida renovada.

Reflexões com a natureza das acima podem, de fato, nos levar a estabelecer a crença de que gozar o presente e fazer disso o propósito da vida é a maior sabedoria; visto que somente o presente é real, todo o mais é representação do pensamento. Mas tal propósito poderia também ser denominado a maior tolice, pois aquilo que, no próximo instante, não mais existe e desaparece completamente como um sonho, jamais poderá merecer um esforço sério.

 

Toda a nossa existência é fundamentada tão-somente no presente — no fugaz presente. Deste modo, tem de tomar a forma de um constante movimento, sem que jamais haja qualquer possibilidade de se encontrar o descanso pelo qual estamos sempre lutando. É o mesmo que um homem correndo ladeira abaixo: cairia se tentasse parar, e apenas continuando a correr consegue manter-se sobre suas pernas; como um pólo equilibrado na ponta do dedo, ou como um planeta, o qual cairia no sol se cessasse com seu percurso. Nossa existência é marcada pelo desassossego.

Num mundo como este, onde nada é estável e nada perdura, mas é arremessado em um incansável turbilhão de mudanças, onde tudo se apressa, voa, e mantém-se em equilíbrio avançando e movendo-se continuamente, como um acrobata em uma corda — em tal mundo, a felicidade é inconcebível. Como poderia haver onde, como Platão diz, tornar-se continuamente e nunca ser é a única forma de existência? Primeiramente, nenhum homem é feliz; luta sua vida toda em busca de uma felicidade imaginária, a qual raramente alcança, e, quando alcança, é apenas para sua desilusão; e, via de regra, no fim, é um náufrago, chegando ao porto com mastros e velas faltando. Então dá no mesmo se foi feliz ou infeliz, pois sua vida nunca foi mais que um presente sempre passageiro, que agora já acabou.

Ao mesmo tempo, é algo surpreendente que, tanto no mundo de seres humanos quanto no dos animais em geral, essa variada e incansável moção é produzida e mantida por meio de dois simples impulsos — fome e o instinto sexual, ajudados talvez por um pouco de tédio, mas nada mais —, e estes, no teatro da vida, têm o poder de constituir o primum mobile de uma maquinaria tão complexa, colocando em movimento cenas tão estranhas e variadas!

Analisando os pormenores, constatamos que a matéria inorgânica apresenta um constante conflito entre forças químicas, as quais por vezes promovem a dissolução; por outro lado, a existência orgânica somente é possível através de uma contínua substituição de matéria, e não pode subsistir se não dispuser de uma eterna ajuda exterior. Portanto a vida orgânica é como o balançar de um pólo na mão; deve ser mantida em constante movimento e ter constante suprimento de matéria — da qual necessita continuamente e eternamente. Apesar disso, é apenas através da vida orgânica que a consciência é possível.

Este é o reino da existência finita, e seu oposto seria uma existência infinita, a qual não está exposta a ataques externos nem precisa de ajuda exterior; [grego: aei hosautos on] o reino da paz eterna; [grego: oute gignomenon, oute apollymenon], sem mudanças, sem tempo, sem diversidade; o conhecimento negativo do que constitui a nota fundamental da filosofia platônica. A renúncia da vontade de viver revela o caminho a um tipo de estado como esse.

 

As cenas de nossa vida são como imagens em um mosaico tosco; vistas de perto, não produzem efeitos — devem ser vistas à distância para ser possível discernir sua beleza. Assim, conquistar algo que desejamos significa descobrir quão vazio e inútil este algo é; estamos sempre vivendo na expectativa de coisas melhores, enquanto, ao mesmo tempo, comumente nos arrependemos e desejamos aquilo que pertence ao passado. Aceitamos o presente como algo que é apenas temporário e o consideramos como um meio para atingir nosso objetivo. Deste modo, se olharem para trás no fim de suas vidas, a maior parte das pessoas perceberá que viveram-nas ad interim [provisoriamente]: ficarão surpresas ao descobrir que aquilo que deixaram passar despercebido e sem proveito era precisamente sua vida — isto é, a vida na expectativa da qual passaram todo o seu tempo. Então se pode dizer que o homem, via de regra, é enganado pela esperança até dançar nos braços da morte!

Novamente, há a insaciabilidade de cada vontade individual; toda vez que é satisfeita um novo desejo é engendrado, e não há fim para seus desejos eternamente insaciáveis.

Isso acontece porque a Vontade, tomada em si mesma, é a soberana de todos os mundos: como tudo lhe pertence, não se satisfaz com uma parcela de qualquer coisa, mas apenas como o todo, o qual, entretanto, é infinito. Devemos elevar nossa compaixão quando consideramos quão minúscula a Vontade — essa soberana do mundo — torna-se quando toma a forma de um indivíduo; normalmente apenas o que basta para manter o corpo. Por isso o homem é tão miserável.

Na presente época, que é intelectualmente impotente e notável por sua veneração daquilo que é ruim em todas formas — um estado de coisas que é bastante condizente com a palavra cunhada “Jetztzeit” (tempo presente), tão pretensiosa quanto é cacofônica — os panteístas atrevem-se a dizer que a vida é, como dizem, “um fim-em-si”. Se nossa existência neste mundo fosse um fim-em-si, seria a mais absurda finalidade jamais determinada; mesmo nós próprios ou qualquer outro poderia tê-la imaginado.

A vida apresenta-se principalmente como uma tarefa, isto é, de subsistir de gagner sa vie [para ganhar a vida]. Se for cumprida, a vida torna-se um fardo, e então vem a segunda tarefa de fazer algo com aquilo que foi conquistado — a fim de espantar o tédio, que, como uma ave de rapina, paira sobre nós, pronto para atacar sempre que vê a vida livre da necessidade.

A primeira tarefa é conquistar algo; a segunda é banir o sentimento de que algo foi conquistado, do contrário torna-se um fardo.

Está suficientemente claro que a vida humana deve ser algum tipo de erro, com base no fato de que o homem é uma combinação de necessidades difíceis de satisfazer; ademais, se for satisfeito, tudo que obtém um estado de ausência de dor, no qual nada resta senão seu abandono ao tédio. Essa é uma prova precisa de que a existência em si mesma não tem valor, visto que o tédio é meramente o sentimento do vazio da existência. Se, por exemplo, a vida — o desejo pelo qual se constitui nosso ser — possuísse qualquer valor real e positivo, o tédio não existiria: a própria existência em si nos satisfaria, e não desejaríamos nada. Mas nossa existência não é uma coisa agradável a não ser que estejamos em busca de algo; então a distância e os obstáculos a serem superados representam nossa meta como algo que nos satisfará — uma ilusão que desvanece assim que o objetivo é atingido; ou quando estamos engajados em algo que é de natureza puramente intelectual — quando nos distanciamos do mundo a fim de podermos observá-lo pelo lado de fora, como espectadores de um teatro. Mesmo o prazer sensual em si não significa nada além de um esforço contínuo, o qual cessa tão logo quanto seu objetivo é alcançado. Sempre que não estivermos ocupados em algum desses modos, mas jogados na existência em si, nos confrontamos com seu vazio e futilidade; e isso é o que denominamos tédio. O inato e inextirpável anseio pelo que é incomum demonstra quão gratos somos pela interrupção do tedioso curso natural das coisas. Mesmo a pompa e o esplendor dos ricos em seus castelos imponentes, no fundo, não passam de uma tentativa fútil de escapar da essência existencial, a miséria.

 

O fato de que a mais perfeita manifestação da vontade de viver — o organismo humano, com a sua sutil e complexa maquinaria — deve decair e finalmente render todos os seus esforços à extinção — esse é o simples meio pelo qual a Natureza, invariavelmente verdadeira e sincera, declara todo o esforço da vontade, em sua própria essência, como estéril e inútil. Se tivesse algum valor em si, algo incondicionado e absoluto, seu fim não seria a inexistência. Esta é a nota dominante da bela música de Goethe:

 

No alto da velha torre
Fica o herói de mente nobre.

[Hoch auf dem alten Thurme steht
Des Helden edler Geist.]


 

O homem é apenas um fenômeno, não a coisa-em-si — digo: o homem não é [grego: ontos on]; isso se comprova pelo fato de que a morte é uma necessidade.

E quão diferente o começo de nossas vidas é do seu fim! O primeiro é feito de ilusões de esperança e divertimento sensual, enquanto o último é perseguido pela decadência corporal e odor de morte.

O caminho que divide ambas, no que concerne nosso bem-estar e deleite da vida, é a bancarrota; os sonhos da infância, os prazeres da juventude, os problemas da meia-idade, a enfermidade e miséria frequente da velhice, as agonias de nossa última enfermidade e, finalmente, a luta com a morte — tudo isso não faz parecer que a existência é um erro cujas consequências estão se tornando gradualmente mais e mais óbvias?

Seria sábio considerar a vida como um desengaño, uma ilusão; que tudo está organizado nesse sentido: isso está suficientemente claro.

É apenas no microscópio que nossa vida parece grandiosa. É um ponto indivisível, captado e ampliado pelas poderosas lentes do Tempo e do Espaço.

Tempo é um elemento em nosso cérebro que, por meio da duração, cria uma semelhança de realidade na existência absolutamente vazia das coisas e de nós mesmos.

Quanta tolice há no homem que se arrepende e lamenta por não ter aproveitado oportunidades passadas, as quais poderiam ter-lhe assegurado esta ou aquela felicidade ou prazer! O que resta desses agora? Apenas o fantasma de uma lembrança! E é o mesmo com tudo aquilo que faz parte de nossa sorte. De modo que a forma do tempo, em si, e tudo quanto é baseado nisso, é um modo claro de provar a nós a vacuidade de todos deleites terrenos.

Nossa existência, assim como a de todos animais, não é duradoura, mas apenas temporária, meramente uma existentia fluxa, que pode ser comparada a um moinho no qual há constante mudança.

É verdade que a forma do corpo dura por um tempo, mas apenas sob a condição de que a matéria esteja sempre mudando, de que a velha matéria seja descartada e uma nova seja incorporada. É o principal empenho de todas as formas viventes assegurar um constante suprimento de matéria aproveitável. Ao mesmo tempo, estão conscientes de que sua existência é modelada de modo a durar apenas um período de tempo, como foi dito. Por essa razão tentam, quando estão abandonando a vida, deixá-la para outrem que tomará seu lugar. Essa tentativa toma a forma do instinto sexual em autoconsciência, e na consciência de outras coisas apresenta-se objetivamente — isto é, na forma do instinto genital. Esse instinto pode ser comparado ao enfileiramento de uma corrente de pérolas; um indivíduo sucedendo o outro tão rapidamente como as pérolas na corrente. Se nós, em imaginação, acelerarmos essa sucessão, veremos que a matéria está mudando constantemente em toda a fileira assim como está mudando em cada pérola, enquanto retém a mesma forma: percebemos então que temos apenas uma quasi-existência. Que são somente as Ideias que existem e criaturas-sombra daquilo que lhes corresponde — isso é a base dos ensinamentos de Platão.

A ideia de que não somos nada senão um fenômeno, em oposição à coisa-em-si, é confirmada, exemplificada e clarificada pelo fato de que a conditio sine qua non de nossa existência é um contínuo fluxo de descarto e aquisição de matéria que, como nutrição, é uma constante necessidade. De modo que nos assemelhamos a fenômenos como fumaça, fogo ou um jato de água, todos os quais desvanecem ou cessam diretamente se não houver suprimento de matéria. Pode ser dito, então, que a vontade de viver apresenta-se na forma de um fenômeno puro que termina em nada. Esse nada, entretanto, juntamente com o fenômeno, permanece dentro do limite da vontade de viver e são baseados nesse. Admito que isso é um pouco obscuro.

Se tentarmos obter uma perspectiva geral da humanidade num relance, constataremos que em todo lugar há uma constante e grandiosa luta pela vida e existência; que as forças mentais e físicas são exploradas ao limite; que há ameaças, perigos e aflições de todo gênero.

Considerando o preço pago por isto tudo — existência e a própria vida —, veremos que houve um intervalo quando a existência era livre de sofrimento, um intervalo que, entretanto, foi imediatamente sucedido pelo tédio, o qual, por sua vez, foi rapidamente sucedido por novos anseios.

O tédio ser imediatamente sucedido por novos anseios é um fato também verdadeiro à mais sábia ordem de animais, pois a vida não tem valor verdadeiro e genuíno em si mesma, mas é mantida em movimento por meio de meras necessidades e ilusões. Tão logo quanto não houver necessidades e ilusões tornamo-nos conscientes da absoluta futilidade e vacuidade da existência.

Se deixarmos de contemplar o curso mundo como um todo e, em particular, a efêmera e cômica existência de homens enquanto sucedem um ao outro rapidamente para observar a vida em seus pequenos detalhes: quão ridícula é a visão!

Impressiona-nos do mesmo modo como uma gota d’água, uma simples gota fervilhando de infusoria, é vista por um microscópio, ou um pedaço de queijo cheio de carunchos invisíveis a olho nu. Sua atividade e luta uns contra os outros em um espaço tão pequeno nos entretém grandemente. Acontece o mesmo no pequeno lapso da vida — uma grande e séria atividade produz um efeito irrisório.

Nenhum homem jamais se sentiu perfeitamente feliz no presente; se acontecesse, isso o entorpeceria.

Sobre livros e leitura

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Arthur Schopenhauer

A ignorância só degrada a pessoa quando é acompanhada de riqueza. O pobre é limitado por sua pobreza e por suas necessidades; no seu caso o trabalho substitui o saber e ocupa seus pensamentos. Por outro lado, os ricos que são ignorantes vivem apenas para seus prazeres e se parecem ao gado, como podemos notar diariamente. Isto é ainda mais censurável porque não usaram a riqueza e o ócio para aquilo que lhes empresta o mais alto valor.

Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: só repetimos seu processo mental. Trata-se de um caso semelhante ao do aluno que, ao aprender a escrever, traça com a pena as linhas que o professor fez com o lápis. Portanto, o trabalho de pensar nos é, em grande parte, negado quando lemos. Daí o alívio que sentimos quando passamos da ocupação com nossos próprios pensamentos à leitura. Durante a leitura nossa cabeça é apenas o campo de batalha de pensamentos alheios. Quando estes, finalmente, se retiram, que resta? Daí se segue que aquele que lê muito e quase o dia inteiro, e que nos intervalos se entretém com passatempos triviais, perde, paulatinamente, a capacidade de pensar por conta própria, como quem sempre anda a cavalo acaba esquecendo como se anda a pé. Este, no entanto, é o caso de muitos eruditos: leram até ficar estúpidos. Porque a leitura contínua, retomada a todo instante, paralisa o espírito ainda mais que um trabalho manual contínuo, já que neste ainda é possível estar absorto nos próprios pensamentos. Assim como uma mola acaba perdendo sua elasticidade pelo peso contínuo de um corpo estranho, o mesmo acontece com o espírito pela imposição ininterrupta de pensamentos alheios. E assim como o estômago se estraga pelo excesso de alimentação e, desta maneira prejudica o corpo todo, do mesmo modo pode-se também, por excesso de alimentação do espírito, abarrotá-lo e sufocá-lo. Porque quanto mais lemos menos rastro deixa no espírito o que lemos: é como um quadro negro, no qual muitas coisas foram escritas umas sobre as outras. Assim, não se chega à ruminação [1]: e só com ela é que nos apropriamos do que lemos, da mesma forma que a comida não nos nutre pelo comer, mas pela digestão. Se lemos continuamente sem pensar depois no que foi lido, a coisa não se enraíza e a maioria se perde. Em geral não acontece com a alimentação do espírito outra coisa que com a do corpo: nem a quinquagésima parte do que se come é assimilado, o resto desaparece pela evaporação, pela respiração ou de outro modo.

Acrescente-se a tudo isso que os pensamentos postos no papel nada mais são que pegadas de um caminhante na areia: vemos o caminho que percorreu, mas para sabermos o que ele viu nesse caminho, precisamos usar nossos próprios olhos.

Nenhuma qualidade literária como, por exemplo, força de persuasão, riqueza de imagens, dom de comparação, audácia, ou amargor, ou brevidade, ou graça, ou leveza de expressão, ou ainda agudeza, contrastes surpreendentes, laconismo, ingenuidade etc., podemos adquirir lendo autores que as possuam. O que podemos é, através deles, despertar em nós tais qualidades no caso de já as possuirmos como inclinação, quer dizer em potentia, trazê-las à consciência, podemos ver tudo o que se pode fazer com elas, podemos ser fortalecidos nessa inclinação, na coragem de usá-las, podemos julgar o funcionamento de seu uso pelos exemplos e, assim, podemos aprender seu uso correto; em todo caso é só depois disto que as possuímos também em actu. Esta é a única maneira de a leitura educar-nos para escrever, na medida em que nos ensina o uso que podemos fazer de nossos dons naturais; sempre na suposição de que esses dons existam. Sem eles, no entanto, não aprendemos com a leitura nada além de um maneirismo frio, morto, e nos tornamos imitadores superficiais.

Os inspetores de saúde pública deveriam, no interesse de nossos olhos, cuidar de que houvesse um mínimo fixo, a não ser desobedecido, para o tamanho das letras impressas. (Quando eu estava em Veneza em 1818, na época em que ainda se fabricavam as verdadeiras correntes venezianas, um ourives me disse que aqueles que faziam a catena fina ficavam cegos aos 30 anos.)

Assim como as camadas de terra conservam em filas os seres vivos de épocas passadas, as prateleiras das bibliotecas também conservam em filas os erros do passado e suas explicações que, como aqueles no seu tempo, eram muito vivos e faziam muito barulho, mas hoje estão ali rígidos e petrificados, e só o paleontólogo literário os contempla.

Xerxes, segundo Heródoto, chorou ao mirar seu inumerável exército porque pensou que de todos aqueles homens nenhum estaria vivo cem anos depois: assim, quem não choraria ao ver um grosso catálogo de feira de livro, ao pensar que de todos esses livros nenhum estará vivo em menos de dez anos?

O que acontece na literatura não é diferente do que acontece na vida: para onde quer que nos dirijamos, imediatamente encontramos a incorrigível plebe da humanidade, que existe em toda parte como uma legião, que ocupa tudo e suja tudo, como moscas no verão. Daí a imensidão de livros ruins, essa erva daninha da literatura que se alastra, que retira a nutrição do trigo e o sufoca. Assim, eles usurpam o tempo, o dinheiro e a atenção do público a que, por lei, pertencem os bons livros e seus nobres objetivos, enquanto os livros ruins foram escritos com a única finalidade de gerar dinheiro ou propiciar emprego. Não são, portanto, apenas inúteis, mas positivamente daninhos. Nove décimos de toda nossa literatura atual não tem outra finalidade a não ser o de tirar alguns centavos do bolso do público: com este objetivo conspiram decididamente o autor, o editor e o crítico.

É um golpe baixo e mal intencionado, mas lucrativo, que os literatos, os autores que escrevem para ganhar o pão e os polígrafos, conseguiram dar contra o bom gosto e a verdadeira educação do século, levando o mundo elegante pela coleira, adestrando-o para ler a tempo, ou seja, todos sempre a mesma coisa, o mais recente, para ter em seus círculos sobre o que conversar: para cumprir este objetivo servem os romances ruins e outras produções do tipo de penas outrora famosas como as de Spindler, Bulwer, Eugène Sue e outros. O que pode ser mais miserável do que o destino de tal público literário que se acha obrigado a ler, a todo momento, as últimas publicações de cabeças absolutamente ordinárias, que escrevem apenas por dinheiro e que, por esta razão, existem sempre em grande número e conhecem apenas de nome as obras dos raros e superiores espíritos de todos os tempos e de todos os países! – Os jornais de literatura diários são, em especial, um meio habilmente inventado para roubar do público estético o tempo que este deveria dedicar às verdadeiras produções adequadas à sua formação e fazer com que este dedique seu tempo às improvisações cotidianas de cabeças ordinárias.

Como as pessoas leem sempre em vez do melhor de todos os tempos, o mais recente, os autores permanecem na esfera estreita das ideias circulantes, e o século se enterra cada vez mais profundamente nos seus próprios excrementos.

É por isso que, no que se refere a nossas leituras, a arte de não ler é sumamente importante. Esta arte consiste em nem sequer folhear o que ocupa o grande público, o tempo todo, como panfletos políticos ou literários, romances, poemas, etc., que fazem tanto barulho durante algum tempo, atingindo mesmo várias edições no seu primeiro e último ano de vida: deve-se pensar, ao contrário, que quem escreve para palhaços sempre encontra um grande público e consagre-se o tempo sempre muito reduzido de leitura unicamente às obras dos grandes espíritos de todos os tempos e de todos os países, que se destacam do resto da humanidade e que a voz da fama identifica. Só eles educam e ensinam realmente.

Os ruins nunca lemos de menos e os bons nunca relemos demais. Os livros ruins são veneno intelectual: eles estragam o espírito.

Para ler o bom uma condição é não ler o ruim: porque a vida é curta e o tempo e a energia escassos.

Livros são escritos sobre este ou aquele grande espírito da Antiguidade e o público os lê, mas não lê as próprias obras; isto porque quer ler apenas o que acaba de ser publicado e, já que similis simili gaudet [Os semelhantes se atraem], para ele o vazio e insípido dis-que-diz das cabeças de vento de hoje é mais adequado e agradável do que os pensamentos de um grande espírito. Eu, porém, agradeço o destino que me apresentou ainda na juventude o belo epigrama de A. W. Schlegel, que, desde então, é minha estrela-guia:

Leia os antigos com cuidado, os antigos de verdade.
O que os novos dizem deles quase nada significa.

Ah, como uma cabeça ordinária se parece com outra! Como são fundidas em um único molde! Como lhes ocorre o mesmo pensamento, e nada mais, nas mesmas circunstâncias! Juntam-se a isto ainda seus sórdidos interesses pessoais. O diz-que-diz sem sentido de tais anões é lido por um público estúpido desde que tenha sido impresso hoje, enquanto os grandes espíritos são deixados nas estantes.

É realmente incrível a estupidez e a burrice do público que deixa de ler os espíritos mais nobres e mais extraordinários de todos os tempos e países em todos os campos para ler os rabiscos cotidianos de cabeças ordinárias, que surgem aos montes todo ano, como moscas – só porque foram impressos hoje e a tinta ainda está fresca. Tais produções deveriam ser ignoradas e desprezadas no dia mesmo do seu nascimento, como ocorrerá dentro de alguns anos, mera matéria de riso dos tempos passados e suas tolices.

Há, em todas as épocas, duas literaturas que caminham uma ao lado da outra de uma maneira muito estranha: uma verdadeira e uma apenas aparente. A primeira cresce para ser uma literatura permanente. Feita por pessoas que vivem para a ciência ou a poesia, ela segue séria e silenciosa, mas extremamente devagar, mal produz na Europa uma dúzia de obras por século, as quais, entretanto, permanecem. A segunda, feita por pessoas que vivem da ciência ou da poesia, anda a galope, acompanhada de muito barulho e da gritaria dos interessados e lança todo ano muitos milhares de obras no mercado. Mas, passados uns poucos anos, pergunta-se: onde estão elas? Onde está sua fama, antes tão precoce e tão ruidosa? É por isso que também se pode chamar esta literatura corrente e a anterior de literatura permanente.

Seria bom comprar livros se pudéssemos comprar também o tempo para lê-los, mas, em geral, se confunde a compra de livros com a apropriação de seu conteúdo.

Esperar que alguém tenha retido tudo que já leu é como esperar que carregue consigo tudo o que já comeu. Ele viveu de um fisicamente, do outro espiritualmente e assim se tornou o que é. Contudo, assim como o corpo assimila o que lhe é homogêneo, cada um de nós retém o que lhe interessa, ou seja, aquilo que convém a seu sistema de pensamentos ou a seus objetivos. Todos, certamente, têm objetivos, mas poucos têm algo que se pareça a um sistema de pensamentos: daí não mostrarem nenhum interesse objetivo por nada e, em consequência, nada do que leram se fixa: não retêm nada de suas leituras.

Repetitio est mater studiorum [A repetição é a mãe dos estudos]. Todo livro minimamente importante deveria ser lido de imediato duas vezes, em parte porque na segunda compreendemos melhor as coisas em seu conjunto e só entendemos bem o começo quando conhecemos o fim; em parte porque, para todos os efeitos, na segunda vez abordamos cada passagem com um ânimo e estado de espírito diferentes do que tínhamos na primeira, o que resulta em uma impressão diferente e é como se olhássemos um objeto sob uma outra luz.

As obras são a quintessência de um espírito: daí elas serem incomparavelmente mais ricas que o contato pessoal, mesmo quando se trata de um grande espírito, as obras acabam por substituí-lo na essência – e, inclusive, o superam largamente e o deixam para trás. Mesmo os escritos de um espírito medíocre podem ser instrutivos, dignos de leitura e agradáveis, precisamente porque são sua quintessência, o resultado, o fruto de todos os seus pensamentos e estudos – enquanto a convivência com ele não consegue nos satisfazer. Daí que possamos ler livros de pessoas cuja convivência não nos agradaria e, assim, uma alta cultura espiritual nos leva pouco a pouco a encontrar entretenimento quase exclusivamente com livros e não mais com as pessoas.

Não há maior deleite para o espírito que a leitura dos antigos clássicos: tão logo tomamos um deles, nem que só por meia hora, nos sentimos refrescados, aliviados, purificados, elevados e fortalecidos; exatamente como se tivéssemos bebido de uma fresca fonte. Deve-se isto as línguas antigas e sua perfeição? Ou à grandeza dos espíritos cujas obras permaneceram incólumes e intactas por milhares de anos? Talvez a ambos motivos. Se algo sei é que se, tal como agora se ameaça, o estudo das línguas antigas fosse abandonado, surgiria uma literatura feita de escritos tão bárbaros, superficiais e sem valor, como nunca antes existiu; especialmente porque a língua alemã, que possui algumas das perfeições das línguas antigas, está sendo dilapidada entusiástica e metodicamente pelos escribas sem valor “do tempo de agora”, de tal modo que ela, empobrecida e mutilada, pouco a pouco se transforme em um miserável jargão.

duas histórias: a política e a da literatura e da arte. Uma é a história da vontade, a outra, ao contrário, do intelecto. Daí que uma seja assustadora, terrível mesmo: medo, aflição, fraude e crimes espantosos, em massa. A outra, ao contrário, é em toda parte gratificante e agradável, como o intelecto solitário, mesmo quando retrata caminhos equivocados. Seu ramo principal é a história da filosofia. Na verdade, é este o baixo contínuo, cujas notas se ouvem mesmo na outra história, cujo significado, em essência, também dá a direção. Daí que a filosofia seja também, bem e propriamente compreendida, a mais poderosa força material; no entanto ela atua muito lentamente.

Na história do mundo, meio século é sempre um tempo considerável, pois sua matéria continua fluindo, já que sempre alguma coisa acontece. Na história da literatura, pelo contrário, o mesmo período, muitas vezes, não conta, simplesmente porque não aconteceu nada. As tentativas malogradas não lhe interessam. Está-se, assim, no mesmo lugar onde se estava há cinquenta anos.

Para esclarecer isto, pode-se comparar o progresso do conhecimento da humanidade a uma órbita planetária. Assim, os descaminhos que a humanidade percorre depois de cada progresso significativo poderiam ser representados por egípcios ptolomaicos, de cujo percurso a humanidade volta ao ponto onde estava antes do começo. As grandes cabeças, porém, que realmente levam adiante o gênero humano nessas órbitas, não participam desse epiciclo. Assim se explica porque o aplauso da posteridade geralmente se paga com a perda da aprovação dos contemporâneos e vice-versa.

Um desses epiciclos é, por exemplo, o da filosofia de Fichte e Schelling, coroada no final por sua caricatura hegeliana. Esse epiciclo partia da circunferência que Kant, por último, tinha percorrido até então, de onde eu, posteriormente, o retomei para levá-lo adiante: nesse ínterim os tais falsos filósofos e mais alguns outros percorreram seu epiciclo que agora, enfim, se completa, pelo qual o público que correu com eles se dá conta de que se encontra exatamente no mesmo lugar de onde tinha saído.

Com este desenrolar dos acontecimentos se relaciona o fato de aproximadamente a cada 30 anos ser declarada a bancarrota do espírito científico, literário e artístico da época. Nesse período os erros se acumularam em tal proporção que acabam caindo sob o peso de seu próprio absurdo e, ao mesmo tempo, a oposição se fortaleceu com eles. Assim, as coisas se invertem: muitas vezes, contudo, surge então um erro no sentido oposto. Mostrar este curso das coisas em um periódico retorno deveria ser exatamente o objeto pragmático da história da literatura: mas esta se preocupa pouco com isso. Ademais, devido à brevidade relativa desses períodos, os dados de tempos remotos são, muitas vezes, difíceis de coletar: daí que se possam observar o fenômeno mais facilmente em sua própria época. Se se quiser um exemplo das ciências exatas, pode-se tomar a genealogia netúnica de Werner. No entanto, atenho-me ao exemplo acima mencionado, que está mais próximo de nós. Ao brilhante período de Kant seguiu-se, na filosofia alemã, imediatamente outro no qual se esforçou por impor-se em vez de convencer, de ser pomposo e hiperbólico em vez de ser sólido e claro e, em especial, de ser incompreensível; de fato, de fazer intrigas em vez de procurar a verdade. Deste modo, a filosofia não podia progredir.

Finalmente, veio a bancarrota de toda essa escola e desse método. Pois em Hegel e seus comparsas, a petulância de escribas, por um lado, e a autopromoção inescrupulosa, por outro, junto com o evidente propósito de todo o grande tumulto, atingiram tamanhas proporções que os olhos de todos tinham que abrir frente a toda essa charlatanice, e quando, em consequência de determinadas revelações, foi retirada a proteção superior, abriu-se também a boca de todos. Os antecedentes fichteanos e schellingianos dessa pseudofilosofia, a mais miserável que já existiu, foram arrastados por ela ao abismo do descrédito. Por causa disso aparece agora à luz do dia a total incompetência filosófica da primeira metade do século que seguiu a Kant na Alemanha, enquanto que, face ao exterior alardeiam-se os dons filosóficos dos alemães – sobretudo depois que um autor inglês teve a maliciosa ironia de chamá-los de um povo de pensadores.

Quem quiser provas da história da arte para o esquema geral dos epiciclos aqui exposto, que considere a escola escultórica de Bernini, ainda florescente no século passado, sobretudo em sua continuação francesa, que em vez da beleza da antiguidade representava a natureza vulgar e, em vez da simplicidade e da graça dos antigos, representava maneiras de minueto francês. Esta escola entrou em bancarrota quando, depois da crítica de Winckelmann, seguiu-se uma volta à escola dos antigos. Outra prova da história da pintura é dada pelo primeiro quartel deste século, que considerava a arte como um mero meio e instrumento de uma religiosidade medieval e que, consequentemente, escolheu assuntos eclesiásticos como único tema, os quais hoje, contudo, são tratados por pintores a quem falta a verdadeira sinceridade da fé, que, porém, em consequência da mencionada ideia fixa, tomaram como modelos a Francesco Francia, Pietro Perugino, Ângelo da Fiesole e outros como eles e que consideravam a estes mais do que os verdadeiros grandes mestres que vieram depois. Referindo-se a esse desvio, e porque ao mesmo tempo se impunha uma tendência análoga na poesia, Goethe escreveu a parábola “Pfaffenspiel”. Também essa escola foi em seguida considerada como fundamentando-se em caprichos, entrou em bancarrota e foi seguida pela volta à natureza, expressando-se através de pinturas de costumes e todo tipo de cenas de vida, ainda que se perdendo também, de vez em quando, na vulgaridade.

Similar à marcha do progresso humano acima descrita, a história da literatura é, em sua maior parte, o catálogo de um gabinete de abortos. O álcool no qual esses fetos são conservados durante mais tempo é couro de porco. Os poucos nascimentos bem sucedidos, no entanto, não devem ser procurados ali: eles continuam vivos e se encontram em toda parte do mundo, onde eles caminham em uma juventude eternamente fresca. Só eles constituem a literatura verdadeira, indicada no parágrafo anterior e cuja história pobre em personalidades aprendemos, desde a juventude, da boca de todas as pessoas cultas e não, em primeiro lugar, dos manuais. Contra a monomania, hoje dominante, de ler a história da literatura para poder discorrer sobre tudo sem conhecer nada de fato, recomendo uma passagem de Lichtenberg [2], que bem merece ser lida, do volume II, p. 302 da antiga edição.

Eu gostaria muito que alguém, algum dia, tentasse uma história trágica da literatura, que explicasse como as diferentes nações, que se mostram tão orgulhosas dos grandes autores e artistas que produzem, trataram-nos durante sua vida; que também nos revelasse a luta interminável que o bom e o verdadeiro de todos os tempos e países tiveram que travar contra o errado e o mais sempre dominantes, que pintasse o martírio de quase todos os verdadeiros iluminadores da humanidade, quase todos os mestres, de todo tipo e arte; que nos mostrasse como eles, salvo poucas exceções, se atormentaram sem reconhecimento, sem retribuição, sem discípulos, na pobreza e na miséria, enquanto os indignos gozam de fama, honra e riqueza, acontecendo-lhes o mesmo que a Esaú, que caçava para seu pai, enquanto Jacó, em sua casa, roubava o direito de primogenitura, disfarçado em suas vestes; como apesar de tudo, como todos que o amor de suas coisas mantém de pé, até que enfim cessa a árdua luta de tal educador da humanidade, o louro imortal lhe acena e soa a hora em que também para ele se aplica:

A pesada armadura se torna manto alado,
Breve é a tristeza e infinita a alegria.

Notas

Extraído de “Über Lesen und Bucher”, capítulo 24 de Parerga und Paralipomena (1851), Sobre Livros e Leitura foi originalmente publicado em edição bilíngue pela Editora Paraula, em 1993, com reimpressão em 1994.

  1. Na prática, o fluxo contínuo e forte de novas leituras só serve para acelerar o esquecimento do já lido.
  2. A passagem de Lichtenberg diz: “Acho que em nossos dias se persegue a história das ciências demasiado minuciosamente, para grande detrimento da própria ciência. Ela é de leitura agradável, mas deixa a cabeça não exatamente vazia mas, de fato, sem força; justamente porque a enche tanto. Todo aquele que já sentiu em sua vontade de não encher sua cabeça, mas sim de fortalecê-la, desenvolver suas forças e aptidões, expandir-se, terá notado que não há nada mais chocho que conversar com um dos chamados literatos científicos sobre algo em que ele mesmo não meditou, mas de que sabe mil circunstâncias histórico-literárias. É quase como ler um livro de receitas quando se está com fome. Acho também que, entre as pessoas que pensam, que sentem seu próprio valor e o da verdadeira ciência, da assim chamada história literária nunca os empolgará. Essas pessoas usam mais a razão do que se preocupam em saber como os outros usaram as deles. O que é mais triste neste caso, como se comprova, é que quanto mais aumenta a tendência para as pesquisas bibliográficas em uma ciência, mais diminui a força para aumentar a própria ciência, e só cresce o orgulho pela posse da ciência. Pessoas desse tipo pensam mais na posse das ciências do que seus verdadeiros possuidores. É certamente uma observação com fundamento que a verdadeira ciência nunca torna seu possuidor orgulhoso; ao contrário, só se deixam inflar de orgulho aqueles que, por incapacidade de aumentar a própria ciência, dedicam-se ao esclarecimento de seus detalhes mais obscuros, ou sabem recontar o que os outros fizeram, pois consideram essa ocupação principalmente mecânica como o próprio exercício da ciência. Eu poderia provar isto com exemplos, mas os exemplos são coisas odiosas.”

O Sistema Cristão

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Artur Schopenhauer

Escrito em 1851

Quando a Igreja diz que, no que concerne os dogmas da religião, a razão é totalmente incompetente e cega, e seu uso deve ser repreendido, isso está na realidade atestando o fato de que esses dogmas são alegóricos em sua natureza, e não devem ser julgados pelo padrão no qual somente a razão se adapta, tomando todas as coisas sensu proprio. Deste modo, os absurdos de um dogma são apenas uma marca, um sinal do que nele é alegórico e mitológico. No caso sob consideração, entretanto, os absurdos originaram-se do fato de que duas doutrinas tão heterogêneas como as do Velho e Novo Testamento tiveram de ser combinadas. A grande alegoria teve um crescimento gradual. Sugerida por circunstâncias externas e casuais, desenvolveu-se pela interpretação sobre esta, uma interpretação taticamente relacionada com certas verdades profundas apenas parcialmente compreendidas. A alegoria foi finalmente completada por Santo Agostinho, que penetrou mais profundamente em seu significado, e assim foi capaz de concebê-la como um todo sistemático e resolver seus defeitos. Consequentemente, a doutrina agostiniana, confirmada por Lutero, é a forma completa do cristianismo; e os protestantes de hoje, que veem a revelação sensu proprio e a confinam a um único indivíduo, estão equivocados ao olhar os rudimentos do cristianismo como sua mais perfeita expressão. Mas o lado ruim de todas religiões é que, em vez de poderem confessar sua natureza alegórica, têm de ocultá-la; por extensão, ostentam suas doutrinas com toda seriedade como verdadeiras sensu proprio, e como absurdos constituem uma parte essencial dessas doutrinas, tem-se o grande dano de uma fraude contínua. E, o que é pior, chega o dia em que não são mais verdadeiras sensu proprio, e então se chega ao seu fim; de forma que, neste particular, seria melhor admitir sua natureza alegórica de uma vez. Mas a grande dificuldade consiste em ensinar às massas que algo pode ser verdadeiro e falso ao mesmo tempo. E como todas religiões são, em maior ou menor grau, dessa natureza, devemos reconhecer o fato de que a humanidade não é capaz de proceder sem uma certa quantidade de absurdo — que o absurdo é um elemento de sua existência, uma ilusão indispensável; como, de fato, outros aspectos de sua vida testificam. Afirmei que a combinação do Velho Testamento com o Novo Testamento deu luz a absurdidades. Entre os exemplos que ilustram meu ponto de vista, posso citar a doutrina cristã da predestinação e da graça, como formulada por Santo Agostinho e adotada deste por Lutero; de acordo com esta, um homem é dotado de graça e outro não. A graça, então, consiste de um privilégio recebido no nascimento e chega ao mundo em sua forma acabada; um privilégio também, numa questão de primeira importância. O que há de funesto e absurdo nessa doutrina pode ser rastreado à ideia contida no Velho Testamento, de que o homem é a criação de uma vontade externa, a qual lhe convocou à existência a partir do nada. É bastante verdadeiro que a genuína excelência moral é de fato inata; mas o significado da doutrina cristã é expresso de um modo distinto — e mais racional — através da teoria da metempsicose*1, bem conhecida pelos brâmanes e dos budistas. De acordo com essa teoria, as qualidades que distinguem um homem de outro são recebidas no nascimento, isto é, são trazidas de outro mundo e uma vida anterior; essas qualidades não são um presente externo da graça, mas os frutos dos atos perpetrados nesse outro mundo. Mas o dogma da predestinação de Santo Agostinho está conectado com outro dogma, a saber, de que o grosso da humanidade está corrompido e destinado à danação eterna, de que muitos poucos serão considerados ordeiros e obterão a salvação, e isso apenas em consequência do dom da graça, e porque estavam predestinados à salvação; enquanto o resto será dominado pela perdição que mereceram, e posteriormente sofrerão a tormenta eterna no inferno. Visto em sua significação comum, o dogma é revoltante, pois se chega a isto: condena-se um homem, seja quem for, talvez sequer com vinte anos, a expiar seus erros, ou mesmo sua descrença, através de um sofrimento eterno; mais ainda, faz desta danação quase universal um efeito natural do pecado original, e portanto a consequência necessária da queda*2. Este resultado deve ter sido previsto por aquele que fez a humanidade, o qual, em primeiro lugar, não os fez melhores do que são e, em segundo lugar, fez-lhes uma armadilha na qual necessariamente sabia que iriam cair; pois fez o mundo todo e nada lhe é oculto. Então, de acordo com essa doutrina, Deus criou a partir do nada uma raça fraca e propensa ao pecado para bani-la ao tormento eterno. E, como última característica, ouvimos que este Deus, o qual prescreve tolerância e perdão a todo pecado, não exercita nada disso, mas faz exatamente o oposto; pois uma punição que não chega ao fim com todas as coisas — quando o mundo estiver terminado e seu papel cumprido — não pode ter como objetivo a melhora ou a deterioração e, portanto, trata-se de pura vingança. Assim, desse ponto de vista, toda a raça de fato está destinada à tortura e danação eternas, e criada expressamente para cumprir este fim, tendo como única exceção os poucos que são resgatados pela eleição da graça — por motivos que são de todos desconhecidos.

Colocando isso de lado, parece que nosso Sagrado Senhor criou o mundo em benefício do diabo! Teria sido tão melhor se não o tivesse criado absolutamente. Seria demais, todavia, para um dogma tomado sensu proprio. Mas o vejamos sensu allegorico e toda a questão torna-se passível de uma interpretação satisfatória. O que há de absurdo e revoltante neste dogma é, no principal, como disse, o simplório desenlace do teísmo judaico, com sua “criação a partir do nada” e sua tola e paradoxal negação da doutrina da metempsicose, a qual está envolvida nesta ideia, uma doutrina de que é natural, até um certo ponto autoevidente e, exceto pelos judeus, aceita por quase toda a raça humana em todos os tempos. A fim de remover o enorme mal proveniente do dogma agostiniano e a fim de modificar sua natureza revoltante, o papa Gregório I, no século VI, muito prudentemente desenvolveu a doutrina do Purgatório, a essência da qual já existia em Origen*3. A doutrina foi regularmente incorporada à fé da Igreja, de modo que a visão original foi muito modificada, e um certo substituto foi proporcionado à doutrina da metempsicose; pois tanto uma quando a outra admitem o processo da purificação. Com o mesmo intuito, a doutrina da “Restauração de todas as coisas” [grego: apokatastasis] foi estabelecida, de acordo com a qual, no último ato da Comédia Humana, os pecadores todos seriam restabelecidos in integrum. São apenas os protestantes, com sua crença obstinada na Bíblia, que não conseguem ser induzidos a abrir mão da punição eterna no inferno. Se alguém fosse rancoroso, poderia dizer “que isso lhes faça muito bem”, mas é consolador pensar que não acreditam realmente na doutrina — deixam-na em paz, pensando em seus corações “não pode ser tão mau assim”.

O caráter rígido e sistemático da mente de Santo Agostinho levou-o — em seu austero dogmatismo e sua resoluta definição de doutrinas apenas indicadas na Bíblia e, de fato, sobre fundamentos muito vagos — a apresentar perfis rígidos a essas doutrinas e colocar interpretações severas sobre o cristianismo: o resultado foi que sua visão nos ofende, e assim como em seu tempo o pelagianismo*4 surgiu para combatê-lo, em nossos dias o racionalismo faz o mesmo. Tome, por exemplo, o caso em que afirma genericamente no De Civitate Dei, livro XII, cap. 21. Resume-se a isto: Deus cria um ser a partir do nada, o proíbe de certas coisas e ordena-lhe outras; e porque esses comandos não são obedecidos, tortura esse ser por toda a eternidade com toda angústia concebível; e, para esse propósito, une corpo e alma inseparavelmente — de tal forma que o tormento não destrói este ser através de sua separação em seus elementos, libertando-o — para que este possa viver em eterna dor. Esta pobre criatura, feita a partir do nada! Ao menos possui uma reivindicação sobre seu nada original: deve ser assegurado, como questão de direito, desta última retirada, a qual, em todo caso, não pode ser muito má: foi aquilo que herdou. Não posso absolutamente deixar de me compadecer com este ser. Se adicionarmos a isso as doutrinas agostinianas restantes, de que tudo isso não depende dos próprios pecados e omissões do homem, pois já foi predestinado a acontecer, realmente não se sabe o que pensar. Nossos racionalistas altamente educados sem dúvida dizem “é tudo falso, é apenas um bicho-papão; estamos num estado de constante progresso, passo a passo elevando-nos em maior perfeição”. Ah! Que pena não termos começado antes; já deveríamos estar lá.

No sistema cristão o diabo é um personagem da maior importância. Deus é descrito como absolutamente bom, sábio e poderoso; e, se não fosse contrabalanceado pelo diabo, seria impossível conceber de onde veio a inumerável e imensurável maldade que predomina neste mundo se não há um diabo para responsabilizar. E, desde que os racionalistas livraram-se do diabo, o dano infligido ao outro lado continua a crescer, e está tornando-se mais e mais palpável; como poderia ter sido previsto — e foi previsto — pelos ortodoxos. O fato é que não se pode remover um pilar de uma construção sem comprometer todo o seu resto. E isso confirma a visão — a qual foi estabelecida em outros fundamentos — de que Jeová é uma transformação de Ormuzd, e Satã de Ahriman, o qual deve ser considerado vinculado ao primeiro. O próprio Ormuzd é uma transformação de Indra.

O cristianismo tem essa desvantagem peculiar de que, ao contrário de outras religiões, não é um sistema doutrinário puro: sua principal e essencial característica consiste em se tratar de uma história, uma série de eventos, uma coleção de fatos, um testemunho dos atos e das dores de indivíduos: é essa história que constitui o dogma, e a crença nesta a salvação. Outras religiões — por exemplo, o budismo — têm, é verdade, apêndices históricos, a saber, a vida de seus fundadores: isso, entretanto, não é uma parte, uma parcela do dogma, mas é incorporada juntamente. Por exemplo, o Lalita-Vistara pode ser comparado com o Evangelho, visto que contém a vida de Sakya-muni, o buda do período atual da história mundial: mas isso é algo bastante à parte e diferente do dogma, do sistema em si; e por esta razão: as vivências dos budas antigos foram substancialmente diferentes e as dos do futuro também serão diferentes das do buda de hoje. O dogma absolutamente não se confunde com a carreira de seu fundador; este não se sustenta em pessoas ou eventos individuais; é algo universal e igualmente válido em todos os tempos. O Lalita-Vistara não é, portanto, um evangelho no sentido cristão da palavra; não é a jubilosa mensagem de um ato de redenção; é a carreira daquele que demonstrou como cada qual pode redimir-se a si próprio. A constituição histórica do cristianismo faz os chineses rirem dos missionários enquanto contadores de histórias.

Posso mencionar aqui outro erro fundamental do cristianismo, um erro que não pode ser justificado, e cujas consequências nocivas são óbvias o tempo todo: refiro-me à inatural distinção que o cristianismo faz entre o mundo humano e animal — ao qual, de fato, pertence. Estabelece o homem como todo-importante e olha aos animais tão-somente como coisas. O bramanismo e o budismo, por outro lado, verdadeiros para com os fatos, reconhecem de um modo positivo que o homem está relacionado genericamente com toda a natureza, especialmente e principalmente com a natureza animal; e, em seus sistemas, o homem é sempre representado pela teoria da metempsicose ou, do contrário, como intimamente conectado com o mundo animal. O importante papel representado pelos animais através de todo o budismo e bramanismo, em comparação com seu completo desprezo no judaísmo e cristianismo, põe fim a qualquer dúvida a respeito de qual sistema está mais próximo da perfeição, apesar de na Europa termos nos tornado acostumados à absurdidade da alegação. O cristianismo contém, de fato, uma grande e essencial imperfeição em limitar seus princípios ao homem e em recusar direitos a todo o mundo animal. Como a religião falha em proteger os animais das multidões brutas, insensíveis e frequentemente mais que bestiais, o dever recai sobre a lei; e como a lei é desigual nesta tarefa, formaram-se agora por toda a Europa e América sociedades pela proteção dos animais. Em toda a não-circuncidada Ásia, tal procedimento seria a coisa mais supérflua do mundo, pois animais são suficientemente protegidos pela religião, que até os faz objetos de caridade. Um exemplo de como tais sentimentos de caridade se manifestam pode ser visto no grande hospital de animais em Surat, ao qual cristãos, maometanos e judeus podem enviar seus animais enfermos que, se curados, muito corretamente não são devolvidos aos seus donos. Do mesmo modo, quando um brâmane ou um budista tem boa sorte, um acontecimento feliz em qualquer questão, em vez de murmurar um Te Deum*5, vai ao mercado, compra pássaros e abre as gaiolas nos portões da cidade; algo que pode ser visto frequentemente em Astrachan, onde os adeptos de todas religiões se encontram: e assim por diante em centenas de outras maneiras. Por outro lado, veja-se o rufianismo revoltante com o qual nosso público cristão trata seus animais; matando-os sem nenhum motivo e rindo-se disso, ou os mutilando ou torturando; mesmo seus cavalos, que constituem os meios mais diretos para seu sustento, são exigidos ao máximo em idade avançada, e o último esforço é explorado de seus pobres ossos até que finalmente sucumbam sob o chicote. Alguém poderia afirmar, com razão, que a humanidade é o diabo da Terra, e os animais as almas que atormentam. Mas o que se poderia esperar das massas quando há homens educados, mesmo zoólogos que, em vez de admitir o que lhes é tão familiar, a essencial identidade entre o homem e o animal, são fanáticos e estúpidos o suficiente para oferecer uma diligente resistência aos seus colegas honestos e racionais quando classificam o homem corretamente como um animal ou demonstram a semelhança entre este e um chimpanzé ou orangotango. É algo revoltante que um escritor tão devoto e cristão em seus sentimentos como Jung Stilling use um paralelo como este, em seu Scenen aus dem Geisterreich. (livro II, p. 15) “Repentinamente o esqueleto enrugou-se numa forma indescritivelmente horrenda e acanhada, assim como quando se coloca uma grande aranha no foco de uma lamparina, e observa o sangue purulento assoviar e borbulhar no calor”. Esse homem de Deus era, então, culpado de tal infâmia! Ou observou calmamente enquanto outro a cometia! Em ambos os casos, chega-se à mesma conclusão. Pensou-o um mal tão pequeno que o mencionou de passagem, e sem um traço de emoção. Tais são os efeitos do primeiro livro de Gênesis e, de fato, de toda a concepção judaica de natureza. O padrão reconhecido pelos hindus e budistas é o Mahavakya (o grande verbo) — “tat-twam-asi” (isto é a ti próprio), que pode sempre ser dito de qualquer animal para lembrar-nos da identidade de seu ser íntimo como o nosso. Perfeição moral, de fato! Absurdo.

As características fundamentais da religião judaica são o realismo e o otimismo, visões do mundo que estão intimamente relacionadas; constituem, de fato, as condições do teísmo. Pois o teísmo vê o mundo material como absolutamente real e considera esta vida como uma agradável bênção que nos foi concedida. Por outro lado, as características fundamentais das religiões brâmanes e budistas são o idealismo e o pessimismo, vendo a existência do mundo como com uma natureza onírica e a vida como resultado de nossos pecados. Nas doutrinas de Zend-Avesta — das quais, como se sabe, o judaísmo teve origem — o elemento pessimista é representado por Ahriman. No judaísmo, Ahriman tem, como Satã, apenas uma posição subordinada; mas, como Ahriman, é o senhor das serpentes, dos escorpiões e da canalha. Mas o sistema judaico posteriormente utiliza Satã para corrigir o otimismo, seu erro fundamental, e na Queda introduz o elemento pessimista, uma doutrina exigida pelos fatos mais óbvios do mundo. Não há ideia mais verdadeira no judaísmo que essa, apesar de transferir ao curso da existência o que deveria ser representado como seu fundamento e antecessor.

No Novo Testamento, por outro lado, deve ser de algum modo possível remeter a origens indianas: seu sistema ético, sua visão ascética da moralidade, seu pessimismo e seu Avatar, são todos completamente indianos. É sua moralidade que o coloca em uma posição de tamanho enfático e essencial antagonismo com o Velho Testamento, de modo que a estória da Queda é o único ponto de conexão possível entre os dois. Pois quando a doutrina indiana foi importada à terra prometida, duas coisas muito diferentes tiveram de ser combinadas: por um lado, a consciência da corrupção e miséria do mundo, sua necessidade de redenção e salvação por meio de um Avatar, juntamente com uma moralidade baseada da autonegação e arrependimento; por outro lado, a doutrina judaica do monoteísmo, com seu corolário de que “todas as coisas são muito boas” [grego: panta kala lian]. E a tarefa foi empreendida tanto quanto possível, isto é, tanto quanto se pode combinar duas crenças de tal modo heterogêneas e antagônicas.

Como a hera agarra-se e se estabelece em um tronco, conformando-se em todos os lugares às irregularidades e revelando seu perfil, mas ao mesmo tempo cobrindo-o com vida e graça, transformando o antigo aspecto em algo agradável ao olhar; assim a fé cristã, originada da sabedoria da Índia, transborda sobre o velho tronco do rude judaísmo, uma árvore de crescimento distinto; a forma original deve permanecer em parte, mas sofrendo uma completa mudança e tornando-se cheia de vida e verdade, de um modo que aparenta ser a mesma árvore, mas na realidade é outra.

O judaísmo apresentou o Criador separado do mundo, o qual produziu a partir do nada. O cristianismo identifica este Criador com o Salvador e, através deste, com a humanidade: figura como seu representante; são redimidos por meio dele, assim como caíram em Adão, e permaneceram desde então cativos da iniquidade, corrupção, sofrimento e morte. Tal é a visão adotada pelo cristianismo em comum com o budismo; o mundo não pode mais ser visto à luz do otimismo judaico, que achava “todas coisas muito boas”; não, no esquema cristão, o diabo é nomeado como seu Príncipe ou Governante ([grego: ho archon tou kosmoutoutou] João 12, 33). O mundo não é mais um fim, mas um meio: o reino da felicidade eterna está além deste, além do túmulo. A resignação neste mundo e o direcionamento de todas as nossas esperanças a um melhor constituem o espírito do cristianismo. O caminho para este fim é aberto pelo Sacrifício, que é a Redenção deste mundo e seus meios. E no sistema moral, em vez da lei da vingança, há o comando de amar seu inimigo; em vez da promessa de imensurável prosperidade, a garantia da vida eterna; em vez da visita dos pecados dos pais sobre os filhos até a terceira e quarta gerações, o Espírito Santo governa e cobre todos.

Vemos, então, que as doutrinas do Velho Testamento são retificadas e têm seu significado alterado pelas do Novo, de modo que, nos assuntos mais importantes e essenciais, uma concordância é trazida entre estes e as antigas religiões da Índia. Tudo que é verdadeiro no cristianismo também pode ser encontrado no bramanismo e budismo. Mas no hinduísmo e budismo em vão se procuraria por um paralelo com as doutrinas judaicas de “um nada trazido à vida” ou de “um mundo feito no tempo” que não pode ser humilde o bastante em sua gratidão e louvores a Jeová por uma existência efêmera cheia de miséria, angústia e necessidades.

Qualquer indivíduo que seriamente pense que seres supra-humanos concederam à nossa raça informações quanto aos objetivos de sua existência e do mundo ainda está em sua infância. Não há outra revelação senão os pensamentos dos sábios — e mesmo esses pensamentos estão sujeitos a erros, como é sina de tudo que é humano —, que frequentemente estão vestidos por estranhas alegorias e mitos sob o nome de religião. Assim, é indiferente se um homem vive e morre com a crença em seus próprios pensamentos ou em pensamentos alheios; pois nunca passa de um pensamento humano, de uma opinião humana, na qual confia. Ainda assim, em vez de confiar no que suas próprias mentes lhes dizem, os homens, via de regra, têm uma fraqueza para confiar naqueles que fingem ter fontes sobrenaturais de conhecimento. E, tendo em vista a enorme desigualdade intelectual entre os homens, é fácil perceber que os pensamentos de uma mente podem, num certo sentido, parecer uma revelação a outra.

Notas do tradutor
  1. Doutrina segundo a qual uma mesma alma pode animar sucessivamente corpos diversos, homens, animais ou vegetais.
  2. Referência à “queda do homem” mencionada na Bíblia, retratada na parábola da desobediência de Adão e Eva.
  3. Origen — 185 – 254? — acreditava que o inferno era as chamas do julgamento através das quais todos precisam passar. Os ordeiros passariam em um instante e chegariam ao paraíso em oito dias após o julgamento final. Os perversos permaneceriam no fogo por “um século de séculos”, um longo — mas não eterno — período de tempo. Eventualmente, todos escapariam das chamas do julgamento e atingiriam o céu. Apesar de sua visão do inferno ter sido rejeitada pelos que vieram depois dele, sua imaginação pode ter influenciado pensadores posteriores.
  4. A doutrina de Pelágio (séc. V), heresiarca inglês, a qual nega o pecado original e a corrupção da natureza humana e, consequentemente, a necessidade do batismo.
  5. Lat. te, ‘te’, ‘a ti’, + Deum, ‘Deus’; Subentende-se laudamus, ‘louvamos’. Cântico da Igreja católica, em ação de graças, que principia por essas palavras latinas; hino ambrosiano.

Humildade x Humilhação

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Por Ana Burke

Quando alguém diz para sermos humildes eu fico pensando: o que é ser humilde na visão de tal pessoa? Será que a mesma pensou alguma vez ou refletiu sobre o significado de “ser” humilde? O conceito de humildade está normalmente atrelado ao conceito de que as pessoas devem ser subservientes e isto é o mesmo que estar subjugado, ir contra a sua própria natureza, sufocar os seus desejos, os seus anseios e impedir que o seu “ser” real venha a tona.

As religiões exploram e exigem que dos seus adeptos humildade; batem e rebatem e inculcam neles um conceito distorcido não diferenciando humildade de humilhação. A humildade a que a maioria se refere está sempre relacionada aos relacionamentos humanos, entre os quais existem diferenças de classe social e educação.

Na verdade a humildade como a imposição de uma falsa consciência das suas limitações se confundem com a obrigatoriedade em permanecer inerte diante de injustiças e concordando com a sua própria inferioridade diante de outros. Isto promove e mantem a desigualdade social, o que é de extrema necessidade para a sobrevivência das religiões e da classe dominante. O mais humilhado, e tido como humilde, é levado a acreditar que ele é menos apto a abstrair ideias ou racionalizar. Ele passa a ignorar a sua própria situação mendicante, devendo abaixar e dobrar a cerviz para o outro subir.

Ser humilhado, para o cristianismo, é algo muito bom e vantajoso. O cristão deve aceitar, sem reagir as humilhações pois, diante de Deus, os humilhados serão exaltados numa outra vida hipotética e prometida aos ingênuos. Para o cristão, ser humilde ou ser humilhado o faz superior diante de Deus, o que é contraditório já que, segundo a religião, se considerar superior em qualquer situação é arrogância. Já Jesus ensina e dá o exemplo ameaçando com a condenação aqueles que não seguem o seu exemplo e não carregam a sua cruz. Aos religiosos é ensinado que devem ser “pequenos” e “insignificantes” neste mundo e devem se afastar do mundo pois tudo o que faz parte do mundo é pecaminoso, o que nos diz que Deus é imperfeito por construir um mundo de pecados.

E o que é o paraíso senão um lugar e uma condição social que lhe foi negada nesta vida? A maioria tem esta promessa como uma verdade a ser cumprida, afinal, Deus deixou um livro…só que o Deus do Velho Testamento NUNCA falou em vida depois da morte. A vida eterna depois da morte não existe nem mesmo no Novo Testamento. Os judeus nunca acreditaram em vida eterna ou castigos eternos depois da morte mas, segundo os crédulos que por serem crédulos, não investigam e por serem os humildes e humilhados nunca vão duvidar pois duvidar os tirariam da sua zona de conforto, se deixam ser manipulados por outros seres humanos que têm necessidade de uma escada na sua escalada rumo ao sucesso e poder…neste mundo.
De repente, depois de morto, aquele que foi covarde em vida, deu a outra face aos inimigos, abaixou a cerviz, aceitou o jugo, enriqueceu pastores, sacerdotes e deu boa vida aos seus doutrinadores, vão ganhar o paraíso. É muito fácil tirar o doce de uma criança mas é muito mais fácil enganar adultos carentes, pobres e semianalfabetos.

Em resumo, a maioria é egoísta, vive num círculo fechado onde os seus interesses são prioritários, se preocupam com o supérfluo, são hipócritas, se preocupam em demasia com a sua aparência e muito pouco com o seu cérebro. Olhar mais longe faz bem; se inteirar de que o outro, fora do seu mundo pequeno e insignificante existe, faz bem; criar expectativas a respeito da sua própria salvação enquanto outros não conseguem um pedaço de pão para comer é o cúmulo da insensatez. Quando se fala em mudar o país ou mudar o mundo, só estão pensando em si mesmos. Quando rezam estão “tirando o corpo fora” e, no fundo, estão contentes porque a maldade que está acontecendo lá não está acontecendo no seu mundinho, e consigo mesmo. Quando dizem amém estão escondendo o monstro que existe dentro de si, principalmente quando exibem fotos bizarras mostrando o sofrimento alheio. Pedir a Deus é bom porque acreditando que Ele vai ajudar não há necessidade de se mover. Pior ainda é a frase: “Deus é quem quer assim” ou “Deus é quem sabe” ou “São os desígnios de Deus”…frases conformistas e ao mesmo tempo monstruosas.

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Eu Vou Para o Inferno

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Por Ana Burke

Eu quero ir para o inferno. Estive pensando e comparando Deus, Satanás e as vantagens e desvantagens em viver eternamente ao lado de Deus ou viver eternamente ao lado de Satanás. Desde que “dizem” que eu tenho livre arbítrio, eu espero poder escolher mas eu sei que o livre arbítrio não existe. Basta analisar….Deus vai julgar a todos e, quem julga, não é democrático, não dá oportunidade de escolha. Quem julga, decide por você, e se alguém decide por você, não existe livre arbítrio .

Deus é o Senhor da guerra, dos exércitos, da violência e da maldade; um mentecapto, assassino, pedófilo, mentiroso e só os hipócritas ou ignorantes a respeito dos verdadeiros desígnios de Deus o seguem. No Velho Testamento o inferno é a sepultura e o maior castigo é a morte física. Deus mata inocentes e deixa viver os criminosos; Ele matou a humanidade inteira incluindo mulheres, crianças nascidas e crianças que estavam por nascer deixando viver Ló que teve relações sexuais com as duas filhas e filhos com elas dando a entender que é normal um Pai abusar das filhas.

Deus foi incompetente quando fez uma humanidade imperfeita, matou a todos e construiu novamente a humanidade a partir de Noé, um beberrão e louco que condenou o próprio filho por vê-lo nu e bêbado. Teoricamente somos o resultado desta aberração. Convencem a todos que são culpados pela incompetência de Deus; convencem a todos que devem se martirizar pelos pecados que Deus cometeu; convencem a todos que Abraão é um santo mas sabemos que ele se casou com a irmã e a prostituiu; convencem a todos que irmãos devem odiar irmãos e todos devem ser contra todos. Jesus disse isto claramente, que Ele não veio para trazer a paz, mas a espada e o tormento eterno. É é deste modo que vivem os seus seguidores, num tormento eterno, na escuridão da ignorância e em guerra.

Jesus ensina que todos devem entrar pela porta estreita porque a porta larga é a porta da perdição e todos acreditam nisto; acreditam que viver na pobreza e na ignorância é algo bom e em contraposto o conhecimento é algo ruim. Se você está num caminho estreito este caminho funciona como uma viseira daquelas que os cavalos domados usam e isto significa que a sua visão do mundo e da verdade sobre a sua real situação a respeito de si mesmo está distorcida; a escravidão na qual você vive é mascarada.

As pessoas que estarão no céu, segundo ameaças e chantagens praticadas dentro das igrejas serão todos os assassinos, torturadores, ladrões, estelionatários, pedófilos, estupradores; os ditos pastores ou “Homens de Deus” e aqueles que se deixam alienar carregando debaixo do braço um livro de crimes, sem nunca ter lido este livro, acreditando que tal livro é sagrado…santo. Estar no mesmo barco que esta gente seria pior do que conviver com Satanás mesmo que eu acreditasse nestas lorotas. Mas vamos supor que eu acredite. Vão estar neste “paraíso” o Silas Malafáia, Marco Feliciano, Edir Macedo, Estevão Hernandes e a esposa, o Valdomiro Santiago e todos os seus iguais, os adestradores da massa impensante, dominada, sem personalidade e chamadas de leigos, ovelhas e outros adjetivos que os desqualificam.

Neste céu vão estar todos os evangélicos atrás dos “Ungidos de Deus” com a bíblia debaixo do braço repetindo versículos decorados e inculcados em suas mentes assim como os Papas e seus asseclas; os leigos católicos com suas estátuas milagreiras em procissão e que acham que é normal comer o corpo e beber o sangue de um zumbi de mais de dois mil anos. Eu vou para o inferno mesmo. Lá é muito mais saudável.

Vai estar neste céu também o Calvino, aquele demente que matou pessoas por nada, principalmente mulheres queimadas na fogueira, e junto com ele o louco do Lutero, o perseguidor dos camponeses e dos ditos judeus…professor do Hitler. O pior é ficar escutando as tais músicas gospel, musicas estas que contem ameaças, chantagens e que deteriora o cérebro, principalmente de crianças inocentes; musicas como esta: Só me faltava esta. “Se pecar, vai pagar…se pecar, vai pagar…se pecar, vai pagar…”. As mães e pais alienados acham isto lindo.

No céu vão estar todos os assassinos que na hora de morrer são perdoados como se o fato de ser perdoado apagasse os seus crimes. Os ladrões que se arrependem passam a ser chamados de “bons ladrões” e estarão no paraíso dos loucos. Matou, roubou, estuprou, torturou, praticou pedofilia…não importa o crime, basta pedir perdão e estará perdoado. O único crime que não merece perdão é a descrença, ou seja, a sensatez. Se as pessoas pensassem veriam que este paraíso vai ser pior que o inferno que inculcaram em suas mentes e que acreditam que existe.

Nem em sonhos eu quero viver eternamente neste Céu com os padres, bispos, arcebispos, cardeais e toda a parafernália do Vaticano se embolando com os evangélicos, os muçulmanos, os mórmons e os espíritas e isto sem contar que cada muçulmano vai ter, cada um deles, 72 virgens que, terminada a relação sexual, voltam a ser virgens e nunca envelhecem. Já, as idosas, vão ser recriadas virgens novamente. É muita suruba pra minha cabeça. Estas virgens são chamadas de houris, e vão existir só pra satisfazer os prazeres sexuais dos homens. Mulher até no céu tem que ser abusada, mercadoria de consumo, prostituta. Céu pra quem? Para as mulheres não vai existir céu. Qual a diferença as houris e qualquer prostituta? Eles não gostam de idosas, só de jovens…e muito jovens, a maioria crianças. Se seguirem o exemplo do chefe deles, o profeta Maomé, vão preferir as virgens de seis a nove anos de idade.
Em seu livro Legal Opinions, o Xeque Sha ‘rawi, respondendo a uma pergunta de um tarado qualquer sobre se teriam intercurso sexual no paraíso, ele respondeu: ‘Sim, juro por Aquele que tem a minha alma em Sua mão que será um intercurso vigoroso e, logo que o homem se separe dela, ela voltará a ser imaculada e virgem’”.

Vão fazer do céu um harém, ou coisa pior…Outros vão seguir a bíblia ou os ensinamentos dos padres e pastores, isto é: Façam o que eu mando e não o que eu faço. Pronto! Todos os cristãos vão estar convencidos de que se transformaram em anjos do céu como ensina Mateus 22: 29-30:
“Vocês estão errados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus. Na ressurreição, as pessoas não se casam nem são dadas em casamento; mas são como os anjos do céu”.

Dá pra imaginar? Os cristãos como anjos, ajoelhados, e os muçulmanos na suruba?

Segundo os mórmons, negros não vão estar no paraíso. Só sei que no paraíso só vai ser encontrado um grupo que as várias religiões apontam como merecedores deste paraíso. Os muçulmanos só querem virgens brancas, portanto não vão ter negras no paraíso dos muçulmanos.

No paraíso dos cristãos não vão existir deficientes físicos porque o seu deus os proibiu de chegar perto do seu altar. Também não vão existir homossexuais e eu penso que nem mulheres vão estar no paraíso dos cristãos a não ser as mulheres muçulmanas para serem usadas como suas prostitutas. Deus detesta mulheres e é só conferir na bíblia.
E o que vai ter de terrorista no paraíso? Todos os que explodiram pessoas inocentes, os homens-bomba e cada um com as suas 72 virgens.

Vai ser o caos este paraíso, ou este Céu. Eu vou mesmo para o inferno. Satanás é o meu escolhido.

O paraíso vai ser um terror para qualquer pessoa inteligente. Católicos em procissão atrás da Maria. Nem Eva foi criada por Deus e nem Maria. As duas, segundo os adestradores do Senhor, foram crias dos homens e devido a isto são inferiores. Maria subiu de corpo e alma para o céu e está andando por lá há mais de 2000 anos com o seu corpinho de carne. O ar deve ser irrespirável se considerarmos todos os promovidos a santos. Santos estes que têm uma história suja, imunda e fétida por trás da sua santidade. A história por trás das aparições de Maria são escabrosas mas para os leigos – e são chamados de leigos porque acreditam em lorotas – Maria é a mãe de Deus e mãe de Deus não poderia nunca ser boa coisa.

Todos são injustos com Satanás. Ninguém nunca fez uma comparação entre Satanás e Deus. Ninguém nunca leu a bíblia por si mesmo. Satanás nunca matou ninguém. E no caso de Jó Deus foi o responsável. Satanás não é inimigo de Deus. Os dois estavam conversando como Senhor e servo fiel a respeito de Jó, da sua fé ou fidelidade incondicional e irrestrita a Deus. Satanás desafiou Deus que aceitou o desafio. Neste caso podemos afirmar que Satanás é mais inteligente que Deus pois o sabedor de todas as coisas não estava seguro e não sabia que Jó lhe era fiel dizendo a Satanás:
“…estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face. E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor.” Jó 1:7-12

O crente não pensa. A história de Jó, muito repetida nos púlpitos tem como função fazer acreditar que toda a sua família pode ser morta, tudo pode lhe ser tirado e todas as doenças e toda a pobreza que lhe for enviada deve ser aceita. A única coisa que você nunca pode esquecer é que deve ter fé em Deus, confiar Nele e agradecer por todo o seu sofrimento. Deus não gosta de famílias felizes e Jesus deixa bem claro que deve-se abandonar a família sendo esta é a vontade de Deus. Procure uma família saudável e feliz em toda a bíblia e você não vai encontrar; procure amor e moralidade na bíblia e você não vai encontrar.

Satanás fez como Deus mandou e toda a família de Jó foi morta, todas as suas posses lhe foram tiradas, acrescentou-se a isto várias doenças e outros sofrimentos. É esta a lição desta história: “Deus têm que ser amado sobre todas as coisas” e ao mesmo tempo ensinam aos crentes que se deve temer a Deus, o que é contraditório. Quem não pensa, paga, e paga caro. A vida de Jó se transformou num poço de doenças, tortura, morte e desolação. Toda a sua família foi assassinada por Satanás a mando de Deus. Jó teve que sofrer e se humilhar. Humilhação e sofrimento agrada a Deus.

Pai humano, pense: você faria isto com os seus filhos?

Mateus, 5:5 diz que, “os mansos herdarão a terra”. Dizem que a Terra será restaurada e aqui será o paraíso. Onde fica o Céu nesta história? A Terra só poderá ser restaurada se o Ser Humano deixar de existir. As igrejas nunca se preocuparam com o meio ambiente, nunca defenderam a vida. Elas sobrevivem do terror, cultuando a morte fazem questão de perpetuar a miséria de todos os tipos, principalmente a miséria intelectual e moral. Deus e Jesus Cristo são o exemplo da imoralidade, a falta de respeito ao ser humano e a todo o tipo de ser vivo. Jesus matou a figueira porque não era época de frutos, colocou demônios em porcos, disse aos seus apóstolos que veio somente para o povo de Israel e alertou os seus apóstolos para nunca se aproximarem dos gentios que sempre foram discriminados pelos judeus. Como este planeta vai ser restaurado? De que forma se os próprios Cristãos destroem, discriminam, são preconceituosos, ameaçam aqueles que não agem como eles agem ou não pensam como eles pensam? A maioria é fanática e assim como mataram incontáveis seres humanos na Idade Média, podem voltar a matar a qualquer momento. As religiões e os religiosos sempre mataram mais do que todas as guerras juntas. Não bastaria ensinar nas igrejas que se deve conservar o planeta porque este é o seu paraíso neste momento? E ainda querem a vida eterna…Talvez pra fazer mais maldade do que fazem ou fizeram até agora?

Estou deduzindo que só vai ter criminoso neste paraíso. Homens estuprando mulheres, os assassinos da inquisição comandados por São Domingos; os espíritas que têm pavor da morte e esperam ir e voltar, os muçulmanos que tratam as mulheres, mães dos seus filhos, como se fossem suas escravas, os judeus que eu penso que deveriam bater a cabeça no muro da lamentação de verdade e com vontade…para arrebentar porque cérebro não existe mais naqueles crânios; os indianos e chineses que abortam ou matam crianças quando estas são fêmeas, os japoneses budistas que pregam que o Ser humano só se tornará iluminado se não tiver desejos….ou seja, só serão iluminados se se transformarem em NADA. Quem não têm desejos ou necessidades não está vivo.

A Terra precisa ser restaurada mesmo, mas os Seres Humanos conscientes são muito poucos. Só o Ser Humano pode reverter a situação de catástrofe ambiental que ele próprio causou. Quem está dentro dos currais não têm a mínima noção do que está acontecendo fora. Aquele que entra pela porta estreita só consegue ver aquilo que um cavalo que usa viseira consegue ver e a sua visão do mundo é limitada e direcionada pelo seu dono ou pastor que também é o seu Senhor e Deus.

Tomara que eu possa escolher porque eu quero mesmo, já decidi, é ir para o inferno.

Estou muito longe…

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Estou muito longe…do diz-que-diz, da insignificância, dos pobres de espírito, da miserabilidade humana, dos zumbis que tentam sugar a energia daqueles que estão vivos, da inveja e do inferno que certas pessoas carregam dentro de si. Estou muito longe…da ignorância.

Que os mentirosos, hipócritas e infelizes carreguem o seu fardo até que a morte os levem de encontro ao nada que eles são. Contaminam o planeta com as suas doenças e queixas. São parasitas….estou muito longe; no verdadeiro paraíso. No paraíso onde só os seres humanos privilegiados, verdadeiros e felizes são encontrados. Paraíso que só conhecem aqueles que ousam olhar para dentro de si mesmos. No paraíso que pertence àqueles que têm os olhos abertos para o belo e o para o bom…Estou muito longe…no paraíso construído por mim mesma, onde a verdadeira vida acontece e a paz é rainha.

Humanos Brancos X Humanos Negros

Por Ana Burke

Todos nós temos um pouco de negro. Os Japoneses antigos e chineses também eram negros. Coloque 10 pessoas que se julgam brancas, uma ao lado da outra, e observe se todas são da mesma cor. Não existe raça branca…fomos branqueados e os negros também estão sendo branqueados quando cruzam com pessoas mais claras, obtendo descendentes mais claros. Certa vez eu fiz esta experiência com meus alunos sendo que 99% deles se consideravam brancos. Coloquei metade deles na frente e pedi para que os outros escrevessem as suas observações. Depois fiz o contrário. Ficaram confusos a princípio porque todos eram de cores diferentes ou para mais claro ou para mais escuro assim como na cor dos olhos e cabelos. Pedi que identificassem seres vivos considerados de raça pura e comparassem. Deixei que tirassem as suas próprias conclusões. Alguns perceberam que os olhos de uma boa parte deles tinham alguma semelhantes aos olhos dos asiáticos.
Na verdade, o que eu queria que eles entendessem é que deveriam aprender a observar melhor e com mais critério o mundo ao seu redor pois o preconceito distorce a nossa visão do mundo e das coisas.

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